quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

As câmeras do mundo
Dry Neres





O que captaram nesses trezentos e sessenta e cinco dias que ficaram para trás? Souberam dizer das dores, dos amores, dos senhores? Apegaram-se somente à estética ou identificaram com precisão a beleza escondida por trás das lentes e flashes?

Houve câmeras solitárias... Aquelas que fotografaram a intimidade dos anônimos. O frio que ventou forte no coração dos famintos. A sede que congelou os lábios dos que sofrem da ausência de fé. Nossos olhos fotografam diariamente ângulos díspares de seres idênticos... E os olhos têm o petulante costume de capturar somente o que lhes é conveniente. O que as câmeras do mundo aprisionaram em imagens?

Progresso? Avanço tecnológico? Acordos políticos, climáticos? Reencontros? Abraços? Congressos empesteados de corrupção? O efeito estufa? Asfaltos, erosão? Desabamentos? Enchentes, furação?

Multidões que se aglomeram e ainda sim a solidão está em cada um. Uma multidão de solitários famintos de si mesmos. Famintos de essência, caráter, voz. São mudos mesmo quando com cordas vocais perfeitas e presentes. Têm dificuldade de se locomover rumo à ordem e ao progresso mesmo quando vestidos de verde e amarelo e com duas pernas, duas mãos e coluna vertebral na vertical em perfeitas condições.

Haverá ainda alegria em fotografar o som dos pássaros? Será ainda cada ano mais frio que os outros? Continuaremos a caminhar às escuras rumo a lugar nenhum?

De tudo o pouco que sei é que ainda que as lentes das minhas câmeras estejam nubladas com a fumaça impenetrável do que o ser humano se tornou, devemos continuar a sonhar! Deveremos fazer nascerem sorrisos nos rostos trépidos e tristes e sedentos! A beleza da poesia existe independentemente da nossa vontade... E o dom de sermos poetas, Deus nos dá de graça... Ele só pede que aos poucos possamos limpar das nossas lentes as dificuldades, os desapegos, os desenganos... E que possamos desenhar no lugar, mais abraços, mais amor, mais compaixão.

Que o ano que se inicia seja próspero em atitudes mais conscientes, em irmandade, em união!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sem graça
Dry Neres





Houve um tempo e ainda há, em que o medo ou a ausência dele, de alguma forma me leva... Existem dias em que eu me arrisco como um trapezista n'alguma ponte sem fundo. Noutros, quando venta forte, sou como criança a procurar o abrigo do colo da mãe. Oscilo entre anjo e demônio. Existem noites em que meu corpo plana gelado e trêmulo, porque sinto que me rondam entidades desconhecidas... Talvez na tentativa de me arrastarem a algum lugar devido, em que eu realmente deva morar. A maturidade me fugiu aos dedos. A minha adolescência tornou-me a aparecer - tenho tido atitudes insanas e divergentes as que eu deveria ter segundo minha idade de cronos. 

O medo de perder as pessoas que amo é tão intenso que por vezes, eu mesma expurgo-expulso de mim os seres amados. Digo-vos: 'Que vás agora que permito, antes que sem o meu consentimento os dias te arrastem de mim'. São tentativas frustradas! Ainda há em mim algo bom. Um Ser que ama, nem que seja num cubículo de espaço do peito teu. 


Neste pedacinho de tarde instiga-me a perda que ainda não tive, todavia que fora anunciada por bocas conhecidas desde tempos breves, agora. Como seria perder o útero que gerou o meu ar? Como seria ter que encarnar a mãe da irmã minha, na falta da mãe de longo sorriso que gerou nossos pulmões e órgãos todos? Ela anuncia: 'Aos três deste lar - para que saibais caminhar com seus próprios pés, porque tão breve chegará a hora tão logo anunciada em que meus olhos não acompanharão mais os teus em terra plana... Talvez num céu acima, talvez num céu'. E ainda disse: 'Não questionem o Deus - para que saibais que a hora de cada um chegará sem que possais frear ou debruças-te sobre os ponteiros do relógio que somos'.


Mais fotos eu deveria ter da vida que vivo. Mais músicas para ouvir ou cantar aos dias que me são dados. Mais sensibilidade ou caráter para fazer da vida - real. Não dá pra viver num mundo de bolha em que o meu rosto não é mais amigo. Num mundo de bolha em que a minha língua não é mais confiável, nem as mãos afagáveis. Já os rostos não são tão conhecidos. E os que são, estão confundidos diante da cegueira 'platafórmica' que consegui desenhar em meus cabelos. 


Alguém: 'Você já pensou em acabar com tudo'?


A verdade dos meus pensamentos: 'Estou pensando neste exato momento'!


O fascínio do meu mundo inventado: 'À frente marchemos. Não há nada a temer'!


Onde encontrar respostas? 

As que encontro nas literaturas, já me são insuficientes.


Como consertar alguns anos de tropeço? 


Como consertar trinta e cinco mil e quarenta horas?


'Você já pensou em acabar com tudo'?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Di-amantes
 Dry Neres



Discretamente, digo-te donzela.
Dos D's denovo,
ditongalmente.
...
Dá de dizer duamor dos D's.
Duencanto.
Duexagero.
...
Dá de dialogar de D,
dizendo - Dam;
dizendo - Dry;
Dias, dedos, dotes, dozes.
!!!!!!
Diferentemente doutros, damo-nos:
d e v o t a d a m e n t e !
Delicadamente di-amantes deixamos.
...
Datilografo dádivas
daí, dalém,
dama duamor da Dry.
!!!!!!
Dum decanato decerto:
decoro.
Declaro-me:
doida diamor, DAMa -
Deidade delonga.
...
Deliciosamente, delírio.
Demasiadamente dentre.
'Desconcertar-te-ei'?
...
Di-amantes, dou-te!
'Desconcertar-te-ei'?
Devorar-te-ei!
Doçura, delas -
duradoura descrição.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os horizontes ficam verti-Cais...
Dry Neres




Acordei com o teu nome nos lábios.
Esfreguei os olhos com o teu cheiro nas mãos. 
Balbuciei um 'Eu te amo' às escondidas.
Escrevi-te um poema doce de paixão.
[...]
Não que eu goste de rimas ou palavras escolhidas.
É que com seu amor os horizontes ficam verticais.
Não me incomodo em ser romântica ou poetisa.
É que com você encontrei meu porto, meu cais.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Vivemos
Dry Neres




Que humanos seres somos (são) esses? Vivemos em eterna revolução contra nós mesmos? Somos tão sujos e anormais que nossas faces são repelidas pelos espelhos? 


Tantas vidas, de tantas gentes... Assim, caminhando ao acaso. Assim, errando correntes. Já não é mais viver enquanto se pisca. Já não é mais sentir o sabor doce da paz da consciência. Somos assim... bizarros! Rimos da paixão alheia. Zombamos da dificuldade outra. Bebemos nosso próprio sangue ateu. Deus? Deus é um chamamento que escuto sempre quando prestes a desabar os prédios ou a tombar os trens, ouço ao longe. Verdade. O que seria? Alguma nova piada. Honestidade. O que seria? Algo novo de usar nos pneus dos carros. Vivemos pensando que amamos. Vivemos pensando ser certo o que nos torna sujos, desumanos. 


Esse, definitivamente não é o mundo em que eu quero criar os meus filhos. Não é o jardim de um éden que eu desejaria viver com minha Eva. Isso é o inferno, fato! Como acreditar no serUmano? Como acreditar em nós mesmos, quando nos traimos a cada instante? Vendemo-nos aos caprichos mundamos e somos dele escravos por escolha.

