terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu picharia os muros do mundo 
Dry Neres





Tem dias que dá um nó na garganta e uma vontade desesperadora de gritar aos quatro cantos do mundo o quanto eu amo você. Tem horas, longas horas de longas datas em que as tintas desejam ganhar vida em minhas mãos - desejaria pichar os muros do mundo! Imprimiria em suas telas a arte de amar sem fronteiras, sem reservas. 


Coloco-me a pensar neste dia. Inomeável dia em que as paredes do mundo teriam não só as suas cores perfeitas, mas ainda o teu perfume em cada recôncavo. O teu cheiro de flor faria com que a Terra se aproximasse do Céu. Quão belos são os teus olhos. Quão bela seria a pintura deste ocular globo no cenário das gentes tristes. Tua beleza é canto, cor e movimento que envolve o coração dos que vêm no mundo só desassossego e solidão. És como um anjo moreno e suave. És como estrela, fada ou mar... Se nos muros do mundo n'algum dia eu puder desenhar - minhas letras serão aquelas que talvez você já conheça, porque os dicionários só abrigam cerca de noventa e seis mil entradas lexicais ou ainda cinquenta mil verbetes de elementos mórficos. 

As palavras ainda são repetidas. Não encontraram melhor forma de dizer que se daria a própria vida por alguém; que se passaria fome por outrem; que seria peregrino em todos os mundos para que n'algum lugar pudesse brotar o sorriso teu, do que dizer bem assim, ao ouvido do pé, verso ou vice: 'Amo você, eu'! 'Eu você amo'! 'Você, eu amo'! Não importa a ordem, tampouco a explicação. Amar é: esquecer-se do próprio nome ou endereço. Amar é: não saber de si nem do outro. Beber em goles largos a presença do amor teu. Ousar escrever na tentativa de expandir sentimento este que lhe cresce o coração, que lhe enche os olfatos. 

Mil e uma cartas de amor endereçarei aos teus olhos. Esta é a primeira. Enquanto não conheço o mundo todo... Começarei pichando aqui o muro meu. O muro que havia em volta do meu coração que nem mesmo é Berlim. O muro que caiu e hoje é flor. Começarei pichando na invisibilidade o espaço que hoje é teu e sempre foi. Amar é enlouquecer e ficar Amar-Ela e RosA e VermelhA. Com uma frase tua permito-me descansar as pálpebras e os textos e as unhas:

"E o coração fica aqui pulsando: euteamo-euteamo-euteamo-euteamo"...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Descritivo
Dry Neres




Às 21h45min, sentada nesta cadeira vermelha, com as pernas entrepostas, os cabelos emaranhados. Óculos meia vista. Panturilha dolorida. Língua dormente. Você aí não sei como - se sentada, ou ausente. Se sorrindo ou me amando. Se pisca ou tosse. 


A cor dos olhos sei bem. Negros esverdeados. Cabelos encaracolados. Aquele sorriso desenhado. A alma colorida. Seus sonhos bem alicerçados. Você, integralmente em mim.

Quando ela me abraça - os órgãos, todos eles... se beijam. O ar se comprime nos olhos. Os dedos se movimentam tentando fazer-lhe carícias. A boca deseja invadir os tímpanos. Quando ela me abraça, eu consigo imaginar um mundo sem guerras, sem fome, sem mortes. Ela me traz uma aquarela pintada no sorriso. E o mundo torna-se belo, leve, lindo. E o que vejo são montanhas esverdeadas com a grama fina molhada. Pássaros, muitos, infinitos a cantarolar. Um coro excelso de anjos a nos cobrir de cuidados e caprichos - a nos proteger da 'santa inquisição'.

As 21h55min ela escreve para mim também. Deve mordiscar os dedos. Balançar as pernas na cadeira. Deve sentir o coração explodir de amor. A garganta deve estar arranhando na tentativa de fazer chegar ao teclado toda a vibração vermelha desta paixão de todas as cores e países e verbos e séculos. Atravesso as literaturas neste exato momento e me recordo de tu, minha Capitu. Suas danças e nuanças. Seus mistérios e sentidos. A loucura e a paz que você traz.

Teu amor me silencia. Às 21h59min permaneço num estado de encantamento tão profundo que me perco nas palavras. E você, agora o que faz? Ama-me como te amo? Deseja-me como meu desejo é teu? Neste momento uma lágrima invade... Minha alma, minha vida, minha felicidade. Lágrima de amor. Tu és tão pura que me causa esse turbilhão de sentimentos que vêm embrulhados nessas lágrimas felizes. Se eu pudesse d-escrever mais eu assim o faria. E quem disse que há dicionário que abrigue tanto desejo de fazer alguém feliz?!  Permaneço sentada agora. Mas é como se eu viajasse o mundo inteiro ao lado dela. Consigo crer nas várias possibilidades. Minha fé na vida e na felicidade é indescritível. Sentada, todavia não estática. Ela me movimenta. Ela...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Eu mudaria os oceanos de lugar
Dry Neres





Noite esta ardi em calor febril que nem o vento do aparelho de voar retirou-me a efervecência do corpo. Tive sonhos ardentes de amor. E no clímax do beijo tua voz se intercalou com os meus líquidos. Não descreverei a pergunta tua, mas sim a resposta minha: Eu mudaria os oceanos de lugar!

Toda a minha poesia foi facilmente transmutada ao seu Ser no instante em que seus olhos se cruzaram com os meus mesmo que presos na tela fria do computador ou do fio telefônico que nos uniu de alguma forma. E a minha respiração começou a apresentar sons parecidos com o teu nome. E eu já sentia vontade de vestir os meus dedos com alianças nossas. Facilmente, por você, eu mudaria os oceanos de lugar.

E se me fosse pedido, construiria uma nova arca de algum Noé e reuniria todos as cores desta Terra, toda a música, todo o perfume e fundaria um país só nosso. Comeria livros e mais livros de poesia até me sentir suficientemente poética para ousar balbuciar em teu ouvido minhas juras de céu e amor. 

Amor meu, concede-me a dádiva de enlaçar minhas pernas nas suas por mais longas datas e séculos. Não há nada mais suave do que ter meu corpo abraçado pelo teu. Sinto-me a mulher mais amada e desejada do mundo inteiro. Sinto-me sim, inteiramente mulher!  Eu amo cada detalhe seu. As suas cores e vozes e verbos completos. Amo sobretudo, a inquietação que me você me provoca. Amo a vontade que você me dá de ser o melhor em você, em mim. Não mudaria somente os oceanos de lugar... Eu aceitaria todo o legado de nascer novamente, e aprender a chorar, andar, sorrir se houvesse a certeza de um dia às duas décadas minhas de idade encontrar-te novamente. Aceitaria morrer se a promessa fosse de te reencontrar em outras existências. Aceitaria um casamento às escuras numa ilha grega qualquer sem estrela no céu, porque o brilho teu está em mim e não há céu nublado, noite escura ou chão sem alicerce que me dê medo. Você é minha segurança. Agora vem, fala baixinho, me aperta... Quero num sonho de olhos abertos novamente poder dizer em outra língua, em novo tom: I would change the oceans of place!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ela é real?
Dry Neres


Cuidadosamente, fora desenhada. Antes de nascer sopraram-lhe poesia aos ouvidos. Disseram-lhe que devia amar com devoção. Deram-lhe um sorriso forte e doce. Nos olhos mora-lhe a verdade. Deus quando a fez disse-lhe: - "Vai ser diferente neste mundo de imperfeição". Quando ela nasceu, os sorrisos no mundo se unificaram num segundo só... Todos sorriram sem motivo aparente. E ouvia-se o cantarolar dos anjos que a acompanharam na viagem lá da esfera de cima, até aqui. Da sutileza das flores extraíram o seu perfume. A cor da sua pele é um misto de desejo e delicadeza. Os seus negros cabelos embriagam como o movimento do vento. No livro dos dias dela, escreveram as mesmas linhas que no meu: "Vais caminhar por longas estradas e datas. Vais ser feliz n'alguns dias. Todavia, o amor vai soprar-te a vida verdadeiramente, no dia em que os seus lábios tocarem outros lábios gêmeos em alma, seus. Ainda irás questionar acerca disso, porque no caminho para a verdadeira felicidade existem percalços. Mas haverá um dia, belo dia, feliz dia, incontável dia... Em que os céus se abrirão em clareza e conhecimento. E o seu coração sentirá a leve brisa da paz e queimará em êxtase do vermelho amor. Não saberás mais andar assim tão só. Sentirá saudade mesmo ela estando ao teu lado. Cada minuto sem ela, será como atravessar o deserto do mundo. Cada segundo ao lado dela, será como transformar o mundo num jardim de um Éden. Ela será tua Eva. Tu serás a Eva dela também".

Encontramo-nos! E antes de agradecer aos céus todas as noites por sua vida na minha vida... Indago: Ela é real? Amamo-nos! Ela é tão real quanto a minha própria existência.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eu vou onde você estiver
Dry Neres


Eu não sei se sinto espanto ou sorrio. Arde em mim a nobreza de um sentimento que coordena os meus passos. Invade minha razão...

Eu era quase comum - muito segura de mim, um tanto independente... Sabedora de poesia e conhecedora de bons vinhos. Pensava até saber sorrir. Acreditava ter tocado o céu algumas vezes de tanta felicidade. Sincerametne, acreditava que a vida se resumiria a breves palpitações no órgão muscular, - aquele coração vez ou outra -.

Depois que a conheci vivo em taquicardia. As mãos não se contentam em permanecer unidas aos meus braços e insistem em imprimir naquele corpo de país afrodisíaco minhas digitais - dela. Tudo o que eu havia aprendido foi desnecessário. Joguei tudo fora. Abandonei o conhecimento secular, porque dela e somente dela eu precisara alimentar-me. Reinventei uma língua... Com ela é preciso sussurrar. Ela é revestida de sensibilidade e sutileza. É preciso tocar devagar, falar devagar... Olhar mais profundamente. Seria como tocar um livro virgem. Ela é inédita sempre. Um fogo arrebatador de corações... Ela consegue unir todas as melhores coisas do mundo em seu sorriso largo.

Estou a escrever numa situação esmagadora, porque minhas mãos pequenas não conseguem segurar todas as palavras e canções e fotos e beijos e ELA que algo ali no andar de cima derrama em mim. É como um maná dos céus excelsos, de universos infinitos... Ela é infinita em mim! Já que falei das minhas, as mãos dela são transeuntes... Fazem-me derreter. Me estremecem. Ela me lambe com as mãos. Facilmente eu seria seduzida e faria amor somente com os olhos dela - PENETRANTES! Ela tem olhos nas mãos. É conhecedora de cada extremidade mais úmida minha.

São fluídos e mais fluídos de mel que jorram dos meus órgãos, pelo simples fato de pensar nos beijos dela. Eu não conhecia o real significado do beijo. Eu era desconhecedora da felicidade. Do orgasmo. Do clímax. Do cheiro. Os meus sentidos eram literários. E os meus textos não passavam de linhas bem enfeitadas de glacê. Agora sim, sou real. Agora sim, entendo o porquê da poesia me escorrer entre os dedos... Não se aprisiona o amor em linhas, não é mesmo minha princesa?

Eu poderia passar toda a minha vida e mais outra vida e outra, a te observar em silêncio. Poderia adormecer no teu colo e não sentiria fome, nem frio... nem sede, nem outra vontade humana qualquer. Seria-me tão somente necessário morar em você mais uns trezentos, quatrocentos anos. E se me perguntares até onde eu vou por você... Eu arranco minhas roupas, imprimo novas digitais e vou caminhando até algum infinito... Faça chuva ou faça sol... Chore lágrimas de dor ou de alegria... Passe fome ou frio... Eu vou onde você estiver!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Continuar Calados?
Por: Carol Neres (Irmã minha *__*)



A voz da razão é o grito da justiça. Qual o nosso valor? Simplesmente não sabemos! Valores são incertos! Prefeito ganha doze mil reais para pintar a cidade de verde. Até o bolso dele tá verde, ora essa! Enquanto os professores que ensinam e ajudam pessoas a serem o futuro do país, nada mais ganham do que dois mil. Verde da esperança? (Haha) Ou do dinheiro roubado no bolso do prefeito? Ladrões seguem o exemplo do prefeito - Roubam! Policiais influenciados por ladrões. E os trabalhadores? - apenas calados no meio de tanta corrupção. Nossas vozes não são mais ouvidas!
Sonhos destruídos! Sem recursos andamos e seguimos desamparados. Escola... Devia ser o lugar onde buscamos recursos para uma cidade melhor. Por um lado esse é o lugar... Mas por outro, os próprios bandidos frequentam a escola... (Sim, o prefeito veio aqui!) Ah, de máscaras é claro! Tantas promessas, muros pintados. O poder verde prevalece em Cidade Ocidental. Só quem sabe é quem mora! O verde esconde nossos valores e cala nossas vozes. Mentiras transformam-se em verdades. Que mundinho hein?!
Um dia seremos ouvidos, mas esse dia não chegará enquanto continuarmos calados... Deixando o "verde" prevalecer. E a esperança é apenas ilusão espalhada por toda a cidade... Mas nunca morta em nossos corações!


(Relato de uma menina de treze anos que enxerga com os olhos que o coração nos dá... Que ao invés de se preocupar com a cor do esmalte que vai usar, devota seu tempo e pensamento buscando soluções para sanar os problemas de uma sociedade já sedenta de cuidados. Ela, a menina, cansou de ser parasita... Quer ser quase enfermeira para cuidar desse povo quase cego com esse "verde" ou o "azul" ou o "vermelho" político que pintam ruas, calam vozes, matam famílias, levam a extinção a vida. - Carol Neres - Que segue os meus passos poéticos! - Meu orgulho!)



Nota de rodapé: Verde - a cor de slogan do prefeito de Cidade Ocidental - GO

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O sorriso meu de cada dia
Dry Neres



Um estudo apurado acerca do amor em mim - A influência do amor é fatal na palheta dos pintores, na alma dos poetas, no riso ao nascer da aurora. O amor é o encantamento do cais. É o desenho multiforme das ilhas. Ele, só ele, tem o poder de abrandar os gestos duros e transformá-los em doces beijos, em calorosos abraços.

Talvez ele o procure pela manhã, como um milhafre esfomeado implorando-lhe seus carinhos, os seus cuidados. Quem foi que disse que o amor não nos bate às portas? Vês?

Havia em mim uma espécie de muro chumbado, algumas armaduras e alguns soldados. Ouvi um sussurro num dia desses de manhã ensolarada e aquela melodia invadiu-me de tal forma, que não restou nenhuma armadura ou soldado, ou muro que conseguisse deter a força daquele amor que me tomava.

Uma mistura de cores vestiu o meu globo ocular. Vês? Reconstrui a minha crença na eternidade do amor. Estava viva novamente. Na verdade, seguramente eu acabara de nascer. E como uma criança humilde e curiosa, eu me deixei ensaiar os primeiros passos. Desde então venho descobrindo o perfume da flor, o sabor da flor. E aquele sorriso moreno de cabelos longos encaracolados ou lisos, presos ou soltos... Ela é assim - Uma poesia transeunte externada em corpo de mulher. E o meu coração fica assim feito bobo... Até parece que eu amo. Vês? Amo sim!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um sujeito simples - O Amor
Dry Neres



Somos o templo uma d'Youtra. A melodia que há em nós passa longe do conhecimento teórico dos grandes músicos. O nosso amor é um sujeito simples e dispensa predicados. Amamo-nos e o nosso sorriso mora nessa conjugação. Estamos cercadas das literaturas românticas - e a prova disso é que por vezes fazemos amor ao passo que lemos um trecho de Anäis e adormecemos nos braços uma D'outra. As palavras nos cercam e nos unem de uma forma indescritível. Construímos um país onde as calçadas são de poesia e dos nossos álbuns se fazem os papéis de paredes.

Os meus olhos completamente apaixonados pelos seus jeitos... As minhas mãos que te procuram em silêncio e encontram líquidos, flor, seios. Os seus lábios poéticos me arrancam tremores, cores. As nossas pernas entrelaçadas. Os nossos cabelos claros e escuros misturados no mar que nos fizemos. Você é o meu abRigo. Você é a minha arte e meu sentido. Você me traz a calma. O mundo pode tentar me desabar que você tem o poder de construir.

Um dia, eu prometo... Ainda te escrevo um livro, com o título dos nossos dias e a foto tua estampada na capa. Dedico-te nem que seja umas quarenta páginas. Faço um diário e um álbum nosso. Seria um anexo, uma extensão nossa. Talvez eu já tenha aqui comigo algum dois livros prontos para te ver sorrir.

O nosso amor é um sujeito assim simples... Ajeita-se num abraço em dia frio. Alimenta-se de beijos. Caminha de mãos dadas. Viaja pensando em você. Dizer da felicidade ainda é pouco para nomear nossos minutos. Falar em céu é pouco para dizer da paz que você me traz.

Não vês que estamos a viver um conto de fadas, aMor?

sábado, 10 de outubro de 2009

Era pra ser uma canção
Dry Neres




Às vezes a gente pensa mesmo é se tudo está valendo a pena. E a gente se questiona sobre nossa passagem aqui nessa Terra. Onde tenho foco? Onde a minha literatura tem o poder me levar? E de me resgatar? Eu já não sei se tenho carne e ossos e alma. Talvez eu seja somente mais um manequim com o sonho de ser gente. As cores de um cenário ofuscado se apresentam cada vez mais perto de mim. E eu temo o fim de tudo - O meu fim. Tenho sonhos de porcelana que facilmente caem e quebram sempre que me levanto. Criei um personagem que é difícil de alimentar. O meu caráter, já um tanto sem nome, pele, sentidos. O meu caráter já...

Impérios de papel. Montanhas de poesia. E mares de nadas. Vazios. Descontentamento. Sempre que lia nas literaturas as vidas dessas gentes desconexas, sentia pena delas. E agora, tenho pena de mim? São sensações alcoólicas. É só uma saudade que não passa. São só caminhos que se formaram de acordo com minhas escolhas cegas. O meu país foi derrotado por um exército invisível, de inimigos invisíveis que eu mesma criei. O meu país já...


Uma multidão de seres se forma em mim. Verdade e invenção se misturam ininterruptamente. Meus olhos não reconhecem se é dia ou noite. Frio ou fogo. Tudo tanto faz. Tudo a tanto já não vai bem. Eu preciso abandonar os palcos - Os textos. Eu quero quebrar os óculos porque de nada têm me servido diante de olhos cansados de não enxergar o que já me é tão claro. Os meus olhos dormem, porque já têm vergonha de mim. Os meus olhos já...


Eu já pensei tanto em mudar de cidade. Viajar uns três mil quilômetros procurando um cantinho para descansar os meus ombros. Eu sei que a solução está aí. Eu preciso tanto me livrar de mim. Já pensei em queimar os diários. E de que me adianta? Essas letras infinitas já aprenderam a me seguir fora dos papéis. Irrigam minha corrente sanguínea e... Eu preciso tanto me livrar de mim. Eu já...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dois dedos de prosa
Dry Neres




A idéia do infinito


Hora esta ou hora outra, n'algumas horas destas que não cabem no relógio, assombro-me com a idéia de que o meu juízo (ou a falta dele) faz do infinito. Em várias bocas, n'alguns corpos em que passei horas num adentramento que cai dentro das almas e as vai arrebatando... aprendi da arte, a peregrinação dos que enamoram-se pelos perigos da existência breve. Num enredo sutil de uma cena muda sinto mil mundos me crescerem nas almas.

Vez ou outra me apresento febril porque minh'alma opera com fulgor nos meus mitos do passado. Não me espantaria se o leitor quisesse amarrar meu corpo numa camisa cheia de força (ou vice ou versa), porque é devaneio, a minha poesia. Ferve em mim mil retóricas, histórias patéticas e mórbicas, porque sou poeta e são as experiências que inflam minhas mãos nervosas no ato de parir letras que se misturam e dançam esquisitas aos olhos dos que se denominam leitores.

Escondam seus olhos das minhas insanidades transmutas em vulcão, porque se você por ventura resolver se identificar com alguma linha desta aqui apresentada, estará já fadado a sofrer da mesma inquietação minha. Não se compadeça da minha fantasia sagrada, porque as literaturas nos enganam os sentidos e eu sou infinitamente literária.

Me instiga analisar os olhos muitos dos que cruzam meus passos. Cada um carrega um barco sem nau à procura do infinito. Muitos se refugiam de si. Muitos, como eu, se escondem por entre as coisas, vozes, óculos. Como boa contadora de risos, ate ensaio uma ou duas piadas, mas retorno com as mãos de unhas roídas nos bolsos inventados.

Retorno sempre, mas queria mesmo é me perder. Qualquer dia desses, eu prometo me desprover das inutilidades, rasgar identidade, tirar o meu cartão de memória. Qualquer dia desses eu prometo... Rasgar a minha pele, arrancar o meu coração e levar para a retífica. Quem sabe assim me vem alguma idéia do infinito?! Quem sabe assim... as indomáveis convulsões do crânio cessam!



Foi só um pesadelo


Os poros choravam desesperados diante daquele sonho, digo pesadelo, de vinte e oito do nove. Na realidade, o meu corpo abraçava o teu e sentia o teu cheiro divinal, enquanto parte do cérebro responsável por fantasias no instante em que fechamos os olhos, me remeteu a um sentimento nada bom de sentir. Eu tinha te perdido naquele pesadelo. E o meu riso tinha se apagado. E o meu coração havia arrumado as malas, me deixando uma lacuna bem no meio de mim. E era uma dor insuportável.

E, eu te ligava, mas...
Sua voz não ouvia.
Porque d'outra boca,
Notícias suas eu tinha.
E já não me era agradável ouvir.
E eu te chamava, clamava, implorava.
Teus olhos de ressaca já longínquos...

Oh Deuses, que sonho insano retirar-me o beijo do amor meu! ... Quando acordei, em desespero, cobri teu corpo com o meu-teu coração.

Beijei-te os olhos em exaspero.
Quis logo segurar suas mãos.
Abraçando-a aflita sorri -
Que pesadelo mais doloroso de sonhar.
Aproveitei e uma prece também fiz:
Para garantir que tal história ficasse bem aprisionada no tal inconsciente!

Porque eu te amo com toda a vida que há em mim. E se me fosse exigido nascer outras vezes, ou viver outras vidas, por você seguramente assim o faria.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A fim de entender as curvas geográficas do seu corpo-país
Dry Neres





O que eu sinto por você não cabe em nenhuma descrição. O que o seu sorriso me causa assemelha-se com o cuidado que o poeta tem para com a poesia. Você me moldou. Visto-me dos teus cheiros e invado tuas roupas em ato de fome. Até hoje, mesmo tendo percorrido vários dias desse casamento de lábios, tremo ao dizer que te amo e as pernas ficam bambas quando tua voz tão adocicada acompanha o meu aparelho responsável por ouvir suas juras de amor. Eu me agarro aos seus lençóis quando o seu fogo me invade. Reinventamo-nos a cada segundo e fazemo-nos assim inéditas sempre uma para a outra. É como se o amor tivesse acabado de nascer a cada beijo.


Eu queria saber fazer arranjos bonitos de palavras poéticas. Queria mesmo escrever como um Drummond para que você pudesse embebedar-se com as minhas letras. Eu queria ter todas as faculdades humanas a fim de entender as curvas geográficas do seu corpo-país. Quisera assim ter o conhecimento de todas as línguas para te invadir com os léxicos e sentidos que pudessem tocar o intocável em você - entre, dentro, mais. Ah, se eu pudesse ter o dom de 'historiar' para descobrir de tuas outras vidas, tantas vidas em que nos amamos através dos séculos.


