sábado, 17 de dezembro de 2011

"É dor que desatina sem doer"
Dry Neres




Nublei. Há cinzas e buscas. Desejara eu fazer retornar os fluídos lacrimais às glândulas. Nublei. Quando a ponta da língua desenlaça mais que a voz ousaria dizer são audíveis canções em Coldplay. São audíveis os meus silêncios. Que natureza é essa do fazer sofrer? Há razões para a desumanização? É singular, pleonasmo, ausência de razão. Há um lugar seguro e calmo que quando pisa, sente o céu na ponta do coração. Posso voltar?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

365 x 3
Dry Neres




Um frio na barriga me toma os olhos. A boca trêmula me toma o estômago. Revivo hoje a primavera de três anos que se passaram. Revivo hoje o que compartilhamos a cada dia. Revivo, você. Aquele beijo, você se lembra, de intermináveis sessenta segundos transformou o meu universo particular em uma crescente atmosfera de fé. Eu passei a crer no ser humano. Eu passei a ver beleza no mar. Eu passei pra tua vida.

Os meus versos já te elevaram ao altar do mais sublime amor e agora, que eu deveria saber o que escrever... Não consigo!

A paixão me faz tremer os órgãos. A paixão me faz querer você por mais 365 vezes um milhão elevado a todas as incontáveis gotas dos orvalhos de todos os dezembros. 

Todos os dezembros me lembram você. Tudo ao meu redor é um espelho que reflete a divindade do nosso amor. O teu/nosso quarto, as nossas fotografias, o nosso perfume. Todos os meses são dezembros, depois que você chegou.
É interminável a doçura dos teus olhos. E é neles que eu sempre me perco. E é deles que eu sempre falo e não me canso, nem calo, porque só por eles morro de amor. 

Escuta os batimentos do meu aparelho de amar...
EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO EU TE AMO

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Meu
Dry Neres


É sempre assim quando fecha os ciclos. O caranguejo retorna ao seu estado natural, assim tão carnal. Um estado de overdose misturado com fim de carnaval. Às vezes penso, sou então tão animal? É a inquietação de quem bombardeia a vida com as palavras. Criei um mundo particular, talvez inventado onde eu posso d-escrever cada passo do meu dia. Uma parte é confusão, a outra é amor. Uma parte é anjo... a outra não sei. Quem eu realmente sou? Sei? Não? Onde? Todo poeta deixa as rugas tomar conta dos seus dias? Todo poeta deseja a tristeza ainda que esteja feliz? É o ensaio pelo gosto da sofreguidão. Como pode? É um estado ou condição? Há possibilidade de me livrar dessa condição de ver o mundo por meio de códigos escritos em todo canto? O meu corpo escreve o tempo inteiro... Mas eu não me encontro.

domingo, 30 de outubro de 2011

 Côncava e imprecisa
 Dry Neres


As palavras se aninham aqui ou acolá, em alguma vontade astronomicamente grande em fazer-te confissões, juramentos, promessas. Nosso enlace caminha, apressadamente, ensejando abraçar os trinta e seis meses de brilho nos olhos, lábios corados do vermelho amor, olfato aguçado ao sentir teu perfume. Ansiosa estou, porque dentre os meus planos diários ao teu lado, essa data me trará a realização de um em especial. 
Ainda preciso moldar muito o que sou para acompanhar a tua doçura. Ainda preciso ter os olhos mais ingênuos, as mãos e os lábios mais puros, a fim de alcançar os ares da sua divindade. De côncava e imprecisa que sou, não sei como o teu amor me abraça. Preciso incessantemente purificar os meus atos, abraços... Talvez eu, ainda hoje, não mereça a profundidade da sua devoção.   
Preciso dizer que te amo, assim em quase poema, porque há tempos não o tenho revelado. E há nesse ato pecado imperdoável. Não viso remendar o que não foi dito. Mas aceita de coração, as verdades dessa desajeitada com o amor. Aceita, porque eu te quero incondicionalmente. Aceita, porque ainda hoje, estou no aprendizado do que é amar verdadeiramente e ter um diamante para dar, cotidianamente, bom dia.  Amo-te, minha criança.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não cessarão as cartas, amor!
Dry Neres 



Turbu-lentidão. Diafragma contraído. Respiração ofegante. Mãos desesperadas ao volante. Ponteiros pontiagudos com a espera. Mas, não cessarão as cartas, amor. Tenho apreciado ainda mais os teus olhos apaixonados nos meus encantados. Não cessarão as preces que diariamente rogo aos céus para que o teu sono encontre sempre o meu seio. Oftalmologicamente comovida me encontro. E não é a bactéria que por hora devora o globo ocular que me traz tristeza. É o anti-vírus, amor... você é o antídoto! 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ensaio em um versículo
Dry Neres



