quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eu vou tocar o céu - Dry Neres






Eu vou tocar o céu, nem que seja comendo algodão, nem que seja só com uma de minhas mãos, na horizontal, deitada.
Eu quero sentir gosto de céu, ver se parece com o de mar. Ou se é tudo lenda, um oásis no ar.
Eu vou tirar os meus pés do chão, ver o que acontece... Puxar você pela mão e sair andando entre as nuvens, sem compromisso ou horário de chegada e partida.
Você sonha, mexe, pega, acontece... o que você realmente deseja?
Os homens, no auge de sua ambiguidade, não sabem mais brincar de ver desenho em nuvem... falta de tempo talvez.
Você, que tá me olhando agora, se pergunta se na sua vida está tudo certo, se seu amor te ama... como vão teus estudos? Qual foi a última vez que você fuçou nas suas velhas gavetas de fotos velhas guardadas no plástico novo que você comprou no ano passado? Qual foi a última vez que você penteou seus cabelos olhando sua face no espelho e se perguntou: oh, quem é mais belo que eu?
Já ligou pra sua amiga que você não vê a quase dez anos hoje? ...
... você, você, nós, eu... vou tocar o céu! E pra isso preciso de pequenas caixinhas. Isso, pequenas caixinhas! Deixa eu ver... uma com astúcia, outra com liberdade, vou pegar uma com amor, quero também sabedoria, preciso de uma de sonhos... Nossa, o céu é grande... pensando bem vou precisar de todas as caixinhas desse mundo todo! Mas uma precisa ser a maior e primeira... a caixa do desejo; essa que faz com que nos movamos pra cá, pra lá... Desejo é um dos sete perpétuos personagens. É irmão gêmeo (mas nada idêntico) de Desespero. Desejo é o mais lascivo e supérfluo dos perpétuos, sempre centrado na auto-satisfação. Seu símbolo na galeria dos outros Perpétuos é um coração de vidro. Eu quero essa caixa grande embaixo de todas... pra que de acordo com meus movimentos ela se abra e quebre esse coração de vidro, onde subitamente será irrigado por todas as outras caixas acima: amor, sonho, liberdade... lembra?
Eu vou tocar o céu e convido você... se quiser vir, deixe seus sapatos, roupas, carteira, celular, venha sozinho... lá no céu nada disso é necessário! Lá no céu, tem nuvem de algodão que é doce. E eu quero saborear. E eu quero dançar sem compasso, jogar letrinhas lá de cima pra quem ficar... montar uma escada pra que todos possam compartilhar, tocar, sem limites... sem divisão.
Eu vou tocar o céu, nem que seja só com uma de minhas mãos, na horizontal, deitada!
Ps.: Presenteio a minha amiga Mine, que fará aniversário no dia 07 de agosto, com esse humilde texto.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os soldados que dançam em mim - Dry Neres




Eu não posso fazer algo que foge da minha compreensão mortal. Não! Nunca fui pretenciosa ao ponto de tudo querer saber, mas por favor não peça que eu faça o que meu coração não soube ler. Eu imagino tua dor. Sinto muito que você não se comova com a minha. Não me culpe de erros vindouros. A árvore má, se é que ela existiu algum dia, foi plantada lá atrás... Eu não vou fazer meu corpo se mover por medo. Eu não posso ser hipócrita e achar que tudo pode mudar. Você já me perguntou algum dia se eu quero mudar? Mudar pra onde? Por que? Você vocifera frases que nem mesmo você compreende. Fala em amor... mas cadê o seu por mim? Você fala em princípios que nos circundam só agora, no meio... no meio de tudo... das nossas vidas! Você não respeita minhas escolhas. Eu queria muito escrever tudo ao contrário, mas você não me deixa! Eu admiro tua ânsia por acertar... mas desculpa dizer, você só tem me afastado. Mexer com meu emocional, nem o transcendente tem conseguido ultimamente. Me ajudaram a criar uma muralha à minha volta. Me ajudaram a criar o nada que me faz acreditar que é o tudo! Eu só sinto vontade de correr. De tudo o que me dizem, de tudo o que querem me fazer acreditar. Céu, inferno... sei lá, sei tudo, sei não, a vida... É a velha dualidade. Um lado que combate o outro, dia após dia. Eu não tenho alimentado nenhum. Os dois estão fracos, sedentos. Mas é incrível que tem um soldado que grita mais. Ele faz parte do exército que tem tocado de forma mais branda meu coração. Porque não me cobra nada, porque não me obriga a me mover por medo ou peso. As barreiras morais querem me prender! Eu tenho o antídoto. Eu não tô imune ainda, mas prometo que quando me sentir ameaçada eu corro até a extremidade mais próxima da loucura sã. Loucura que não se deixa fazer cega! Eu posso estar completamente errada... mas e aí? O controle remoto está lá em cima, eu não alcanço. Mudam de canal e não me pedem permissão! Livres? De quê?

Dor 7ª: A voz nunca vai emitir o som que o coração precisa sentir.

Dor 2ª: Nunca desafie a capacidade gerativista do ser humano.

Dor 5ª: Não pergunte onde eu estou. Eu moro em lugar nenhum!

Dor 10ª: Pra quê me levar a sério? Eu sou uma eterna bailarina que dança no cascalho.

Dor 3ª: Eu não entendo muita coisa. Então, não me faça perguntas sem que me ajude a respondê-las.

Dor 9ª: Não uso armadura. Poderia me conhecer facilmente.

Dor 4ª: Os ombros pequenos escondem a verdadeira face de uma guerreira incansável.

Dor 8ª: Ainda procuro meu sorriso em algum espelho quebrado pelos cômodos da casa.

Dor 6ª: Tudo isso pode se aplicar à sua vida de alguma forma. Não me julgue pelo meu estereótipo.

