quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eu vou tocar o céu - Dry Neres






Eu vou tocar o céu, nem que seja comendo algodão, nem que seja só com uma de minhas mãos, na horizontal, deitada.
Eu quero sentir gosto de céu, ver se parece com o de mar. Ou se é tudo lenda, um oásis no ar.
Eu vou tirar os meus pés do chão, ver o que acontece... Puxar você pela mão e sair andando entre as nuvens, sem compromisso ou horário de chegada e partida.
Você sonha, mexe, pega, acontece... o que você realmente deseja?
Os homens, no auge de sua ambiguidade, não sabem mais brincar de ver desenho em nuvem... falta de tempo talvez.
Você, que tá me olhando agora, se pergunta se na sua vida está tudo certo, se seu amor te ama... como vão teus estudos? Qual foi a última vez que você fuçou nas suas velhas gavetas de fotos velhas guardadas no plástico novo que você comprou no ano passado? Qual foi a última vez que você penteou seus cabelos olhando sua face no espelho e se perguntou: oh, quem é mais belo que eu?
Já ligou pra sua amiga que você não vê a quase dez anos hoje? ...
... você, você, nós, eu... vou tocar o céu! E pra isso preciso de pequenas caixinhas. Isso, pequenas caixinhas! Deixa eu ver... uma com astúcia, outra com liberdade, vou pegar uma com amor, quero também sabedoria, preciso de uma de sonhos... Nossa, o céu é grande... pensando bem vou precisar de todas as caixinhas desse mundo todo! Mas uma precisa ser a maior e primeira... a caixa do desejo; essa que faz com que nos movamos pra cá, pra lá... Desejo é um dos sete perpétuos personagens. É irmão gêmeo (mas nada idêntico) de Desespero. Desejo é o mais lascivo e supérfluo dos perpétuos, sempre centrado na auto-satisfação. Seu símbolo na galeria dos outros Perpétuos é um coração de vidro. Eu quero essa caixa grande embaixo de todas... pra que de acordo com meus movimentos ela se abra e quebre esse coração de vidro, onde subitamente será irrigado por todas as outras caixas acima: amor, sonho, liberdade... lembra?
Eu vou tocar o céu e convido você... se quiser vir, deixe seus sapatos, roupas, carteira, celular, venha sozinho... lá no céu nada disso é necessário! Lá no céu, tem nuvem de algodão que é doce. E eu quero saborear. E eu quero dançar sem compasso, jogar letrinhas lá de cima pra quem ficar... montar uma escada pra que todos possam compartilhar, tocar, sem limites... sem divisão.
Eu vou tocar o céu, nem que seja só com uma de minhas mãos, na horizontal, deitada!
Ps.: Presenteio a minha amiga Mine, que fará aniversário no dia 07 de agosto, com esse humilde texto.

4 comentários:

Anderson Meireles disse...

É por palavras como essas que às vezes sinto uma lágrima rebelde descer de um rosto envergonhado...
abraço!

Poeta Mauro Rocha disse...

Ola!! Estou a lhe visitar e também para ler esse texto que é muito bonito,"Tocar o céu, deitada na horizontal" isso tem mil interpretações,rsssr, mas está muito bom, gostei mesmo.Tive uma pausa, estou aproveitando para fazer visitas,srsr

Um abraço!!

prafrente disse...

toque o céu, então...com o CORAÇÃO.


beijos de Portugal

Paradoxos disse...

tocaste o céu e o meu coração!!!