Art. 1º 
PARÁGRAFO ÚNICO: Perdoa-me por nos últimos dias ter-me apresentado tão Casmurra em meio aos meus livros e anseios quanto ao serviço público, amada minha. Os sentimentos não murcharam. Nem mesmo o toque se tornou distante. Nada. As retóricas enamoradas somente precisaram ceder um tanto de espaço à esfera das realizações pessoais, nossas. Todavia, o amor ainda é maior, imenso. Por nós, tenho enfiado toda a massa cefálica em páginas rasuradas com ou sem caneta. Tenho tido os olhos nas leis morais e sociais a fim de que mais adiante possa dedicar-lhe plenamente os meus cuidados, com afinco. Então só tu, amada minha, será lei primordial às minhas vistas. Ainda que o serviço público não abrace por hora este corpo tão atarefado com as páginas a vencer... tenho tu, amada minha, como investidura da pele em pleno exercício cardiovascular. Tens a posse de tudo aqui em mim. Meus olhos te seguem. Minhas mãos te procuram. Tens dúvida senhora? Segue o meu ensaio, aceita o meu versículo e ama nossos beijos intermináveis. É a lei por agora.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sabe por que é tão forte?
Dry Neres





Já teve inúmeros erros. Tantos quantos nem valem dizer porque não lhe cabem nos bolsos. As suas mãos já tocaram poesias que desagradaram seu coração. Os ombros às vezes parecem arqueados em trezentos e sessenta graus de introspecção armada em pesar. Alguns dias, que não se apagam do seu calendário fazem transbordar o raso dos olhos. Ela queria ter o controle para editar cenas do seu filme. Mas, ninguém tem. Dias turvos. O inferno na ponta do cansaço. Ela sabe que todo ser humano é movido pela vaidade das horas que pensa dominar. Já teve inúmeros erros e quem não os teve atire-se primeiro do precipício.
Pensou nunca encontrar a leveza do amor. Fingia lançar-se aos braços dos enamorados. Fingia. Sabia que o amor nunca havia tocado verdadeiramente sua face. Enfeitava os dedos e o corpo todo, em goles longos de uma fantasia desmedida. Descobria-se ainda. Ensaiava os primeiros passos no seu mundo. Desprendia-se dos dogmas e razões vãs. Era só uma menina e seu diário de bordo naufragado naquilo que ela pensara ser a única verdade e vertente e razão. Jamais pensava. Tinha comichão na ponta da língua, em forma de atos desesperados shakespearianos.  
Quando entregou os pontos e parou de pensar em si mesma, descobriu a devoção a outrem, o que a mudou absurdamente. Escolhia sempre o dois ao invés do um. Praticava incessantemente o junto, ao invés da vaidade insana de buscar o status. Entendeu que o amor espera do amante a verdade, a simplicidade e a singeleza de atos recém-nascidos. O amor a fez melhor, sem dúvida alguma. O amor mandou-lhe uma mensageira que antes de lhe passar qualquer instrução, colocou-a na redoma dos cuidados, na redoma do seu coração. Fez mais ainda: provou que tudo o que é verdadeiro permanece, que tudo que é puro inspira.
E hoje eu digo... Minha inspiração é você, sempre!

sexta-feira, 15 de julho de 2011


PESSIMISMO OU SANIDADE?
Dry Neres



Educação no nosso país só é prioridade quando a palavra é proferida pela boca dos hipócritas em período eleitoral. O professor é animalizado e visto como burro de carga capaz de carregar uma herança genética doente desde tempos imemoriais. Na esfera pública usamos ornamentos circenses, porque infelizmente somos presos pela importância que damos ao nosso amor incondicional em formar caráter e regar sonhos, enquanto os “detentores do poder supremo monetário” se limitam a nos chamar de “grevistas insanos”. Na esfera particular, somos apenas mercadoria que o cliente escolhe na prateleira. Somos apenas algarismos engravatados, bem ensaiados a sorrir para o nosso próprio açoite. O proprietário é um vassalo e você... é a massinha de modelar subjugada.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Você
Dry Neres




Onde começa a minha vida e termina a sua? Qual é a parte da cama que lhe cabe? Qual é a tua xícara? Quais os nortes do teu corpo que ainda não conheço?
Questionamentos vãos de romances de primavera... Não temos limitações físicas, tampouco emocionais que nos permitam dividir algo em nós, dividir nossas vidas. Fico a pensar no fio temporal que te trouxe para mim, numa junção exponencial do que eu esperava há tempos.
Os nossos pensamentos em perfeita harmonia desencadeiam em mim a plenitude da mais nítida exatidão do nosso enlace à moda antiga.  Meus olhos contemplam a certeza de que não há eu sem você ou você sem mim.
Eu amo cada instante da complexidade que é compreender teu universo particular. Eu amo a sua ascendência em leão com a ansiedade em peixes. Faria se me pedisse um horóscopo só seu inspirado em todos os sóis e astros outros, que me trouxeram você.

