sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Elas: A Lua e a Menina - Dry Neres



Eu prometi a uma menina hoje a tarde que escreveria sobre um Ser que desperta quando o Sol dorme. A penúltima letra do nome da menina é a primeira da nomenclatura que revela essa "entidade" tão ilustre. Cá estou e me deixo fofocar sobre essa personagem! Vaidosa, tímida, silenciosa, ela se mostra. Escondeu um sorriso e fez brotar na face um ar mais sereno, sério, cheio de mistérios! Gosto de contemplá-la, sorrir pra ela... sentar na pontinha da sua calda e lhe revelar o que o brilho da manhã talvez queira me levar. Eu já pensei em morar na Lua. Demorei e ela acabou vindo morar em mim. Curioso! As suas transições são as minhas; ela se move de acordo com os acordes que a Terra forma. E cada nota tem um som perfeito! Até que um dia, me foi permitido escutar a Lua cantar. Os lábios se moviam lentamente e eu como de costume, não movi nem os olhos para que ela não parasse. Eram respondidas minhas melancolias. E ela vociferava que as dores dela ninguém conhecia. Disse que é a metade perfeita de um Ser que só aparece de dia. Quando ela chega, ele se foi. Quando ela desce, ele sobe... nunca se encontram. Exceto... num eclipse! Do grego Ekleipsis, que significa, desvanecer! Funciona mais ou menos assim: a Lua passa na frente do sol, acena rapidamente e balbucia três palavras apenas; ele deixa ela partir, e diz outras quatro. É a felicidade mais clandestina que já vi. Mas aqueles breves segundos se fazem únicos e eternos para as entidades celestes. Olha menina, eu não sei falar de nada que mora em mim! Mas a Lua pediu pra te dizer que ela abriga as dores de todos os mortais e que o motivo de não sorrir é a dor que sente ao tentar esfriar até o congelamento total de cada uma; pra que a gente suporte as nossas, com menos peso. Ela olha num ponto fixo, sem se virar, pra que ninguém se sinta desmerecido quando a contempla. Assim, todos podem olhar de qualquer ângulo e ver a mesma Lua. Exceto... aqueles que desejam olhar por dentro. Estes sim, verão um ventre que sabe abrigar estrelas. Ela adora quando eu descanso na sua calda. Ela se sente tocada, abraçada, beijada... quase humana!

4 comentários:

Anderson Meireles disse...

Ah, como é fácil descansar nessas palavras...
E quanto a morar na lua menina, você já mora lá,
um abraço!

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Coitada! Um dia ela cai, de tanto peso! São tantas as dores do mundo...
Saudades de você, sumida.
Beijo Dry, e luz pra seu caminho

Camila disse...

Adorei dona Dry...

E eu tenho certeza que "aquela menina" amou o texto tanto quanto eu ^^

E a minha parte eu farei, cheia de sentimentos, vontades e me perdendo nas palavras. Me encantando com elas!

(Assim como vocÊ)

Beijo!

Cadinho RoCo disse...

Deliciosa descrição de experiência tão terna cativante carinhosa e por demais feminina.
Cadinho RoCo