Dor 1ª: Eu queria muito abraçar você agora e ter no teu colo o conforto que não vou achar em lugar nenhum. Eu queria muito que você soubesse me ler enquanto fico em silêncio. E nos meus olhos pudessem navegar teus conselhos. Sem espadas, soldados, muralhas, castelos de água... sem medo! Eu só queria dizer que sinto falta de caminhar descalça e das tuas mãos puxando as minhas e sinto sobretudo, falta de tirar os sapatos e contar sobre as minhas dores de todos os dias, tomando o velho chá com biscoitos. Sabe da dor? Eu amo você, mãe! É muito simples. Não me cobre nada, porque do amor só se vive...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Do sentimento que nasce - Dry Neres




Você me desarmou! Eu fui com espadas e lenços molhados de choro e fotos transparentes de textos mal escritos. Você me desarmou! Com sua fala infantil e cuidados "poeticossintetizadores"(acabei de inventar essa palavra pra você!)... Ainda é tudo muito novo, confuso, mas num abraço sincero e singelo encontro local de dormir e sorrir. Acordar e velar por um sono que faz com que meu corpo queira desprender todos os cuidados e afagos que te forem necessários. Eu também quero curar você! Pegar tuas feridas a dedo, colocá-las numa mesa, limpá-las com descrição e cobrir você de sóis coloridos. Confesso que tenho tentado imitar tua fala infantil. Eu não consigo! Talvez a vida tenha me tornado adulta demais. Tenho medo de sair da casca que à origem retornei... Mas eu sei que teu desejo é que teus braços se juntem aos meus. E sabe do meu desejo? Eu quero ir de encontro à você como vou a encontro do vento. Sim, quero que ele me leve a você... Pouco tempo... Mas eu já posso perceber quando olho no espelho, que teu desejo é me colocar no colo e me fazer ser melhor do que sou, melhor do que o que você encontrou... em mim, em nós! Eu estou aqui, desarmada! Você me desarmou! Eu posso cuidar de você. Por favor, não desiste de cuidar de mim. Obrigada, por não ter desistido de me fazer sorrir. E de ter se tornado meu alimento nas noites frias e nas manhãs intensas de calor. Intenso como tem sido cada momento, entre cifras e arpejos. Eu estou aqui, pra você.

...Isso aqui é meu coração. Toque-o. Com cuidado por favor! Porque ele ainda, sensibilizado que se fez, precisa de mãos suaves. Qualquer movimento brusco, faz com que ele se sinta ameaçado e queira ir pra lugar nenhum. Toque-o. Eu vou te alcançar!

Ps.: Hanny Baby!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Algum que não soube lidar com o amor
Dry Neres



Quando eu falo que estou anestesiada, ninguém me leva a sério. Eu queria ser sábia o suficiente pra entender que tudo começa e termina; às vezes, nem começa mas termina assim mesmo. Esse sorriso meu parece feito de cal. A face só tem brilho quando se aproxima da sua luz dos olhos... É incrível como cada passo tem sido desajeitado, as calças frouxas e o cabelo alinhado demais. É ironia do destino! ... se algum dia tivesse me avisado que poeta era como vento escorrendo pelos dedos do "Amor-amado", eu preferiria ser poeta. É verdade, eu não sei me livrar disso. É uma condição. "Eu sou poeta e não aprendi a amar"! Estou fadada a esse destino. Mesmo que como negro escaravelho, me enclausure num seio confortável, quereria eu ser como abelha saqueadora, até que teu mel me pousasse na língua. Quantos sonhos foram, quantas palavras foram, quantos foram... não voltou nada. Nem o eco da minha voz se ouvia, mesmo em meio ao nada; montanhas que se fechavam, se abriam e a água do mar que desenhava nas pedras teu corpo. Eu só queria tocar tua alma. Devanear, verbo transitivo e intransitivo, verbo irregular, assim como é irregular o meu pensar despreocupadamente. Você é verbo no meu presente, você tem todos os elementos semânticos que sacodem qualquer poeta do pó. O silêncio tem me parecido redemoinho, e como me é doloroso dormir com um cheiro que repousa nos meus lábios, com uma voz que se fez meu cobertor, no local de inquietar-me.

Eu sou infante, errante! Ser "Onomatopáico", hiperbólico, metafísico, confluente. Você, meu predicado, minha doença. Mas agora não espero mais porta entreaberta. Mas agora não espero mais você, porque tenho três degraus acima e continuo sem decifrar se você deseja saber o que é escada. Pode gritar do Himalaia que eu alcanço você. Mas eu sei que não vou escutar nada... então vou sempre fingir escutar teu riso em cada rua... mas agora, me ofereceram um casaco pra cuidar do frio que tenho sentido. A idéia não me é tão agradável à priori, mas sei que se for trabalhada me será. E o frio pode dar lugar ao encontro. Utopia! Me deixei ser chamada de poeta uma vez... agora estou fadada, a sempre sentir frio, com casacos ou cobertores. E é isso que me move! ... Não deixa por favor, de aparecer nos meus sonhos mais longínquos e remotos...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O menino do patinete - Dry Neres



* Eu nunca disse que sabia desenhar*


E o menininho pega o patinete... Espera, pensa se alguém vai passar, se a mãe vai chamar. Olha. Pára e vai! Às vezes cai, tudo muito normal. Sonha. Rola no chão... arranha meu coração!

Uma multidão que o contempla não estende a mão. Uma total resignação! Sem querer ele ergue o rosto como quem diz: - Um dia eu ainda consigo sem feliz! Ele parece ter uma capa de proteção porque vive na contramão, lambendo esse chão; e ainda parece querer crescer!


- Não menino, não cresce não!


Ele olha, pára e pula, pensa: - Vou me equilibrar!!

Registro mais um final de tarde do menino que não sei o nome. Poderia ser só mais uma tarde, como outra qualquer... mas só hoje consegui chorar.

O olhar vago dele e os lábios que balbuciam palavras que os ouvidos humanos não conseguiram ainda captar. E é a diversão dele. Passa o dia todo assim... Todo o dia passa. Passa e leva. Ele e passa!