Algo mais?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu picharia os muros do mundo 
Dry Neres





Tem dias que dá um nó na garganta e uma vontade desesperadora de gritar aos quatro cantos do mundo o quanto eu amo você. Tem horas, longas horas de longas datas em que as tintas desejam ganhar vida em minhas mãos - desejaria pichar os muros do mundo! Imprimiria em suas telas a arte de amar sem fronteiras, sem reservas. 


Coloco-me a pensar neste dia. Inomeável dia em que as paredes do mundo teriam não só as suas cores perfeitas, mas ainda o teu perfume em cada recôncavo. O teu cheiro de flor faria com que a Terra se aproximasse do Céu. Quão belos são os teus olhos. Quão bela seria a pintura deste ocular globo no cenário das gentes tristes. Tua beleza é canto, cor e movimento que envolve o coração dos que vêm no mundo só desassossego e solidão. És como um anjo moreno e suave. És como estrela, fada ou mar... Se nos muros do mundo n'algum dia eu puder desenhar - minhas letras serão aquelas que talvez você já conheça, porque os dicionários só abrigam cerca de noventa e seis mil entradas lexicais ou ainda cinquenta mil verbetes de elementos mórficos. 

As palavras ainda são repetidas. Não encontraram melhor forma de dizer que se daria a própria vida por alguém; que se passaria fome por outrem; que seria peregrino em todos os mundos para que n'algum lugar pudesse brotar o sorriso teu, do que dizer bem assim, ao ouvido do pé, verso ou vice: 'Amo você, eu'! 'Eu você amo'! 'Você, eu amo'! Não importa a ordem, tampouco a explicação. Amar é: esquecer-se do próprio nome ou endereço. Amar é: não saber de si nem do outro. Beber em goles largos a presença do amor teu. Ousar escrever na tentativa de expandir sentimento este que lhe cresce o coração, que lhe enche os olfatos. 

Mil e uma cartas de amor endereçarei aos teus olhos. Esta é a primeira. Enquanto não conheço o mundo todo... Começarei pichando aqui o muro meu. O muro que havia em volta do meu coração que nem mesmo é Berlim. O muro que caiu e hoje é flor. Começarei pichando na invisibilidade o espaço que hoje é teu e sempre foi. Amar é enlouquecer e ficar Amar-Ela e RosA e VermelhA. Com uma frase tua permito-me descansar as pálpebras e os textos e as unhas:

"E o coração fica aqui pulsando: euteamo-euteamo-euteamo-euteamo"...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Descritivo
Dry Neres




Às 21h45min, sentada nesta cadeira vermelha, com as pernas entrepostas, os cabelos emaranhados. Óculos meia vista. Panturilha dolorida. Língua dormente. Você aí não sei como - se sentada, ou ausente. Se sorrindo ou me amando. Se pisca ou tosse. 


A cor dos olhos sei bem. Negros esverdeados. Cabelos encaracolados. Aquele sorriso desenhado. A alma colorida. Seus sonhos bem alicerçados. Você, integralmente em mim.

Quando ela me abraça - os órgãos, todos eles... se beijam. O ar se comprime nos olhos. Os dedos se movimentam tentando fazer-lhe carícias. A boca deseja invadir os tímpanos. Quando ela me abraça, eu consigo imaginar um mundo sem guerras, sem fome, sem mortes. Ela me traz uma aquarela pintada no sorriso. E o mundo torna-se belo, leve, lindo. E o que vejo são montanhas esverdeadas com a grama fina molhada. Pássaros, muitos, infinitos a cantarolar. Um coro excelso de anjos a nos cobrir de cuidados e caprichos - a nos proteger da 'santa inquisição'.

As 21h55min ela escreve para mim também. Deve mordiscar os dedos. Balançar as pernas na cadeira. Deve sentir o coração explodir de amor. A garganta deve estar arranhando na tentativa de fazer chegar ao teclado toda a vibração vermelha desta paixão de todas as cores e países e verbos e séculos. Atravesso as literaturas neste exato momento e me recordo de tu, minha Capitu. Suas danças e nuanças. Seus mistérios e sentidos. A loucura e a paz que você traz.

Teu amor me silencia. Às 21h59min permaneço num estado de encantamento tão profundo que me perco nas palavras. E você, agora o que faz? Ama-me como te amo? Deseja-me como meu desejo é teu? Neste momento uma lágrima invade... Minha alma, minha vida, minha felicidade. Lágrima de amor. Tu és tão pura que me causa esse turbilhão de sentimentos que vêm embrulhados nessas lágrimas felizes. Se eu pudesse d-escrever mais eu assim o faria. E quem disse que há dicionário que abrigue tanto desejo de fazer alguém feliz?!  Permaneço sentada agora. Mas é como se eu viajasse o mundo inteiro ao lado dela. Consigo crer nas várias possibilidades. Minha fé na vida e na felicidade é indescritível. Sentada, todavia não estática. Ela me movimenta. Ela...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Eu mudaria os oceanos de lugar
Dry Neres




Noite esta ardi em calor febril que nem o vento do aparelho de voar retirou-me a efervecência do corpo. Tive sonhos ardentes de amor. E no clímax do beijo tua voz se intercalou com os meus líquidos. Não descreverei a pergunta tua, mas sim a resposta minha: Eu mudaria os oceanos de lugar!

Toda a minha poesia foi facilmente transmutada ao seu Ser no instante em que seus olhos se cruzaram com os meus mesmo que presos na tela fria do computador ou do fio telefônico que nos uniu de alguma forma. E a minha respiração começou a apresentar sons parecidos com o teu nome. E eu já sentia vontade de vestir os meus dedos com alianças nossas. Facilmente, por você, eu mudaria os oceanos de lugar.

E se me fosse pedido, construiria uma nova arca de algum Noé e reuniria todos as cores desta Terra, toda a música, todo o perfume e fundaria um país só nosso. Comeria livros e mais livros de poesia até me sentir suficientemente poética para ousar balbuciar em teu ouvido minhas juras de céu e amor. 

Amor meu, concede-me a dádiva de enlaçar minhas pernas nas suas por mais longas datas e séculos. Não há nada mais suave do que ter meu corpo abraçado pelo teu. Sinto-me a mulher mais amada e desejada do mundo inteiro. Sinto-me sim, inteiramente mulher!  Eu amo cada detalhe seu. As suas cores e vozes e verbos completos. Amo sobretudo, a inquietação que me você me provoca. Amo a vontade que você me dá de ser o melhor em você, em mim. Não mudaria somente os oceanos de lugar... Eu aceitaria todo o legado de nascer novamente, e aprender a chorar, andar, sorrir se houvesse a certeza de um dia às duas décadas minhas de idade encontrar-te novamente. Aceitaria morrer se a promessa fosse de te reencontrar em outras existências. Aceitaria um casamento às escuras numa ilha grega qualquer sem estrela no céu, porque o brilho teu está em mim e não há céu nublado, noite escura ou chão sem alicerce que me dê medo. Você é minha segurança. Agora vem, fala baixinho, me aperta... Quero num sonho de olhos abertos novamente poder dizer em outra língua, em novo tom: I would change the oceans of place!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ela é real?
Dry Neres