Eu seria incapaz de descrever o misto de emoções que acontecem em mim, a cada vez que seus olhos mapeiam os meus. Eu amo os nossos silêncios e gritos. Eu admiro nossa compreensão, fidelidade, amizade... Mas o que mais me instiga é a nossa Intimidade. É quase surreal... é... incrível... estonteante! Casamo-nos, amor! Vivemos sem sombra de dúvidas um romance à moda antiga. Você é a confirmação do que eu um dia ouvi dizer sobre a felicidade. Eu te amo com tanta força. Eu te amo tanto...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Texto perfeito de uma boneca cujo nome é canção excelsa, divina, insana: Damaris Carvalho - ela me lembra tanto a Lispector *__*

Desde que nascemos estamos fadados a amar. Até porque por amor fomos criados e em função dele vivemos. Nos acompanha do princípio ao fim, é a perpetuação da vida. O supremo sentimento, pai de todos os outros. Somente conhecido e talvez compreendido através da experiência direta-talvez, pois até hoje não há menção na história de alguém que o tenha feito.
É dor, é fogo, desejo, encanto, fascinação. Sentidos. É incessante, arrebatador. Problemático. " Contentamento descontente". Não é como a paixão que é chama que se não alimentada apaga, é como o próprio ar. Nos mantém vivos, nos embala. Inexplicavelmente o néctar da vida, sentido até mesmo que em algum dia, em meio a algum devaneio, seja maldito. Nos torna divinos na mesma proporção que nos torna humanos. Faz com que seja sentido cada pulsar, cada contração, de todos os órgãos que compõem o tão frágil corpo em que habita.

Damaris de Carvalho

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A m p u l h e t a
Dry Neres


Eu sei que...


ficar sem ela,

seria como ficar sem mim.


Ela me tirou uma espécie de daltonismo com a vida. Hoje, todas as cores se movimentam em mim, com a textura dos beijos dela. Ah, este amor assim absoluto e assim e x a g e r a d o. Este amor impertubável e indissolúvel e que resiste às idades e as épocas. Sem o teu amor por perto, eu escolheria estar perdida entre a multidão de São Paulo. Sentada n'alguma avenida paulista de algum número de maio. Eu escolheria ter a pele arrancada só para não sentir saudades das tuas mãos sublimes. Eu escolheria não morar em mim, porque todos os cômodos que me abrigam, têm as suas digitais, os teus jeitos, nossas músicas.




E é como se...


o meu coração transbordasse...



É como se eu quisesse tomar alguns goles de você duma vez só. Embriagar-me do teu cheiro de anjo e de mulher fatal. Bebo a tua presença como quem tem sede no deserto. Contemplo os teus olhos em mim umas vinte e quatro horas por dia, porque eu nunca sei quando a incerteza do amor irá me bater às portas. Eu nunca sei quando o enlace de mãos poderá se romper. Às vezes tenho medo de dormir, porque agonia-me pensar que o nascer do sol poderia levar os teus negros cabelos dos meus seios.


Eu te amo com toda a urgência que há em mim.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E então o amor nasceu em mim
Dry Neres

Hoje em dia anda tão fácil de matar o amor. Nesses tempos de esfriamento, o amor implora aos seus ouvintes que Lhe dêem moradia, abrigo, consolo. Eu, por mim mesma, fui acometida pelo então Amor (sujeito romântico, cheio de predicados e hipérboles) - para amar alguém loucamente - com toda a intensidade que me mora. Faz dez meses ou ainda trezentos e quatro dias ou ainda sete mil duzentas e noventa e seis horas em que eu aprendi a comprender o significado de muita coisa que antes me passara despercebido. Almoçar se transformou numa tarefa dupla pra mim. Dormir também. Escrever também, visto que não consigo me ver tão solta dela. Antes de comer algo, penso se ela já comeu também. Antes de descansar as pálpebras, velo o sono dela mesmo que em alguns quilômetros poucos distantes. Antes de escrever reúno toda a inspiração que os beijos dela me dão.

Entendi, desde então o verdadeiro significado de poesia, porque ela se fez por inteiro todas as minhas letras alfabéticas e a minha coesão e a minha coerência. Penso que não me cabe tanto amor. E por isso, derramo-me em frases para dizer da divindade humana que me mora - Ela, a dona dos meus ais! Se mal visto esse amor ainda se faz, diante da 'pequenura' do campo de visão de alguns - eu insisto em desenhar nos muros, braços, beijos, olhos o tamanho desse cuidado que devotamo-nos. Eu grito assim tão alto, não para causar espanto ou por rebeldia. Eu grito tão alto assim para derramar mais cor no mundo, porque não há amor no universo - 'mais aquarela' que este que mora no peito meu. Ah, como me é divertido rir dos seus risos largos. Como me é delicioso beijar os olhos enquanto dormes. Acariciar teus cabelos negros rosados. Abrigar meu corpo no teu, como a mão abriga a luva - ou vice e versa ou isso e tal.

Eu tenho encanto e ternura por tudo o que ela faz. Na verdade, não é segredo meu, que eu acho-a uma das mulheres mais lindas desta Terra inteira - (ela só não ganha o 'pódio', porque tem aquela que me gerou e pra ela ofereço todas as flores de todos os jardins e ainda, para a que é irmã minha - na verdade alma gêmea minha, minha criança e amor primeiro). Tenho em mim a loucura dos que amam. Da loucura mais sã que meu coração pôde provar, quero embriagar-me infinitamente. Infinitos são os seus beijos, amor! Infinitos são nossos abraços e risos exagerados! Desesperada é a minha respiração quando te encontra. Úmidas são as minhas mãos quando te alcançam.

Eu a amo de uma forma tão indescritível - Imensa. Faz dez meses que nossos lábios se acharam um n'outro, todavia meus olhos já te procuravam incessantemente. A minha poesia buscava os teus olhos de mar, desde que eu fiz o movimento de pisca-abre de pálpebras aqui nesta esfera denominada Terra. Eu já te desenhava antes mesmo de te ver, assim tão de perto. E nos meus sonhos de amor, suas mãos já me acariciavam. Eu ja te amava, antes mesmo de te conhecer.

domingo, 30 de agosto de 2009

Amor entre iguais
Dry Neres



Já diziam os poetas, que tudo deve se calar diante do amor. Conceitos, arquétipos, razões. O amor é a única verdade que deve ser seguida. Antes de amar alguém, nosso coração não funciona como um 'buscador' de informações, espécie google. Ele não se importa se o meu gênero sexual é o mesmo que o seu. Ele não pergunta onde moro. Ele não questiona nada, pois tudo deve se calar diante da máxima de que se deve amar o seu próximo.

Existem os dogmas, as morais de rebanho, as verdades inventadas por homens que infelizmente não conhecem a verdadeira face do Deus excelso que existe além das literaturas, além das nuvens que o encobrem no céu. Ele é um Pai de amor. Ele derrama lágrimas cada vez que observa os filhos seus julgarem assim uns aos outros.

Amar entre iguais, não é ser diferente. Amar entre iguais, não é deixar de ter caráter, ou coração, ou família. Não é uma deficiência ou anomalia. Deficientes são os que insistem em enxergar apenas com o globo ocular, enquanto que a nossa bússola, deveria ser o coração. Ter preconceito é muito fácil. Julgar é melhor ainda. Buscar razões para atirar pedras nos 'leprosos homossexuais' é tarefa fácil para os ditos 'normais'.

Os que ousam ferir com as palavras, serão devorados por ela, como uma planta carnívora e feroz devora sua presa. Tente exalar mais palavras como: Obrigada, Por favor, Eu te amo, Posso ajudar. Ao invés de: Sapatão, Viado, Homossexual Leproso, Gay. Existem coisas mais importantes para se fazer quando se entende o real sentido da existência. Se você ainda não percebeu isso, talvez seja porque ainda não tenha entendido a frase tão suma de Platão - 'Penso logo existo'. Você existe?

Relato de uma mulher que ama outra mulher (o que poderia ser também o relato de um homem que ama uma mulher - nada haveria de desumano, nada haveria de anormal): 'Desde que te conheci tem sido primavera. Tenho sentido o aroma sutil do amor. Tenho me desdobrado em várias para devotar-lhe cuidados. Faço-o assim, porque nunca a loucura e a paixão, gêmeas que são, me acometeram de forma tão avassaladora. És o néctar dos meus lábios'.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os cegos do castelo
Dry Neres




Como ousam roubar-nos o amor, meus Senhores? Como ousam fazer soluçar nossos corações tão inundados do vermelho-amor? Imorais são os Senhores! Mal sabem vocês, Senhores de uma verdade inventada, que há pureza inigualável em nossas mãos, em nossos atos. Amamos entre iguais... E o que podem fazer? Matar-nos? Talvez. Mas, nunca poderão roubar-nos de nós!


Porque...


Li Proust, Dostoievski; um diário, poesia. Li a duplicidade dos seres e a invenção do amor. Toda essa literatura me atordoa por ser tão interminável, efusiva. Estou embriagada com o 'intrigamento' que a palavra me causa. Li mentes, países, verbetes franceses encobrindo várias-poucas faces. Escritores que se embebedam do sulco que emana dos lábios densos do amor. Mapeei cartas. Benditas representações humanas. Estive em frenesi exasperado diante da umidade que meu corpo pôde captar de cada expressão lexical. Embriago-me diante da desmistificação do amor. Focaut, Jung... Invoco-os! Deverá o homem sacralizar o amor, ou tão somente, deverá o homem, humanizá-lo. Silencio-me diante da poesia da vida; diante da junção dos corpos dos que se amam em sangue branco e mel divino adocicado. Descortina-se em minha mente romântica a possibilidade de ver o amor, como um caixeiro viajante. E ele entra em mutação. E eu divago nas incertezas que eu julgo ter acerca dele. Sei que amo uma deusa nórdica e ela é real em mim, tal como sei que existo. Basta-me? Tão somente sim! Seguramente, eu a amo como quem tem fome. Ela me ressuscitou! Sinto-me como um rio que não cabe em si. Não há nada de sagrado em mim, exceto ela. E se tua alma desencontrar-se da minha, seria-me então como morrer enquanto vivo. Eu poderia cegar depois de ter amado o teu riso pela primeira vez, porque nada me fora antes tão cheio de cor.


Algum imoral ousaria questionar se então existe amor?

sábado, 8 de agosto de 2009

Quase
Dry Neres



Quase nunca me lembro de dizer 'Eu te amo' para os do meu lugar de morar. Quase nunca me sento à mesa para contar-lhes dos fatos inusitados do dia. O aparelho responsável por realizar e receber ligações, tem sido elo rápido de um ou dois minutos máximos. Quase não me recordo da última vez em que afinei meu violão e caminhei pela casa balbuciando canções para fazê-los sorrir. É como se eu não estivesse, não morasse, não permanecesse... Sou estrangeira no meu próprio país. Sim, os anos passam e as 'prioridades mudam'. Deveria o amor também mudar? Ora, se assim o fosse, deixaria tão logo de ser amor. O amor que lhes devoto é insuficiente. Meus olhos transbordam de lágrimas tristes com a minha ingratidão. Penso que se um deles for chamado tão logo para habitar algum andar de cima, eu morreria de desgosto... Morreria de desgosto com as minhas atitudes tão descompromissadas e com a angústia por não ter compartilhado mais momentos únicos com cada um dos que são cidadãos do meu país-primeiro.


Amo-os tão desesperadamente. Sofro por cada foto que não foi capturada para que esta pudesse abrigar sorrisos, abraços... Sofro demasiadamente, porque parece que tenho esfriado com os Meus. Não há poesia que expresse o tamanho de tanto descontentamento com algumas atitudes minhas. Tenho sido desleixada com o sentimento mais nobre que pode existir no peito de ser humano - o amor de família. Tenho sido desatenta e tenho agido como se eu fosse só no mundo. Mas quando a noite chega com mais frio, ou quando algumas circunstâncias me pedem mais força do que meus braços suportam, são eles que me cobrem; são eles que me sustentam. E o por quê desse elo rompido... Eu não sei... Não sei... Trocaria tão facilmente qualquer momento de felicidade por algum instante no tempo passado, em que minha cabeça se encostava naquele (s) colo (s). Trocaria muito desse presente, por todo aquele passado. Sou então outra?


Quase não sei dizer de tanto tempo perdido. Quase não sei quem sou. Por que vim. Quase não estou viva. Tão logo, quem sabe, estarei poeta. E novamente começarei a achar graça dos ipês que florescem. Ou tão logo, nem o mar a me sorrir, será felicidade. Os dias vêm numa velocidade assustadora. Os dias têm sido curtos. O tempo escasso. Quando a gente cria um mundo, pensamos somente na porta de entrada. Haverá de tudo, no final, uma saída segura para que eu possa me esconder dos meus medos? Haverá de tudo, no final, felicidade na trajetória que meus pés escolheram seguir? Haverá de tudo, no final, um quase?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Seria minha poesia suficiente?
Dry Neres


O amor me transmutou. Fui lançada a um país que nem mesmo consta no atlas. Tenho aprendido a me alimentar das cores infinitas e das nuanças várias que teu perfume me provoca. Sinto-me mais mulher, mais madura e cada vez, mais amada. Faço planos para o nosso amor. Muitas vezes em silêncio, faço planos de preparar o teu café da manhã e de ser teu cobertor à noite - durante a contagem de infinitas luas - durante o cálculo matemático de incontáveis segundos. Faço planos de ser tua enquanto o amor assim nos permitir. Recorto as impressões que teus lábios me causam e digito-as em minhas pálpebras. Exalo romantismo. Tenho em mim a cor exata do amor. Exalo paixão. São teus olhos nos meus. É teu corpo que me fascina. Permeia todos os esconderijos secretos dos meus pensamentos mais longínquos. Exalo romantismo. E desconheço toda a minha poesia. Tem sido cada vez mais difícil dizer de tal amor. Tem sido mais difícil expressar em linhas, frases, letras tanto sentimento, tanta verdade. Se o poeta é um fingidor... Abandono a minha carreira; abandono a minha vocação... Só sei falar de verdades... E a verdade é que eu te amo... E não sei mais dizer desse amor... Me basta o teu beijo... Ah, e aí eu navego, me perco...!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Duzentos e setenta e quatro
Dry Neres




Beijos. Fotografias. Poesias. Longas poesias. Sorrisos. Desencontros. Esperas. Milagres. Afagos. Noites. Horas. Músicas. Estrelas. Mares. Estradas. Camas. Telefonemas. Lágrimas. Encontros. Perfumes. Dedos. Mordidas. Cuidados. Esperanças. Diversões. Cabelos. Relógios. Anéis. Torres. Sorvetes. Cartas. Quedas. Junções. Distâncias. Abraços. Longos abraços. Lençóis. Mãos. Respirações. Longas respirações. Corações. Toques. Vermelhos. Olhares. Multidões. Vazios. Algarismos. Vozes. Óculos. Silêncios. Linhas. Seios. Faróis. Pessoas. Livros. Tardes. Razões. Motivos. Citações. Filmes. Unhas. Bocas. Gemidos. Sóis. Explicações. Sentidos. Segundos. Destinos. Pensamentos. Coincidências. Insônias. Conspirações. Entregas. Significados. Cumplicidades. Cuidados. Sonos. Meses. Quadros. Esmaltes. Cores de Almodóvar. Cansaços. Emoções. Passos. Letras. Quartos. Papéis. Mensagens. Novamente deixo que minha alma se derrame. Expulso-me do meu estado carnal. Transcendo-me. Transporto-me. Me fizeste assim: duzentos e setenta e quatro dias de amor de verdade.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para se ler antes que amanheça
Dry Neres



Meus olhos te seguem pelas avenidas. Meus olhos seguem tuas curvas que enfeitam o lençol claro. Tua pele chama-me para habitá-la. Quentes são seus líquidos que navegam pela parte final de cada extremidade superior minha - minhas mãos. Vivos são seus beijos que tatuam amor em meu coração. Indescritível é esse amor que me toma, me mora, me inquieta, me acalma. Nunca me fora antes tão intenso, tão verdade, tão amor.
Acredito-me na máxima de que nossas almas se procuravam em outros corpos antes de nos encontrarmos. A junção dos nossos sorrisos fez com que a Terra se fizesse mais bela; fez com que as estrelas brilhassem mais intensamente. Nosso encontro estava desenhado nas páginas infinitas de algum livro Machadiano. És personagem minha, viva em minhas pálpebras que de outrora vieram cansadas de tantos desencontros.
É nítida a fotografia do tempo que pára quando nossa respiração se encontra; quando nossos braços se abraçam. É nítida a fotografia do tempo que não nos cabe. Estamos além da compreensão da melhor filosofia, do melhor romance. Ah, se eu tivesse a precisão dos poetas... Saberia fiel e facilmente descrever-te tudo o que transborda em mim nesse exato momento. Fui tomada por uma essência de amor máximo por teu sorriso, por teu existir. Pena que eu não saiba expressar tudo isso em frases bem construídas. O amor em mim é como desconstrução. Não o coordeno. Não o aprisiono. E ele faz de mim o que quer. E a palavra que me mora guia os dedos que rapidamente digitam esses sentimentos, meus sentidos tão confusos de tanto amar-te.
Sei que existo assim tão inteiramente, porque tua face beija-me a cada amanhecer. Amo-te porque consegues transformar cada lágrima de choro em lágrimas de sorrir. Tens o dom de me fazer bem. Tuas mãos sabem me conduzir ao estado maior de loucura que os seres conseguem alcançar. Um toque teu, e derreto-me como se colocada ao forno em brasas celsias. Um olhar teu e uma sinfonia me rege. Sou tua música, tua poesia. És meu acordar; cada amanhecer. Se sou sol... é porque me fizeste sol! Antes de você chegar... era tudo nuvem - passageiro e frio. Acalorada me fiz. Brilhante estou, porque me fizeste assim. Moldaste-me à tua maneira. E hoje tenho a certeza que me fora o melhor acontecimento desde que li no dicionário o significado da palavra felicidade.
Preparar-te-ia o teu café. Acenderia o teu cigarro. Derramar-me-ia em poesia todos os dias e noites. Balbuciaria músicas ao pé do teu ouvido. Cuidaria do teu sono, do teu respirar. Beijar-te-ia em desespero de tocar teus instintos. Amar-te-ia como quem compõe magistral canção. Este é quase um pedido de casamento, dentre vários que já proferi. Casamo-nos diariamente. Nosso enlace é certo a cada amanhecer.
Você faz-me sentir rara, especial, pura, extraordinária. Você faz com que eu me sinta capaz de tudo quando estou ao seu lado. És meu anjo. És minha amada!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Meu verbo - Teu nome
Dry Neres



Tua imagem refletida nas águas foi o meu presente. Foi-me como tocar as nuvens do céu que nos cobria com a palma das mãos. Os teus beijos me invadiram. Suas mãos procuravam desesperadamente minha pele tão branca e aveludada (tu que dizes!). O nosso contraste me instiga. O sol dançava diante de nossas faces apaixonadas. As árvores se moviam de acordo com o bater dos nossos corações em sintonia. As fotografias capturavam o que podiam daquele momento surreal. Você, linda. Você, minha. Você, estrela. Eu, teu sol. Nós, amor!

Sempre que algum desentendimento tenta nos acometer de forma a fazer meu rosto se afastar do seu, lembro-me dos nossos sorrisos, dos nossos beijos, do sono teu que velo com todo cuidado. Lembro-me do amor que nos devotamos, do corpo uno que nos fizemos. Cada momento com você é único, indescritível, doce. Doce são suas palavras. Doce, esse amor, minha Estrela. Diante de ti, emudeço! Contemplo os teus olhos como quem acaba de nascer e sente naquele instante o cheiro de felicidade. Amo-te como quem encontra oasis no deserto e sorrio das suas falas mesmo quando em silêncio estás. Suave, me é afagar os teus cabelos negros enquanto dormes. Suave, me é mapear o teu corpo com as minhas digitais e deixar contigo o perfume que tanto amas - o meu perfume em teus seios e mãos.

Se há algo nesse meu coração que não se esconde é o amor que transborda de ti para mim e de nós para o universo. Atravessei todos os obstáculos ardilosos como quem atravessa o mar vermelho em fúria e de muletas... E o amor sobreviveu, venceu e hoje frutifica. Eu amo porque sei que parte minha és. És órgão meu. Veias, artérias, fibras... Tu estás em mim, tal como há indícios de vida em meu suspirar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tem dias que...
Dry Neres


Que... Facilmente eu me abandonaria! Deixarei esta carcaça de vinte e uma primaveras que me abraça vagar em desalento, sem alma pelas entranhas estranhas desses mundos longes, que vendem num livro ou outro. Facilmente desprender-me-ia dos vínculos que construíram em mim, porque se depressa eu não for, o rumo das coisas corridas trata de se encarregar desta tarefa então tão árdua para minhas mãos. Quisera saber transformar tudo em canção de coldplay, um oasis, aquele radiohead... Quisera saber ser algo bem triste e só. Mas não me deixam. Mas não...

Nestes dias longos em que a máquina do tempo parece ter se vestido da minha face, tenho sentido as veias acelerarem-se. Vibram. Distorcem. Os órgãos se devoram e o coração os devora. A todos. Um a um. Rápido e rápido. Tem dia que os veleiros desistem de encontrar os seus barcos. E os filhos querem o abraço da mãe. E o pintor não deseja pintar a tela. E o sorriso não nasce no movimento de beijar. E a cama não resolve o teu sono. E os olhos não evitam o salgado que formam as águas do globo ocular. Nem as ilhas parecem tão seguras para se fugir.

Nestes versos tão secos e agudos os léxicos não me acompanham. As gramáticas não me permitem. As literaturas me fogem à memória já fraca, acometida pelo terror da idade que se aproxima sem chegar. Este mar de emoções, se eu fosse descrever, não caberia tão fácil nas cordas rebeldes do meu aparelho velho de tocar músicas velhas. Tem dias que o som dos ventos não me agrada tanto. E a lua não parece tão bonita. E o teclado vai ficando assim distante de mim, porque a vontade de dormir, na tentativa infantil de fugir desses momentos destoantes é devoradora. Tem dias que eu preferiria nem ter pálpebras para piscar-te. Nem coração para lembrar-te.