Brum, brum, brum... ele faz! Deve pensar: - Então, que este patinete me leve para lá! Fora de cogitação. Ele desce, desce, cresce!! Desatento, na ponte que se aponta para uma ponta... O orvalho. Eu não saberia descrevê-lo, não sei ver rosto nele, nem do nome sei saber, nem sei se realmente existe... Louca imaginação! Sei que vejo, longe-longe, perto-perto... ele naquele ponto. E seu carretel de linha: o patinete.


- Não menino, não cresce não!


Espera, pula e ri... Queria tocar flauta!

terça-feira, 22 de julho de 2008

A Terra onde canta meu sabiá
- Dry Neres






Um enigma. Uma interrogação. Um país composto por uma população de afroamerindios. Disseram que me descobriram, colocaram uma mordaça em minha boca. Derrubaram a minha casa e colocaram no lugar um altar que não me contempla. Inventaram pra mim um deus chamado submissão. E me pediram que eu o alimentasse com mel e com o pão dos meus filhos. Começou comigo a literatura dos marginalizados. Tomaram minha filha num casamento para fins de procriação e em troca me trouxeram umas jóias de cobre. Cobre era a cor daquelas mãos sujas sugando o ouro limpo que tinha nesse solo.
Cortaram minhas árvores e em homenagem ao grande feito, deram o nome dela à minha Terra. Pintaram meu mar com seus navios e homens maus, que deceparam a cabeça de muitos irmãos meus, seus. Mas eles buscavam o progresso; eram incansáveis. E para isso resolveram “pedir” para que trabalhássemos para eles. Lutamos! Bravamente! Resolveram chamar e fazer o mesmo “pedido” a uns “vizinhos” nossos que tiveram promessas de irem ao paraíso. Realmente eu moro num paraíso, mas que se fez inferno para muitos de nós. Levantaram espada de independência, quiseram americanizar mais ainda o Brasil dizendo: Agora, vocês são os Estados Unidos do Brasil!
Escreveram com penas de escrita leve a abolição, queimaram umas bruxas revolucionárias de esquerda, com a ditadura militar e um catolicismo profano. Falam em sociedade avançada do capitalismo, mas a cor que corre em nossas veias, continua sendo o vermelho. Construíram uns Ministérios e até um Cristo para dizer que somos populares. Por trás de todo esse lado escuro, temos a maior diversidade cultural desse planeta. Mulatas lindas que sambam, nosso feijão preto, o sertão, nossa música popular, arquitetura e patrimônio sem igual. Amazônia! Temos o melhor futebol do mundo, além de uma Língua fenomenal, a Brasileira. Sim, Brasileira e nem tanto mais Portuguesa! Falada de norte a sul em diferentes tons e sons.
A culinária se mistura com a literatura e juntas formam com as artes o que é esse espaço. Aqui faz frio no verão e calor no inverno. Meu Deus, que perfeição. Eu, que nem roupa tinha quando o pessoal chegou aqui pra me catequizar, hoje sou munido de notebook e celular. Esse povo nosso, sabe chorar quando ganha a copa e quando perde um filho dessa mãe de ventre largo. Sabe sorrir quando dança e quando alguém vê na TV um político mal intencionado. Certo dia, me perguntei o porquê de termos a maior concentração de água e o nascer do sol mais lindo desse mundo todo. A resposta foi ligeira em se apresentar: Porque choramos o tempo todo; porque sorrimos o tempo todo.
As lágrimas irrigam a terra “em que se plantando tudo dá”. E o sol esquenta nosso coração para que possamos ainda e sobretudo, ter esperança de dias melhores.

sábado, 19 de julho de 2008

João, o palhaço - Dry Neres




É... meu nome é João! Herdei esses olhos azul oceano do meu pai, e a arte de ter o nariz avermelhado, da minha mãe. Meu trabalho é... fazer com que as pessoas possam sorrir. E como me é interessante, fulgaz! ...? Volta e meia você pode me encontrar com malabares nas mãos, ou em cima de uma corda a me equilibrar. Passo o dia todo com essa maquiagem que escurece ao passo que dá brilho à minha face. Mas eu queria falar especificamente de um fato que me fez refletir esta noite... Bom, durante o espetáculo, que de rotina apresento, uma criança viu correr dos meus olhos uma lágrima que as tintas fortes do meu rosto não me permitiram sentir e impedí-la de se lançar ao chão. A menininha gritou da platéia: - Ei, mamãe... Porque ele chora enquanto sorri?! Na verdade minha casca estava ali; casca que sabe bem o que fazer, mesmo sem minha alma por perto... ela foi bem treinada para enganar, digo...para entreter as pessoas. Ninguém deu atenção àquela menininha, mas eu pude notar os lábios que se moviam e o olhar de decepção. Eu rasguei o personagem que pintaram para aquele ser... Eu me senti um traidor! O que devem ter ensinado para ela é que os palhaços nunca choram!!

Mas...

Meu nome é João. Eu sou um palhaço. E descobri o porquê de tanta tinta no rosto após esta noite. Ela ajuda a esconder minhas rugas, minhas decepções, as decepções dos outros... faz com que focalizem o olhar na minha face e esqueçam dos meus ombros pequenos e caídos, dentro das minhas roupas largas e dos sapatos que guardariam três pés meus. Sabe, já me acostumei tanto, que até durmo assim. Já me acostumei tanto que de todos os lugares por onde meu corpo passou, eu só lembro do fim do espetáculo. Alí em cima, eu pareço não ser eu. Perto das pessoas, eu pareço não ser eu. Eu estou pensando em parar de beber, abandonar a vida de "fazedor de sorrisos" e... ser alguém real!

Mas essa história de ser real me assusta tanto... O que eu toco é tão passageiro... Na verdade, nem é tão ruim assim ser palhaço. Olha, esse mundo meu deve ser melhor que esse seu aí! Tudo bem... eu posso até ter me tornado um tanto mecanizado devido a rotina. Mas e você?