Cuidadosamente, fora desenhada. Antes de nascer sopraram-lhe poesia aos ouvidos. Disseram-lhe que devia amar com devoção. Deram-lhe um sorriso forte e doce. Nos olhos mora-lhe a verdade. Deus quando a fez disse-lhe: - "Vai ser diferente neste mundo de imperfeição". Quando ela nasceu, os sorrisos no mundo se unificaram num segundo só... Todos sorriram sem motivo aparente. E ouvia-se o cantarolar dos anjos que a acompanharam na viagem lá da esfera de cima, até aqui. Da sutileza das flores extraíram o seu perfume. A cor da sua pele é um misto de desejo e delicadeza. Os seus negros cabelos embriagam como o movimento do vento. No livro dos dias dela, escreveram as mesmas linhas que no meu: "Vais caminhar por longas estradas e datas. Vais ser feliz n'alguns dias. Todavia, o amor vai soprar-te a vida verdadeiramente, no dia em que os seus lábios tocarem outros lábios gêmeos em alma, seus. Ainda irás questionar acerca disso, porque no caminho para a verdadeira felicidade existem percalços. Mas haverá um dia, belo dia, feliz dia, incontável dia... Em que os céus se abrirão em clareza e conhecimento. E o seu coração sentirá a leve brisa da paz e queimará em êxtase do vermelho amor. Não saberás mais andar assim tão só. Sentirá saudade mesmo ela estando ao teu lado. Cada minuto sem ela, será como atravessar o deserto do mundo. Cada segundo ao lado dela, será como transformar o mundo num jardim de um Éden. Ela será tua Eva. Tu serás a Eva dela também".
Encontramo-nos! E antes de agradecer aos céus todas as noites por sua vida na minha vida... Indago: Ela é real? Amamo-nos! Ela é tão real quanto a minha própria existência.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eu vou onde você estiver
Dry Neres


Eu não sei se sinto espanto ou sorrio. Arde em mim a nobreza de um sentimento que coordena os meus passos. Invade minha razão...

Eu era quase comum - muito segura de mim, um tanto independente... Sabedora de poesia e conhecedora de bons vinhos. Pensava até saber sorrir. Acreditava ter tocado o céu algumas vezes de tanta felicidade. Sincerametne, acreditava que a vida se resumiria a breves palpitações no órgão muscular, - aquele coração vez ou outra -.

Depois que a conheci vivo em taquicardia. As mãos não se contentam em permanecer unidas aos meus braços e insistem em imprimir naquele corpo de país afrodisíaco minhas digitais - dela. Tudo o que eu havia aprendido foi desnecessário. Joguei tudo fora. Abandonei o conhecimento secular, porque dela e somente dela eu precisara alimentar-me. Reinventei uma língua... Com ela é preciso sussurrar. Ela é revestida de sensibilidade e sutileza. É preciso tocar devagar, falar devagar... Olhar mais profundamente. Seria como tocar um livro virgem. Ela é inédita sempre. Um fogo arrebatador de corações... Ela consegue unir todas as melhores coisas do mundo em seu sorriso largo.

Estou a escrever numa situação esmagadora, porque minhas mãos pequenas não conseguem segurar todas as palavras e canções e fotos e beijos e ELA que algo ali no andar de cima derrama em mim. É como um maná dos céus excelsos, de universos infinitos... Ela é infinita em mim! Já que falei das minhas, as mãos dela são transeuntes... Fazem-me derreter. Me estremecem. Ela me lambe com as mãos. Facilmente eu seria seduzida e faria amor somente com os olhos dela - PENETRANTES! Ela tem olhos nas mãos. É conhecedora de cada extremidade mais úmida minha.

São fluídos e mais fluídos de mel que jorram dos meus órgãos, pelo simples fato de pensar nos beijos dela. Eu não conhecia o real significado do beijo. Eu era desconhecedora da felicidade. Do orgasmo. Do clímax. Do cheiro. Os meus sentidos eram literários. E os meus textos não passavam de linhas bem enfeitadas de glacê. Agora sim, sou real. Agora sim, entendo o porquê da poesia me escorrer entre os dedos... Não se aprisiona o amor em linhas, não é mesmo minha princesa?

Eu poderia passar toda a minha vida e mais outra vida e outra, a te observar em silêncio. Poderia adormecer no teu colo e não sentiria fome, nem frio... nem sede, nem outra vontade humana qualquer. Seria-me tão somente necessário morar em você mais uns trezentos, quatrocentos anos. E se me perguntares até onde eu vou por você... Eu arranco minhas roupas, imprimo novas digitais e vou caminhando até algum infinito... Faça chuva ou faça sol... Chore lágrimas de dor ou de alegria... Passe fome ou frio... Eu vou onde você estiver!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Continuar Calados?
Por: Carol Neres (Irmã minha *__*)



A voz da razão é o grito da justiça. Qual o nosso valor? Simplesmente não sabemos! Valores são incertos! Prefeito ganha doze mil reais para pintar a cidade de verde. Até o bolso dele tá verde, ora essa! Enquanto os professores que ensinam e ajudam pessoas a serem o futuro do país, nada mais ganham do que dois mil. Verde da esperança? (Haha) Ou do dinheiro roubado no bolso do prefeito? Ladrões seguem o exemplo do prefeito - Roubam! Policiais influenciados por ladrões. E os trabalhadores? - apenas calados no meio de tanta corrupção. Nossas vozes não são mais ouvidas!
Sonhos destruídos! Sem recursos andamos e seguimos desamparados. Escola... Devia ser o lugar onde buscamos recursos para uma cidade melhor. Por um lado esse é o lugar... Mas por outro, os próprios bandidos frequentam a escola... (Sim, o prefeito veio aqui!) Ah, de máscaras é claro! Tantas promessas, muros pintados. O poder verde prevalece em Cidade Ocidental. Só quem sabe é quem mora! O verde esconde nossos valores e cala nossas vozes. Mentiras transformam-se em verdades. Que mundinho hein?!
Um dia seremos ouvidos, mas esse dia não chegará enquanto continuarmos calados... Deixando o "verde" prevalecer. E a esperança é apenas ilusão espalhada por toda a cidade... Mas nunca morta em nossos corações!


(Relato de uma menina de treze anos que enxerga com os olhos que o coração nos dá... Que ao invés de se preocupar com a cor do esmalte que vai usar, devota seu tempo e pensamento buscando soluções para sanar os problemas de uma sociedade já sedenta de cuidados. Ela, a menina, cansou de ser parasita... Quer ser quase enfermeira para cuidar desse povo quase cego com esse "verde" ou o "azul" ou o "vermelho" político que pintam ruas, calam vozes, matam famílias, levam a extinção a vida. - Carol Neres - Que segue os meus passos poéticos! - Meu orgulho!)



Nota de rodapé: Verde - a cor de slogan do prefeito de Cidade Ocidental - GO

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O sorriso meu de cada dia
Dry Neres



Um estudo apurado acerca do amor em mim - A influência do amor é fatal na palheta dos pintores, na alma dos poetas, no riso ao nascer da aurora. O amor é o encantamento do cais. É o desenho multiforme das ilhas. Ele, só ele, tem o poder de abrandar os gestos duros e transformá-los em doces beijos, em calorosos abraços.

Talvez ele o procure pela manhã, como um milhafre esfomeado implorando-lhe seus carinhos, os seus cuidados. Quem foi que disse que o amor não nos bate às portas? Vês?

Havia em mim uma espécie de muro chumbado, algumas armaduras e alguns soldados. Ouvi um sussurro num dia desses de manhã ensolarada e aquela melodia invadiu-me de tal forma, que não restou nenhuma armadura ou soldado, ou muro que conseguisse deter a força daquele amor que me tomava.