Sou inteiramente tua, tal como sinto sua totalidade em mim. Amo o cuidado com que regas nosso romance. Farei o impossível para sempre ser digna da bênção que é ter você na minha vida.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Haveria poesia mais bela se não fosse você?
Dry Neres



Não paro de pensar em você um só segundo. Cá estou entre as paredes métricas dos muros da educação, fazendo a observação vassala de alunos em provas... E eu não paro de pensar em você um só segundo.
Os olhos captam as imagens externas, mas meu coração não cansa de me enviar palpitações e suspiros, por meio da lembrança do teu sorriso largo e infinito.
A adoração que sinto em meu peito por tua existência divina, assemelha-se à devoção eclesiástica. Faço de ti meu templo... Faço de ti o sonho realizado que me desumaniza e me aproxima do estado de purificação da alma. És minha fonte, meu cais, meu repouso, meu desespero... És o amor personificado.
Assim, cheios de brilho meus olhos estão, quase lacrimejados ao me deparar com a reflexão da magnitude do nosso enlace.
Haverá ainda felicidade mais extensa que essa?
Haverá amor mais transeunte?
Houve maior devoção, encantamento?
Haveria poesia mais bela se não fosse você?

sábado, 11 de junho de 2011

Vivía sin sentido, pero llegaste tú
   Dry Neres 




O teu amor é o que me transforma diariamente. Os teus olhos me abrem portas para o encontro da poesia. Eu queria que você pudesse alcançar meus sonhos para compreender que dentro ou fora da minha consciência estou ligada fortemente a ti. Ainda é inédito. Não sei até quando será o nosso SEMPRE em Cronos. Sei somente que você se faz eterna em mim. Nada, nunca poderá arrancar isso do peito de uma peregrina desesperada, sedenta por felicidade. Conheci o amor por meio do teu sorriso. 

Tudo o que eu sei sobre tentar a cada dia ser uma pessoa melhor vem de você. Sou inspirada a ser romântica desde que te conheci. Você é como uma flor rara que precisa sempre ser regada pelo vermelho e intenso da paixão que arrebata os enlouquecidos movidos pelo amor. Ainda é inédito. 

Estamos imunes aos males do mundo... Aos males da modernidade que mecaniza e humaniza o amor. Ainda utilizamos a máquina de escrever, ainda compartilhamos o mesmo garfo e a escova de dente. Esse amor, meu bem, não cabe em palavras. Feliz todos os nossos dias dos namorados. Feliz eu sou todos os dias de todos os namorados, por poder tocar suas mãos suaves, beijar teu queixo, dançar contigo mesmo quando não há música, rir das suas caretas e te fazer dormir no meu peito.


Pela primeira vez na minha vida... Eu tenho vontade de viver até o meu último dia com alguém. Eres mi religión, amor!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Introspecção
Dry Neres











O tempo finge que é tempo, mas não passa de razão. Faz-se de sonso e colorido, mas não passa de solidão. Olha para trás e percebe tuas rugas, teus cabelos desalinhados, tua alma rude e teus pés aflitos. O tempo se faz de otimista, mas não passa de ficção. Não pode haver otimismo enquanto a vida escorre entre os dedos. Os mundos que você visitou estão bem mais distantes do que sua vã filosofia pensa em descrever. Os mundos que você visitou foram deletados de sua memória. Ficou o aperto do que não foi. Haveria possibilidade de ser? Haveria felicidade longínqua naquele sorriso? Desenvolveria amor sustentável? O que você pode fazer agora é ser paciente e aguardar os próximos passos. A borracha que facilitaria o teu trabalho ainda não fora inventada. O que apaga as marcas? Tua fama de bom moço não pode de uma hora para outra, destilar, expurgar os rastros. Todo ser é sempre ruim ou bom. Todo ser é sempre sujo e angelical. É a penitência de ser humano. A tua razão por vezes grita. Grita até para ter vez, porque teu coração vive  encantado com a emoção que te toma pelos braços e lhe concede danças diárias. Haveria sido feliz d'outra forma? Poderia ter tomado nos dedos outras argolas de compromisso aceitável? Apresentar-te-iam as flores? E as dores dos teus? Terias permissão assim, para ser poética? A escrita vem dos loucos. D'outra forma seria sã e não adoentada pelos percalços e baratos que é se machucar com suas escolhas. Outonos viris e a sensação de garganta seca. Correu todo o teu passado em breves minutos? Optaste pela letra e não pela melodia. Faz então da tua letra, melódica, ora!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Qual é a natureza do amor?
Dry Neres






A humanidade tem fechado os olhos para a corrupção, para a crueldade. Tem aplaudido de pé a ignorância dos fanáticos religiosos, que pintam um Deus imoral e injusto. Nojento, para estes, é ser homossexual. Imoral é nutrir uma união que celebra o amor. Petulante é pedir direitos iguais.