... Meu nome é José. Eu sou palhaço!

Isso mesmo! Eu não tenho nome certo, nem idade tenho. Não sei quem é meu pai, mas ainda sim suponho que meus olhos sejam dele. Não sei o que é ter mãe; mas ela, a minha, se existisse seria uma grande bailarina! Eu moro naquela esquina alí alguns dias da semana. Em outros, durmo com esses cachorros aqui. Meu salário é o teu riso, mesmo que insano, seja acompanhado por uma moeda de um real.

Sinto informar, mas tudo isso aí em cima é devaneio! Meu nome não é Afrânio e muito menos, sou palhaço. Ah, eu só sou uma maluca que escreve com o fígado. Que não sabe organizar idéias, mas que adora provocar caos e a confusão na sua leitura. Que tem o nariz vermelho, mas que não sabe ser tão engraçada assim! Sim... Eu, sou uma palhaça! E adoro fazer malabares com cada letra...

Meu nome é João, Maria, Você, Óculos, De Sol, Caixinha de fósforo... eu não vou nomear! Se alimente, seja louco!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Berço do meu Fascínio:
O Pequeno Príncipe - Dry Neres







Resolvi nos presentear, nesta data em que comemoro mais um inverno, ou duas décadas de existência, com uma lembrança linda, doce. A lembrança do primeiro livro que meu coração leu! Sim... antes dele meus olhos já tinham rabiscado algumas páginas de alguns outros excelentes livros também. Todavia, esse entrou, e mora aqui. Eu falo de um principezinho, com nariz arrebitado, sombrancelha arqueada, mãos na cintura e tom interrogativo. Esse, que quis sair do lugar comum e aprender mais sobre a vida. Tão jovem e tão corajoso... tão errante e confuso. Foi um desbravador, desbravador de si mesmo. Descobriu vários personagens que permeavam seu universo singular. Conheceu uns que se permitiram enlouquecer, fazendo-se acreditar que possuiam as estrelas; outros de trabalho singelo, em que o "Bom Dia" logo se revestia num "Boa Noite", porque ele precisava acender os lampiões na velocidade da sua respiração.


Ele deixou para trás, sua rosa. A rosa que embora existam mil exemplares de outras iguais no mundo, era única pra ele. Caprichosa, dengosa, orgulhosa, contraditória... mas... linda! De beleza imensurável. Como não poderia ser diferente o pequeno se apaixona por todo aquele encanto e dedica sua vida à ela... uma redoma, um para-vento, um lanchinho. A rosa, extremamente feminina, sedutora, mas nunca satisfeita... fez com que o seu apaixonado resolvesse partir. Extraordinário e misterioso, ele vive em um planeta muito pequeno... Quando o espaço é pouco, a gente tende a querer aumentá-lo, expandí-lo. Porque nossa visão é também pequena, limitada. Mal sabia ele que tinha tudo... Ele assim o fez... Partiu!


Conheceu uma serpente que apesar de falar sempre por enigmas é muito sincera. Ela respeita o que é puro e verdadeiro. Conheceu uma raposa que lhe ensinara a maior lição que ele poderia aprender... Que cativar quer dizer conquistar e requer responsabilidade. Responsabilidade por um amor, por um amigo, responsabilidade pela rosa. "Só se vê bem com o coração... O essencial é invisível aos olhos", ela dizia. ... As plantações de trigo... Elas fazem a raposa lembrar dos cabelos dourados do pequeno. E quão dolorosa foi a despedida deles, porque eles haviam se cativado, marcado encontro diário entre risadas e desajeitamentos.


O principezinho quando encontrou Exupéry, mostrou que sabia enxergar além de caixas, mostrou que se pode encontrar um oásis no deserto... mostrou que sabia que precisa voltar! Voltar para a sua amada, a rosa, o seu lugar... Sua amiga, serpente, sabia bem como devolvê-lo ao seu local de dormir. Retirou o peso do corpo do pequeno e as areias do deserto levaram a casca que restou. Eu não consigo olhar para as estrelas e não enxergar "quinhentos milhões de guizos sorridentes"!



"Eis aí um mistério bem grande. Para vocês, que amam também o principezinho, como para mim, todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa... Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá o carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...
E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância". [Antoine de Saint Exupéry]


O riso do pequeno fica guardado aqui sempre. Os cabelos dourados figuram meus pensamentos, penso que ele conseguiu colocar tudo em ordem no seu planeta e cuidar da sua rosa pra sempre, sem se importar com seus caprichos... mas somente com o seu amor. O principezinho sou eu, você, o Exupéry... todos nós precisamos aprender a importância do que é se deixar ser cativado, cativar e cuidar dessa ação. Meu corpo chora quando lembro do abraço de despedida em que o corpo do pequeno deslizava verticalmente no abismo... Mas tudo se cala porque a rosa do principezinho é tão ingênua e frágil com somente quatro espinhos que a defendia do mundo... era necessário!


"Sim, as estrelas... elas sempre me fazem rir"!



Ps:. São singelas palavras minhas. Elas só podem traduzir 0,3% do significado de todo o encanto que me possibilitou a rosa, o Exupéry, o Pequeno Príncipe, a serpente, a raposa, o homem de negócios, o geógrafo... Amo o Principezinho, porque me lembro das minhas rosas... Com licença, preciso pegar as redomas!