Uma mistura de cores vestiu o meu globo ocular. Vês? Reconstrui a minha crença na eternidade do amor. Estava viva novamente. Na verdade, seguramente eu acabara de nascer. E como uma criança humilde e curiosa, eu me deixei ensaiar os primeiros passos. Desde então venho descobrindo o perfume da flor, o sabor da flor. E aquele sorriso moreno de cabelos longos encaracolados ou lisos, presos ou soltos... Ela é assim - Uma poesia transeunte externada em corpo de mulher. E o meu coração fica assim feito bobo... Até parece que eu amo. Vês? Amo sim!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um sujeito simples - O Amor
Dry Neres



Somos o templo uma d'Youtra. A melodia que há em nós passa longe do conhecimento teórico dos grandes músicos. O nosso amor é um sujeito simples e dispensa predicados. Amamo-nos e o nosso sorriso mora nessa conjugação. Estamos cercadas das literaturas românticas - e a prova disso é que por vezes fazemos amor ao passo que lemos um trecho de Anäis e adormecemos nos braços uma D'outra. As palavras nos cercam e nos unem de uma forma indescritível. Construímos um país onde as calçadas são de poesia e dos nossos álbuns se fazem os papéis de paredes.

Os meus olhos completamente apaixonados pelos seus jeitos... As minhas mãos que te procuram em silêncio e encontram líquidos, flor, seios. Os seus lábios poéticos me arrancam tremores, cores. As nossas pernas entrelaçadas. Os nossos cabelos claros e escuros misturados no mar que nos fizemos. Você é o meu abRigo. Você é a minha arte e meu sentido. Você me traz a calma. O mundo pode tentar me desabar que você tem o poder de construir.

Um dia, eu prometo... Ainda te escrevo um livro, com o título dos nossos dias e a foto tua estampada na capa. Dedico-te nem que seja umas quarenta páginas. Faço um diário e um álbum nosso. Seria um anexo, uma extensão nossa. Talvez eu já tenha aqui comigo algum dois livros prontos para te ver sorrir.

O nosso amor é um sujeito assim simples... Ajeita-se num abraço em dia frio. Alimenta-se de beijos. Caminha de mãos dadas. Viaja pensando em você. Dizer da felicidade ainda é pouco para nomear nossos minutos. Falar em céu é pouco para dizer da paz que você me traz.

Não vês que estamos a viver um conto de fadas, aMor?

sábado, 10 de outubro de 2009

Era pra ser uma canção
Dry Neres




Às vezes a gente pensa mesmo é se tudo está valendo a pena. E a gente se questiona sobre nossa passagem aqui nessa Terra. Onde tenho foco? Onde a minha literatura tem o poder me levar? E de me resgatar? Eu já não sei se tenho carne e ossos e alma. Talvez eu seja somente mais um manequim com o sonho de ser gente. As cores de um cenário ofuscado se apresentam cada vez mais perto de mim. E eu temo o fim de tudo - O meu fim. Tenho sonhos de porcelana que facilmente caem e quebram sempre que me levanto. Criei um personagem que é difícil de alimentar. O meu caráter, já um tanto sem nome, pele, sentidos. O meu caráter já...

Impérios de papel. Montanhas de poesia. E mares de nadas. Vazios. Descontentamento. Sempre que lia nas literaturas as vidas dessas gentes desconexas, sentia pena delas. E agora, tenho pena de mim? São sensações alcoólicas. É só uma saudade que não passa. São só caminhos que se formaram de acordo com minhas escolhas cegas. O meu país foi derrotado por um exército invisível, de inimigos invisíveis que eu mesma criei. O meu país já...


Uma multidão de seres se forma em mim. Verdade e invenção se misturam ininterruptamente. Meus olhos não reconhecem se é dia ou noite. Frio ou fogo. Tudo tanto faz. Tudo a tanto já não vai bem. Eu preciso abandonar os palcos - Os textos. Eu quero quebrar os óculos porque de nada têm me servido diante de olhos cansados de não enxergar o que já me é tão claro. Os meus olhos dormem, porque já têm vergonha de mim. Os meus olhos já...


Eu já pensei tanto em mudar de cidade. Viajar uns três mil quilômetros procurando um cantinho para descansar os meus ombros. Eu sei que a solução está aí. Eu preciso tanto me livrar de mim. Já pensei em queimar os diários. E de que me adianta? Essas letras infinitas já aprenderam a me seguir fora dos papéis. Irrigam minha corrente sanguínea e... Eu preciso tanto me livrar de mim. Eu já...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dois dedos de prosa
Dry Neres




A idéia do infinito


Hora esta ou hora outra, n'algumas horas destas que não cabem no relógio, assombro-me com a idéia de que o meu juízo (ou a falta dele) faz do infinito. Em várias bocas, n'alguns corpos em que passei horas num adentramento que cai dentro das almas e as vai arrebatando... aprendi da arte, a peregrinação dos que enamoram-se pelos perigos da existência breve. Num enredo sutil de uma cena muda sinto mil mundos me crescerem nas almas.

Vez ou outra me apresento febril porque minh'alma opera com fulgor nos meus mitos do passado. Não me espantaria se o leitor quisesse amarrar meu corpo numa camisa cheia de força (ou vice ou versa), porque é devaneio, a minha poesia. Ferve em mim mil retóricas, histórias patéticas e mórbicas, porque sou poeta e são as experiências que inflam minhas mãos nervosas no ato de parir letras que se misturam e dançam esquisitas aos olhos dos que se denominam leitores.

Escondam seus olhos das minhas insanidades transmutas em vulcão, porque se você por ventura resolver se identificar com alguma linha desta aqui apresentada, estará já fadado a sofrer da mesma inquietação minha. Não se compadeça da minha fantasia sagrada, porque as literaturas nos enganam os sentidos e eu sou infinitamente literária.

Me instiga analisar os olhos muitos dos que cruzam meus passos. Cada um carrega um barco sem nau à procura do infinito. Muitos se refugiam de si. Muitos, como eu, se escondem por entre as coisas, vozes, óculos. Como boa contadora de risos, ate ensaio uma ou duas piadas, mas retorno com as mãos de unhas roídas nos bolsos inventados.

Retorno sempre, mas queria mesmo é me perder. Qualquer dia desses, eu prometo me desprover das inutilidades, rasgar identidade, tirar o meu cartão de memória. Qualquer dia desses eu prometo... Rasgar a minha pele, arrancar o meu coração e levar para a retífica. Quem sabe assim me vem alguma idéia do infinito?! Quem sabe assim... as indomáveis convulsões do crânio cessam!



Foi só um pesadelo


Os poros choravam desesperados diante daquele sonho, digo pesadelo, de vinte e oito do nove. Na realidade, o meu corpo abraçava o teu e sentia o teu cheiro divinal, enquanto parte do cérebro responsável por fantasias no instante em que fechamos os olhos, me remeteu a um sentimento nada bom de sentir. Eu tinha te perdido naquele pesadelo. E o meu riso tinha se apagado. E o meu coração havia arrumado as malas, me deixando uma lacuna bem no meio de mim. E era uma dor insuportável.

E, eu te ligava, mas...
Sua voz não ouvia.
Porque d'outra boca,
Notícias suas eu tinha.
E já não me era agradável ouvir.
E eu te chamava, clamava, implorava.
Teus olhos de ressaca já longínquos...