É só poesia. É só a beleza distorcida da moralidade impregnada em nós. É só!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Do Amor
Dry Neres




Não há voz que expresse o encanto que o brilho do teu sorriso provoca em mim. São momentos tão sublimes, que meu coração parece reunir todos os elementos da estratosfera num suspiro só. Meus lábios exaltam o perfume que exala dos teus órgãos de origem divina. Anjo, tua pele é poesia que me acalma e inspira. Amor, os teus olhos me dão toda a ressaca de Casmurro, de Machado, de Capitu, de amor. Nossos sorrisos foram fotografados e selados em álbuns da trajetória nossa. Nossos corpos se aproximam cada vez mais do estado maior de união de almas que provocam até tremores de terras longes. Nossos corpos representam a dança ininterrupta das estrelas e a junção de quadros belos, de cores belas, de mundos encantados.
O que dizer mais?
O mundo é pequeno para nos definir. Amo-te infinitamente!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Onde as ruas não têm nome
Dry Neres


Tenho sido como as retóricas reticências ricas em matizes melódicas. Depois de desidentificar-me, notei-me quase gelada. Como um cadáver que passou por uma autópsia enquanto ainda vivia... Onde foram arrancados todos os órgãos que exprimissem algum tipo de sentimentalismo relevante. Tenho deixado de ser sentimental aos poucos. E isso não me agrada tanto assim. Rabisco álbuns velhos, recolho músicas que aprisionei num baú de recordar momentos. Tenho uma rotina quase degradante. Tenho a vontade gritante de voltar para a casa segura que eu tinha vinte e um anos atrás. Alí eu sentia toda a proteção que o ventre materno me devotava. Sentia-me inundada de amor incondicional. Não encontrava problemas, tristezas. Minha única atividade era torcer para aquela bolsa tão quente que me envolvia, não estourar. Quando estourou, não quis abrir meus olhos, nem sorrir. Num gesto súbito chorei porque senti que meus dias começariam-a-acabar naquele exato momento. Tenho sido vários heterônimos Pessoanos em mim. Tenho sido a desconstrução do próprio nome que me deram. Não me percebo tão integrante de mim. É como se a minha consciência a todo custo tentasse me expulsar dessa face rígida que observo nos espelhos - quebrados. É como se o meu próprio coração me rejeitasse. O meu corpo é instrumento desafinado e eu tenho me sentido facilmente só, mesmo quando caminho nas ruas largas do meu mundo lateral. Só as músicas me escutam bem. Só as letras me escrevem bem. Embriago-me todos os dias de elementos nocivos ao meu corpo já frágil. Quem dera que não fosse só fingimento poético, antes quisera ser verdade, esse embriagamento. Instigo o carro que me leva, a tomar o rumo das ruas sem nome. Lá depois dos altos montes e curvas retilíneas e dispersas das rodovias aéreas. Gostaria de ser vizinha do vento e só. Iluminar (me)-ia com a luz do sol e só. Alimentaria-me dos léxicos que diariamente eu produziria. E venderia minha arte em troca de sorrisos. Meu corpo se cansa das utopias modernas. A realidade implora-me atenção. Escondo-me nos becos do comodismo e da suscetibilidade que invadem os meus dias. E nenhuma rua parece ter métrica ou precisão. E nenhum lugar me leva onde as ruas não têm nome.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vocabulário
Dry Neres




Sou submissa às palavras. Elas me surram, interpelam. Fazem amor sem pudor com a minha alma. Deixam-me exausta. Nova. Despudorada. As palavras me permitem ver o desprendimento das coisas, dos seres. Elas me empurram contra a parede. Lambem-me o pescoço. Fizemo-nos parte de um casamento que tem como base, a verdade. Expressamente, intuitivamente nos comunicamos de forma nuclear. Eu amo o instante em que o silêncio faz-se eco. Escuto-me-(te) em vários tons e cores. Somos pontes um d'outro. Somos escrita e carícia. Nossa retórica tão singular, não envolta de teorias me enche as lágrimas d'água, porque os olhos já inundaram de admiração. És o princípio e eu estou em ti antes mesmo de minha existência ser de tudo e todo consumada. Estou a apaixonar-me constantemente por suas nuanças. Minha pele vibra com a força intrínseca do fazer nosso, do estar nosso. Esse meu vocabulário um tanto prolixo talvez seja como a velha máquina de escrever já previsível, estática, estática, estática. Essa preterific-ação que promovo nas sombras por onde deixo perfume é basicamente o edifício invisível em que me transformei. Se tenho pele e boca e olhos, não me importa tanto quanto saber que minha alma é quase livre de algemas que quiseram desenhar pra mim. Leio jornais, escuto o noticiário local. Sinto uma vontade assustadora de beber dois dedos de alguma coisa que me revolva o estômago a arder em mim como chama de amar. A inquietação é evidente. E assim, a inquietude que me mora seria facilmente descrita na vontade de estar contigo em todos os pretéritos, presentes, futuros possíveis. Romper o alvéolo direito do tempo central. Romper o tempo inquieto que me empurra de mim. Que me pressiona em mim. Apaixono-me novamente ao perceber que escrever-te, Óh Palavra, é como um gozo contínuo em meus órgãos divinos. Meu vocabulário é somente reflexo da submissão a que me deixo diante de ti. Sou tua, Palavra!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Autorretrato Horto-Gráh/fico
Dry Neres


Estranhoso é! No mínimo estranho há de ser!
Assinaram um Decreto! (Palmas e Risos)
Unificaram a Língua! (Palmas e Risos) Qual Língua?
O Dáblio, o Ípsilon e o Zê, agora fazem parte do alfabeto! (Congratulations!)
Esse é o nosso autorretrato!
'A Língua voa, a mão se arrasta' - Marcos Bagno
Desde quando o Brasil não fala o português luso? Uma língua? - A Brasileira!
Seria este um Acordo Político?
Não sei ao certo responder, visto o grau elevadíssimo de ignorância minha, quando a pauta trata de ignorância elevada ao cubo de outros.
Meu aparelho responsável por captar sons se cala. Sim, emudece!
MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA BRASILEIRA

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Escrevo-te
Dry Neres


Desde que te conheci tem sido primavera. Tenho sentido o aroma sutil do amor. Tenho-me desdobrado em várias para devotar-lhe cuidados. Faço-o assim, porque nunca a loucura e a paixão, gêmeas que são, me acometeram de forma tão avassaladora. És o néctar dos meus lábios. Tuas mãos me conduzem e me elevam ao mais perfeito estado de devaneio, prazer. Não seria exagero dizer que nunca tivera eu amado assim, outra (o). A minha vontade agora seria abandonar este meu local de sentar e fazer poesia com um vínculo quase empregativo e alavancar-me em seus braços e seios, que são meu local de sorrir. Escrevo-te porque assim libero parte do êxtase vermelho de amar que me invade. Escrevo-te porque ontem embebedei-me da tua presença e ainda hoje tenho teu perfume nos olhos. És sem dúvida alguma, a deusa nórdica das minhas poesias.

Minhas palavras ainda hão de habitar um livro com o nome teu. Escrever-te-ei com aflição, a saber, se teus olhos terão encanto na minha poesia tão sua. Escrever-te-ei com toda a verdade que me mora. Escrever-te-ei com a conjugação própria a que me conduziste a sentir. Não serão apenas páginas folheadas de verdades, Amor. Serão ainda mais: serão minhas próprias fibras a falar-te, porque me sublima como poetisa; porque me demove a ser o melhor em mim. Ao folheá-lo sentiras o nosso perfume de amor. Ao lê-lo assim lembrarás-se de cada dia/noite em que nossos corpos se desejaram em calor Celsius. Cada suspiro nosso habitará em ti como se cada momento vivido retornasse numa força de toneladas duma vez só. Encontrarás um beijo nosso em cada página. Minhas letras transbordarão em ti. Derramar-se-á todo o amor que meu coração faz ecoar em mim, em seus olhos.

DESDE QUE TE CONHECI

TEM SIDO PRIMAVERA.

E SORRISO.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Substancial
Dry Neres





Versus: O que falta é coragem! O que falta é... Deixar de amar!

Proso: Ora, Sr. Paulo... Então é possível?

Versus: Assim como veste, agasalha, afaga... O amor também foi programado para desabrigar. Digo, não o amor em si. Exorto-te acerca do-s sujeito-s empregado-s no verbo.

Proso: Tudo seria mais tão fácil se então pudesse terminar em poesia. Puxa a cadeira, molha a ponta do lápis, enverga a folha, derruba dois dedos de qualquer líquido e dorme.

Pairo acima de algum lugar em mim. E percebo-me ausente.

Quando sinto-me assim é porque preciso da multidão de São Paulo. Daquelas ruas geladas, de rostos fugidios, imagem forçada. É porque quero te perder lá no meio. Esquecer sua voz lá dentro. E percebo-me ausente.

sábado, 13 de junho de 2009

Escrevo hoje,
porque ontem seus lábios
não me deram trégua
Dry Neres




Eu poderia descrever cada detalhe do nosso dia, da nossa noite... Todavia, prendo-me, apego-me ao instante perfeito em que nossos dedos ganharam vestes. Nos casamos sem templo, sem padre, sem vestido. Casamo-nos na avenida lotada de carros, luzes, nós - estávamos. Nossos corpos pairavam acima do céu. Éramos maestrinas do universo. Fizemo-nos amantes no local de fazer paixão. Estávamos num playground - nosso playground. Nos invadimos. Surpreendemo-nos. Nossos corpos se intercalavam entre as nuvens. Nossos dedos brincaram de tocar as almas nossas; brincaram de nos arrancar sensações e líquidos. Mas era mais - transcendental - tínhamos o que é desejável aos namorados - tínhamos o desejo de nos pertencer. De sermos eternos. Estamos eternos!
Eu gostaria de poder descrever o som do beijo. O som acústico do meu coração que se afogava em sentimentos dos quais não nos era permitido descrever. Nossos olhos transbordavam afagos, desejos, cuidados. Estou numa espécie de ressaca amável, amada. Casamo-nos na avenida lotada. Tem sido dia dos namorados desde que te conheci. Antes mesmo de você sequer cogitar qualquer possibilidade de unir suas mãos às minhas - já era dia dos namorados pra mim. Silenciei-me então. Hoje grito, escrevo, brinco - Vai sempre ser dia dos namorados, enquanto você permanecer comigo. Enquanto os ventos me permitirem a dádiva de cultivar o amor - de regá-lo. Vai sempre ser carnaval, ou novembro, ou 12, ou São João - Vai sempre ser amor!

terça-feira, 9 de junho de 2009

E AQUI?
VAI HAVER CENSURA?
Bem Nos Queremos
Dry Neres




Amor, o que é que fizestes com o meu coração? Criou um mundo novo onde os signos se misturam, as horas se congelam, o coração é feito cor - vermelho-amor.
Amor, o que são seus sorrisos extensos, seus abraços famintos, suas mãos de tocar alma - a minha. Esse amor meu é quase desesperado. Culmina em mim todo o cuidado do mundo. Revolvo com carinho cada parte sua. Escrevo meu nome em suas laterais. Apago posteriormente na tentativa de não te eternizar. O amor livre é o melhor. Já provei desse sabor. Deliciamo-nos assim! És em mim, o que seria até insuficiente descrever.
Lembro-me que meu pequeno corpo vagava a chutar pedras, desenhar versos, rasgar cartas. Na verdade, era mais. Lembro-me que meu corpo vagava só, frio, em desamor. Apareceste numa noite fria de novembro. A lua estava calma. Não havia estrelas no céu. Havia um céu nas estrelas. Rodeada de pessoas, risos, músicas - Você me veio. Ainda não era minha. Demoraste a ser. Mas a certeza que eu tinha é que te conhecia antes mesmo de te conhecer. E o amor nasceu em mim, como nasce água límpida.
Meus olhos desde então te seguiam. O GPS do meu carro indicava a direção do teu lugar de morar e viver. O meu coração indicava que nosso encontro era certo; que nossos passos logo se encontrariam em compasso harmônico e que nosso beijo seria interminável durante longos dias de dormir e viver contigo. O caminho foi árduo. Sinto por ter sido. Diversas vezes vi meus joelhos sangrarem. Uma febre sem nome invadiu meu corpo e passou a habitar os meus dias. Os meus dedos calejados ficaram de te enviar correspondências acerca do meu amor. E hoje sorrio largamente, ao perceber que já não és mais o MEU amor. SOMOS o AMOR uma d'outra! É recíproco. É real. É tão você em mim. Sou tão eu em você. Bem nos queremos. Bem nos amamos. Bem nos cuidamos.
Eu te amo bem um monte *_*

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Da dor
Dry Neres



O mar os tragou.
Alguém se calou.
Um choro se ouviu.
Porque alguém partiu.

O vento quis dançar com o objeto de voar:
Perdemos um sorriso. Perdemos um amigo.
Perdemos um homem. Perdemos uma mulher.
Perdemos a pureza, de uma criança, que foi antes do que deveria;
De um bebê que ainda seria...

O vento quis dançar com o objeto de voar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bem Bom Te Ter Na Minha Vida
Dry Neres


Um Amor Puro
Composição: Djavan


"O que há dentro do meu coração, eu tenho guardado pra te dar. E todas as horas que o tempo tem pra me conceder, são tuas até morrer. E a tua história, eu não sei! Mas me diga só o que for bom. Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem... É teu e de mais ninguém! Te adoro em tudo, tudo, tudo!!! Quero mais que tudo, tudo, tudo!!! Te amar sem limites, viver uma grande história. Aqui ou noutro lugar, que pode ser feio ou bonito... Se nós estivermos juntos haverá um céu azul. Um amor puro... Não sabe a força que tem. Meu amor eu juro, ser teu e de mais ninguém. Um amor puro"!

182 dias ou 4.368 horas ou ainda 10.920 minutos - Seven s2

Estou ligeiramente encantada com o teu sorriso. Acho que estou apaixonada! É possível então apaixonar-se pelo mesmo Ser diversas vezes? Por e com você o amor é infinito. É uma carta de data invisível. É algum elemento inelegível. Só é por si só possível, quando nossos lábios e almas resolvem cuidarem-se. Eu faço amor com as palavras que se derramam de mim. Eu faço canção das lágrimas de alegria que sopram de nós. Entre os labirintos do que nomearam de amor, estamos. Embora, alguns espinhos tenham insistido morar em nossas pétalas, estamos. Voltamos! Mais fortes, mais mulheres, mais humanas, mais verdade e menos ausência. Estamos! Eu amo cada hora dessas em que as Estrelas me permitem o brilho de sua Regente maior. Eu amo cada loucura nossa. Eu faço preces, e sou religiosa e tenho fé na junção dos corpos nossos. O amor me rouba a descrença. Eu me visto da felicidade e banho-me no brilho que nossos olhos refletem. Eu me visto de felicidade e saio pelas ruas encorajada à permanecer em nós. Eu amo você!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Apetecível Epifania
Dry Neres


I just had an epiphany!

Externar sentimentos. Expulsar demônios. Mandar-se embora de si. Banhar-se em letras. Dormir nos ponteiros de um relógio qualquer sem pêndulo. Sentir uma espécie de torpor. Descantar canções. Dessorrir carícias. Apetecer almas. Epifanar amores. Inventar sentidos. Quebrar conceitos. Desfazer lágrimas. Chover e amanhecer. Dormir e anoitecer. Obter vigor dos abraços. Sugar os néctas corporais expelidos pelos deuses (as). Proferir junção de corpos em forma de manifestos Modernistas. Derramar-se. Morrer de amores enquanto se bebe do vinho ultraromântico. Amor de Shakespeare.


Falta-me alguns conceitos. Falta-me todos. Prefiro os sentimentos sem nome. As relações sem peso. Pés envoltos de meias coloridas. Blusas listradas. Anel no dedo médio. Falta-me algum pedaço perdido em alguma esfera, em algum tempo de alguma memória em mim. Falta-me eu. Sobra-me os outros. Resgatar-me-iam as ninfas, os elfos, os príncipes (as)? Devolvo-me a um estado sereno. De recepção. De aceitação. Quase contente no mundo mudo. Meu aparelho auditivo capaz de discernir cerca de quatrocentos mil sons capta meramente alguns pingos de chuva. A chuva que sou. A chuva constante a que me remeti. Enviei-me em papel de cartas e em endereçamentos à lugar de ninguém. À lugar nenhum.


Sou um livro de tantas páginas, várias páginas. Algumas nulas. N'outras exposta demais. Algumas sobras. Muitos espaços. Sou um livro esperando ser lido. Ousas? Provoca-me? Instruí-me alguma entidade transeunte. Chove-me as suas mãos nas minhas. Chove-me nosso beijo por hora inventado. Não descrito em livros. Não descrito em corpos. Chove-me e amanheço. É uma apetecível epifania. E ora, o que é isso? Não importa. Não importa. Não importa. Isso sou eu - Sobrenatural - Divina - Insana - Patética - Feliz - Sou desejo - Apetite - Pretenção. Humana tal como você.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O AMOR É A DESCONSTRUÇÃO
DE TUDO O QUE PENSAMOS SABER!



terça-feira, 19 de maio de 2009

Onde estou em mim?
Dry Neres



Eu gostaria de deixar de te escrever, mas meus dedos são como uma locomotiva desgovernada rumo à nem sei o quê. Meu coração dói demasiadamente. E é uma dor maior do que todas as provocadas em qualquer outro órgão do meu calabouço corporal. Eu me sinto como um quarto escuro. Eu estou nublada. Nublei! Sinto-me em dias de chuva. Chovi... Mas não amanheço! Eu até finjo dormir, na expectativa de no fechar dos olhos conseguir arrancar tua figura de amor meu, das pálpebras minhas. Mas, sonho-te. E anoiteço.


Sinto-me como uma cadeira de balanço. Ali, estática. Silenciosa. Fria. Emocional. Passional. Só. E é como se todos os braços de todos os mundos não fossem suficientes para me abraçar. Porque o meu abrigo é você. Porque eu sinto falta do gosto do teu café nos meus lábios. Eu sinto falta do teu sorriso beijando meus instintos. Eu desenho-te em poesia. Tatuo nossa ausência no meu ato displicente de escrever. Não... Não quero te comover com a minha retórica. Antes fosse retórica. Mas é só verdade. Mas é só dor de amor. Amor dói?


Recordo-me com roer de unhas, dos nossos planos de tomar a areia e o mar num gole só. Recordo-te em livros que eu desejara escrever um dia. Recordo-te nos frascos vazios de perfumes que gastei no meu corpo para sua alma cheirar. E dos nossos beijos mais doces, em que o passear de lábios era dança ainda não inventada. Inventamos um jeito só nosso de ser. Fundamos um mundo só nosso, cheio de particularidades, CDS, vídeos, roupas, estrelas. Mas num belo dia, saí para trabalhar, esqueci as chaves... E quando voltei o mundo seu/nosso, estava trancado. Fiquei! Cadê você?


E se eu me revelo tanto. É só desespero. E se meus olhos não disfarçam a dor. É só canção. Eu tenho sido só ausência. Mas é você?


Anoiteço. Emudeço em lágrimas. Onde estou em mim?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

De onde vem a inquietação
Dry Neres




Eu imploro aos deuses excelsos que me seja devolvida a loucura que o amor me provoca. Não quero ser racional. Não quero precisar ser racional. Reclamo do anel que não te dei para selar o nosso amor. Reclamo das noites em que eu deveria ter segurado minhas pálpebras com as unhas, para que seu sono fosse velado com mais cuidado. Queria continuar a me apaixonar diariamente por você, por suas birras, seus sorrisos. O amor é desespero, fome, loucura, calma sem causa. O amor é sorriso que cala as lágrimas. Não fui teu pão? Não fui teu cobertor, amor?

Caminho pela cidade, assim descalça. Não me alimento de outra coisa que não seja do teu cheiro guardado em minhas mãos. Eu quero ser multidão. Quero abrigo. Preciso de um relógio sem ponteiros. Quero rasgar os conceitos; queimar as bibli(a)ografias que insistem em confundir nosso amor. Quero cortar as línguas das morais de rebanho e dos pré-con-ceitos que insistem em queimar tua/nossa pele. Nesse mundo de hipocrisia desmedida... Eu quero fugir da racionalidade. Dormir na vertical. Reescrever minha história cheia linhas unilaterais; cheia de teias e esconderijos subterrâneos pro meu Eu.

Eu quero gritar para os conceitos dos ‘Senhores Donos da Moral’ que o amor é maior que tudo. Quero morder as veias das regras, dos i-mora-is. Eu tenho pena de tudo o que nos afasta de nós. Você está em mim mais do que me era permitido perceber. Nem numa raspagem ocular tirariam você dos meus olhos. Eu tenho pena de tudo o que nos afasta de nós. Nem um transplante de pele tiraria seus poros dos meus. Mas, voa minha criança! Vá passear com as ondas do mar que desenham tua pele na minha. Voa minha criança. Amar é saber aproveitar o tempo que Deus nos concede com a pessoa que faz nossos órgãos pararem por alguns instantes. O tempo se derrama. Líquido é. Hoje descobri então, que não sei amar. E ainda cometi um pecado devido à falta de sabedoria no Amor: Pedi pra Deus guardar o nosso ‘enlace de almas’ pra sempre. Pedi pra você ficar na minha vida pra sempre.

Não há custódia perpétua que demarque a permanência do amor em nossas vidas. Borboletas pousam, encantam, e partem. Vão alegrar outros mundos. Você me fez melhor. Mas, no âmbito da minha ignorância e egoísmo, confesso que quereria mais um bocado de alegria.

sábado, 16 de maio de 2009

Meu mundo ficou mudo
Dry Neres



Se eu dissesse que todos os meus órgãos se confundiram, seria pouco. Se eu dissesse que todos os mares deságuam dos meus olhos, seria insuficiente. Escuto o silêncio que insiste em gritar mais de você, de nós. Observei-te em angústia por grande parte dessa noite tão longa, tão dolorida. Eu sinto uma dor descomunal. Sem nome. Com nome. O seu!


Se eu dissesse que poderia suportar com dor pouca, sua ausência mentiria eu exageradamente. Se eu dissesse que deixaria de acreditar na gente, mentiria eu em grande escala. Essa dor que invade minha pele e queima os olhos parece ter sido inventada. Inventamos! Estou ligeiramente morta. Estou morta de amores por você.


Nem que eu tivesse a força de todos os homens, minhas palavras seriam amenas. Este nosso filme amor, eu não escrevi. Esses versos desordenados eu não planejei. A poesia de despedida que tomou conta dos meus lábios não foi ensaiada. A dor que eu sinto meu amor, não cabe nas mais precisas descrições de Kant ou Lispector.


Eu tenho raiva da minha poética por não conseguir exprimir esse desespero da minha alma. Eu tenho raiva da minha poesia, porque você não a alcançará. Meu corpo arde em febre. Minhas mãos nuas esperam pelas suas meu amor, doce amor. Mas vi-te partir definitivamente no cais de um porto qualquer. No cais de San Blás. Se um desejo me fosse concedido, pediria sem exitação para que eu deixasse de respirar.


E vai ser impossível não recordar de cada riso. Do nosso cuidado. Dos seus olhos de mar. Seus olhos de toda a ressaca Casmurra. Dos nossos corpos que se fundiam na mais perfeita representação do amor. Deixarei de conjugar verbos. Deixarei de inventar predicados. Mas uma coisa é fato documental - Você é toda a minha poesia.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Versículo
Dry Neres


Ela esteve em San Petersburgo. Também não sei o porquê. Ela esteve em cada artéria sua; para se despedir de si mesma, talvez. Impávida e encolhida ela esteve por algumas horas. Queria abraçar todos os seus órgãos. Abarcar todos os seus ‘sentires’. Sugeria a si mesma, minutos contados de respiração. Sorria enquanto chorava ou vice ou versa. Ela construiu um muro ao redor do seu coração. Odiava ler notícias populares. Não, não sabia ser normal. Enxergava beleza na dor. Extraía das canções mais que notas. Vez ou outra abria sua casca e mantinha um convívio social. Uns cigarros ou outros às escondidas até da própria sombra. Cabelos penteados ou somente artefatos. Mantinha um sorriso labial. O que não era o mesmo que sorrir pelo órgão muscular oco, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Tirava as amarras cotidianas após e, enclausurava-se no seu mundo aéreo, quase lateral. Ela não sabia ao certo o que é o amor. Não sabia exatamente nada de conjugação de verbos humanos. O seu léxico era limitado. Sentir, ela sabia. E só. Bastava. Não comia. Não dormia. E se perguntava o porquê de ter que respirar. Ela morava num casebre. O casebre era ela. Estava nela. Era meio irmã das coisas fugidias. E tinha um medo exorbitante de tocar pessoas. Sabia ela, que dia ou outro as pessoas iriam embora e ela ficaria nua novamente. E nesses dias de frio intenso, ela escreve, escreve. Imprime seus sentidos no seu corpo. Não há muita coisa a fazer. E confundo-me. Estranhamente é confusão. Não sei mais quem sou eu e/ou quem é ela.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

38 gritos
Dry Neres



Sou inquieta. Ciumenta. Poética. Sutil. Velha. Nova. Arquetípica. Silenciosa. Ilha de mim. Sou várias em uma só. Multidão de São Paulo. Calmaria em Compostela. Tudo em mim parece acelerar-se. Quando criança, não sabia ter olhos de criança. Quando 20, tenho 70. À frente. Tenho os cheiros de todos os versos que se misturaram com o meu corpo. Confundo-me com os papéis de cartas e diários antigos que se jogaram pelo o meu local de abrigar o sono. Tenho o corpo suave. Mantenho os pés assim fora do chão, na tentativa egoísta de não fazer sangrar o coração. Nomeio o que sou e sinto como estado epifânico, todavia não sei o que fazer com a imagem que vejo nos espelhos. Corro do que descobri. Escondo-me dos registros que guardam de mim. Não atendo aos meus sentidos oculares quando à força esfregam em mim algumas rugas ou os meus lábios de outrora.