As estrelas... As rosas, os risos!!


video

Editado e revisado por: Dry Neres

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fotografar:
Escrever é inquietar-se - Dry Neres






Eu escrevo porque amo. É visceral. Mais forte que eu... Sempre que faço esforço para prender as palavras que querem ecoar, sinto dor. Se eu não escrevo, eu não respiro; piro, piração! Escrever é fotografar o que a câmera não alcança. Escrever não cabe em mim, por isso eu jogo. Jogo fora tudo que vem à tona, à cabeça... Fotografar! Cravar os dedos no teclado ou a caneta no papel. Cravaram teu nome nos meus olhos... E ele me guia desde então!
As letras me enlouquecem, me seduzem, dançam pra mim, me apertam, me convidam... Eu sem forças, me rendo. Eu sinto cada extremidade do meu corpo tremer e tremo e temo... me assusta a velocidade com que os pensamentos se aglomeram. Eu tenho que colher tudo rapidamente com minha sacola furada. O que posso pego! O que a chuva derrama me molha. E isso me basta!
Eu quero ver seu corpo ser banhado por cada linha dessa, quero que beba as doces palavras que tive o cuidado de achocolatar com calda de morango pra você.

Meu Deus, não me prive nunca desse devanear... de amar meu amor, de escrever para não morrer, de saber que não sei nada... e por isso, escrevo!
Tudo o que minha câmera ocular capta, envia para "algum buraco" do meu cérebro, (que não sei dizer exatamente pra onde, porque ainda não fiz medicina)... Sim, envia pra lá e daí começa a dança... um espetáculo, uma ópera dançante, bailarinos que fazem caretas, que arrancam suas roupas e me mostram seus órgãos!!!
Eu só escrevo, porque inquieta sou e estou. Eu escrevo para tocar você por dentro. Pra te beijar de surpresa e... "dizer o que você já sabe, mas que seria desperdício não repetir"!
Quando deixarem de ouvir minhas letras cravadas no papel...: Se assustem, ou façam festa! Vou ter morrido nesse dia, porque o sangue que me alimenta terá deixado de correr e minha pele terá secado, como seca é a boca dos que preferem calar, quando tudo em volta pede para se ouvir o grito!


Sim, eu escrevo porque amo... É visceral! VOCÊ, as PALAVRAS, EU... Visceravelmente fotografadas.

Eis que pari mais um filho!!


... e inquieta "fotografescrevi" tudo!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Um segredo, uma resposta - Dry Neres




Eu vou te falar, mas promete não contar pra ninguém? ... Eu confio em você, é claro. Mas é que... Eles vão me chamar de louca! ... O que foge aos padrões, interroga as crenças dos que acreditam que viver pela metade já é o suficiente, que viver com um tapa-olho é muito bom. Eu não sei se devo... As pessoas estão cada vez mais enfiadas em suas cascas, em roupas velhas e autoritárias que fizeram com que elas vestissem. Ensinam que não se pode falar de boca cheia, mas se pode encher os bolsos com o sangue e da fome do seu próximo. Não se pode andar nu, mas se pode roubar das crianças o sorriso. Precisamos ir à igreja, tomar o café pela manhã, ter um esposo amável, filhos bonzinhos e máscaras... máscaras para ir ao supermercado, para ligar a televisão, para... Pára!

Eu acho melhor eu não falar nada mesmo... Até você vai querer me cruxi-Ficar! Mas é tão crucial, é tão forte o que eu tenho pra dizer... Engraçado, eu descobri isso a pouco tempo. E é como segurar um globo em chamas. Bom, na verdade tem mais tempo... Mas eu não sabia o que fazer com isso.

As pessoas, me assustam! DesAlmados... Eu vejo a todo instante se falar em mortes, bombas, terror, mas o que mais me deixa angustiada é uma violência que não se combate tão facilmente... É a violência da fome e da miséria que milhares de filhos desta e de outras terras sofrem, nesse exato momento. Tá... Eu sei que você quer muito saber... mas ainda não me sinto... sinto!

Tá! A verdade é que hoje dois pássaros conversaram comigo. (eu disse que você iria me olhar assim!) ... Eles me contaram como é estar mais perto do céu. Me contaram que eles cantam e que a cada som, uma lágrima cai também. Dos muitos que já foram pra lá, dos pássaros que não querem ficar... Aqui! Pousaram em meu ombro, mas não conseguiram ficar por muito tempo. De tudo o que eu posso dizer, eis o segredo! ... Esse é o nosso último momento aqui... Justamente! (já ouvi isso em algum lugar, pareceria clichê, se não fosse considerada a necessidade de repetir sempre!) ... E o que você vai fazer? Pedir desculpas à sua mãe? Gastar todas as suas economias de anos e anos que não serviram pra nada? Vai beijar uma flor? Tirar uma foto na faixa de pedestres enquanto os carros esperam, assim como fez aquela Banda..? (que eu adoro!)

Eu não sei o que vai fazer você... Mas agora, meu último momento aqui, vou sorrir pra mim, deixar essas palavras para você... e tentar achar aqueles pássaros! (só dá tempo de fazer isso!) Sim, e um pedido eu farei aos que voam mais que eu... pra que conversem mais com quem ficar aqui sobre isso! Não dá pra fazer muita coisa quando a gente percebe que só tem esse momento... Só dá pra pensar no que você poderia ter feito! Mas, eu sei... agora faz sentido! Um segredo, uma resposta... meu último momento que vai durar até amanhã, daqui a 20 anos, ou por toda eternidade! Não importa... É meu último momento. Um segredo, uma resposta... e você?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sussurros:
do vento - Dry Neres






O vento me bateu forte no rosto hoje pela manhã. Era como se brigasse comigo, gritasse sem timbre. Estava gelado, e eu mal podia mexer meus dedos. O vento me trouxe e me levou. O quê? Ah, deixa pra lá!
Eu quero lábios quentes e mãos que saibam escutar; deitar num sofá pra comer pipoca e ver filme, com cobertor e meu amor ao lado... sentindo os pés e o nariz gelado. E lembrar a infância que um apresenta para o outro, naquele momento sem definição. Mas, claro... vou fechar bem a janela, só por um instante, para que cada palavra estabeleça relação de eco e eternidade.
Eu quero te chamar no meio da noite para contemplar a lua. Não da calçada, ou da janela... vamos subir uma montanha, de madrugada. A cada passo... o vento! Dessa vez ele ajuda... Nos instiga, nos faz querer ir além, ver além, além-você! Eu quero inventar desenhos loucos contigo, tirar fotos da parede que "não tem nada escrito", deitar na grama e escutar os pássaros que sabem cantar... e o vento!
Preciso acordar e ver tua face com cabelos de anjo a descansar; sentir tua respiração aumentando, ofegante quando eu chego perto... abrir os olhos e me sorrir! ... esse sorriso seu me provoca os sentimentos que não ganharam nome ainda; esse sorriso foi o primeiro motivo e causa e ação! Beijei o teu sorriso, senti teus lábios, fiz incrível força para não guardar o sabor... O vento!
Hoje bem cedo, ele sussurrou: - Ei, não deixa eu levar!
E eu em alta voz, uma lunática na rua escura, respondi: - Eu quero você comigo!
... O vento?
Não! Quem ele trouxe pra mim...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