Oh Deuses, que sonho insano retirar-me o beijo do amor meu! ... Quando acordei, em desespero, cobri teu corpo com o meu-teu coração.

Beijei-te os olhos em exaspero.
Quis logo segurar suas mãos.
Abraçando-a aflita sorri -
Que pesadelo mais doloroso de sonhar.
Aproveitei e uma prece também fiz:
Para garantir que tal história ficasse bem aprisionada no tal inconsciente!

Porque eu te amo com toda a vida que há em mim. E se me fosse exigido nascer outras vezes, ou viver outras vidas, por você seguramente assim o faria.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A fim de entender as curvas geográficas do seu corpo-país
Dry Neres





O que eu sinto por você não cabe em nenhuma descrição. O que o seu sorriso me causa assemelha-se com o cuidado que o poeta tem para com a poesia. Você me moldou. Visto-me dos teus cheiros e invado tuas roupas em ato de fome. Até hoje, mesmo tendo percorrido vários dias desse casamento de lábios, tremo ao dizer que te amo e as pernas ficam bambas quando tua voz tão adocicada acompanha o meu aparelho responsável por ouvir suas juras de amor. Eu me agarro aos seus lençóis quando o seu fogo me invade. Reinventamo-nos a cada segundo e fazemo-nos assim inéditas sempre uma para a outra. É como se o amor tivesse acabado de nascer a cada beijo.


Eu queria saber fazer arranjos bonitos de palavras poéticas. Queria mesmo escrever como um Drummond para que você pudesse embebedar-se com as minhas letras. Eu queria ter todas as faculdades humanas a fim de entender as curvas geográficas do seu corpo-país. Quisera assim ter o conhecimento de todas as línguas para te invadir com os léxicos e sentidos que pudessem tocar o intocável em você - entre, dentro, mais. Ah, se eu pudesse ter o dom de 'historiar' para descobrir de tuas outras vidas, tantas vidas em que nos amamos através dos séculos.


Eu seria incapaz de descrever o misto de emoções que acontecem em mim, a cada vez que seus olhos mapeiam os meus. Eu amo os nossos silêncios e gritos. Eu admiro nossa compreensão, fidelidade, amizade... Mas o que mais me instiga é a nossa Intimidade. É quase surreal... é... incrível... estonteante! Casamo-nos, amor! Vivemos sem sombra de dúvidas um romance à moda antiga. Você é a confirmação do que eu um dia ouvi dizer sobre a felicidade. Eu te amo com tanta força. Eu te amo tanto...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Texto perfeito de uma boneca cujo nome é canção excelsa, divina, insana: Damaris Carvalho - ela me lembra tanto a Lispector *__*

Desde que nascemos estamos fadados a amar. Até porque por amor fomos criados e em função dele vivemos. Nos acompanha do princípio ao fim, é a perpetuação da vida. O supremo sentimento, pai de todos os outros. Somente conhecido e talvez compreendido através da experiência direta-talvez, pois até hoje não há menção na história de alguém que o tenha feito.
É dor, é fogo, desejo, encanto, fascinação. Sentidos. É incessante, arrebatador. Problemático. " Contentamento descontente". Não é como a paixão que é chama que se não alimentada apaga, é como o próprio ar. Nos mantém vivos, nos embala. Inexplicavelmente o néctar da vida, sentido até mesmo que em algum dia, em meio a algum devaneio, seja maldito. Nos torna divinos na mesma proporção que nos torna humanos. Faz com que seja sentido cada pulsar, cada contração, de todos os órgãos que compõem o tão frágil corpo em que habita.

Damaris de Carvalho

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A m p u l h e t a
Dry Neres


Eu sei que...


ficar sem ela,

seria como ficar sem mim.


Ela me tirou uma espécie de daltonismo com a vida. Hoje, todas as cores se movimentam em mim, com a textura dos beijos dela. Ah, este amor assim absoluto e assim e x a g e r a d o. Este amor impertubável e indissolúvel e que resiste às idades e as épocas. Sem o teu amor por perto, eu escolheria estar perdida entre a multidão de São Paulo. Sentada n'alguma avenida paulista de algum número de maio. Eu escolheria ter a pele arrancada só para não sentir saudades das tuas mãos sublimes. Eu escolheria não morar em mim, porque todos os cômodos que me abrigam, têm as suas digitais, os teus jeitos, nossas músicas.




E é como se...


o meu coração transbordasse...



É como se eu quisesse tomar alguns goles de você duma vez só. Embriagar-me do teu cheiro de anjo e de mulher fatal. Bebo a tua presença como quem tem sede no deserto. Contemplo os teus olhos em mim umas vinte e quatro horas por dia, porque eu nunca sei quando a incerteza do amor irá me bater às portas. Eu nunca sei quando o enlace de mãos poderá se romper. Às vezes tenho medo de dormir, porque agonia-me pensar que o nascer do sol poderia levar os teus negros cabelos dos meus seios.


Eu te amo com toda a urgência que há em mim.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E então o amor nasceu em mim
Dry Neres

Hoje em dia anda tão fácil de matar o amor. Nesses tempos de esfriamento, o amor implora aos seus ouvintes que Lhe dêem moradia, abrigo, consolo. Eu, por mim mesma, fui acometida pelo então Amor (sujeito romântico, cheio de predicados e hipérboles) - para amar alguém loucamente - com toda a intensidade que me mora. Faz dez meses ou ainda trezentos e quatro dias ou ainda sete mil duzentas e noventa e seis horas em que eu aprendi a comprender o significado de muita coisa que antes me passara despercebido. Almoçar se transformou numa tarefa dupla pra mim. Dormir também. Escrever também, visto que não consigo me ver tão solta dela. Antes de comer algo, penso se ela já comeu também. Antes de descansar as pálpebras, velo o sono dela mesmo que em alguns quilômetros poucos distantes. Antes de escrever reúno toda a inspiração que os beijos dela me dão.

Entendi, desde então o verdadeiro significado de poesia, porque ela se fez por inteiro todas as minhas letras alfabéticas e a minha coesão e a minha coerência. Penso que não me cabe tanto amor. E por isso, derramo-me em frases para dizer da divindade humana que me mora - Ela, a dona dos meus ais! Se mal visto esse amor ainda se faz, diante da 'pequenura' do campo de visão de alguns - eu insisto em desenhar nos muros, braços, beijos, olhos o tamanho desse cuidado que devotamo-nos. Eu grito assim tão alto, não para causar espanto ou por rebeldia. Eu grito tão alto assim para derramar mais cor no mundo, porque não há amor no universo - 'mais aquarela' que este que mora no peito meu. Ah, como me é divertido rir dos seus risos largos. Como me é delicioso beijar os olhos enquanto dormes. Acariciar teus cabelos negros rosados. Abrigar meu corpo no teu, como a mão abriga a luva - ou vice e versa ou isso e tal.

Eu tenho encanto e ternura por tudo o que ela faz. Na verdade, não é segredo meu, que eu acho-a uma das mulheres mais lindas desta Terra inteira - (ela só não ganha o 'pódio', porque tem aquela que me gerou e pra ela ofereço todas as flores de todos os jardins e ainda, para a que é irmã minha - na verdade alma gêmea minha, minha criança e amor primeiro). Tenho em mim a loucura dos que amam. Da loucura mais sã que meu coração pôde provar, quero embriagar-me infinitamente. Infinitos são os seus beijos, amor! Infinitos são nossos abraços e risos exagerados! Desesperada é a minha respiração quando te encontra. Úmidas são as minhas mãos quando te alcançam.