E de repente o cenário muda. Sou outra novamente. O que era presente, virou vazio. E mesmo feliz tenho a necessidade de falar sobre tristeza. Isso é arte típica dos fingidores de 'sentires' - poetas. Imito-os. Invejo-os. Derramo-os sobre meu corpo nu de conceitos. Sou quadro em branco à espera da pintura nem que seja rupestre, mas que seja pintura. Que invada o vazio que o branco se fez em mim. Tudo que ouvi no decorrer da breve existência minha até então, se aglomerou em blocos pensamentais que hora ou outra permeiam a parte do corpo meu responsável por sentir dor. Dor por tudo que o ser humano é. Dor por saber que aqui estamos sem compreender porque estamos. E fazemos o que achamos que devemos, todavia não sabemos. Compramos carros, casas, fazemos amor, guardamos algum cigarro... Cantamos, respiramos, fazemos amor novamente e caminhamos. Vejo um circulo nesse caminhar.

38 gritos expelidos num corpo só. Numa alma só-várias. Em questionamentos mil. Em estado de vida-cena-teatro. Somos todos atores. Funciona assim: Sorrimos o dia inteiro, interagimos com o social, almoçamos com os amigos, vamos ao banco. E sempre que perguntam - Você está bem? Dizemos que sim! 38 gritos expelidos num corpo só, são quando os pés tocam onde ninguém pode te ver, analisar, julgar, cobrar. Aí você é você. Aí você tira as roupas, alisa as coxas, amarra os cabelos. Aí é que você chora, promete e implora. É aí que você se vê. Percebe que embora cercado de outro um milhão de vidas, você é só. Porque sua dores não são expressas em veia ou outro material que possa ser compartilhado. Abstrata é. Cabe a você então, transcender os seus 'sentires' e se apegar à mantras, crenças, mundos laterais ao real. 38 gritos expelidos numa alma só-várias quando não se quer falar da beleza de nada. Quando não se permite brincar que tudo é perfeito, que todos são adoráveis. Em cada grito, uma verdade de três versões díspares. Uma verdade só... Somos desconhecidos de nós. Eu, por assim dizer, sou ilha minha.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Carta do homem moderno a Deus
Dry Neres



Por que nos afastamos assim? Não sei reconhecer mais tua voz, e desconheço o calor que emana das suas mãos. Não sei mais sentir falta, nem dos nossos risos dispersos. Tenho a língua inundada de questionamentos acerca da tal fé. Onde se perdeu nossa cumplicidade? O mundo frio está. Congelou-se! Os corações amargos são... As mãos que afago eram pra dar, distribuem a morte, aflição. Sinto que seu abraço se perdeu do meu e minha face escondeu-se de sua face serena. Sou tão pequena Pai... Sou tão insana e profana e artista e humana. Sou mais carne que espírito. Sou mais sangue que água e sou assim igual aos tantos outros. O mundo envaideceu-se e o amor acabou se perdendo. O corpo nosso desintegra-se e somos muitos, somos vários, todavia não unos em amor. O que o Senhor acha de tudo isso? Ligo o rádio do carro a fim de acalmar o espírito, e tenho tentativa frustrada, pois só escuto tiro, gripe, desemprego. Leio o jornal a fim de encontrar aumento algum pro Insuficiente (chamado de Mínimo) e recebo enchentes, aquecimento, furto.

Meus olhos desacreditam das bibli(a)-ografias que tentam definir o que é a fé. Enclausuram a figura de um Deus-carrasco, um Deus-chicote, que na verdade só é Deus-Pai, Deus-Amor. Não tenho mais vontade, sede, saudade... Até que motivos tenho muitos... Mas perco-me na falta de coragem. Lembro-me do tempo que meus olhos sabiam ser humildes e se fechavam para agradecer-te pela dádiva que é a vida que a mim foi concedida. Invejo os momentos em que eu sabia orar quando medo meu coração sentia. E peco, por não ter coragem, por ter inveja-saudade minha, por continuar de mãos cruzadas. E peco, temo, tremo, choro... Corro feito criança perdida na areia molhada pelo mar que sou. Escrevo com a tinta dos meus pulsos nos cadernos e diários que inventei para gritar as minhas dores. O corpo cansado pede cuidados. E questiono-me acerca dos acúmulos materiais que todo homem ousa fazer. De que vale tudo? Por que não gastar seu dinheiro comendo algo que deseja muito, ou indo ver o filme que quer muito, se amanhã mesmo seus olhos poderão deixar de abertos estarem; se hoje mesmo seu coração pode cansar-se de ser artista e protagonista; se sua carne logo voltará ao seu estado primeiro: pó. ?

Eu quero mesmo seus cuidados de novo. Seu abraço apertado. Uma canção para brindar o amor. Um sorvete gelado. Andar de meias. Distraída. Andar de mãos dadas com as suas mãos. Se não for pedir demasiadamente, quero sóis coloridos, sorvetes de pistache. Quero o amor, meu bem querer enraizada(o) bem aqui no peito meu. E que todas as noites de estrelas muitas ao lado do amor, meu bem querer me seja cada vez mais felicidade. Desejo, outrossim, que a pureza, doçura e simplicidade desse amor, seja considerado pelo Senhor mais uma conjugação do verbo amar, que por vezes, assim sendo 'irregular' é mal vista aos olhos dos imorais. Eu quero amar entre iguais, sem classificação, sem excomungação. Quero de novo os teus olhos serenos ó Deus, sem medo de desaprovação. Eu quero que esta carta alce vôos... Amém!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

És mais que o melhor em mim
Dry Neres




Penso que o amor nos acolheu, nos escolheu.
Não me vejo assim, não mais como sujeito independente.

Somos juntas (os) um arquipélago de cuidados, afagos.
Nossos corpos se traduzem, se desejam, se esperam.


O movimento frenético de roer unhas revela a minha ansiedade em te ter por perto
– Quando: Sempre!
Apaixonamos-nos diariamente.
Mandamo-nos flores em forma de
beijos na mesma quantidade
De estrelas que existem no infinito.
Nosso cuidado ultrapassa os conjuntos numéricos, silábicos, geográficos.

Descubro e aprecio a doçura da alma tua.
Repousar a minha face sobre a tua me tem sido como a calma das nuvens.
É sempre algo novo.
É cada vez mais
real.
É cada vez mais amor.


Nossos corpos se abrigam, multiplicam.
Nossa entrega é fotografada pelos deuses.
Nosso amor é
romance parnaso.
És mais que o melhor em mim.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pensei que sabia tudo das estrelas...
Dry Neres





Recordei-me instantânea e brevemente das constelações por onde meus sorrisos ecoaram seu nome em silêncio. Acho mesmo que já te amava antes mesmo de sua face conhecer; antes mesmo dos lábios seus conduzirem os meus no mais belo teatro vivo, de gente de verdade, que meu coração pôde contemplar; antes mesmo dos meus dedos passearem tua face numa sincronia cautelosa, simples e mágica.

Nos teus olhos pude aprender que existe poesia na alegria, que os poetas podem tocar o amor, que a solidão que então me acompanhava era pequena e se apagou... Partiu, visto que seu abraço abrange todas as células minhas desse corpo tão pequeno e frágil, desse corpo que tem como iniciais o nome teu, o perfume teu, a foto tua impregnada nos olhos refletidos n’água!

Pensei que sabia tudo das estrelas. Li em alguns livros que elas têm brilho próprio, formato singular, calor quase milenar. Ouvi em algumas músicas que as estrelas são esferas quase nucleares que brindam o amor, que inspiram os amantes, apaixonados.
Mal sabia eu, minha amada, que o brilho das estrelas mora logo no beijo teu. Senti-me uma desconhecedora de palavras e arpejos e notas
e desconhecedora, sobretudo, e sobre-todos, de todas as filosofias que os homens inventam para explicar os desígnios de Deus. Mal sabia eu, minha amada, que o brilho das estrelas iria eu conhecer nos lábios teus.

E cada passear pela tua face me é como desenho de cada estrela dessas. E só deram o nome de Estrela, porque o homem, burro que é, esqueceu-se de perguntar o endereço teu; esqueceu-se de procurar teus dados, nos bancos de dados das coisas mais lindas, tão lindas que o Criador de tudo e dos céus, pintou!

E elas, só brilham e encantam e apaixonam seus apreciadores, porque aprenderam sumariamente com o teu caminhar, como é doce, como é eterna a nostalgia e fascínio do teu jeito assim sublime, quase sem par. Se me deixares somente ouvir teu guizo sorridente numa estrela dessas, e deitar-me, porventura, nas ondas que fazem os cabelos teus, serei eu feliz... Sentir-me-ei logo, quase estrela, quase apaixonada... Mais que amante teu!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Regência
Dry Neres



Uno os cacos, cactos, casebres, cacofonias, casos e causos, casas e gentes. São elos que invento na utopia de tapar alguns espaços meus. Cato palavras, colho músicas, capturo lágrimas para enfeitar poesias que saibam encher olhos famintos de rios largo-extensos, de líquidos sumos tão necessários ao movimento tão aclamado pelo meu eu, tão já desesperado - Movimento de pisca-abre, pisca fecha, pisca-morre.

N'alguns séculos destes que tenho vivido troco as bermudas por várias cores. Bebo cada cor como se cada uma, de cada qual fosse minha de verdade. Não peço licença ao entrar em orquestras humanas, divinas, insanas. Não tenho coragem, mal tenho coragem, de fitar-me no espelho. Sou outra. Sou várias. Sou o caos mesmo quando tudo é só calmaria.

Tenho a urgência de todas as flores. Tomo conta da doçura que me fora conferida com precisão. Tenho luvas de poesia, tenho os pés não sobre o chão. Entre emails e globanalidades, quero meu sossego, minha rede pra me embalar. Entre os transgênicos e os clones, quero só fotos 3x4, preto e branco pra minha memória desistir de esquecer dos meus sorrisos - Longínquos!

De beijos intermináveis quero encher os meus dias. Desejo vestir-me da sutileza e maciez das mãos de majestade 'Principal' (termo que emprego para dizer de príncipes, princesas, porque nos meus devaneios, posso imitar alguns poetas) - suas. Eu bebo a solidão do mundo e sinto que não pertenço a essa esfera aqui que piso. Já não me sinto de tudo, só nesse mar de braços e pernas... Já me é diferente o viver, porque de alguma forma a tua presença me transmuta.

Sim, não me julgo, nem me mutilarei por gostar de escrever dos amores e das dores, com as mesmas letras, nas mesmas poesias. É uma mistura agradável que me agrada facilmente, visto que sou duas e o ser humano é um-dois eterno (S) dúbio-s. Sou loucura aos meus olhos. Sou um vício saudável se souber se alimentar dos meus sorrisos e frases em construção de Regência reticente.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Diálogo das Consonâncias II
- Poesia em Carta do Meu-Nosso Amor -
Dry Neres




Quando nossas vozes ecoam em uníssono nossa mais doce frase - "Você é toda minha poesia", meu coração parece criança a caminhar entre as flores e galáxias longínquas. E digo-te, somos então, amor meu-nosso amor, poesia uma D'outra!
Imprimo em meu sorriso tuas palavras, doces palavras, letras ao 'pé do ouvido': "Nossos corações parecem se abraçar quando eu te abraço... E minha boca parece degustar a fruta mais deliciosa do paraíso quando encontra a tua... E quando eu te toco, sinto o macio de uma seda... É A MAIS PURA VERDADE"!
Meus olhos choram de emoção, minhas lágrimas dançam em minha face, em ato de ser feliz e te amar muito, docemente muito, coloridamente o bastante. E quando você me diz, amor meu-nosso amor, que tem por mim amor irmão ao que exalo por você, eu me convenço dessa afinidade. E sei que é grande, puro, sincero. Uma espécie rara do amor-romance, amor-amizade, amor-completo!
Quando da sua boca-néctar vejo o balbuciar da canção que inventaste para meu sorriso: 'E eu acordei no meio da noite e te vi lá ao meu lado... Novamente, com as costas nuas... E o tom da tua pele em uma harmonia com o azul do cobertor... Tuas curvas, teus cabelos... Te abracei forte, nem sei se você sentiu'... Eu fico num estado poeticossintetizador indescritível, incomunicável!

Quando dos teus olhos de inspiração Machadiana e de loucura Shakespeariana, fotografo o que me dizes: 'Uma mulher tão linda, ali comigo, completamente entregue... Senti que devia te proteger... Cuidar desse pequeno corpo tão sedutor, que me encanta e me enche de desejo'... Eu transbordo de todo o amor do mundo! E sinto todas as sensações mais excitantes nomeáveis e sem nome, assim como você, amor meu-nosso amor.

Digo-te em resposta a tanta poesia-verdade-nossa, que eu já não caibo em mim. E nunca foi tão real, você na minha vida! Eu posso te tocar; eu sei que você está comigo; eu sei que nosso amor é de verdade; eu sei que quero você, mais e mais e sempre e sempre... Nada das/nas literaturas e gramáticas por onde morei e fui peregrina, podem traduzir o que é a grandeza desse sentimento. Realmente, não sei dizer... Sinto-me pequena diante do nosso amor!

Sou refém, recém... Brinco de tocar a felicidade, você, nosso amor. Sou bailarina em espetáculo, sou artista, espectador. SOU, quando ESTOU com VOCÊ!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dias felizes, dias de sorrisos largos...
Dry Neres




Nesses dias em que meu corpo quis morar no seu, energizei-me de toda a poesia que somos. Me apego aos olhos, aos abraços, aos silêncios, às lágrimas de emoção. Me refaço nas certezas incertas que temos de nossas mãos entrelaçadas, sob a luz de uma estrela em meio à madrugada longa. Abraço o vento das noites ensolaradas que são quando nossas almas se unem e dançam no nosso palco de gente real. E tua fala e teu sorriso e teu jeito de me acarinhar e olhar nos olhos, me sustenta, me equilibra, me desenha. Sua pele é pura poesia nos lábios meus.
Eu adoro suas caras, seus jeitos, suas roupas nuas. Você é toda a minha poesia... E nunca me fora antes tão real, tão cheia de cor. Esses dias, meu amor, são dias felizes, dias de sorrisos largos. Custo a me acostumar com meu travesseiro vazio do perfume teu. Custo a me acostumar com os meus pés nus dos beijos teus. Meu lençol não tem tua silhueta desenhada e faz frio longe dos seus beijos.
Delicio-me com nosso gargalhar, com nossa cumplicidade e incluo nas gramáticas a língua que criamos para nós. E acrescento às literaturas todas as falas não ensaiadas no amor nosso; desse amor já adulto que se instalou em cada órgão nosso, em ato de troca sorridente. Sorrio... Sorrio de olhos fechados, respiração leve e sinto sua respiração próxima da minha.
Gosto de forma ímpar das canções que são entoadas para o nosso amor. Aprecio a poesia que se apresenta para o nosso amor. Fico encantada, boba, emocionada com as nossas vidas que escolheram o caminho de passos juntos. Inebriada de amor, sou banhada pela tua presença como o néctar banha os lábios dos famintos. Você me alimenta! Você me faz sentir um pedaço do céu dentro do meu coração.
Esses têm sido dias felizes, dias de sorrisos largos...
Pega minha mão, beija meu sorriso... P-E-R-M-A-N-E-Ç-A!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Declar-AÇÕES
Dry Neres



Ganhei olhos rasos de lágrimas fundas ao me deparar hoje com o coração pedindo explicações acerca de tanta dor. Ganhei punhos fracos ao tentar imprimir em linhas todo o sangue e suor e os retalhos dessa SOCIEDADE massacrada e TÃO CARENTE DE AMOR. Como é doloroso saber que a fome ainda se faz presente, mesmo com tanto avanço tecnológico, mesmo com todo 'avanço' desse mundo 'glo-BANALIZADO'. Dói-me saber que tenho meias nessa manhã fria e que do lado meu, alguém sente frio de bater os dentes. Quantas armas são apontadas e quantas almas são violadas do estado de pureza. E são apenas as grades que nós mesmos construímos e são prisões ao ar livre e são crianças tão tristes e são homens tão corruptíveis. É fácil ser apolítico e mais fácil ainda ser mais um revoltado; É fácil apontar o dedo para os que dobram as mangas e tomam a dor dos outros como a dor sua; Mais fácil é ainda, inventar uma vida que não é sua, usando máscaras com um tapa-olhos a fingir que do seu lado NÃO mora a fome, a solidão nossa.
Morte
Violência
Assalto
Estupro
Declar-AÇÕES
Vazias
Volúveis
Estáticas
Racionais
Declar-AÇÕES
Da mídia
Dos fracos
Dos gastos
Dos amargos
HISTÓRIA, FAVELA, CRIANÇA, QUE, MORRE, À, ESPERA, DE, ALGUMA, SALVAÇÃO. IDOSOS, QUE, NA, FILA, MENDIGAM, INSS. MORAIS, DE, REBANHOS, FALHADAS, CRISTÃOS, DE MENTIRA, CRISTÃOS? O, VERMELHO, QUE, DE, LUTA, BRANCA, ERA, PARA, SER, VIROU, APENAS, RETRATOS, IMPRESSOS, DE, ALGUMA, TANTA, NOSSA, DOR.
As vírgulas só são o espelho dos soluços aqui do coração raso de lágrimas.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cumprindo sentença
Dry Neres


Eu pensei que sabia fazer do amor meu alimento...

Não, não sei!

Minha dieta não tem sido balanceada de acordo com que os 'nutri-romancistas' diriam ser o certo. Sou exagerada, sou tela vazia, numa constante solidão acompanhada... Tudo muda - as vozes mudam, os corpos ganham novas roupagens, as árvores secam, as lágrimas molham...

E eu permaneço, me desfaço... E o meu coração tem casa vazia mesmo cruzando a Ipiranga e a São João, mesmo nos templos que ousam construir para o amor... Templos falsos, de deuses falsos, de gente que não serve pra ser casa, nem pão de cada dia de gente alguma. O amor não é uma construção. É antes, o contrário. É o caos, é a desconstrução, são os poros abertos. Não há língua, linguagem, filósofo ou poeta que dimensione esse animal indomável.

O amor nos dobra os joelhos, nos faz plebeus, nos faz ateus de nós mesmos, nos faz artigo indefinido, pretérito imperfeito, locução sem advérbio...

Eu acho que o amor é o brilho dos olhos nossos. Talvez o amor seja a grande e eterna busca humana. Que não me ouçam as estrelas, que não me ouça o mar, que me ignore as flores... Mas quisera beber em gole largo a tal essência desse fulano amor e ser egoísta... e tê-lo em tudo e em todo rasgado dentro do meu peito que dói agora em exaspero fugaz.

Queria não precisar ter pernas trêmulas, mãos em frio, copos vazios, camisas com o cheiro teu... Queria não querer antes, precisar de você, mas meus olhos fitam em roer de unhas o som que faz o aparelho de receber ligações tuas e temo e tremo e finjo estar tudo bem escrevendo assim comendo vírgulas períodos que conto num relógio imaginário me testando te testando somente pra saber até quando meu coração e meus lábios aguentam res(PIRAR) sem os líquidos teus e vendo o vento soprar no meu rosto o riso teu de quando desenhamos estrelas em paredes de quando desenhamos estrelas nos nossos corpos em dimensão sem amplidão e eu preciso dizer que amo você e resolvo pontuar para dar: ênfase para que alguém credite esses devaneios frenéticos!


Não queria ser assim como folha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

...
Dry Neres


Sensações não seguem regras cartesianas, não são concatenadas.

E isso me deixou de joelhos
Dry Neres





O amor é dessas loucuras de nos tirar o sono, folêgo, pele. É como acelerar em nitro à 360 graus fora dos Celsius. O tal amor é inseguro, abstrato, indomável... A gente nunca sabe quando ele nos apertará os órgãos e fará chover dentro de nós.

Somos sedentos desse alimento que só esse verbo oferece. Não sei caminhar com o coração vazio. Não sei me vestir com outras peles que não sejam as tuas, amor.

Esse nosso matrimônio às 'escondidas', as pinturas que a gente insiste em revestir nas paredes, os seus braços e abraços tão nossos.

Já não me percebo como sujeito independente... Você parece ser uma espécie de droga, que vicia, que alimenta, suga, anestesia, vai matando...

Eu não quero aprender a te esquecer... Eu não quero precisar apagar os seus olhos dos meus... Eu não me permito testar minhas fibras, meus poros pra ver se sobrevivo sem os teus beijos.

Pareço ter me esquecido de mim. Pareço brincar de construir dias com você. Dias calcados em areia movediça. Dia esse ou dia outro pareço fingir que te perco só pra observar meus batimentos exasperados. E temo o ponteiro do relógio, que impetuoso é, ao me informar n'alguma hora dessas que sua alma desejou caminhar entre a ressaca do mar, ENTRE (em mim) a ressaca que são os olhos teus.

Perco o fôlego, torno a ganhar, porque mesmo com toda essa insegurança, fantasma que nos assola e assombra, minhas noites são só felizes quando ao lado teu meu corpo dorme. Quando o corpo teu com o meu se unem, se misturam, se enternecem... E esquecemo-nos de abrir os olhos porque nossas mãos é a nossa visão... É a nossa bússola. Gosto dos tons da nossa respiração, gosto de te observar em sono e ouvir seus balbucios e brincar de acarinhar sua face... Brinco de te tocar... De imprimir minhas letras tão sensíveis e fortes em sua pele tão frágil. E com todo cuidado, como o poeta escolhe suas vírgulas, eu escolho as literaturas que se parecem com você pra te apresentar no meu ato de beijar. Recorto o teu sorriso e colo no meu pra usar como maquiagem pras minhas dores, pra minha solidão acompanhada.

'Please, don't wake me, no, don't shake me. Leave me where I am - I'm only sleeping'.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Diálogo das Consonâncias
Dry Neres



Pensei na forma melódica que é o viver... Toquei a morte de forma um tanto despercebida. Vi lágrimas rolarem das faces nossas, das faces amigas, daquele sarcófago que centralizado se fazia naquela sala fria. As mãos espalmadas e no 'olhoaquele' traços de dor sem descrição. Vi flores de morte, velas sem sorte, roupas escuras na indicação do luto. Vi 'ladoutro' morte outra, lágrimas-rios outras. Nós nascentes e morrentes, falantes e emudecidos. Nós, nadas. Nós, pó. Nós, véu. Ela, agora túmulo. E penso nas canções. A natureza chorou ontem ao entardecer. As lágrimas dos anjos derramaram-se sobre nossas cabeças. A grama enverdeceu-se para receber-te. Ouvi dizer que dos pássaros emanavam canções de pêsames invólucros do diálogo das consonâncias que é a vivência/morrência nossa.