À flor da pele
Confissões desordeNADAs - Dry Neres






Não se explica... É estar perdida bem aí no meio. Descendo, descendo. Não ter corda, não ter vontade. Inundada pelos meus próprios sentimentos que agora transbordam, me dissolvem. Olho para cima da escada que gira e vejo e ouço um sorriso. O mesmo que me paraliza, que me faz... Me faz! Cada detalhe daquele, sabe... o cabelo, a mão, o jeito, o tudo de ser pura interrogação. Desço e me vejo mais longe. Até quando subo um degrau, vejo mais longe. É uma vontade de fazer bem, de cuidar, de andar de mãos dadas compartilhando o mesmo sorvete, trocando gargalhadas. Mas eu não te alcanço e é a leitura mais difícil que meus olhos tentaram decifrar! Machadiana, Freudiana... Tudo simplista! Difícil mesmo é ler você. Em uma página, penso estar subindo dois degraus, na outra vi que desci cento e vinte. Já pedi com toda a energia que tenho aqui dentro de mim, para que a medicina descobrisse uma forma de me "curar" dessa "enfermidade" que me toma. Já pedi tantas também, para que não me tirassem o meu cigarro. Sei, sei que me faz mal... Mas se me tiram agora, eu não ficaria... aqui! Essa febre interna não passa de amor; não tem outro nome, nem apelido. Essa febre interna tem somente sobrenome. Eu quero que a chuva grite tudo o que eu não tive coragem ainda de falar perto do teu ouvido! Queria poder reunir todos os mares para te dizer que meu amor não é do mesmo tamanho. Ultrapassa! Quero usar todas as palavras, só para te mostrar que todas elas juntas, não desenham esse amor, enorme! Eu só precisava de uma chance... só uma. Meu sistema imunológico está fraco. Que ironia! Meu sistema, nervoso... coitado! Sem nome, sem roupa, num estado líquido, derretida, escorrendo pelos esgotos da vida. Vendo o tempo correr e eu correndo dele...







EU NÃO QUERIA ASSUSTAR VOCÊ! É GRANDE, SEM FIM... MAS EU NÃO QUERIA ASSUSTAR VOCÊ! EU SÓ SOU UM SER QUE TEM A SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE E QUE TE VÊ EM CADA FLOR POR ONDE PASSA. QUE TE PROCURA ENTRE AS MULTIDÕES E ENTRE O SILÊNCIO! ... QUE FECHA OS OLHOS E AINDA CONSEGUE VER O SOL. PEGO O CELULAR E TEM NELE TUA FOTO, DIGITAIS QUE EU COLHI. TENHO TEU BEIJO GUARDADO AQUI NA BOCA, TEU ABRAÇO QUE MEUS BRAÇOS ABRAÇAM TODA NOITE E DIA E TARDE. AINDA TE VEJO NA CALÇADA! POSSO AO MENOS ME SENTAR AO LADO?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

INcontrolável - Dry Neres







Uma vontade de chorar que sai dos brônquios. Uso cada peça do aparelho respiratório; puxo o ar com força, abro bem os olhos, fecho a boca. Os dedos não param. O estômago dá quinhentas voltas e pede cuidado. A boca seca indica cansaço, disparato, atos. O corpo parece querer morrer, no escuro. Sabe? Não, não sabe. E se sabe, não entende! As mãos frias e quentes. Os olhos rasos, uma lágrima! Ela gritava e precisava sair. Salgada e viscosa, sem cor, apática. CansAÇO! Eu preciso de um cantinho entre os galhos da floresta, uma folha só. Eu só queria um cantinho, perto de um colo. Perto de um oásis no deserto. Miragem, areia, poço.. de água, de nada! Entre almoFADAS... Incontrolável! Avião, menino, música, chapéu, gente grande. Quero morder gELO. DissolVÊ-LO na garganta. E... Eu NÃO quero você comigo. E EU SOU MENTIROSA!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Peregrino - Dry Neres







Pensei em te guardar MIL versos

Sei que em minha gaveta não teria ESPAÇO
Resolvi te deixar meu SILÊNCIO

Te ABRAÇAR do que não se toca
Meu corpo veloz que corre em DIREÇÃO à tua alma
Num SONHO bom em que tua face
Brincou de FICAR na minha
Desbravar mundos NOVOS com você
Descobrir que não há razão nem SENTIDO
Quando não se ALIMENTA com o amor
APRENDER todos os dias que os Impérios não existem
Não precisa ter CASA, nem objeto de valor
Ele é PEREGRINO nesse mundo de gentes
Em que o que não se diz é BELO
Onde não saber distinguir entre o azul e o AMARELO
Diz se você espera o que VEM
Ou se CULTUA o que já passou
Olhando estes OLHOS teus
Fico a pensar nas NOITES e no acordar
Velando teu sono, esperando VOCÊ chegar
Inventando CANÇÕES inéditas a cada segundo
Na VELOCIDADE que vão meus pensamentos
Pra te DIZER o que você já sabe
Mas que seria desperdício não REPETIR
O que o mundo lá fora já ENTENDEU
Eu só PRECISO que você saiba
Meu corpo veloz que CORRE em direção à tua alma
Num sonho bom em que tua FACE
BRINCOU de ficar na minha