Todos os dias, nos noticiários, atrocidades são desnudadas diante de nossas faces, mas continua sendo pauta de pregação ou chamamento ao arrependimento, a igualdade como ato IN-Constitucional. Muito se fala... São retóricas, falácias imorais. O amor virou imoral para eles. Mas os dedos apontados se voltam de forma voraz quando são questionados sobre o abuso financeiro contra os “fiéis”, sobre a pedofilia contra os inocentes.

Só quem é... Sabe a dor e a delícia de assim o ser.  

A dor é ainda hoje, em pleno século vinte e um, ter que saber que tal amor mesmo sendo a coisa mais linda e importante da minha vida deve se enclausurar e se conformar com quatro paredes que nos separam do mundo... Que não nos revelam.

A delícia é que mesmo diante de tanta dificuldade, o meu coração se enche de orgulho do que sou. Não optei por nada. Sou. Há certas escolhas que a vida faz por nós. A felicidade consiste nisso. Mesmo caminhando entre bosques espinhosos e terra escorregadia, cercada por selvagens inescrupulosos, porcos e desumanos coloco-me em estado de paz interior... Porque eles não sabem o que é o amor, nem o que é amar. Eu sempre soube. Do meu jeito. Movida pelo coração. Pautada nas emoções que a poesia de ser “gente” me revela. Sou. Diferente. Diferente não pela condição sexual, mas simplesmente pelo fato de viver... Coisa que mais da metade da população da Terra não sabe, porque se preocupam com mesquinharias e se preocupam, sobretudo, em viver na hipocrisia cega e desmedida de homens que se julgam “de verdade”, mas não passam de uma mentira.

O que eu sinto, verdadeiramente jamais poderia se chamar pecado. Pecado mesmo é pensar que Deus é um tirano.

Qual é a natureza do amor?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cada dia mais...
Dry Neres




Tenho dito pouco, sentido mais. Não troco os teus beijos pelo teclado poético, mas preciso vez ou outra, derramar esse amor do  tamanho do mundo todo em textos longos, palavras felizes.

O que eu sinto por você me transmutou de uma esfera em preto e branco,  para a aquarela que não é de Vinícius, que não é de Toquinho... para a aquarela que é o teu-meu sorriso. E eu amo amar cada vértice teu. E eu amo amar suas caras e jeitos e faces e números e curvas. E eu...

Sou louca por tuas mãos, teus pés, tua alma doce. Sou louca por tua voz, pelo formato do teu rosto, pela forma como você toca o indizível ao falar do nosso amor. 

Eu não poderia escrever outra coisa... porque é bem mais que nítida toda a paixão que devoto a ti. Meu coração se enche em agradecimentos por te ter em minha vida. Eu não tenho palavras para expressar a alegria que é compartilhar momentos, sonhos, sorrisos com você. 

Obrigada, amor... Serei tua eterna namorada, confidente, amiga, mulher. Serei tua eterna guardiã, minha criança. Velarei teu sono, teus dias, teus passos, nosso amor...

E... ainda que pareça clichê:
 
"Se você não existisse, eu te inventaria". 

E você sabe disso! 
Afinal, são quase três anos... Os quase três anos que me valem tudo o que já vivi e que ainda vou viver.

 Amor da minha vida... é tão lindo tudo o que eu sinto...  
Cada dia mais!

domingo, 24 de abril de 2011



Quem fala de amor deve dispensar a formulação de nexos, estudos linguísticos, morfologia despreparada. O amor é simples e quem se apropria dele fala com a alma, ainda que pareça estar segurando um dicionário ou enciclopédia na ponta da língua. O meu coração exala o que eu sinto e tudo é inédito, NEOlogismo. Esse romance não encontrasse nas escalas universitárias... é mais! Portanto, Shut up!   

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dry Neres




No estômago um embrulho, nos olhos o ardor de lágrimas que já tem tempo aproximado de quarenta e oito horas, no coração batimentos descompassados, na garganta um nó. A minha poesia está silenciada diante de tanta barbárie. As lágrimas não cessam. Penso em meus alunos, em meus companheiros de trabalho, em nossas famílias e é  inevitável conceber que poderíamos ser nós ali naquela situação. O meu corpo não aceita alimentação, recusa repouso. A tragédia instalou-se em meu peito. As mãos trêmulas ao expressar os sentimentos de vários. O ambiente que configura sonhos foi transformado em uma tela nada artística manchada a sangue. As lágrimas não cessam. Vidas lançadas fora, precocemente disso que conhecemos por Terra. Meus olhos querem enxergar aquarelas de esperança, mas o coração diz outra coisa. A dor é imensa. As lágrimas não cessam.