Foi como escutar Radiohead numa tarde quente, de muita gente, com sorrisos nulos. Num campo minado onde o X imperceptível a esses olhos terrenos delimita quem será o próximo a habitar a mansão dos doentes de espírito... Ou melhor, os ausentes de espírito, visto que espírito aquele deixou de morar no corpo este. Como se conformar? Como entender que a jornada de vida tem fim? Como aceitar que a figura da morte com seu cajado impiedoso bate à porta nossa, da família nossa? Pensei que morna seria eu ao me deparar com cena aquela, mas vi-me desconsolada, vi-me amedrontada com essas consonâncias contraditórias.


Vai ser impossível não deixar uma lágrima cantar quando naquele antigo local de morar dela, meus pés se calcarem e meus olhos visualizarem o seu local de repouso e observação da gente. Vai ser impossível não lembrar e não sentir remorso da forma despercebida que temos, Humanos, em esquecer-nos de dar a atenção devida aos que compõem nosso amor. E é inevitável pensar que poderíamos ter feito mais, que poderíamos ter amado mais.

Nada é definitivo. Nem a morte é o nosso estado final. Ainda existe mais depois dela. É nela que a grande jornada se inicia. Mas infelizmente não conseguimos conjugar o verbo conformar... Por enquanto não!


'No alarms and no Surprises'... Diz-nos como entender?



*Que as nuvens a abrace, minha querida Bisa... Que as rosas que tanto apreciava possam beijar sua face tão cansada. Faça das nuvens seu algodão-doce e dance com o vento agora que pode, agora que seu corpo já é tão leve. Amamos-te!

quarta-feira, 18 de março de 2009

São preces só
Dry Neres



Poetas tinham que saber apagar versos também... Mas só escrevem e escrevem desmedidamente nas calçadas, nas janelas, nos armários que não se mostram. Eu juro que se pudesse, que se permitido fosse pra mim, deletaria da máquina que me fiz, todos os nossos beijos, todas as nossas noites em convulsão do corpo nosso, vermelho, visceral... Porque talvez seja melhor amizade que amor. Quando nos teus olhos procuro alguma resposta, alguma aproximação maior da que já temos, percebo o balbuciar dos lábios seus em ato de reclamar. Sou toda errante, vibrante, quente, quase valente... Sou completa viajante, peregrina, turista no país que nomearam de amor. Não me olha assim com ares de julgamento pelos passos tão infantis do meu coração.


Sinto-me perseguindo o último trem. Sinto-me arquiteto ao tentar reformar cômodos já manchados por tempos alguns, não tão dentro do passado. E como tentar consertar o que nem mesmo sei se quero. Amo-te em demasia, e sei que seu amor aprendeu dormir em meus seios, repousar no meu sorriso, mas não entendo e não alcanço os momentos breves de falta de diálogo no nosso silêncio... Sou apreciadora máxima de sussurros em silêncio, mas não tenho alcançado os teus. De forma ou de outra é fácil perceber que estamos em matrimônio um tanto falhado. São tantas as aproximações, é tanta a afinidade, comodidade... Nos meus sonhos, nos meus anéis é o nome teu que quis decorar, rezar, reger. São tantos os obstáculos que nos ferem e parecem matar pedaço esse, pedaço outro que insiste em ficar em nós, de nós.


Os meus batimentos não sabem mais reagir às tuas ligações como em tempos remotos, nem tão remotos assim. Não aguardo mais teus beijos como quem espera para nascer. Não sei mais fazer tremer minhas mãos quando se unem às tuas. É fato que meu desejo é teu, meu prazer se faz gêmeo com o teu, que nossos corpos são unos em moldurar líquidos nos móveis, nos poros... Mas muito se perdeu, e o tempo é cruel com isso! Não me culpe tanto, amor meu... Eu sempre levantei as mais belas bandeiras de amor, outdoors e poesias do quão grande era o sentimento nobre que eu permiti nutrir em mim. Não sou a mesma de outrora, sou outra, tenho pedaços outros de outras, e isso marca. Sabe meu desejo, minha prece? Queria correr descalça nas areias molhadas pelo derretido e salgado mar que te encanta tanto criança minha. E de lá, despedir-me-ia dos seus dedos, da sua face... E partiria, e me deixaria navegar em outros mares, porque não sei quase nada do mar, nem de tudo aprendi sobre minha existência... E se entrelaçados meus dedos se mantiverem aos seus, eu não conseguirei... Não se eterniza amores, não se encarcera sentimentos. O amor não é nem foragido para que corramos atrás dele, nem presidiário condenado a prisão perpétua... Ele é por si só, livre. E eu não quero tê-lo ao alcance de minhas mãos. Não mais... Agora não!


Tenho-te muito facilmente. E ouso dizer que preferia quando era mais difícil, quando meu corpo tinha que percorrer léguas e léguas em ardor e suor, à sua procura entre os carros, entre as ruas cheias e tão vazias de gentes, presentes! Que contradição, oh deuses do céu!! ... Você não me perde, porque nunca teve. Ninguém perde ninguém, visto que ninguém é propriedade vitalícia do amor do outro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Princípio e fim
Dry Neres



Penso que é razão de ser e existir, o tal verbo amar.

Gosto do seu riso infantil, amor meu. Aprecio com delicadeza e num grau de observação absurdo o passar dos dedos teus que se entrelaçam em meus cabelos ondulados. Finjo que durmo enquanto te sinto passear em minha face com seus lábios em ato de acariciar e fazer dormir. Amo a leveza com que você conduz suas palavras em desatino ao meu aparelho de observar letras. Gosto da nossa intensidade incompreensível aos olhos de alguns e nosso carinho visto como loucura aos olhos de outros. Guardo de forma ímpar os seus suspiros e as canções que ousas balbuciar nos nossos atos românticos. E entre as flores está escondido o nosso cuidado. E cada pétala representa uma noite em que seu corpo habitou o meu na mais suave brisa dos tempos em que o vento uivava na janela. Gosto da confusão que é os seus cabelos nos meus. Amo recitar poemas com rosas vermelhas em punho, só pra te convencer que você é minha religião. Só pra te convencer que seus lábios ainda são para mim com oásis no desesto. E que seu colo ainda é o lugar mais seguro para eu morar com meus devaneios. É doce, tão doce sentir teu cheiro suave na minha camisa. É doce, tão doce, brincar de beijar minha pele, por onde seus lábios passearam.

És canção. És meu amor. É bom te ter completa, aqui na minha vida. Eu amo você!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Casmurrices
Dry Neres

Esqueci-me de como se conjuga o verbo derramar. Especificamente o ato de derramar lágrimas. Não, não me derramo tem quase umas quatrocentas e trinta e seis horas e alguns segundos irrelevantes ininterruptos. Metade minha é maestrina e rege uma orquestra de duas coristas. Metade outra é instrumento e não rege ninguém. Só escuto, só sinto, não me alcanço, duvido dos meus passos. Percebo-me como alma escura e clara. Pedaço meu é tão sentimental, tão derretido. Pedaço outro é tão gelado; pedaço este é como cirurgião em atendimento descompromissado. Não tenho mais gosto suave em passear por meus cabelos, tocar minhas mãos, abraçar meu sorriso, porque se sorrio é por pura distração de espírito. Quisera conseguir intoxicar meu aparelho respiratório de maços de cigarro, goles largos e infinitos de qualquer substância embriagante. Mas não, isso não é feição do caráter meu. O que faço? Escrevo! Derramo minhas lamúrias, minhas dores em queimadura, minhas lágrimas 'letrificadas'. Percebo-me num estado de viagem a lugar nenhum, ao final do poço que eu quis cavar um dia. E as luzes se apagaram, não sei. Talvez olhos fechados apenas, talvez boca em exaspero e desespero de encontrar água potável em algum corpo que por ventura viesse a se cruzar com o meu. As literaturas continuam não me alimentando, porque questiono minha própria existência em brevidade voraz. Leio e não sugo o néctar meio amargo das palavras de Casmurro e meus dedos não viram as páginas em Allan Poe. Se ainda me alimento é talvez para suportar sentada a ausência de claridade em meus pensamentos-sentimentos-dúvidas. Não sou tão boa assim pra dizer que posso ir para o céu habitar com os seres de abundante luz, mas penso que também não sou tão dura e fria a ponto de me deixarem ser jogada aos recôncavos de gente sem lágrimas, ao que deram nome, inferno; porque se assim fosse, não me sentiria tocada pelos olhos, vários olhos que me questionam e me pedem uma atitude condizente com a idade que tenho. Tudo me olha, os móveis ao meu redor, os operários, tristes operários que atravessam a rua. Até as crianças que brincam de comer pizza em grupo me observam. O vento me invoca, os papéis se inverteram, até o motor do carro meu esbraveja em meus ouvidos reclamações acerca dos caminhos vários-muitos por onde me encarrego de nos levar. Eu reclamava da estaticidade, da falta de cor nos objetos, da tristeza aparente em algumas faces e minhas reclamações tão somente se reverteram em meu estado caótico atual. Estou por assim dizer, em estado de 'morrência' espiritual. Meu corpo vaga e caminha por aqui, como se procurasse por grama verde pra repousar, mas não encontra. Meu corpo tão jovem em idade cronológica vaga e caminha por aqui só em busca de uma canção de arpejo constante, mas não encontra e somente, tão somente cata notas mal projetadas. Eu sou então regida por forças estranhas que eu desconheço. Não sou a mesma, fato! Ninguém é... porque tudo muda. Mas é mais grave um tanto... Parece que minha essência, que antes tinha perfume de flor e gosto suave de maracujá tem se perdido por esses rastros que faço e volto e retomo e não me decido. Sou instável de mais, sou humana ao extremo. Tenho sido mais carne que espírito, fato! Tenho sido mais fraca que forte e mais nuvem que sol. Tenho feito lágrimas descerem escadas, e as observo em brevidade de vontade de mais lágrimas derramar, mas não consigo. Tenho alimentado sorrisos, mesmo sabendo que passageiros serão, porque no fundo, bem na caixa de pandora escondida que todos temos, sei que meu destino é vagar vagarosamente com meus versos empunhados e algum papel rasgado escondendo uma canção de despedida. E tenho me despedido de mim mesma todos os dias... Porque se assim posso me revelar, estou sumindo de mim, de todos, das fotos, das linhas, das casas, dos amores e serei em breve só rascunho e lembrança para os que me lembrarão como o 'Ser que escrevia de mãos trocadas e produzia linhas tortas'. Tenho medo que a palavra me mate, porque o ato de escrever e tocar letras é pura condenação.

terça-feira, 10 de março de 2009

O deserto que somos
Dry Neres




Pingam algumas gotas nesse solo quente que me faço. Permeia alguma água que escorre por esse coração. Desenlaça uma alma de um corpo. Envolve os cactos com esses versos soltos. Penso que sou o próprio deserto personificado. Deserto não é sempre vazio. Deserto tem sol, tem gente, tem céu, tem mito, miragem, canção. Desertos têm príncipes, galáxias, nadas. Penso que nossa liberdade é tão limitada, encarcerada. As gentes nesse mundo são tão estereotipadas. Se você saí um pouquinho da linha do que ensinaram nas gramáticas, literaturas, constituição, você é considerado estranho. Se você não concorda com o que as placas dizem, com o que os dirigentes das massas pregam, você é considerado rebelde. Se você ama, simplesmente ama e seu amor não pode ser fotografado e seu amor não pode de mãos dadas com você caminhar pelas calçadas... Você é considerado desumano, anormal. Você se enquadra no padrão?

Sou deserto quando penso na falta de amor, calor humano. Sou deserto quando vejo homens vestidos de relógios, calendários, monopólio. Não se pergunta mais o nome das gentes viventes. Indaga-se acerca das contas bancárias, dos títulos dos livros, dos vinhos que se degusta. É uma contradição, brincar de enjaular palavras bonitas na garganta, brincar de ser humano que ri, sonhar com a crença de dias melhores. É contradição maior ainda ser poeta e usar computador, ver televisão, embarcar no avião. Peco quando tento não ser deserto meu. Peco em duplicidade quando finjo ser eterno o tocar de mãos, o beijar dos lábios, o abrir dos olhos. A eternidade é utopia dos que ainda não cegaram. Ceguei!

Dói-me avassaladoramente ver que os anos se passam, os carros aumentam, mais bebês nascem, muitos velhos morrem, e penso no caos que é pensar. E penso no caos dos desertos milhares muitos vários que somos. Que me perdoe a sintaxe gramatical pela minha ignorância literária. Que me perdoem os lexicos, silábas, frases, pois minhas mãos são desertos aguados, só escrevem. Não penso para escrever. Não é necessário pensar. Eu sinto que as letras vão me tragando, vão me fazendo cócegas e preciso rápido, tão rápido e demasiadamente largá-las aqui. As sílabas vão fazendo eco nesse deserto aguado e deixam em estado de transe espacial, com os lábios secos como se eu as pronunciasse a exércitos de sessenta mil homens cada. Vejo-me em ato de parir, de morrer nessas linhas que terão como túmulo essa lápide de texto acerca do deserto aqui nesse lugar de abrigar meus besteiróis que eu ouso chamar de prosa poética. Respiro pouco aqui... Estou fotografando as paisagens que formo no meu singular pluridesertificado estado estático do pensar e fazer. E nada faz sentido. As palavras não se acham, não querem se abraçar e como ter um câncer sem vírgula sem possibilidade dessa cura que é viver e achar que se vive bem quando o caos se instaura dentro e fora de você e não há literatura nem canção nem verso de shakespeare que te prove que te faça se assumir como ser tem veias e sangue que corre pelo corpo que já se julga ser morto em estado de vivência e eu tento não sentar ali naquelas pedras e bancos de areia para não me sentir tão cansada e não espero que alguma ave me arranque desse estado sem líquido no deserto e não aceito que as vírgulas me arranquem dessa construção do meu respirar ofegante e dessa dor e felicidade que é digitar quase arrancando as letras desse aparelho que inventaram para facilitar a rapidez do gozo veloz das palavras que me tomam e me canso e paro.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Do feminino
Dry Neres



Ser mulher é ser intraduzível. É ser várias numa só. É abrigar vários mundos. É ter várias cores, vários sons. Ser mulher é ser sensível; saber tocar; é fazer do amor morada incerta.

São as mulheres que inspiram as falas e os suspiros das poesias e do canto dos pássaros. Elas são pura pele, puro sangue, mais emoção.

São as mulheres que amam demais, amam os ventos, amam os rios, amam mulheres, amam meninas... Dançam com as palavras, brincam de poesia, e rodopiam nas canções produzidas pelo seu aparelho de respirar. Respiram ofegantes depois do amor ardente; Se enfeitam, se protegem, se armam. São mulheres fortes assim, são mulheres frágeis assim.

M-u-l-h-e-r-e-s - e como é doce pronunciar. É fácil dizer, difícil explicar.
M-u-l-h-e-r, não sei mensurar a força total que imbui essa palavra. É lábio, perna, anél, cabelo, perfume, mãos, olhos, pés... Não há nesse mundo ser mais perfeito que elas. Não há nessa terra igual nem maior sensibilidade fraterna... São elas, somos nós.
Ah, essas mulheres... Tiram-me o fôlego, apertam-me o coração. Roubam-me a sanidade, trazem-me as mais belas letras para meu cenário romântico. Elas me deixam nua, descamisada, sem juízo. Fazem-me o ser mais errante dessa terra das gentes apaixonadas. Transformaram-me num animal sentimental em grande escala. Deram-me os melhores risos, os melhores gozos, os abraços mais doces...

Simplesmente viscerais, orgulhosamente mulheres!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Divided between Paramore and Beirut
Dry Neres


O amor rouba-me a cena. Despedaça minhas falas ensaiadas. Debruça-me sobre as canções que tocaram quando eu as toquei. O amor esqueceu de clarear minha trajetória. Sigo tateando, como cega de nascença. Tenho duas vozes, duas casas, mãos controversas, pernas gêmeas não idênticas. Tenho dois caminhos, duas ruas, dois sorrisos. 'Meu caminho não é de todo seguro' - escrevi em letras garrafais, negrito e sublinhado. 'Meu coração não é mais lugar seguro de ninguém morar' - escrevi em tom avermelhado escuro, fonte número cinquenta e seis. Vejo-me presa dentro de um pecado capital de cordas grossas. Tenho sido gulosa, faminta, animalesca. Tenho sido selvagem, inescrupulosa, hostil. Tenho tido o contrário de coragem, o contrário de amor, o contrário de sinceridade.
Nunca soube lidar com casa cheia. Deixei-me acostumar com camas vazias, com um perfume só. Meus sentidos se misturam. Minha poesia fez-se ambígua, dualista. Meus versos têm dois endereços bem díspares. Meu telefone duas agendas. Meu corpo, um HD compartilhado em dois discos locais. Eu, que defendo com todas as forças o tal humanismo, vi-me encarcerada nos meus próprios desejos e não sei ser tão naturalista. Sou de tudo, ultra-romântica. Danço valsa e danço tango. Bebo vinho e bebo água. Sou duas, então! E não coordeno meus instintos. Sou fera, em exacerbo de sentimentos. E eles jorram de minha face... E eles se derramam em meus olhos pequenos e ainda infantis. Sou duas, então. E na soma com vocês, somos quatro.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Escolhas que não sei fazer
Dry Neres


Nunca, nunca mesmo me vi diante de uma situação tão dolorosa. Não se decide uma vida, como quem decide que roupa usar. Sempre fui péssima em lidar com escolhas. Não sei coordenar bem nem se uso o anél no dedo polegar ou médio. 'E me aparecem duas coisinhas'. Venho oscilando a umas quarenta e seis horas mais ou menos. Ora penso saber o que fazer. Ora, penso ter cometido ato de impulsão típico meu. E sofro como poeta em duplicidade, sem verso pra cantar. O problema agora não é ausência. É exagero. Quem foi que disse que os amores não são abundantes? Quem disse que poeta não pode amar duas vezes, duas vidas díspares? O retrovisor do meu carro reflete face duma. O espelho auxiliar direito, reflete face outra. Certa música me traz uma. O violão me lembra outra.

Ôh Deuses dos céus, logo comigo que não sei ter o dom de escolher bem. Sinto remorso. Sinto-me como troféu em tempos de competição. E não é bom pro meu coração se sentir assim. Disputada! Ôh elementos vivos desse ninho chamado Terra que abriga e abraça seres de tão ambígua e polar existência, porque abrilhantais meu mundinho singular com duas estrelas duma vez só? Porque não guardaste pedacinho disto para mais adiante, quando a decepção que é certa chegar para o coração dos que se enamoraram por almas? Olha, guardo comigo as lágrimas minhas embrulhadas numa carta com perfume de rosas. Quisera mesmo guardar só os beijos, as danças, os arpejos em braço de violão e em dedos que encobrem mãos. Mas sou artista desesperada, em balanço duma corda só. Aliás, balanço de duas cordas. E digo novamente - 'E me aparecem duas coisinhas'.

Se eu dissesse ser meu coração duro, mentiria. Coração mole é o meu. Coração bobo é o meu, que esquece e tira armadura pra viver de novo o que já se viu machucar a alma outrora lá atrás e daqui pro vindouro. Coração pequeno tá o meu. Cabe bem aqui nesse ato de teclar, mas não sabe abrigar esse turbilhão de emoções que invadem meu ato de piscar, meus olhos em exatidão.

Escolha podia ter outro nome. Escolha tem nome camuflado de castigo. Minhas escolhas, poderiam se chamar, sonho ou pesadelo. Mas não deveriam participar desse momento tão imprevisível meu. Sou desconhecida de mim. Amor é matemática também. Mas nessa matemática não há fórmula, nem cálculo exato.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

'Quem é mais sentimental que eu'?
Dry Neres



Fui atropelada por um caminhão de sentimentos. Divi-dida, ao me-io. O meu amor deu-me 'carta branca' pra alçar novos vôos, dizia não querer me prender. Fui, pássaro que sou, e permiti-me. Mesmo com a asa machucada, mesmo com o coração exposto ao calor do sol, parti! Encontrei repouso, cuidado, afeto, encanto... Encontrei um sorriso indescritível, mãos artesãs que cuidaram do meu sono, olhos carentes pedindo carinho. Encontrei braços amigos que souberam me abraçar enquanto a falta tua eu sentia. Encontrei compreensão naqueles olhos, doçura naqueles lábios e naquela voz estonteante. Tua voz era canção doce... Dos seus dedos que arrancavam daquele violão notas que me elevavam... Entre os fios telefônicos estão presas as confissões tuas, minhas, tão nossas. Tão menina, quanto o amor meu. Mas tão segura ao falar da saudade tanta que sente de mim. Tão segura ao falar que me queria na vida dela. Tão triste estou por causar dor no coração.

Os fatos acontecem de forma violenta. É quase um estupro de palavras me consomem, me arrancam gritos. O amor meu, resolveu retornar. Veio junto toda minha confusão. Porque meu coração ainda está entrelaçado ao teu, criança minha. E entre lágrimas e beijos, escutei a pronúncia tão esperada do verbo voltar. Esbravejei! Me indignei! Chorei! Sorri! Me sinto tão cruel com os sentimentos novos. Ainda não aprendi a me preocupar comigo em primeira instância. Parte minha se derrama em alegria, por te ter aqui comigo de novo, criança minha. Parte minha outra, se derrama em lamentações por ter promovido um gostar por mim em outrem, sem poder correspondê-la à altura.