SENTADA NA CALÇADA AINDA, ME DEIXO. ESPERANDO A MENINA BALANÇAR A CABEÇA NO SILÊNCIO! PARA BAIXO E PARA CIMA, OU PARA UM LADO E OUTRO.
SUBLIMADA NAS NEBLINAS CLARAS-ESCURAS. ME DEIXO. ME DEIXO!
Ps.: Este texto tem teu endereço... Bianca Che! =)
Me avise quando chegar!!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Ser "Onomatopáico" - Dry Neres





AH! AH! AH! BBRZZ! AHHH! AAAH!! BLAST! BRUUM! ARF! ARGH! ATCHIM! BUZZZ! BZZZ! ATHCHOO! CHOMP! NHOC! NHAC! NHEC! COFF! OSS! USS! GLUB! GLUB! GLUB! BLUB! GLUG! OOPS! UPA! EPA! PSST! SMACK! SOC! POW! SOCK! ZZZ! VROM! BRUM!

Ah, e porque tudo tem sempre que ter sentido?!
Puts, não consigo entender isso não!
Pow, me dá um tempo!
Atchim, tenho alergia!

Nos ensinaram a fazer barulho sempre. Desde que nascemos. Ninguém ensina que o silêncio é belo. Se o aluno é "interrogado" na sala de aula e fica calado, ele é visto como o "vazio". Se a mulher não chora quando o marido vai embora, olham pra ela como safada" (vai querer trair o cara, assim que fechar a porta!) Se eu escrevo meus "nadas"... Me chamam de lunática!
Nossa, como eu adoro! Preciso escrever mais lixos...

sábado, 5 de julho de 2008

Julho, codinome Eu! - Dry Neres






É aqui que reflito mais. Consigo colocar no papel anseios meus. Coloco também, os meus desapontos. Funciona mais ou menos como um final de ano pra mim. Sim, porque daqui a alguns dias completo mais um inverno! É um mês lindo, incrível! É um mês sensível, sublime! Antes de terem me tirado da casa em que eu estive por nove meses, deixaram que eu respirasse toda a sensibilidade desse inverno quente. Pra alguns sem cor, pra mim de todas as cores. E que a quase vinte anos atrás, eu chorava pela primeira vez, sorria pela primeira vez. Abria meus olhos para um novo lar! Como o zodíaco fala um pouco de mim, regida pela lua, moro dentro de uma casa singular que eu mesma construí como bom caranguejo. O tempo frio dessa estação me ensinou a ver num quadro ou numa flor, além deles. Me ensinou que usar casacos nem sempre indicam ter frio. E que tirar a roupa nem sempre indica transpiração intensa.

Julho, sétimo mês do calendário gregoriano. Nomenclatura inspirada no grande Júlio César, neto da deusa Vênus. Julho... Férias, ficar na cama vendo filme e comendo pipoca. Tomar chá quente, enquanto observa no espelho a ponta do nariz gelada e vermelha. Julho, mês que eu conheci essa esfera ímpar, e resolvi me enclausurar no seio dessa terra.

Mística me fiz e me faço sempre que algo tenta acrescentar explicações acerca do que sou, do que estou. Eles falam que através do meu signo, câncer, essas são características perceptíveis em mim: "Este é o Elemento da emotividade e sentimento. Ele amolece a rigidez da Terra, controla e regula o poder do Fogo e dá sentimento à comunicação do Ar. Utilizado de forma controlada dá sensibilidade, intuição, empatia. Em excesso, origina sentimentalismo exagerado, pieguice, histeria emocional, descontrole e confusão. Uma maneira de conquistar o canceriano é pedindo sua ajuda.... para qualquer coisa. Eles se sentem muito bem quando podem aconselhar e dar colo às pessoas que se sentem inseguras e perdidas. Na realidade, ele acha que todos são assim, porque ele é sempre assim. Os cancerianos são muito sentimentais e saudosistas, românticos que eles só. Nunca mexa nas gavetas de um canceriano. Lá estão guardadas muitas lembranças em forma de pequenos objetos de que somente ele sabe o significado. São memórias que remetem ao passado. Marcados pela sensibilidade e sentimentalismo, os cancerianos sempre são emotivos, introvertidos e muito ligados à sua família".
Revelados estão aqui alguns segredos, sobre a minha existência. Mas o principal, não se toca, não se diz... O dia que alguém descobrir, posso ser arrancada facilmente como uma flor murcha, pois não terei mais graça alguma em estar, ficar. Julho, codinome Eu!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Descobri que anjo tem nome: Meireles
- Dry Neres






Minhas palavras não aprenderam a traduzir a sensibilidade de algumas pessoas ainda.Tem anjos que aparecem assim, do nada.Eu sinto um carinho tão grande por você, amigo poeta. Sim, você é meu Eu masculino, como sempre brincamos. Você é um além-mar, um além-estar, porque tua presença se faz forte e indiscutível, mesmo você estando aí nessa cidade minha, que amo tanto; e eu aqui, nesse cantinho meu, provisório. Essa música que escuto agora, se fez cantiga em meus lábios e desenho em meus olhos. "Por que o mar é azul... Por que o norte e o sul não se encontram"? Eu não sei de todos os mistérios, nem desejo saber... Sei que é indiscutível que anjo tem nome! Te abraço distante, e sei que te encontro bem perto.