Eu a amo de uma forma tão indescritível - Imensa. Faz dez meses que nossos lábios se acharam um n'outro, todavia meus olhos já te procuravam incessantemente. A minha poesia buscava os teus olhos de mar, desde que eu fiz o movimento de pisca-abre de pálpebras aqui nesta esfera denominada Terra. Eu já te desenhava antes mesmo de te ver, assim tão de perto. E nos meus sonhos de amor, suas mãos já me acariciavam. Eu ja te amava, antes mesmo de te conhecer.

domingo, 30 de agosto de 2009

Amor entre iguais
Dry Neres



Já diziam os poetas, que tudo deve se calar diante do amor. Conceitos, arquétipos, razões. O amor é a única verdade que deve ser seguida. Antes de amar alguém, nosso coração não funciona como um 'buscador' de informações, espécie google. Ele não se importa se o meu gênero sexual é o mesmo que o seu. Ele não pergunta onde moro. Ele não questiona nada, pois tudo deve se calar diante da máxima de que se deve amar o seu próximo.
Existem os dogmas, as morais de rebanho, as verdades inventadas por homens que infelizmente não conhecem a verdadeira face do Deus excelso que existe além das literaturas, além das nuvens que o encobrem no céu. Ele é um Pai de amor. Ele derrama lágrimas cada vez que observa os filhos seus julgarem assim uns aos outros.
Amar entre iguais, não é ser diferente. Amar entre iguais, não é deixar de ter caráter, ou coração, ou família. Não é uma deficiência ou anomalia. Deficientes são os que insistem em enxergar apenas com o globo ocular, enquanto que a nossa bússola, deveria ser o coração. Ter preconceito é muito fácil. Julgar é melhor ainda. Buscar razões para atirar pedras nos 'leprosos homossexuais' é tarefa fácil para os ditos 'normais'.
Os que ousam ferir com as palavras, serão devorados por ela, como uma planta carnívora e feroz devora sua presa. Tente exalar mais palavras como: Obrigada, Por favor, Eu te amo, Posso ajudar. Ao invés de: Sapatão, Viado, Homossexual Leproso, Gay. Existem coisas mais importantes para se fazer quando se entende o real sentido da existência. Se você ainda não percebeu isso, talvez seja porque ainda não tenha entendido a frase tão suma de Platão - 'Penso logo existo'. Você existe?
Relato de uma mulher que ama outra mulher (o que poderia ser também o relato de um homem que ama uma mulher - nada haveria de desumano, nada haveria de anormal): 'Desde que te conheci tem sido primavera. Tenho sentido o aroma sutil do amor. Tenho me desdobrado em várias para devotar-lhe cuidados. Faço-o assim, porque nunca a loucura e a paixão, gêmeas que são, me acometeram de forma tão avassaladora. És o néctar dos meus lábios'.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os cegos do castelo
Dry Neres




Como ousam roubar-nos o amor, meus Senhores? Como ousam fazer soluçar nossos corações tão inundados do vermelho-amor? Imorais são os Senhores! Mal sabem vocês, Senhores de uma verdade inventada, que há pureza inigualável em nossas mãos, em nossos atos. Amamos entre iguais... E o que podem fazer? Matar-nos? Talvez. Mas, nunca poderão roubar-nos de nós!


Porque...


Li Proust, Dostoievski; um diário, poesia. Li a duplicidade dos seres e a invenção do amor. Toda essa literatura me atordoa por ser tão interminável, efusiva. Estou embriagada com o 'intrigamento' que a palavra me causa. Li mentes, países, verbetes franceses encobrindo várias-poucas faces. Escritores que se embebedam do sulco que emana dos lábios densos do amor. Mapeei cartas. Benditas representações humanas. Estive em frenesi exasperado diante da umidade que meu corpo pôde captar de cada expressão lexical. Embriago-me diante da desmistificação do amor. Focaut, Jung... Invoco-os! Deverá o homem sacralizar o amor, ou tão somente, deverá o homem, humanizá-lo. Silencio-me diante da poesia da vida; diante da junção dos corpos dos que se amam em sangue branco e mel divino adocicado. Descortina-se em minha mente romântica a possibilidade de ver o amor, como um caixeiro viajante. E ele entra em mutação. E eu divago nas incertezas que eu julgo ter acerca dele. Sei que amo uma deusa nórdica e ela é real em mim, tal como sei que existo. Basta-me? Tão somente sim! Seguramente, eu a amo como quem tem fome. Ela me ressuscitou! Sinto-me como um rio que não cabe em si. Não há nada de sagrado em mim, exceto ela. E se tua alma desencontrar-se da minha, seria-me então como morrer enquanto vivo. Eu poderia cegar depois de ter amado o teu riso pela primeira vez, porque nada me fora antes tão cheio de cor.


Algum imoral ousaria questionar se então existe amor?

sábado, 8 de agosto de 2009

Quase
Dry Neres



Quase nunca me lembro de dizer 'Eu te amo' para os do meu lugar de morar. Quase nunca me sento à mesa para contar-lhes dos fatos inusitados do dia. O aparelho responsável por realizar e receber ligações, tem sido elo rápido de um ou dois minutos máximos. Quase não me recordo da última vez em que afinei meu violão e caminhei pela casa balbuciando canções para fazê-los sorrir. É como se eu não estivesse, não morasse, não permanecesse... Sou estrangeira no meu próprio país. Sim, os anos passam e as 'prioridades mudam'. Deveria o amor também mudar? Ora, se assim o fosse, deixaria tão logo de ser amor. O amor que lhes devoto é insuficiente. Meus olhos transbordam de lágrimas tristes com a minha ingratidão. Penso que se um deles for chamado tão logo para habitar algum andar de cima, eu morreria de desgosto... Morreria de desgosto com as minhas atitudes tão descompromissadas e com a angústia por não ter compartilhado mais momentos únicos com cada um dos que são cidadãos do meu país-primeiro.


Amo-os tão desesperadamente. Sofro por cada foto que não foi capturada para que esta pudesse abrigar sorrisos, abraços... Sofro demasiadamente, porque parece que tenho esfriado com os Meus. Não há poesia que expresse o tamanho de tanto descontentamento com algumas atitudes minhas. Tenho sido desleixada com o sentimento mais nobre que pode existir no peito de ser humano - o amor de família. Tenho sido desatenta e tenho agido como se eu fosse só no mundo. Mas quando a noite chega com mais frio, ou quando algumas circunstâncias me pedem mais força do que meus braços suportam, são eles que me cobrem; são eles que me sustentam. E o por quê desse elo rompido... Eu não sei... Não sei... Trocaria tão facilmente qualquer momento de felicidade por algum instante no tempo passado, em que minha cabeça se encostava naquele (s) colo (s). Trocaria muito desse presente, por todo aquele passado. Sou então outra?