Coração e razão se misturaram... São os sentimentos meus, que por vezes, confundo com o sentimento do mundo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quando a dor te abraçar...
Dry Neres



Abrace-a também! Não em exagero, mas sinta-a! Chore... Amaldiçoe o amado e o amor, mas só por alguns segundos. Leia Dom Casmurro, vá a Pirenópolis, ligue por 'engano'. Tome banho de chuva nua, assim na rua, bagunce os cabelos, grite na frente do espelho. Escreva cartas desesperadas, amasse-as depois. Recorte fotos, formate o computador, tira o esmalte das unhas, pegue a lista telefônica. Se fome sentir, leia Cecília, se quiser aumentar a dose de dor, leia Florbela. Caminhe nas calçadas, entre postes, pontes, sente-se na grama, beba água gelada, procure a fatura do cartão de crédito. Escute 'Elephant Gun' enquanto devora chocolates e lê mensagens antigas no celular.
Quando a dor me abraça, eu me sinto perdida, esquecida, inundada. Não me serve a Literatura Realista, não me servem canetas com pouca tinta. Meu corpo pede repouso, recusa alimentos, recusa seus líquidos, se desfaz das suas roupas. Meu corpo caminha dormente, em estado de intensa reflexão, introspecção. Tudo é zunido, tudo é filme, tudo canção. É uma mistura inflamada do álcool que eu nem bebo, com o cigarro de cereja que você fumava pros meus pulmões. Preciso te excluir da minha agenda, para que nos dias em que eu me encontrar sozinha na minha sala de trabalho, com meu computador e meus papéis não sinta uma vontade desesperadora de te procurar. Preciso arrancar do ouvido teu riso bonito, autêntico e profano.
A dor é desagradável, causa desconforto excruciante. A dor do poeta é a beleza do verso. A lágrima-rio do poeta é a vida das linhas. A dor é a presença de verdade nas palavras. É o motor da escrita. É edifício e a destruição. Sinto-me como se eu fosse papel, você mão. Você escreveu em mim uma história pro nosso afeto, rasgou o papel, escondeu os pedaços. A minha dor é doida, descamisada, memorialista.
Quando a dor te abraçar... Não adianta fingir-se de herói. Aí tem batimentos, artérias, veias, sangue. De tudo, humano você é! Tem o direito de não querer levantar da cama, nem pentear os cabelos, nem dizer que tá tudo bem. Arrume suas malas... Leve o Vinícius no bolso, chame o Carpinejar, convide a Clarice para o jantar... E vá pra Pirenópolis! Ah, lá você faz uma prece, invoca o Lord Byron, conversa com os hippies, faz tererê e manda sua dor descer pela cachoeira. Que nas águas fiquem sua dor. Pegue a toalha, se seque, caminhe descalça até o carro...
Se alimente de Exupéry e esqueça de voltar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Fingimento poético
Dry Neres


É como procurar poesia em rio que escorre veloz. É como ler música em paisagem rápida dentro do carro que sou. Talvez fosse como beijar rosas num mar de espinhos. Meus lábios quiseram vomitar todos os seus beijos. Te devolver cada centímetro do teu corpo que habitou o meu. Habitou em convulsão de pensamentos que não sabiam se concentrar nos meus. Estava longe, lá nos olhos que moraram em seu edifício interior, por longa data. Dois verbos guerrearam dentro do meu ser e ecoaram gritos, rangidos. Dormente! - Gostar e Amar. O meu verbo que não é de ninguém tentou te encantar, dançou frente ao seu sorriso, se enfeitou, vestiu roupas novas, aprendeu novas canções, se desfez de corpos amigos. O seu verbo, até que gostou, também se encantou, todavia foi como gelo ácido, como pedra intransponível, como doce que hoje amarga ao fundo do meu ego. Foi como dois pólos, o tempo inteiro. Enquanto parte tua me amava. Parte tua caminhava lá no teu desejo banido de amor. Eu te inventei, perfumei, amei e te vi partir. Do que me adianta o seu gostar se o meu querer é teu amor primeiro. Não posso mais ser válvula de escape às nossas necessidades. Não me deixarei, portanto, diminuir-me, desfazer-me da essência tão doce da que sou. Sou por demais, intensa! Sou por demais, visceral! E deixarei que morra em mim toda a poesia que me aproxima e me afasta dos meus fantasmas.

Teus olhos não sabem enganar e sempre que eu os buscava via esconderijo, via medo de machucar. Quisera que tivessem sido treinados para transparecer e não camuflar. Ainda assim, me arrisquei, quis ser oftalmologista, futurista... Interpretar suas expressões. Me formei em psicologia e toda terapia que quisera usar contigo, vi que falhou. Invertemos papéis: da mulher que sou, fui menina contigo. Da menina que és, foi mulher e nos levou da forma como quis. Eu permiti! Me formei então na arte da poesia pra te escrever linhas que ninguém nunca alcançou. Fui poeta de ruas vazias, camas frias, noites de amor. Fui confidente dos meus versos que te arrancavam suspiros, elevavam seu ego de Narciso e o que era doce se acabou. Contei demais do coração pra você. Não me devolva nossas músicas, nem nossas cartas, nossas coisas. Guarda tudo com você. Meus gemidos, nossos beijos, seu cobertor que nos aquecia naquelas noites frias em que eu pensava ser amor. Guarda com você meus anéis, meu relógio que parou. Deixa contigo meu abraço, o primeiro beijo. Porque eu só preciso saber que acabou.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Lucidez
Dry Neres



Me sinto indiferente. Estática, todavia num movimento frenético, fugaz. As coisas acontecem fora de uma órbita coerente. Estou em completo estado de desorientação. Não sei me entregar à desintegralização da minha consciência. Meus lábios encontram em sonho, em desenho, ou de fato o real, outros lugares de abrigar afeto. Mas nenhum outro sabe ser igual ao seu. Porque minha alma ainda se vê entrelaçada ao seu sorriso astuto, doce. Me desfaço, dramatizo e me invento, mas são seus traços que me invadem todos os sentidos desconexos. Não sei se estou lúcida. Mal sei o que seria lucidez num mundo tão complexo. São as muitas possibilidades que me assustam. Umas mais reais, outras inventadas. Mas são as possibilidades que me assombram como fantasmas indagando acerca da minha 'parcial' liberdade. Me vejo solta demais. Demasiadamente, livre. E isso não aquece meu órgão produtor de sentimentos.
Queria poder começar tudo de novo. Errar novamente as mesmas linhas. Rabiscar os mesmos versos, mas com o que chamam de lucidez. O amor nos leva a razão, nos envolve de egoísmo, porque sim, queremos ser correspondidos à altura. Não aceitamos que o outro parta levando tanto de nós. O amor nos rouba a sanidade, nos torna loucos desmedidos, românticos desesperados e sentimentais. Nos alimenta de mel e fel no mesmo prato. Nos eleva e nos destrói. Estou por assim dizer, em estado crítico de loucura aguda e circunflexa. Os batimentos foram simetricamente alterados, meus suspiros são um tanto mais ofegantes, meus lábios sofrem a ausência dos teus. E quando nos beijamos, assim, 'descompromissadamente', como fingimos ser, pareço estar sob efeito de antibiótico, drogas, café, cigarro. Pareço caminhar em nuvens que espelham a figura sua. E meu desejo é fazer que aquela cena seja capturada pelo escritor, pelo músico, pelo fotógrafo, mas ninguém alcança a amplitude de tanto amor. Eu, com essas palavras vagas, faço esforço descomunal para tentar traduzir parte pouca de todo amor que sinto aqui dentro desse peito sedento, mas não me alcanço. O amor está séculos antes de mim. O meu amor parece ter muitas vidas, muitas roupas. E os seus olhos já não me são tão claros. Mas quando você me abraça eu sei esquecer-me de tudo. Não sei guardar rancor. As suas palavras me acalmam, me dão a certeza incerta que move o tal amor. E eu caio na mesma armadilha arquetípica de me apaixonar cada vez mais, ainda mais pela nossa história que já acabou. Então porque você não deixa de me procurar entre ruas, entre fios telefônicos, entre mensagens criptografadas? Então porque meu sexo e meus beijos ainda alimentam teu corpo de ondas? Não te satisfarias em me deixar descobrir amor em outros corpos, outros abraços? De fato, não sei ser lúcida. E estar com você, ainda é o fato mais digno de poesia minha.
Mas por ser um 'objeto' inacabado... eu respiro, me alimento, danço, viajo... E outras mãos desejam explorar meus sentimentos. Outros lábios tocam minha face em imensa ternura. Não fecharei portas. Não esconderei cartas...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Verbo de ligação
Dry Neres



Eu estou inventando um dicionário próprio pro teu modo de agir; com seus 'verbos-sujeitos' que a gente criou... Uma espécie de ligação multidimensional, eu sei que é! Mas eu sei também que só eu sinto assim.
Deixarei então de ler teu horóscopo diariamente pra tentar adivinhar seu humor. Deixarei de esperar o telefone tocar e ouvir tua voz tão doce ao me dizer 'Ooooi'. Não vou mais pedir desculpas pelos meus atos desesperados... Afinal, são só atos desesperados! Minhas unhas não usarão mais o esmalte que define teu humor instável. Meus anéis deixarão de lembrar tua ausência em mim. Nossas fotos deixarão de passear comigo, nos meus olhos, na minha agenda.
Existe regra que separa os verbos de ligação... Na minha gramática deixo de tentar achar respostas para esse desenlace precoce. Nas minhas literaturas deixarei de procurar em Camões, Clarice, Rilke as explicações para os seus olhos desiguais.
Deixarei de ter você nos meus sonhos de olhos abertos e expulsarei sua figura dos meus sonhos noturnos. Moverei a esfera do meu pensamento pra te arrancar das minhas camisas, dos meus abraços. Esquecer-me-ei da dança dos nossos corpos, oh minha Capitu, minha Annabelle! Gostaria se me permitir, de violar a lembrança dos nossos risos. Estes sim, preciso ter comigo. Sim, aqueles sim... Que me causavam até dor física no canto dos lábios. Quantos risos foram... Não cabem numa bolsa de viagem! Não permitirei que tuas mãos me invadam as extremidades do corpo sensível, nem em pensamento, nem em desejo de morar. Deixarei apenas que tuas mãos repousem nas minhas, por mais alguns segundos, para se desgrudarem por longos espaços de tempo sem tanta saudade.
Desculpa mas não posso mais ser figurante. Quero que nesse palco, ao menos nesse palco, que somos obrigados a encenar, eu possa mais que tocar o amor... Que eu possa vê-lo se enraizar em outrem da mesma forma que se enclausure em mim.
Deixarei de achar graça e ver beleza nos seus defeitos. Meus olhos terão a cor da razão. Meus olhos deixarão de serem verbos de ligação de você pra mim. Ser, estar, ficar, deixarão de existir. Agora você, sujeito. Agora, eu predicado. Sem junção. Que fique bem claro. Que seja escrito. Eu preciso de uma locução, um vocativo, um verbo regular talvez que não sofra alteração em seu radical, em seu humor, em suas vontades.
Não quero te ligar. Um Stop para os verbos de ligações mal recebidas, às vezes, nem atendidas. Me faço verbo impessoal... Isso... No sentido de existir! ...e anoiteço. É quase um estado de luto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pra quem os poetas escrevem?
Dry Neres



Ah, sim... Poetas escrevem loucuras, fogem da sanidade. Escrevem na tentativa de tocar o amor. Em uma conversa de dor 'literária' com uma amiga, vi resposta à minha indagação primeira.

Poetas escrevem para mulheres perigosas, com olhar sereno e sedutor no mesmo compasso. Poetas, cantam suas dores aos seus amores e nem sabem se os escutarão. Poetas são deuses em eterna peregrinação. Batem o cajado 'tintoso' na beira do papel e de lá emergem mil ocasiões, mas preciso dizer de três apenas:

das memórias passadas - suas deusas nórdicas, seus amores desiguais;

das memórias presentes - o anseio de tocar sua amada, tê-la em seus braços de convulsão e fumam/escrevem para tentar fugir da máxima de que não são correspondidos;

das memórias que hão de vir - dialogam com o futuro, indagam-se acerca da possibilidade de uma nova 'enamoração' por outrem, sofrem e mastigam a dor por não terem esquecido o amor anterior.

E é tudo um ciclo, avança, avança e torna a voltar.

Os poetas escrevem pros céus, pros padres, para o vento... Na tentativa desesperada de fugir, de arrancar, de esmagar a dor que sentem. Poeta não é poeta sem sangrar! Poetas fazem preces, contam segredos, disfarçam os medos, dormem em praças, não se alimentam direito, encantam-se com as paisagens, estão sempre com as mãos em inquietação... E ao sentirem o perfume da mulher amada, tiram as roupas, o relógio, a maquiagem, jogam o lápis e mergulham naquele mar de vermelho-confusão. Se entregam, se afogam, são animais desesperados, são o que chamamos de alvoroço. São a tarde que não quer ter fim, são o céu divido entre estrelas e sol.

E aceitam sua dor. Precisam dessa dor para continuar a respirar. Fazem amor, vestem as roupas, devolvem o lápis para o bolso e partem vagarosamente esperando que alguém lhe toque as costas pedindo para que fiquem. Ninguém chama! E eles com os ombros curvados, o olhar arqueado, os lábios secos implorando abraços e cuidados... Continuam sua caminhada com os pés sangrando. Procuram uma cadeira, mexem na sobrancelha e tornam a escrever sobre suas convulsões.

Poetas são animais em extinção. São loucos fora das camisas de força. Poetas escrevem descompromissadamente. Mandam cartas sem autor, ligam de números desconhecidos para quem sabe escutar a voz do seu amor. Os poetas escrevem para as mulheres que mais os fazem sofrer. Dificilmente vão elevar suas palavras àquelas que lhe devotam todo o seu tempo, todo o seu amor, todo o seu cuidado.

Poetas são como médicos dos outros, nosso antídoto ainda não descobrimos, nem precisamos descobrir... Se não, deixaremos de ser!


Mulher. [Do lat. muliere.] S. f. 5. dotada das chamadas qualidades e sentimentos femininos (carinho, compreensão, intuição, futilidade, fragilidade, interesse, superficialidade, amante, companheira, fatal.
- A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. Immanuel Kant


É pra elas que eles elevam suas preces e palavras e entoam suas canções. E devotam seu tempo. E perdem o juízo. Se não, deixariam de ser!



São as mulheres que nos inspiram para as grandes coisas que elas próprias nos impedem de realizar. Alexandre Dumas

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Minhas Letras
Dry Neres

Dentro de mim, ecoa seu sorriso. Seu nome mora aqui nos lábios meus. Minhas l e t r a s pequenas disfarçam a vontade de afagar os seus cabelos longos, negros. Minha respiração conta sobre nós. Todas as músicas me levam até você. Já dormi, mas é você que ainda tenho nos sonhos de olhos abertos. E é uma contradição, porque ora te quero livre, bem livre como deve ser o amor; ora te desejo aqui comigo, no meu colo, no meu local de sorrir. Por que você não vem, me abraça e conta pra mim seus medos? Por que você não pega minha mão pra gente procurar um lugar melhor pra ver o pôr-do-sol? Devolva-me minhas L e t r a s em forma de beijos. Fica em mim por mais alguns meses. Não diz que vai partir assim, levando tanto de mim... Minha sanidade, meus beijos, meu sorriso. Devolve-me você!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sen-sações
Dry Neres



Não! Definitivamente minha idade não é essa. Não pertenço a este século. Nem estas roupas me abraçam. Pareço objeto antigo, máquina a vapor, pena tintada de escrever em papiro.
Não! Inconformadamente vejo que amo demais. Sinto demais. Sofro demais. E nenhuma vida, nenhum pensamento parece me alcançar. Vejo-me descalça em noite fria, sem chão pra pisar, sem mensagem pra te mandar, sem papel pra rabiscar. Sou poeta sem canção e criança sem colo. Poderia dizer destemidamente que sou avião sem pouso.
Eu sinto falta dos nossos sorrisos primeiros. Dos seus braços nos meus, em verbo confortar. A saudade me vem ao lembrar-me das suas mãos nas minhas, suas doces mãos, delicadas mãos, insinuantes mãos, inesquecíveis de fato.
Sabe pequena, no começo... Eu pensei que... Que...
Sim! Pensei que a paixão tinha te inspirado uma espécie de loucura que é advinda da mesma.
A ponto de você me querer perto de ti. A ponto de fazer crescer em mim um sentimento sem nome. Algo que eu custei acreditar que poderia me acontecer, depois de eu ter visto barcos partirem do meu porto que eu confiei ser seguro. Você, anjo meu, não me veio como embarcação... Talvez seja esse o motivo de seu nome ainda estar inscrito aqui nos meus livros e anéis e cd’s e relógios sem ponteiro... Você veio personificada, em corpo, alma e em vermelho-amor. Não me foi personagem de quadrinhos, ou ultra-romantismo Byroniano. Foi-me verdade. Foi-me passível de toque.
Mas oscilou. Desfez-se em mil faces, mil sorrisos, mil olhares... Dois mil jeitos indecifráveis. Eu não te acompanhei.
E eu me assusto com a forma com que vi e vejo e verei seus olhos desgrudarem-se dos meus. É um desenlace. Perda.
É uma insônia birutícea e pericoronarite. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! O perigo era iminente desde o princípio e eu sabia disso. Nunca se deve entrar em histórias inacabadas. Quis ser figurante, sabia que só assim ficaria. Mesmo assim... Fui, intensa que sou. Estou, sem nada de ti. E te vejo voltar pro lugar de onde nunca deveria ter saído. E me vejo sem lugar nenhum. Porque em minhas construções, eu desenhava meu corpo no seu, o seu no meu...
De todas as muitas dores que já provoquei em meu órgão de bater descompassado, o tal coração, essa tem-me sido a mais longa e a que mais dói. Porque te fiz cura pra amores antigos, te fiz antídoto contra mal-humor ou solidão, te fiz injeção de poesia em minhas veias, te fiz minha mas era só imaginação. E agora, sem teu cheiro, seus lábios, seu sorriso, suas letras... E agora...
Até quando farei da minha alma enfermaria para os males de outrem? Até quando exigirei comprimidos de paixão e amor correspondidos dos corpos que se cruzam com o meu?
Tu és conto de fadas. E esqueceu-se de me contar que quando eu fechasse o livro pela primeira vez, as palavras desapareceriam todas de lá. Eu não sabia. E quando abri, não te vi. Esqueceu de me contar também que todo o livro passaria a habitar dentro de mim, no local de guardar memórias. Memórias irmãs gêmeas da Saudade. E lamento oficialmente. Tu não deixarás de ser em mim, tão cedo.
É uma insônia birutícea e pericoronarite.


“Tu és a deusa da ilusão e eu te amo”.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Não é pra entender
Draconiana
Dry Neres


.


Dá de dizer, dos dias, da decadência dúbia,
da delicadeza delgada. Dificuldade de dialogar das demagogias demasiadas das densas
derrapagens
dos desabotinados. Digo dos desafinados, dos desapaixonados.
Desato, desbalanceada
do descorassensangüe
do descrente descortinado. Descontrolavelmente digo
desembestada. Desencarcero
doses
do
desenlace desenhado diáfano. Desaquendo. Dialogo. Desintegro.
Dezesseis,
dezessete,
dezoito,
dezenove.
Draconiano, diametralmente.
Diplomaticamente
decorado dos de Dionísio, desses
dionisíacos.
de dizer
do discurso ditongal,
do discurso desconexo.
Diurnamente, deito. Docemente, deixo. Dois de dados, dela.
De
Djibuti,
Dominica,
Dinamarca.
Doutrino-me.
Drapejo.
Draconianamente, dramatizo.
Doze.
Dúctil, devia.
Dá de dizer dos dracons.
Dói. Dilacera. Desculpe. Deixa dormir, Deus!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Invisível
Dry Neres




Eu queria compreender muitas coisas... Mas só sinto. Não há diálogo íntimo com o sentir. Sou mulher, sou fera, sou sensível, sou criança, sou artista, sou invisível.

Estou em estado complexo do meu existir. Sou e estou, sobretudo, humana. Preciso de predicados. Mais predicados. Sou demasiadamente curiosa. Os meus dedos são animais indomáveis no ato de escrever. A escrita me consome, o pensamento me devora, me atinge. Sou surrada, pelas idéias certas que partem da incerteza do que sou, do que me faço.Preciso de S-i-g-n-i-f-i-c-a-d-o-s!

Me entrego completamente a este diário que é a essência da vida minha. Me revelo. Estou aqui a me revelar. Eu, este livro de capas alongadas, desenho leve, musical. Eu sou mulher e oscilo. Eu sou humana e erro. Torno a errar e caio. Levanto. Torno a errar e amo. Canso. Me visto.

Sinto-me assim ofegante. Meus olhos são duas fantasias climáticas. Ora chove, ora sol faz. Todavia, têm os estados que ainda não soube determinar. Sou um ser terminantemente inacabado. Acredito nunca estar pronta pra nada. Estou por assim dizer, em constante transfiguração.

Não há diálogo íntimo com o sentir.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Senhorita, estás a pisar a Terra?
Dry Neres


É como se meus órgãos fossem desfiados numa nuvem de confusão interior. É uma vontade repleta de convulsões de silenciar-me, mas os verbos saem em ato de parir, das minhas mãos, da minha face. É surpreendentemente incrível a forma como meus poros externam o que minhas veias querem dizer. Escondo-me. Revolvo-me. Destrói-me essa vontade de ultrapassar barreiras e sinais vermelhos. O lobo que há dentro de mim veste-se em tecido de pérolas, dança como Conde em festa Epita-fônica (são apenas palavras que invento).

É como se eu desapropria-se o verbo Ser. E como Robespierre, meus lábios pronunciassem: "Passant, ne pleure pas ma mort"! Os meus fantasmas voltam a me visitar todas as noites. Às vezes, quando sonho com castelos e consigo sorrir o mais largo dos sorrisos humanos, acordam-me no pico da minha alegria e entristeço-me em perceber-me "acorda"-Da. As ruas despencam nas rodas do meu carro. Vejo túneis, neblina e aperta-me os sentidos, quando penso nos meus pés a se balançar em dragões velando a ausência tua (que breve há de me acontecer, eu sinto).

É como o desejo de voltar e a deficiência de força que não encontro em meus relógios para que meus braços retornem à minha casa. Escuto os passos dos guarda-chuvas que camuflam o sol dos meus meses. E os anos se despedem em filmes preto e branco, trêmulos. Senhorita, estás a pisar a Terra? Ou estás submersa em baldes de pensamentos desordenados da procura cansada rumo à tua exaltação? Senhorita, caminha. Desgruda teus braços das amarras e artífices. Senhorita, estás a pisar a Terra? Por que não me responde? (Silêncio)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Em Nó-tas
Dry Neres




Até seu vício por café se fez passível de encantamento meu. Dele emanam canções de mistério... Assim, como caminha a criança na noite escura, na floresta fria, nua, assustada. Em notas maiores vejo meu sorriso espalmado em seus lábios. Tão breve como correm as lágrimas, um palco das notas menores se forma no campo central do meu globo ocular. E o que contemplo? O café acabou, mas a inquietação não. Tento te alcançar. Faço força surreal para que minhas mãos atravessem seus órgãos, na tentativa-sorte de tocar seu coração. Desenho-me de forma que nem sou. Não é fingimento. É poesia!

Eu me sinto assim quebrada. Sem muitos nortes, nem oestes... Em todos os setores da minha existência parcial. Sim, existo parcialmente e não deixa de ser tão bom. É como se a insegurança, astuta que é, tivesse vestido meus dedos, tivesse se feito anel-prisão. Que horas são? Que dia é hoje? Qual o seu nome? O que você sente? Não quero pontuação. Não queria precisar de pontuação nem questionamento. Invento situações para entreter meu insignificante ato de pensar tanto no teu jeito.

Não quero mais jogos. Não quero mais beijos, líquidos. Preciso voltar pro meu lugar seguro. Onde existia paz na quentura do inferno interior. Onde havia certeza apesar da dor. Onde amigos brindavam e brincavam. Estavam. De tudo. Presentes! E agora, pra onde foi todo mundo? Pra onde fui? Me deixei...

Notas... É tão você, quando falo de mim. Seu café, seu cigarro, seus anéis, seus cílios, sua cor. Que dia é hoje? Quantas horas são? Onde posso me encontrar? Seu perfume ainda mora na minha boca.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Se de fato poeta sou...
Dry Neres



Cantarei os males do mundo de forma mais colorida. Desenharei as dores dos homens com mais alegorias e sorrisos. Construirei pontes entre os céus e as terras para que minhas caminhadas sejam mais serenas. Se de fato poeta, eu fosse... Eu não temeria a ordem diversa das minhas palavras que surgirão nos olhos curiosos dos que me lêem em fome. Meus pés se energizaram com as massagens das pedras que caminharam em meu corpo em forma de correnteza de rio. Meus dedos puderam tocar o que nem os anjos conseguiriam descrever em canções. Toquei minha alma em exatidão. Vi-me, descobri-me, reinventei-me! Compreendi que o encontro que eu buscava desde tempos imemoriais comigo mesma, estava escrito em cadernos velhos nos meus bolsos. As borrachas escondidas se encontravam dentro dos violões que levei junto à roupagem para me fazer nua. Se de fato poeta sou, hei de continuar morrendo de infinitas mortes, de infinitas dores, dos mais diversos traumas... E ainda assim, depois de um banho de chuva de idéias, conseguirei me erguer, e vestir as armaduras, e amar-me ainda mais, acarinhar-me ainda mais; isso tudo sem perder a ternura que o poeta tem. Se desejas afagar seu espírito, a receita é certa: Massageie sua alma constantemente com palavras de amor para consigo mesmo. Alimente o seu corpo com carinhos que lhe despertem ainda mais fome de si. Durma de olhos abertos a contemplar a face do humano-anjo mais lindo entre todas as canções, entre todas as poesias: V o c ê !