"Primavera de sonhos, campos belos risonhos"! Bjo, do seu Eu feminino!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A parte final de cada extremidade superior
- Dry Neres







Com elas, faço um afago em teus cabelos, beijo teu corpo, sinto seus cheiros.
Seguro o bebê ao término do parto, cruxi-fico-me num desejo.
Um órgão par, simétrico. O órgão que segura o poder.
Um órgão que segura o nada.
Toca teus jeitos, toca suas caras... Mas não aprendeu a tocar teus pensamentos.
Eu tenho loucura por mãos... Pela sensibilidade que elas me remetem.
Uma pintura num quadro, uma poesia, o que a gente fala, o que não precisa ser dito.
Famintas... Inseguras... Desajeitadas... Estranhas... Entranhas... queimam forte, forte queimando.
Muitas vezes não precisa ser palpável, pode ser no imaginário.
Brincar de tocar o coração dos outros, brincar de ler palavra no vento.
Ah, as mãos minhas dançando com as mãos suas...
Mão deveria se chamar boca e boca se chamar mão.
Tocar com a boca, beijar com as mãos...
Com os dois, só nós dois... e depois, virar um só!
Os poros da tua pele, e teus sonhos mais íntimos e "intocáveis", sendo lidos pelos olhos que saem da face. Elas...
Quando repouso meu corpo, posso sentir essas mãos suas, que sinto vontade de não largar nunca quando a ordem perfeita do espaço e do tempo, me permitem sentí-las. Pequenas, firmes, irresistíveis!
Carpinteira de letras em forma de sentimentos, ou ao contrário, não importa... Aprendi tocar o que as leis físicas ensinam não ser possível, tangível, "alcançável"...
Aprendi tocar minha dor, aprendi que não se deve querer tocar o amor, que o que separa a carne da alma é só uma pele que pode ser arrancada por essas mãos minhas. Ou não!
Olhando para estas, para as suas... Vejo desde a infância até os momentos que meu mais íntimo revela em forma de linhas. Vejo um presente que é tão grande e elas tão pequenas, não conseguem segurar.
Teias, enredos, fulgores de doçura, preces sublimadas...
Já vi tanta mão pro alto, já vi tanta mão lá embaixo, aqui do lado.
Eu quero mãos que não sabem o que é... Que se confundam com todas as outras coisas.
Mas que quando te tocarem no escuro, ou em você de costas nas ruas cheias de São Paulo, você possa saber que sou eu quem quer te alcançar. Que são minhas mãos que acordam desesperadas esperando beijar o seu olhar e te fazer um afago.
Que são minhas mãos que usam máscaras e mordaças quando estão perto de você. Mas que mesmo assim, você consegue ler!
Que são suas mãos que me deixam assim...

Sem saber.
O porquê.

Sem saber.
Mas que quando te tocarem no escuro, ou em você de costas nas ruas cheias de São Paulo...


A parte final de cada extremidade superior: nossas mãos.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A reflexão:
Resposta do Amor ao Amante - Dry Neres







Tá tudo certo.
Não fica assim.
Mais uma vez vou te colocar no meu colo.
Colocarei quantas forem necessário. Colocarei sempre então...
Eu só queria mesmo fazer parar de doer esse sentimento dentro de você.
Eu sei que você ama de forma transparente, você se entrega, alimenta.
Não tem sido alimentado... é verdade.
Eu queria muito poder mudar tudo isso, mas você não me deixa.
E o pior é que eu sei que é verdade irrefutável os teus "sentires", mas tem te feito sofrer tanto...
Ontem a noite eu pensei que seu último órgão não iria aguentar.
Seu coração parecia querer sair pela boca e tuas mãos frias procuravam as mãos quentes que você nunca alcança.
Você permite encantar-se demais, com aquela voz, jeito, sorriso, ficar e aquele tudo... aquele-tudo!
Não me olha assim... Eu só quero poder te ajudar, nos ajudar.
Preciso confessar que quando você viaja em seus devaneios, eu sorrio de alegria.
Eu viajo com você. Eu vejo tudo. E, meu Deus, como é lindo!
Vamos sair para caminhar toda manhã juntos, o que acha?
Quero poder escutar outras músicas com você também. Joga fora teu mp3 que só tem dezoito músicas. Inclusive ontem, você escutou uma delas cinquenta e sete vezes enquanto fingia dormir.
Dessas dezoito... dezoito são para te lembrar o Ser que te deixa assim.
Mas quer saber?
Você se fez bem melhor de um tempo pra cá. Eu sei que você se lapidou, comigo.. O Amor!
Não sabe o que fazer não é?
É tudo novo pra nós dois. Eu nunca te fiz assim. Eu nunca te vi assim.
Eu nunca pensei que não saberia o que te dizer...
Deus do céu, o que eu faço com você, pra você...?
Isso parece arder igual chama. Teu computador cheio de álbuns do Ser que ama, essa água que você bebe para substituir a sede da alma, esses pés que caminham na grama pra tentar sentir a essência dessa rosa com o membro que equilibra teu corpo.. esse tudo que você faz que... Cada pedaço teu, se fez dois. Dois meios. Desses meios, não vejo uma possibilidade só, de você sair inteiro.
Eu queria ter o poder de te dar a oportunidade que você precisa para se mostrar o melhor amante desse mundo todo. A melhor representação minha, do Amor.
Mas, eu não posso...
Invoca as montanhas e os deuses de perto, longínquos que parecem não mais te ouvir. Invoca aquela estrela que te brilhou forte naquela tarde de sábado que você procurou caminhar entre pássaros. Você no ar, eles no chão. Invoca esse choro engasgado que quase sempre se derrama pelo teu corpo.
Me deixa repousar um pouco. Repousa em mim. Deixa eu te beijar.
Se eu sou seu Amor, preciso te dizer e te pedir que apesar de tudo isso, por favor não deixa de lutar... Porque meus olhos que às vezes demoram para ver, nunca contemplaram algo tão visceral, nada tão limpo.
Pode ser que doa a vida toda, porque o ideal insiste em doer mais que o real. Você idealizou tudo.
Me deixa repousar um pouco. Repousa em mim. Deixa eu te beijar.
Não tenta arrancar tudo de você, como comentou ontem a noite. Agora eu sei que é isso que tem sustentado teu edifício interior. Se ele desmorona...
Eu grito por você: Isso é urgente!!!
Repousa em mim. Deixa eu cuidar de você.