Quase não sei dizer de tanto tempo perdido. Quase não sei quem sou. Por que vim. Quase não estou viva. Tão logo, quem sabe, estarei poeta. E novamente começarei a achar graça dos ipês que florescem. Ou tão logo, nem o mar a me sorrir, será felicidade. Os dias vêm numa velocidade assustadora. Os dias têm sido curtos. O tempo escasso. Quando a gente cria um mundo, pensamos somente na porta de entrada. Haverá de tudo, no final, uma saída segura para que eu possa me esconder dos meus medos? Haverá de tudo, no final, felicidade na trajetória que meus pés escolheram seguir? Haverá de tudo, no final, um quase?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Seria minha poesia suficiente?
Dry Neres


O amor me transmutou. Fui lançada a um país que nem mesmo consta no atlas. Tenho aprendido a me alimentar das cores infinitas e das nuanças várias que teu perfume me provoca. Sinto-me mais mulher, mais madura e cada vez, mais amada. Faço planos para o nosso amor. Muitas vezes em silêncio, faço planos de preparar o teu café da manhã e de ser teu cobertor à noite - durante a contagem de infinitas luas - durante o cálculo matemático de incontáveis segundos. Faço planos de ser tua enquanto o amor assim nos permitir. Recorto as impressões que teus lábios me causam e digito-as em minhas pálpebras. Exalo romantismo. Tenho em mim a cor exata do amor. Exalo paixão. São teus olhos nos meus. É teu corpo que me fascina. Permeia todos os esconderijos secretos dos meus pensamentos mais longínquos. Exalo romantismo. E desconheço toda a minha poesia. Tem sido cada vez mais difícil dizer de tal amor. Tem sido mais difícil expressar em linhas, frases, letras tanto sentimento, tanta verdade. Se o poeta é um fingidor... Abandono a minha carreira; abandono a minha vocação... Só sei falar de verdades... E a verdade é que eu te amo... E não sei mais dizer desse amor... Me basta o teu beijo... Ah, e aí eu navego, me perco...!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Duzentos e setenta e quatro
Dry Neres




Beijos. Fotografias. Poesias. Longas poesias. Sorrisos. Desencontros. Esperas. Milagres. Afagos. Noites. Horas. Músicas. Estrelas. Mares. Estradas. Camas. Telefonemas. Lágrimas. Encontros. Perfumes. Dedos. Mordidas. Cuidados. Esperanças. Diversões. Cabelos. Relógios. Anéis. Torres. Sorvetes. Cartas. Quedas. Junções. Distâncias. Abraços. Longos abraços. Lençóis. Mãos. Respirações. Longas respirações. Corações. Toques. Vermelhos. Olhares. Multidões. Vazios. Algarismos. Vozes. Óculos. Silêncios. Linhas. Seios. Faróis. Pessoas. Livros. Tardes. Razões. Motivos. Citações. Filmes. Unhas. Bocas. Gemidos. Sóis. Explicações. Sentidos. Segundos. Destinos. Pensamentos. Coincidências. Insônias. Conspirações. Entregas. Significados. Cumplicidades. Cuidados. Sonos. Meses. Quadros. Esmaltes. Cores de Almodóvar. Cansaços. Emoções. Passos. Letras. Quartos. Papéis. Mensagens. Novamente deixo que minha alma se derrame. Expulso-me do meu estado carnal. Transcendo-me. Transporto-me. Me fizeste assim: duzentos e setenta e quatro dias de amor de verdade.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para se ler antes que amanheça
Dry Neres



Meus olhos te seguem pelas avenidas. Meus olhos seguem tuas curvas que enfeitam o lençol claro. Tua pele chama-me para habitá-la. Quentes são seus líquidos que navegam pela parte final de cada extremidade superior minha - minhas mãos. Vivos são seus beijos que tatuam amor em meu coração. Indescritível é esse amor que me toma, me mora, me inquieta, me acalma. Nunca me fora antes tão intenso, tão verdade, tão amor.
Acredito-me na máxima de que nossas almas se procuravam em outros corpos antes de nos encontrarmos. A junção dos nossos sorrisos fez com que a Terra se fizesse mais bela; fez com que as estrelas brilhassem mais intensamente. Nosso encontro estava desenhado nas páginas infinitas de algum livro Machadiano. És personagem minha, viva em minhas pálpebras que de outrora vieram cansadas de tantos desencontros.
É nítida a fotografia do tempo que pára quando nossa respiração se encontra; quando nossos braços se abraçam. É nítida a fotografia do tempo que não nos cabe. Estamos além da compreensão da melhor filosofia, do melhor romance. Ah, se eu tivesse a precisão dos poetas... Saberia fiel e facilmente descrever-te tudo o que transborda em mim nesse exato momento. Fui tomada por uma essência de amor máximo por teu sorriso, por teu existir. Pena que eu não saiba expressar tudo isso em frases bem construídas. O amor em mim é como desconstrução. Não o coordeno. Não o aprisiono. E ele faz de mim o que quer. E a palavra que me mora guia os dedos que rapidamente digitam esses sentimentos, meus sentidos tão confusos de tanto amar-te.
Sei que existo assim tão inteiramente, porque tua face beija-me a cada amanhecer. Amo-te porque consegues transformar cada lágrima de choro em lágrimas de sorrir. Tens o dom de me fazer bem. Tuas mãos sabem me conduzir ao estado maior de loucura que os seres conseguem alcançar. Um toque teu, e derreto-me como se colocada ao forno em brasas celsias. Um olhar teu e uma sinfonia me rege. Sou tua música, tua poesia. És meu acordar; cada amanhecer. Se sou sol... é porque me fizeste sol! Antes de você chegar... era tudo nuvem - passageiro e frio. Acalorada me fiz. Brilhante estou, porque me fizeste assim. Moldaste-me à tua maneira. E hoje tenho a certeza que me fora o melhor acontecimento desde que li no dicionário o significado da palavra felicidade.
Preparar-te-ia o teu café. Acenderia o teu cigarro. Derramar-me-ia em poesia todos os dias e noites. Balbuciaria músicas ao pé do teu ouvido. Cuidaria do teu sono, do teu respirar. Beijar-te-ia em desespero de tocar teus instintos. Amar-te-ia como quem compõe magistral canção. Este é quase um pedido de casamento, dentre vários que já proferi. Casamo-nos diariamente. Nosso enlace é certo a cada amanhecer.
Você faz-me sentir rara, especial, pura, extraordinária. Você faz com que eu me sinta capaz de tudo quando estou ao seu lado. És meu anjo. És minha amada!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Meu verbo - Teu nome
Dry Neres



Tua imagem refletida nas águas foi o meu presente. Foi-me como tocar as nuvens do céu que nos cobria com a palma das mãos. Os teus beijos me invadiram. Suas mãos procuravam desesperadamente minha pele tão branca e aveludada (tu que dizes!). O nosso contraste me instiga. O sol dançava diante de nossas faces apaixonadas. As árvores se moviam de acordo com o bater dos nossos corações em sintonia. As fotografias capturavam o que podiam daquele momento surreal. Você, linda. Você, minha. Você, estrela. Eu, teu sol. Nós, amor!
Sempre que algum desentendimento tenta nos acometer de forma a fazer meu rosto se afastar do seu, lembro-me dos nossos sorrisos, dos nossos beijos, do sono teu que velo com todo cuidado. Lembro-me do amor que nos devotamos, do corpo uno que nos fizemos. Cada momento com você é único, indescritível, doce. Doce são suas palavras. Doce, esse amor, minha Estrela. Diante de ti, emudeço! Contemplo os teus olhos como quem acaba de nascer e sente naquele instante o cheiro de felicidade. Amo-te como quem encontra oasis no deserto e sorrio das suas falas mesmo quando em silêncio estás. Suave, me é afagar os teus cabelos negros enquanto dormes. Suave, me é mapear o teu corpo com as minhas digitais e deixar contigo o perfume que tanto amas - o meu perfume em teus seios e mãos.
Se há algo nesse meu coração que não se esconde é o amor que transborda de ti para mim e de nós para o universo. Atravessei todos os obstáculos ardilosos como quem atravessa o mar vermelho em fúria e de muletas... E o amor sobreviveu, venceu e hoje frutifica. Eu amo porque sei que parte minha és. És órgão meu. Veias, artérias, fibras... Tu estás em mim, tal como há indícios de vida em meu suspirar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tem dias que...
Dry Neres


Que... Facilmente eu me abandonaria! Deixarei esta carcaça de vinte e uma primaveras que me abraça vagar em desalento, sem alma pelas entranhas estranhas desses mundos longes, que vendem num livro ou outro. Facilmente desprender-me-ia dos vínculos que construíram em mim, porque se depressa eu não for, o rumo das coisas corridas trata de se encarregar desta tarefa então tão árdua para minhas mãos. Quisera saber transformar tudo em canção de coldplay, um oasis, aquele radiohead... Quisera saber ser algo bem triste e só. Mas não me deixam. Mas não...