O que eu não digo é sempre mais belo. O que os anjos não ouvem, são sempre preces que os poetas elevam às alturas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E quando as palavras secam?
Dry Neres




Os olhos ficam feito mar em ressaca. Fica uma bagunça o ato de olhar. Não sei enxergar o sol que se apresentou pra mim nessa manhã de pássaros e flores azuis. Os potes que se escondem minhas tintas de fazer palavras, secaram. Porque minha alma foi inundada por um sentimento de turvidez, fora do alcance da minha compreensão tão infante. Os altos morros uivantes me visitaram em forma de chuva nas horas passadas que se foram tão longas. Me deixaram teu perfume adormecido nos olhos, na boca, nos seios. Me a-dormeceram os dentes na tentativa de ranger. Como lobo desalmado quisera arrancar o órgão que bate descompassado, cansado, abstrato que fica aqui no extremo esquerdo deste corpo tão pequeno, tão pesado. Precisava roubar todas as nuvens dos céus, dos mundos pra repousar este corpo de criatura tão sentimental. Precisaria habitar as asas de todos os seres que o dom têm de voar, pra me sentir sem algemas, com par. Minhas pernas cansadas, com estas roupas justas que parecem ousar a tentativa de comprimir esses sentimentos que sinto assim, calada. Eu queria ser. Mas não sei se sou. Não sei se existo, tenho, moro, vivo. Já não sei. Pareço arrastar-me como réptil infame, e frio, e gelado nos becos das sombras que gritam gemendo na estaticidade. Queria ir embora dessa cidade, talvez do planeta. Quem sabe Marte...? Quem o sabe o mar. Quero me livrar desta doença que sou eu. Dos cabelos espalmados, do jeito de me preocupar com o mundo dos outros, sem me preocupar com o meu local de estar. Das mãos que se estendem facilmente com mil folhas escritas à almas que não sabem sentir o sentimento que sinto, assim tão vermelho-dor. Morro de várias mortes e como cacto sinto meu peito amargo. E quando as palavras secam... Lágrimas largas inundam meu cobertor. E numa mistura tão cibernética, sim, porque pareço estar no pólo extremo norte do meu sentir tão dolorido, percebo que esbarraram no Ctrl Z, e foi-se tudo o que um dia pedi que não fosse tão rápido. Esperei que demorasse mais. Não tive tempo sequer de escrever um livro sobre nossa inquietude tão calma, tão doce, tão eu que já não sou sem você.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Susto
Dry Neres



Sustos talvez sejam como abalos sísmicos em horizontal. O coração parece bater na velocidade da órbita que faz a lua em torno dos pensamentos nossos. A boca seca, com palavras dançando. Os olhos suados, amargados como sal no sangue. E as pernas não conseguiam equilibrar o peso da alma que derretia em pedras de gelo ácido. Eu, que com artérias me debatia... Aprendi que é preciso apertar a tecla 'pause' às vezes. Respira, anda, fala, come, veste, cria. 'Pause'. Decora, embola, escolhe, ama. 'Pause'. Dorme, recolhe, briga, volta. 'Enter'. Os sustos vão embora como chuva escorre pelo corpo. Foi. Estabeleci controle da nave, mas me vi vulnerável demais, exposta demais, nua demais. 'Print Scrn': T u d o é a p r e n d i z a d o!
E ainda te tenho comigo: 'F5'.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Quase música
Dry Neres




Aquelas ondas, sim aquelas ondas batiam, volviam, assim... Bem perto de mim.
Nos meus pés, em minha face, arquétipos voláteis. Eu que desacreditada estava em encontrar quentura para meu frio interno... Fui surpreendida pelo destino que te trouxe pra mim.
Falo de um mar que já se aquietou. Que se mostrou maduro e sorridente. Que se apresentou pra mim, em forma de amor puro, assim, singelo. De uma infantilidade tão madura que ainda custo a acreditar. É como se os poetas me emprestassem todas as suas falas acerca do tal caminho vermelho-calmo, vermelho-amor. Eu sou viajante, bailarina, sou atriz principal nesse palco onde as palavras formam livros de metáforas que você tanto gosta. Gosto da forma como meu corpo se faz cobertor seu, nas noites em que a lua brinca conosco; nas noites em que o dia é visto pela janela sem que os olhos experimentassem o ato de dormir. Sim, porque nossos corpos A-Dormecem acordados. Entre histórias de príncipes, princesas... Fico com a nossa! A nossa história entre letras pares de um alfabeto que poderia muito bem ter dois Ds sem que um tirasse o brilho do outro. Você faz dos meus dias, doces canções. Você torna meus sonhos a mais bela realidade. Nossos corpos se chamam, se apelidam, se imploram. Nossos nomes, são quase música. Fotografoescrevo todas as imagens tuas aqui em minhas mãos, desenho-te em meus pensamentos,descrevo-te nos painéis que crio acerca do céu. Nuvens são os beijos teus. Corro atrás dos guizos sorridentes teus como pássaro faminto em ninho do tão conhecido e já citado, vermelho-calmo, vermelho-amor. Porque Deus te deu pra mim? Adoro tuas indagações. Adoro te responder. Foi porque ele te deu pra mim também, e haveria de ter reciprocidade. Adoro filmar teu jeito tão doce de caminhar. Amo o timbre da voz que sai do teu canal responsável pela fala. Me encanto com nossa forma ímpar de nos parecermos, de nos completarmos, de nos encantarmos... E deixar que a paixão cresça a cada olhar, a cada ato de respirar ofegante, em toques sublimados, em mãos que buscam conhecer almas, na dança dos corpos que se e-namoram, na constituição do tudo do que somos.


Meu coração é teu lugar primeiro.
Teu coração é meu sorriso certo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Flores
Dry Neres





Hoje pensei em escrever qualquer coisa assim, de giz...
Hoje, me lembrei de você!
Me lembrei de mim...
Do rosto meu, assim, no travesseiro.
Eu que já perdi de tudo nessa vida, não imagina nunca que o vento me roubasse...
Uma filha, uma irmã, uma mãe, uma amiga, tudo junto.
O vento levou você pra longe.
Mas eu te sinto tão perto!
Como pode ora, haver sentimento tão nobre assim?
Não sou tão boa longe de você.
Diz que volta um dia, diz que volta breve, diz que não vai me esquecer!
Meu coração se enche como mar denso e salgado em lágrimas de saudade...
Em lágrimas do abraço nosso, em códigos das falas silenciosas nossas.
De tudo... Me diz, sussurra: Simply Undeniable!
Because we are best friends, right, right, right???
Que os ventos te soprem meus cuidados.

Pra você Nany, amiga de longas datas. Me traz flores Holandesas! :) Te amo!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Meus predicados
Dry Neres
=--=--=--=--=--=--=--=--=>>v.o.c-ê.u.<<=--=--=--=--=--=--=--=--=n.ó.s=--=--=--=--=--=--=--=
T.a.l.v.e.z h.o.j.e s.e.j.a s.ó n.o.s.t.a.l.g.i.a Q.u.e.m s.a.b.e s.a.u.d.a.d.e d.o c.a.l.o.r d.o t.e.u c.o.r.p.o T.a.l.v.e.z m.e.m.ó.r.i.a.s d.e C.a.s.m.u.r.r.o q.u.e i.n.s.i.s.t.i.r.a.m e.m a.p.a.r.e.c.e.r c.o.m r.o.s.a.s i.n.d.e.s.e.j.á.v.e.i.s e.m m.i.n.h.a j.a.n.e.l.a N.ã.o e.s.t.o.u t.r.i.s.t.e m.a.s é q.u.e à.s v.e.z.e.s é p.r.e.c.i.s.o f.i.n.g.i.r q.u.e s.e e.s.t.á T.e.n.h.o s.a.u.d.a.d.e d.o.s a.m.i.g.o.s p.r.o.s.a.i.c.o.s e d.o.s b.a.r.e.s e d.a.s r.á.d.i.o.s e d.o.s l.i.v.r.o.s e.s.p.a.l.m.a.d.o.s T.e.n.h.o s.a.u.d.a.d.e s.i.n.g.u.l.a.r d.o q.u.e e.u n.o.m.e.a.v.a c.o.m.o z.u.n.i.d.o.s d.e t.e.r.m.i.n.a.ç.õ.e.s e.m "i" À.s v.e.z.e.s p.e.n.s.o s.e.r e.u a.n.i.m.a.l E.m o.u.t.r.a.s. t.e.n.h.o a.b.s.u.r.d.a c.e.r.t.e.z.a E.s.s.e c.o.r.a.ç.ã.o m.e.u é q.u.a.s.e v.e.r.m.e.l.h.o q.u.a.s.e g.r.a.n.d.e q.u.a.s.e p.o.e.t.a E.s.s.e c.o.r.p.o é q.u.a.s.e c.o.r.d.a f.i.r.m.e M.a.s b.a.l.a.n.ç.a r.o.d.o.p.i.a b.r.i.n.c.a A.h a.g.r.a.d.e.ç.o a.o.s c.é.u.s p.o.r f.a.z.e.r d.e vo.c.ê m.eu. b.e.m q.u.e.r.e.r V.o.c.ê é t.o.d.a m.i.n.h.a s.o.r.t.e V.o.c.ê é j.e.i.t.o i.n.t.e.n.s.o d.e s.e.r q.u.e e.u q.u.e.r.o g.u.a.r.d.a.r. S.e.u s.o.r.r.i.s.o m.e a.l.i.v.i.a m.e a.c.a.l.m.a V.o.c.ê m.e f.a.z t.ã.o b.e.m C.o.m.o p.o.d.e?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Dois mil e oito pensamentos do meu fascínio
Dry Neres



Ah, como foi bom esse dois mil e oito. Para mim foi fonte de inspiração até nos momentos em que eu via meu coração sangrar como flor despetalada. Nesse dois mil e oito aprendi a fazer morar no papel meus pensamentos de devanear. Conheci pessoas incríveis, descobri a verdadeira face de algumas outras. Fui fonte de contradições e sorrisos. Dancei... Dancei como bailarina na pista de sonhos. Fui atriz no meu palco de cor e dor. Soube distrair-me com as borboletas e com canções que embalavam meu ato de escrever e inventar. Chorei, chorei bastante. Talvez nunca tenha gastado tanto com lenços humanos. Amei... Amei como nunca, como louca em desvairil. Ainda carrego aqui um pedaço teu. Não tenho mais pedaço meu em ti. Agora é perceptível esse olho teu aqui em mim, com ares de sorriso de criança em mulher, com arpejos de cintilância febril. Ah, esse dois mil e oito de violões e circos... De gritos e silêncios... De virtualidades desvirtuais... Onde museus, e cavernas, e lâmpadas, e carros, e sonos, e fantasmas, e você... Moraram, ficaram, demoraram em mim indiscutivelmente.

Me despeço desse dois e mil e oito, com a certeza de que tudo que sou, de que tudo que me faço... É cada vez mais real, mais intenso, mais vermelho, mais você, com você, por mim. É cada vez mais pintado, cada vez mais novela, mais estádio, mais voraz. Estou. Sei. Poeticossintetizada. Entre. Nós. Singular. Os sujeitos. Meus predicados. Nesse ar. De misturas. E pausas. Constantes. Com pontos. Vírgulas pontuadas. Frases circulares. Livros ao forno. Dois mil e oito a-guardar. Meus sorrisos. E véus. Nessa casa. Nesse. Lar. Que. Sou. Eu. Nesse barco. Nesse mar. Estou. E pauso. Para recomeçar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Amor de Julieta
Dry Neres




Sabe, meu amor... Meus dias são incontáveis com a presença tua. Estes teus olhos de Capitu, esses seus lábios de Literatura-viva-experimental. Sabe, meu amor... O pulsar do corpo teu é veneno doce em minha corrente sanguínea, em meu sistema... Nervoso! Pensamental! É intenso, é vermelho, é puro, é infantil, é humano, é! Quem há de pensar que dentro desse corpo frágil, existe uma força selvagem, um extinto quase nuclear? Quem há de pensar que meu coração está tão assim apaixonado, amor meu? Invento-me, recrio-me, espero-te... Beijo-te, amo-te, sinto-te em cada sussurro e respiração tua. Líquidos! Você é minha dança, minha música, minha inquietação, meu livro-vivo, meu papel em chamas, meu edifício a balançar. Quem há de pensar que poderei eu me afastar do sorriso teu, escultura minha? Diz pra mim, que tua alma há de morar em mim, por mais trezentos mil anos... "Sou tua, amor"! Esse coração meu, parece avião de Atenas, rumo às Índias. Rumo... Rumo... Direção: Você é! Tudo é tão leve, tão lindo, tão romance, tão filme de amor. Temos trilha sonora, papel de parede, canção no celular. Temos jeito de olhar, química na pele, carinho nas mãos, no ato de tocar. Temos coragem! E nossos nomes, deveriam deixar de se chamar, Dry, ou Maria, ou Julieta... Deveríamos nos chamar: Coragem! Porque a felicidade nos basta... e se você está feliz, os céus derramam chuvas de abraços em meus olhos... E eu emudeço, finjo, brinco, estou... Sobretudo, feliz por demais! Eu quero caminhar com você em todos os mundos, meu amor. Cantar todas as canções que o vento nos trouxer. Quero ser tua boca na minha, como explosão nos Fahrenheit! Quem há de dizer que a felicidade nossa é clandestina? Quem há de negar o brilho em nossos olhos? Olhos de Julieta no plural.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Olha
Dry Neres


As pernas nunca sabem
Os próximos passos que os pés darão!
Às vezes com uma paixão, o coração se cruza
Às vezes só com falta de compreensão.
Dói, ver pessoas que você ama
Apontarem-lhe os dedos
Sem ao menos ouvirem a outra versão do livro
A outra língua que traduz a história
O coração emudece diante dos encantamentos
O corpo é vela que se inclina aos desejos mais fortes
Todavia, os desejos não desrespeitaram a ordem natural dos fatos
Primeiro ponto final.
Depois nova frase com letra maiúscula e em fonte times romântico.
Dói ver todos os dedos apontarem você.
Sem que antes tua língua pudesse pronunciar a verdade
A verdade só é uma!
Embora as várias bocas conte-a de formas diferentes
A verdade só é uma, fato!
Só sei do sorriso que carrego na face, no corpo, nos olhos...
Nas chaves, nos livros, páginas, teclados, só sei desse sorriso.
Quem são vocês, deuses que tentam podar meus sentimentos?
Quem são os espíritos que não ouviram a verdade que eu desejo proferir?
Não importa. Não, não importa!
No carro, na camisa, nos calendários, nos meus dias, só sei saber desse sorriso!
Mas parece ninguém querer saber desse lado da história.
Mas nos versos, e na pele, dos ouvidos, nos sussurros...
Só este sorriso diz como estou!
E seguirei sorrindo.
Sim, seguirei sorrindo...
Até que algo prove o contrário.
E se não provar, saberei eu ter encontrado a felicidade!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Memórias de um apaixonado
Dry Neres

Lembrei-me do teu riso e quis beijar as ondas do mar com os lábios teus entrelaçados aos meus em anil. Senti-me em carne viva na ausência tua. Na saudade que aperta num dia que mais parece ter quarenta e duas horas que vinte e quatro. O palpitar exorbitante do órgão que produz o amor ousava chamar teu nome entre as ruas por onde passamos e deixamos rastros de cor e céu. Oh, amor meu, sou tua! E me recordo de quando batem às minhas costas os questionamentos dos que não se enamoraram pela lua: Senhorita, estás a pisar a Terra? Com suspiros a resposta é visível na fotografia tua, que se moldurou nos cabelos claros meus. Pareço pintura moderna, pareço poesia ultra-romântica, com sorriso estampado em camiseta de cetim campestre. Tudo em você é belo... Tudo em você me agrada, minha criança! No teu colo encontro o repouso e inquietação a tanto procurado entre lunetas e faróis. Continua iluminando-me amor meu, sorriso meu, água minha. E em tudo escuto ecoar nossa canção. Todos cantam em coro aberto e exultante. As flores despetalam-se e jogam-se ao chão para que passemos com nossos grãos de amor e paixão. Beija-me! Ama-me! Adormece em meus braços que cantarei o som que faz as ondas do mar a bater nas montanhas, em teus ouvidos, tuas entranhas. Seja a sombra minha. Não me canso de ter você comigo, anjo meu! Alegro-me em ter-te feito minha crença. Rezo-te assim, então! Devora-me, na cor mais exata tua, na cor do sangue nosso!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vestígios
Dry Neres



Ah, como é bom sentir saudade de um alguém que te completa... De um alguém que te arranca suspiros e sorrisos e sabores... De um alguém que entrou sem pedir licença e construiu morada ampla, com jardim e garagem. Ah, como é bom me lembrar da delicadeza dessas mãos artesanais, desse sorriso estonteante, desse abraço de sublimação, da intensidade do contato nosso.
Eu fico estática aqui, em meu local de escrever, causos e casos... Eu fico paralisada aqui, diante da sua figura... Boqueaberta, diante da conclusão de que o amor não precisa doer pra ser amor... De que existe sim, reciprocidade e de que "até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei"! É tão real. É tão humano e divino, esse enlace. Me sinto pronta para enfrentar qualquer coisa ao teu lado, anjo meu... Estou segura de que quero você comigo por longas datas, criança minha. Estou certa da quantidade infinita de álbuns escritos e silenciosos que nossas vidas escreverão.
Ah, como é bom te ter aqui comigo... E contar os segundos pra sentir teu cheiro... E te ligar pra não dizer nada; dizer coisas sem sentido, esperar você dizer que me adora e que quer muito que eu esteja contigo. Ah, como é bom te confidenciar meus segredos, saber como foi o seu dia, receber e guardar os beijos teus dentro do lugar mais lindo que há em mim. Você é real. O colorido mais belo dos meus dias tem sido a presença sua. E vejo as utopias partindo pra longe, num barco em que eu escrevi "Eu te amo" em letra ultra-romântica, em véu curto de percepção acerca do amor. E vejo as literaturas inventadas, que têm nome e sobrenome, e cor, e música, e endereçamento de cartas antigas, partirem sem deixar muito rastro; porque o que eu toco me agrada. Porque agora faz sentido. Não, não há coincidências, criança minha! Era pra ser... Eu sei!
Eu quero caminhar contigo entre galáxias e mundos e céus... descalça, nua, desarmada! Somente eu e você.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Amarás!
Dry Neres


Amarás! Este é teu mandamento perpétuo. Quero abraços como os teus, criança minha! Quero mãos que suavizam como as tuas, sorriso meu. Amarás! Não há culpa em conjugar o verbo. Nem aqui, nem por lá, à outrem! Se te coloco em minha vida, não permito que saias nunca mais. Se minha boca beija teus pés, feito o sal beija a água do mar, não te deixo caminhar sem as pernas minhas pra te sustentar entre as veredas, entre os campos dourados de gramas lisas.

Queria te fazer como pintura, como o Criador moldura sua Cri-Ação. Soprar-te-ei as primeiras palavras de doçura, banhar-me-ei da alma tua em canto e poesia, e verei repousada tua sombra nas pedras de cores vizinhas do Ártico. Sua pele assim na minha, seu jeito de me olhar; o jeito com que tocas minha face, aquele jeito de pirraça que insiste em ficar. Da pouca idade que temos, dos poucos instantes que conseguimos morar juntas, nos nossos mundos inventados e longínquos, digo que queria ancorar barco e desejar me deitar. Sentir os elementos da natureza a se moverem como ondas nos órgãos nossos. Que o coração pudesse falar e cantar nossos nomes em coro alto com o sol elevado de mar.

Que a paixão que vem não se vá! Não, não sou boa, só! Amarás!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Minha-Nossa-Dor
Dry Neres


Como irmãos, deveríamos ser. Como irmãos, nos aquecer do frio que exala da máquina salgada do mundo-capital-dor. Da desesperança, do desespero, do desassossego, deste duplo-pensamento-diafônico... Oh Deus, olha pelos filhos teus! Esses seus filhos que não têm cobertor para cobrir seus corações-re-quentados. Oh Pai, até quando no asfalto ficarão sujeitos às pisadelas dos tratores-homens-sem-alma? Até quando viajarão sem barco nem vela, sem água só ar? Esses irmãos nossos que têm dor nos olhos ao olhar as orquestras e o caviar pela vidraça alí da cobertura-do-bacana-altar?
E a criança, Meu Senhor, vi nas mãos dela o sonho que se perdeu. Li nas tuas marcas o rude suor das lágrimas tuas. Revi nos teus cabelos o desconforme e o ridículo para a moda-teen-dos-desalmados-do-Galois. Aquela criança representa bem os tudos e os nadas. Sinto-me bem como ela, assim, impotente em dar e receber amor. Revelo a cor que vejo quando abro a porta: branco-gelo-escuro-fome. Caminhando vou, e um velhinho vem ao meu encontro; numa sanfona carrega a sua casa, no bolso sem fundo, a esperança de encontrar repouso.
Mas de tudo-longo-grande, vejo os homens com atadas-gravatas-de-seda, enforcando sua própria ignorância. Marcando a sua falta de humanidade. Vomitando nos nadas-curtos-pequenos que rastejam em busca de água, vento, som... qualquer coisa assim que encha um prato-de-dentro ou o prato-de-fora.
H-U-M-A-N-I-D-A-D-E!!
O-mundo pe-de, a-gente es-COLHE se-dá.
*Este texto é pra Ana Diniz. Simplesmente Ana! ;)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lá onde mora o Seu Paulo
Dry Neres





Lá no sol onde faz frio.
Bom dia Seu Paulo!
Algum intervalo?
Me manda um milagre São Paulo?

Me dê informações.
Você já comeu hoje?
Um bom dia gelado...
Era a dor de não ser gente feliz!

Era só a riqueza alí do lado
Ele de costas, em seu refúgio
Com medo das mãos que afagam com veneno

Com falta dos olhos de compaixão
Seu Paulo só queria alguma orientação
Um prato com algo.

FOME AGREGADO AMPARO RESGATE SOLITÁRIO SUJEIRA HOSPITALEIRA FRIA SORRIDENTE SALGADO APALPAVA GRITO SEMENTE ANTIGO RECENTE BESTEIRA CULTURA SERPENTE GENTES ASFALTO TERRINHA CRIANÇA VELHINHA MENTE PINTURA RAIZ IMPERADOR SÓ PROFESSOR ESCOLA VIDA ERRANTE MISÉRIA CAOS COLORIDO VERNIZ ASSIM SENTADO O SENHOR, PAULO SÓ PAULO QUE NÃO É SÃO!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vagas, palavras vagas
Dry Neres



Os poetas também amam?
Ah, já me perguntei.
Como resposta, obtive uma lágrima que molhou minhas curvas...

Os poetas também amam, meu Senhor? Perguntei a alguém de barbas longas, e ele só acenou. Perguntei a jovem moça que passava em suas cores de mar, e ela assim me guiou. Ainda invoco os seres naturais desse planeta. Durmo no mar, deito nas estrelas, rezo-te, oh sol... Brinco nas nuvens, beijo as flores, banho-me na terra, visto-me do ar. Os poetas também gritam. Os poetas também sabem sorrir, talvez amar... com licença, da formosura do meu pensar. Ah, o amor... de vagueza em lonjura... perco-me nos conceitos arquétipos que leio nas enciclopédias. Emaranho-me nas rupturas que escrevi em minha pele, acerca desse tal sujeito que não ousa sequer ter predicado. Ele, por si só, é. É!! É sem explicações, e se comporta bem assim, por ser o motivo de toda a dor e alegria dos seres que moram por aqui, acolá... de bem longe também. Quero muito... quero mesmo... deixar de escrever-te em mim, e logo em seguida, borrar-te, deste papel vivo que me fiz. Quero de uma vez por todas que meus versos invadam seu sorriso, que moldurem em teus lábios as letras minhas, com os desejos meus de ter você repousado em minhas entranhas. Mas é tudo vago. Tudo aberto. Entre aspas. Marca textos. Braços frágeis. Queria sua luz aqui de novo, me iluminando as noites e congelando as horas que marcam neste relógio azul, de pulso amarelo-fome. De sede risonha-febre.
Os poetas também amam mito-do-meu-encanto-maior? Por enquanto sangram. Mas em ti, podem se curar. Reinventa-me! Eu clamo...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Infinitamente Novembro
Dry Neres
É quase frio. É quase cansado. Parece longo. Parece áspero. Reviro os retratos dos teus suspiros que moldurei em meus olhos, no lugar dos meus cílios, no lugar dos meus globos. As tuas veias me habitam os músculos e em todos os meus movimentos escuto o riso teu. "Platonizando"... Reporto-me à espera tua. Este novembro é gelado, quase morno. De este sorrir que só me lembro quando fecho os olhos no conhecido movimento de pisca-abre, pisca-leve. Sempre. Recorro à cura e na receita, encontro o nome teu. Ainda procuro esse desconhecido, esse amor, que vejo transladado nas pinturas dos quadros, dos livros. Procuro esse desconhecido sem endereço, sem roupas, sem rótulos, sem cura. O grito. Abafado. Em plataforma. Em grande escala. É quase frio. É quase março. Infinitamente novembro.
E eu me lembro...
Dos beijos de cetim. Da fome. Do cheiro. Dos gostos. Dos cabelos. Do frio. E da saudade. Da indiferença. E da busca. Dos silêncios. E acalentos. Dos nadas. Dos tempos.
E eu me lembro...
Da pele macia. Das músicas. Leves. Do que não houve. Do que poderia ter sido. Dos dois sóis. Da porta do carro. Do afago. Da lógica. Ilógica. Dos tons. De amarelo. Em tua pele. Dos ipês. Sem florescer. Nos nossos amanhãs. Das esperanças. Falhadas.
E me esqueço...
De esquecer. O março longo. Que já se foi. O janeiro próximo. Que logo vem. E esse novembro? Infinitamente. Aperta-me. Mas. Não. Devolve-me você. Parece frio. Quase. Morno. É. Frio.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quase Carolina
Dry Neres


Muito bem humorada, caminhava a menina
Caminhava a menina, assim malcriada
De nariz aduncado, ombros meio largos
Calça xadrez, camisa com cheiro de grama
Muito bem humorada, a Carolina
De humor não sabia falar
Mas lágrimas ela planejava pintar
Ah, Carolina... esses olhos podiam cantar
Dos pássaros é amiga
O céu deseja alcançar
Pula corda com os livros
Ah, Carolina... você sabe sorrir
Quase menina... Quase mulher... Quase Carolina...
Toca os sonhos feito bailarina... Ah, Carolina!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Chorando nossa ausência - Maria Cris
Dry Neres




Às vezes sinto um vazio que vem dos olhos dela. Às vezes penso que ela tenha perdido algo lá atrás, no passado. Os sonhos parecem abrigar malas escondidas. Eu sei que causo sofrimento à tua alma tão sensível. Sei também Cris, que parte minha não te agrada. O sorriso teu, me dá angústia. Eu me sinto impotente, incapaz de fazer algo por você. Você, que parece procurar amigos incolores nas páginas brancas dos livros. Você que tem amigos de longas datas, mas estes moram tão longe do corpo teu. E você se sente só, mesmo tendo em volta de si o mundo. Suas mãos parecem querer alcançar-me, abraçar-me e ninar, como talvez nos velhos tempos. Mas já sou uma estranha em seu coração. Não sei sequer lhe direcionar minhas palavras que apertam a garganta. Palavras de conforto e cuidado. Eu sinto falta de tudo o que não vivemos. De conversas de cabeceira nas noites longas e frias, em que seu amor, só o seu amor Cris, me aqueceria. Te vejo pequena. Uma guerreira que parece ter gasto todas as armas, mas a luta maior a ser travada, se apresenta como esfera que corre rápido em direção aos seus sentidos. A luta maior é a interior. É você contra você, Cris. Eu sei que parte da força que você precisa para se reerguer, provém de mim. Mas sou incapaz. Quero ser mesmo incapaz. É tudo muito confuso. Mas de tudo que sei de grande nesse mundo... é que eu te amo mãe! Sim, eu te amo tanto que chegam a me doer as entranhas e me falta o ar que condiciona os pulmões frágeis. E no auge da minha ingratidão, esqueço-me de desculpar-me durante todas essas noites, por não ser a filha que você merecia ter tido. Sou ingrata e esqueço-me de me desculpar por todas as noites de insônia que eu te causei; por todas as dores das minhas idas e vindas em mundos novos, em vidas novas que eu crio pra mim. Nas dores e nas alegrias que eu crio pra mim. Eu te amo tanto, assim, em segredo, em silêncio, em renúncia. Na verdade, eu só queria saber te amar. Mas meu amor parece que não te alcança, porque você se preocupa mais com coisas pequenas, do que com a profundidade e intensidade do carinho que sinto por ti. Deixa os pormenores pra depois, deixa minhas procrastinações e desentendimentos com o andar de cima pra que eu resolva. Só eu resolva. Tenta me amar e me aceitar como sou. Imperfeita! Incompleta... Sei que dói em você. Sei que temos convênios eternos e você deseja que eu esteja contigo depois daqui. Mas deixa os pormenores e tenta aproveitar o tempo que você tem comigo, porque cada minuto desse é valioso. Não deixa o barco ir embora, antes que você escreva um "Eu te amo" em sua borda. Não deixa nosso amor tão solto assim. Eu te amo tanto, tanto que eu choro de pensar na ausência tua. Passa tua mão pela minha. Me deixa ser teu bebê. Me deixa recordar do ventre teu. Eu te amo tanto e muito e sempre, que as lágrimas que me escorrem parecem ser de ácido que corrói pedaços meus, quando penso na nossa ausência... Quando choro nossa ausência.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Não vou falar sobre o Livro dos "ais"
Dry Neres



Queria agora mesmo, um lugar pra chorar baixinho.
Queria agora mesmo, suas mãos fingindo segurar as minhas.
Ai, como eu queria sua pele a me queimar o coração.
Vem e me salva no teu mundo de cor...

Seca meus rios a escorrer pela face.
Será você capaz de fazer tudo o que diz?
Será apenas ilusão?
Sei lá, sei não.

Silenciosamente, espero um teletransporte
Espero fuga do nada em que vivo
Espero silêncios que me invadam sem medo

Ai, eu já não caibo mais nesses espelhos.
Preciso refletir a imagem de alguém.
Preciso da imagem de alguém refletida em mim.

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Saudade de tudo. Saudade do tempo de correr e brincar. Saudade do que não pude fazer. Saudade dos beijos que quis dar. Saudade do que eu podia fazer. Mas o céu se move, o sol assume personagem novo, e eu, me permito ser de fases tal como é a doce lua. Tal como é o sorriso seu que hora me vem, hora desaparece em silêncio e som.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Descrição da Casa Prosáica
Dry Neres


Os quartos são alongados. Parecem querer abrigar os mundos. Bem iluminados, papéis de parede em poesia, um círculo desenhado ao chão. Em cada canto, uma miragem. No teto, lantejoulas arquetípicas desenham lágrimas que não molham. No ar, perfume de aconchego. No ar, algum resquício de dor. Voltando-se para o lado esquerdo, numa rotação corporal de 55º graus, vê-se a sala. O cômodo mais bonito. O cômodo mais arranjado. Não tem sofá, mas os tapetes cor de sangue desenham o mar que cobre a ausência tua. Os abajures representam as noites de leitura do corpo seu sobre os livros espalmados. A lareira me dá a impressão de sentir o pulsar do meu coração, a cada faísca que voa, que grita lá. Tenho dois quadros. Um meu. Um seu. Mas em todos, a pintura que vejo é a sua. Vejo o dedilhar da alma tua, caminhando pela sombra dos mesmos. Outro papel de parede e os dizeres: Mora-me, pertença-me, suga-me! O som é mais agitado por aqui. O som é mais rápido, intenso. As paredes costumam se movimentar com as ondulações das luzes que emanam do chão. O teto é sem cor. Abriga acomodações de uma osga cinegética (personagem que me habita os devaneios desde que conheci o Agualusa). Não tem cozinha. É bem pequeno por aqui. Não tem banheiro. Já não sou humano. Tampouco, naturalista. É bem pequeno por aqui. Abrigo outra casa. Mas essa só vive em meus sonhos. Das fotos que tiro, só eu vejo a casa perpendicular querendo me invadir. Só eu vejo as possibilidades de um enlace em que a ponta invada meu teto. Só nas fotografias de vento isso se faz real. Só pra mim. E quando desocupada me deixo, visualizo no espelho que ganhou lugar fora da casa, a imagem minha refletida naquela construção. Os cômodos, são minhas personalidades. Os móveis, pura imaginação. O que não foi citado... é a verdade acerca do meu coração.

Tenho uma casa que parece comigo.
Tenho uma casa que parece ser eu.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eu e meus fantasmas
Dry Neres




Rasguei minha camisa. Me desnudei. Desdobrei as flores. Penso que eles nunca mais vão embora. Penso que endereçaram minha alma e autenticaram no cartório a mantença do meu corpo. Penso que eles são mesmo, fantasmas meus. E de espectros, vou vivendo. E de recusas, vou morrendo. As máscaras não funcionam mais. Os olhos piscam mórbidos. Os lábios secos jazem sem cor. As mãos frias e paradas, não alcançam a porta do labirinto. Sempre descubro, sempre renovo a aprendizagem: Há beleza na dor!
Eu via que o mar me nascia dos dedos que se espreguiçavam nas lágrimas minhas. Eu via palavras voando num universo paralelo, em outra esfera sem nome. Para cada lado que me volto, meus pensamentos me atordoam, meus pensamentos me invadem num barulho estridente de tic-tac, tic-tac. Se eu tivesse um baú, trancaria meus medos. Se eu tivesse uma oportunidade mataria meus fantasmas. Eles me apertam a alma, escavam feridas abertas, confundem-me ante ao espelho. Meus hectoplasmas me fazem querer fugir de mim. Meus fantasmas hectoplásmicos, não fujam de mim! Talvez nesse edifício que sou, vocês possam ser o sustentáculo. Talvez vocês sejam a única verdade palpável, apesar de me aparecerem sempre como fumaça trépida. Minhas imagens distorcidas, com cheiros, tonalidades, prazer, dor, fotografias de vento. Vocês fizeram este rosto pálido e este sorriso largo.
Rasguei minha camisa, porque teus jeitos ainda estão impregnados em mim. Inútil foi. Vocês são minha pele, meu prazer. Vocês são minhas contradições, eterno fazer poético. Fantasmas meus, não me abandonem. Meus pés estão cansados. Quem me leva? Meus fantasmas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dos caminhos, dos versos soltos, dos posts duplos
Dry Neres




Oh minha terra de sabores
Oh poetas de almas longas
Quantas vidas de vagas leves
Nos lugares por onde aviltas


Teus sussurros, gargantas roxas
Meus poemas são livros teus
Meus Drummonds que nas noites lentas
Me aparecem como o teu adeus

Dissabores, meu terno abraço
A poesia este eterno laço
A palavra que envolve, bebe

Oh terra minha, esse vento reza
O abafado som que faz os olhos teus
De tudo que levo, a saudade é a mala...
mola, matriz, canto inspirador...
Sorriso teu.




O sorriso dela, verborragia

Nada prosaico
Muito predicativo
Pouco poeticossintetizador
Exacerbadamente verborrágico
Demasiado a devanear

Uma janela, um caminho
Psiu! Ninguém pode escutar
Um passo, um grito
Ahh!! O medo me invadiu
Preciso ficar

Nada prefixal
Muitos paradoxos
Pouco silêncio
Exacerbadamente dramático
Demasiado fingidor

O meu andar, meus caros
É cheio de mácula
O meu sorriso, amigos
É cheio de dor

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O momento mais triste
Dry Neres



Ter que ver minha pele a se abrir

E de dentro, sair o corpo seu

Cheio de cores e notas

Cheio de amor e dor

Triste mesmo foi ver saindo

O que nunca me habitou

Lágrima em forma de sorrir

Você, que virou nuvem, oh amor meu!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Diga sim pra mim!
Dry Neres

Diz que quer abraçar o sol junto ao meu corpo. Ou simplesmente diz que quer me abraçar. Sua voz ao telefone me faz querer ultrapassar todos os fios, todos os elétrons da comunicação ofegante, da respiração cintilante. Diz que sim. Que eu te faço bem. Que eu sou a Dona dos teus "ais". Teu cais, teu porto, teu carro desgovernado. Sua pele ainda insiste em acariciar a minha. E as aves do céu me lembram teu pousar. E o teu canto não me sai da pele. Confesso! Já tentei lavá-lo com outras vozes, com outros cantos, com outros instrumentos. Confesso novamente... nada saiu de mim. Reclamo com o universo, grito com o tempo. Maldito seja o tempo! Maldita seja a ausência tua em mim. Que algo bendito te traga, para que minha alma assim repouse, durma em você. Que você durma em mim, por mais trezentos mil anos ou somente por um luar. Diga sim pra mim! Dê ordens à minha dor. Diga a ela que saia rapidamente, porque agora é o jeito teu que irá me invadir. Dê ordens ao meu coração. Diga a ele que te acompanhe. Que não se perca de você. Ordene que minha poesia seja tua. Reclame do meu assombro. Me beije quando eu menos esperar. Me queira quando de meias eu estiver. Briga com a distância que insiste em nos perturbar. Diz sim pra mim? Diz Sim... porque o meu Não está mais que preparado!

NÃO, não saia da minha vida nunca mais!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Os SEM textos
Dry Neres




Parece que foi ontem. Ainda lembro-me do primeiro, VAZIO que saiu de mim há exatamente 176 dias. Desafiei a própria idéia que eu tinha de mim... e busquei máscaras ou MASK, como preferir. ELA me surgiu de forma inusitada. Minha produção poética cresceu exarcebadamente após tal aparição. Entre BUTTERFLY, descobri indecifráveis PLANETÁRIOS em que suas paredes traziam como escritura: SUGA-ME! Sinto cada fibra vibrar de forma peculiar quando me recordo do instante em que minhas mãos choraram ao escrever com tanta ternura "PEQUENA" CAROL. Deliciei-me ao som de Los Hermanos em sua CASA PRÉ-FABRICADA e soube através de LEMBRANÇAS trazer A DOR E O BEIJO DA ALMA que tiravam meu sono. Com o TOQUE SUAVE das tuas mãos, aprendi a ouvir o principal órgão do meu corpo: O CORAÇÃO. Entre tantas letras, entre tantas palavras e inquietações, marquei um ENCONTRO com MINH'ALMA. E a surpresa foi tanta que até Gabriel O Pensador, deu seus ares de graça com ASTRONAUTA. Em meio a tantos esses SENTIMENTOS MEUS, percebi sutilmente que A PALAVRA tomava conta de todo o meu ser. Que sem ela eu não saberia balbuciar no escuro, os escritos que me levariam a sorrir em forma de CARTA AOS MEUS AMIGOS.

Ganhei sabedoria incomensurável ao ver a GUERRA GELADA, que muitos Joãos, Marias, Gustavos, Patrícias, travam todos os dias... dentro... fora de si! SONHO com cada instante mágico em que a DESPEDIDA possa se reverter em retorno. E o que me inclina a SORRIR são os DEVANEIOS NUM GUARDANAPO que volta e meia me pego a escrever. Diariamente as MÁQUINAS me convidam para ser partícipe de toda sua configuração assustadora. Ousaram até me questionar, com toda sua frieza: AFINAL, OS ANJOS EXISTEM? Fiquei perplexa logo, com essa HOSTIL DIFERENÇA e resolvi me enclausurar no que edifiquei afim de me livrar de todas as loucuras do mundo moderno. Lá, na minha FÁBRICA DO PENSAMENTO, descobri que meu corpo pode ser mais leve, leve como pluma... com A DANÇA das ÁGUAS VIVAS Claricianas. E a cada segundo que me permitia ficar na minha fábrica, na nossa fábrica, pensava nas METADES minhas que haviam ficado perdidas durante todo o percurso. Minha FLOR DE LIS, me lembrou que A LÍNGUA É O QUE NOS UNE. Disse que eu não me preocupasse, porque afinal ainda existem ALMAS CÁLIDAS. Nessa viagem que me permito fazer, desafiando minha memória poética, desafiando os recôncavos dos mistérios das criações que exalam como perfume Celeste, digo-vos COM CARINHO que nada mais sou do que PEREGRINO, em busca do Amor, em busca do SER "ONOMATOPÁICO".

Não me importo com a lonjura ou extensão de cada palavra dessa. Sem elas, eu não seria o que sou hoje. Em JULHO, CODINOME EU!... Pude sentir o vento que sabia revolver sutilmente cada poro da pele minha, anunciando que DESCOBRI QUE ANJO TEM NOME: MEIRELES. Em cada descoberta... um susto! A PARTE FINAL DE CADA EXTREMIDADE SUPERIOR, me fez chegar à REFLEXÃO que nesse mundo as coisas tão mais lindas, são as que se repousam no INDIZÍVEL. EU ACHO que DURMO ALI NO MEIO -nos- RESPINGOS DO TEMPO, no LIVRO DO ESQUECIMENTO, nas RE-LEITURAS - que faço da - MEIRELES. E sei, aprendi a ler mais que o nome: E O NOME DELA É CECÍLIA!... Hoje digo com convicção! Ser ARQUITETO DE MIM MESMO, me fez perceber que posso ser maior, mais alto... que posso alçar vôos como gaivotas e reconhecer que O MUNDO PEDE PAZ.

Paz essa, que podemos encontrar, nos traduzindo... escrevendo! Em 146 CARACTERES, quis expressar todo o meu amor, toda a minha canção a um ser que despertou em mim os mais sublimes sentimentos. Segredo: Isso ainda mora aqui... Mas hoje descansa em paz, leve! Em cada ESCOLHA, soube dizer com mais firmeza que o CODINOME, AMOR deveria estar sempre assim, perto de onde podemos tocar IN MEMORIAN nos corações dos NA-MORADOS. O DESTINO, inerte à escolha, me ensinou que as coisas são ASSIM, fora do controle do que planejamos ser. Somos como VIAJANTES, perpassando as fronteiras do TEMPO, procurando LIBERDADE e O SILÊNCIO. Surpresa maior, foi descobrir meu tom MEMORIALISTA, que volta e meia, em meias voltas, me inclinava a ficar FORA DE ÓRBITA, AQUI, O QUÊ, ALÉM.

Além de mim, de Outrem. AS FLORES QUE BEIJAM MEU ROSTO em cada manhã, me trazem novamente o SILÊNCIO II que preciso encontrar meio às multidões. Porque esse me explica tudo DO QUE EU PRECISO SABER, e em constante VIAGEM, descubro de forma um tanto dolorida, que tudo é EFÊMERO. Sigo assim RECONTANDO DA VIDA e ELAS - A LUA E A MENINA voltam a me aparecer. Em outros rostos, em outros formatos, em outro alcance. Decidi que EU VOU TOCAR A LUA e pra isso, preciso me livrar DOS SOLDADOS QUE DANÇAM EM MIM e de alguns SENTIMENTOS QUE NASCEM. Preciso aprender mais com O MENINO DO PATINETE e deixar ser banhada pela TERRA ONDE CANTA MEU SABIÁ. Quero passar mais tardes com JOÃO, O PALHAÇO e sentir-me protegida assim, pelo BERÇO DO MEU FASCÍNIO. Quero FOTOGRAFAR minha inquietação com o ato de escrever e contar pra todos, que tenho UM SEGREDO, UMA RESPOSTA.

Com os SUSSURROS - DO VENTO, vejo-me À FLOR DA PELE EM CONFISSÕES DESORDENADAS. Vejo-me INCONTROLÁVEL, vejo que ainda não aprendi a beijar o que tanto preciso: O Amor! Na BATALHA NOSSA DE TODOS OS DIAS, continuo com o desejo de ser MAIOR, MAIS ALTO e CAMINHANDO, pretendo descobrir o MEU SEGREDO maior. Porque sim, eu sei que TALVEZ AINDA SEJA amor o que eu sinto por você, sei também que em meio a tantos VÔOS perpassando até pelo DIA EM QUE DEUS DERRUBOU A CAIXA DE TINTAS e a minha curiosidade em saber se é tudo isso FALSO OU VERDADEIRO, me perco, me deixo com a MINHA FEBRE, na DIALÉTICA DA DOR que quis enclausurar com a ausência tua. Mas sei que preciso de uma cama para dormir. E isso SERIA COMO DORMIR NO COLO DO TEMPO, e conseguir ver através DO GLOBO OCULAR que o grande ESPETÁCULO é o que NÃO APRENDI A DIZER, acerca DO VERBO AMAR. E desafio-te: DECIFRA-ME! Decifra-me para que eu possa compreender O QUE ENTENDEM POR AMOR...

Chego, chego quase SEM fôlego, no que me veio em forma de sussurro, ousadamente. O que balbuciei como sendo OS SEM TEXTOS. Cem textos em 176 dias. Sem textos porque descobri que nada sei. Sou uma "des-Textada". Preciso de mais, mais e mais. Esse é meu alimento, esse é o meu motor. Esse é o meu cansaço, minha dor e meu sorriso maior. Amo a palavra, amo a cena, amo o instante mágico em que os dedos se descompassam e atravessam folhas e comem lápis e deitam em mim, assim... como tatuagem, roupagem, espelho. Chego, chego quase SEM fôlego aos meus SEM de cem TEXTOS. Respiro você, respiro o que pensas agora... Decifra-me, agora!

-Agradeço de coração a todos vocês... Que amam a palavra... que a elevam... que dançam comigo nessa corda que é a escrita, na dor de saber se nossos próprios olhos se agradarão, se as almas de outras pessoas se alimentarão. Em especial: Rinnaldo Alves, Bianca Alves, Kátia de Carli, Anderson Meireles, Mauro Rocha, Ana Diniz, Gerlane Melo, Cris Fontes, Martha Thorman, Amanda Manfredini, Su... Marias, Joãos, Zés, Jorges, Anas!

Meus beijos.

Sinceramente,

Drielly Neres - Outubro/2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O que entendem por Amor
Dry Neres




O que entendem por Amor, meus caros?
Seria vontade de abraçar o mundo?
Seria um abraço com uma arma apontada para os punhos, cabeças?