Nestes dias longos em que a máquina do tempo parece ter se vestido da minha face, tenho sentido as veias acelerarem-se. Vibram. Distorcem. Os órgãos se devoram e o coração os devora. A todos. Um a um. Rápido e rápido. Tem dia que os veleiros desistem de encontrar os seus barcos. E os filhos querem o abraço da mãe. E o pintor não deseja pintar a tela. E o sorriso não nasce no movimento de beijar. E a cama não resolve o teu sono. E os olhos não evitam o salgado que formam as águas do globo ocular. Nem as ilhas parecem tão seguras para se fugir.

Nestes versos tão secos e agudos os léxicos não me acompanham. As gramáticas não me permitem. As literaturas me fogem à memória já fraca, acometida pelo terror da idade que se aproxima sem chegar. Este mar de emoções, se eu fosse descrever, não caberia tão fácil nas cordas rebeldes do meu aparelho velho de tocar músicas velhas. Tem dias que o som dos ventos não me agrada tanto. E a lua não parece tão bonita. E o teclado vai ficando assim distante de mim, porque a vontade de dormir, na tentativa infantil de fugir desses momentos destoantes é devoradora. Tem dias que eu preferiria nem ter pálpebras para piscar-te. Nem coração para lembrar-te.

É só poesia. É só a beleza distorcida da moralidade impregnada em nós. É só!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Do Amor
Dry Neres




Não há voz que expresse o encanto que o brilho do teu sorriso provoca em mim. São momentos tão sublimes, que meu coração parece reunir todos os elementos da estratosfera num suspiro só. Meus lábios exaltam o perfume que exala dos teus órgãos de origem divina. Anjo, tua pele é poesia que me acalma e inspira. Amor, os teus olhos me dão toda a ressaca de Casmurro, de Machado, de Capitu, de amor. Nossos sorrisos foram fotografados e selados em álbuns da trajetória nossa. Nossos corpos se aproximam cada vez mais do estado maior de união de almas que provocam até tremores de terras longes. Nossos corpos representam a dança ininterrupta das estrelas e a junção de quadros belos, de cores belas, de mundos encantados.
O que dizer mais?
O mundo é pequeno para nos definir. Amo-te infinitamente!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Onde as ruas não têm nome
Dry Neres


Tenho sido como as retóricas reticências ricas em matizes melódicas. Depois de desidentificar-me, notei-me quase gelada. Como um cadáver que passou por uma autópsia enquanto ainda vivia... Onde foram arrancados todos os órgãos que exprimissem algum tipo de sentimentalismo relevante. Tenho deixado de ser sentimental aos poucos. E isso não me agrada tanto assim. Rabisco álbuns velhos, recolho músicas que aprisionei num baú de recordar momentos. Tenho uma rotina quase degradante. Tenho a vontade gritante de voltar para a casa segura que eu tinha vinte e um anos atrás. Alí eu sentia toda a proteção que o ventre materno me devotava. Sentia-me inundada de amor incondicional. Não encontrava problemas, tristezas. Minha única atividade era torcer para aquela bolsa tão quente que me envolvia, não estourar. Quando estourou, não quis abrir meus olhos, nem sorrir. Num gesto súbito chorei porque senti que meus dias começariam-a-acabar naquele exato momento. Tenho sido vários heterônimos Pessoanos em mim. Tenho sido a desconstrução do próprio nome que me deram. Não me percebo tão integrante de mim. É como se a minha consciência a todo custo tentasse me expulsar dessa face rígida que observo nos espelhos - quebrados. É como se o meu próprio coração me rejeitasse. O meu corpo é instrumento desafinado e eu tenho me sentido facilmente só, mesmo quando caminho nas ruas largas do meu mundo lateral. Só as músicas me escutam bem. Só as letras me escrevem bem. Embriago-me todos os dias de elementos nocivos ao meu corpo já frágil. Quem dera que não fosse só fingimento poético, antes quisera ser verdade, esse embriagamento. Instigo o carro que me leva, a tomar o rumo das ruas sem nome. Lá depois dos altos montes e curvas retilíneas e dispersas das rodovias aéreas. Gostaria de ser vizinha do vento e só. Iluminar (me)-ia com a luz do sol e só. Alimentaria-me dos léxicos que diariamente eu produziria. E venderia minha arte em troca de sorrisos. Meu corpo se cansa das utopias modernas. A realidade implora-me atenção. Escondo-me nos becos do comodismo e da suscetibilidade que invadem os meus dias. E nenhuma rua parece ter métrica ou precisão. E nenhum lugar me leva onde as ruas não têm nome.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vocabulário
Dry Neres




Sou submissa às palavras. Elas me surram, interpelam. Fazem amor sem pudor com a minha alma. Deixam-me exausta. Nova. Despudorada. As palavras me permitem ver o desprendimento das coisas, dos seres. Elas me empurram contra a parede. Lambem-me o pescoço. Fizemo-nos parte de um casamento que tem como base, a verdade. Expressamente, intuitivamente nos comunicamos de forma nuclear. Eu amo o instante em que o silêncio faz-se eco. Escuto-me-(te) em vários tons e cores. Somos pontes um d'outro. Somos escrita e carícia. Nossa retórica tão singular, não envolta de teorias me enche as lágrimas d'água, porque os olhos já inundaram de admiração. És o princípio e eu estou em ti antes mesmo de minha existência ser de tudo e todo consumada. Estou a apaixonar-me constantemente por suas nuanças. Minha pele vibra com a força intrínseca do fazer nosso, do estar nosso. Esse meu vocabulário um tanto prolixo talvez seja como a velha máquina de escrever já previsível, estática, estática, estática. Essa preterific-ação que promovo nas sombras por onde deixo perfume é basicamente o edifício invisível em que me transformei. Se tenho pele e boca e olhos, não me importa tanto quanto saber que minha alma é quase livre de algemas que quiseram desenhar pra mim. Leio jornais, escuto o noticiário local. Sinto uma vontade assustadora de beber dois dedos de alguma coisa que me revolva o estômago a arder em mim como chama de amar. A inquietação é evidente. E assim, a inquietude que me mora seria facilmente descrita na vontade de estar contigo em todos os pretéritos, presentes, futuros possíveis. Romper o alvéolo direito do tempo central. Romper o tempo inquieto que me empurra de mim. Que me pressiona em mim. Apaixono-me novamente ao perceber que escrever-te, Óh Palavra, é como um gozo contínuo em meus órgãos divinos. Meu vocabulário é somente reflexo da submissão a que me deixo diante de ti. Sou tua, Palavra!