sábado, 16 de agosto de 2008

Do que eu preciso saber
Dry Neres


Que as janelas não ficam, vão
Que os seios escondem o coração
Que o véu é curto e fino
Que a sombra esconde o divino
Que eu não preciso saber fazer rimas, porque meu corpo é uma escala de notas que formam uma só. Eu me sinto penetrada, em paredes que formam pinturas tortas onde todos precisam de mim, onde todos pedem aos gritos minha ajuda... mas não sabem me ajudar. Eu me vejo solta, inundada por caminhões de dores do mundo que não contemplam as minhas dores. Porque de tudo que vejo... vejo névoas e bosques e frios pássaros de asas congeladas que pousam sublimados em algo irreal, em sonhos perdidos, em desejos antigos. E que quando sentada, penso estar em pé em meio ao nada longínquo que quero muito alcançar. São minhas viagens que parecem mais serem bipolaridades. Não são! Eu só acordo num dia que faz 437 graus fahrenheit em que eu descubro que as areias do mar são doces e plumas leves de deitar em pé. Descubro que minhas pinturas são secas e minhas tintas sem cor. Descubro que a cor da minha pele e alma e dedos é formada por livros e poesias não lidas. Porque eu não sei quem eu sou. Eu sou hipótese? Eu sou vida? Eu sou a lua que se reflete nas águas quentes que descem correndo de terno e gravata? ... e que querem me levar rumo ao conformismo de uma sociedade mergulhada nos ínfimos recôncavos da cegueira? Eu não quero roupas, não preciso de nome, não quero estado fixo nem telefone celular! As pessoas me confundem e eu ainda assim, espero entendê-las nas suas ambiguidades que são as minhas também. Eu não sei do que eu preciso saber. Eu não quero saber de nada. Eu corro das certezas, mas por mais que pareça racional demais, elas doem menos. Minha fala pode parecer irreconhecível, mas boca aberta e vociferação, me fogem da sanidade que no momento preciso comer. Eu sou hipócrita quando digo que entendo, que espero. Eu sou egoísta e fingidora de compreensões. Eu não quero ser sincera, nem lida. Eu não quero ser... porque do que eu preciso saber é de que eu não preciso saber de nada. A sabedoria é corda para a forca, a sabedoria nos faz sentir os pulmões cheios de confiança exarcebada. Eu não quero ser sábia. Eu não quero ser... verbo! Verbo que muda de acordo com o sujeito... Eu não quero ser! Eu quero ser ignorante ao ponto de só saber que eu nada sei, como já diziam os pensadores antigos. Bipolaridades? Não! Humanismo.

7 comentários:

Menina do Rio disse...

Paredes que formam pinturas, desenham lindos quadros!

Um beijinho

mundo azul disse...

...questionamentos!
Um profundo mergulho nas incoerências que norteiam nossas vidas...


Beijos de luz e uma semana feliz!!!

Anderson Meireles disse...

Concordo, bipolar não. Humana ao extremo...
Não acho sua fala irreconhecível também,
um abraço!

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

HUMANISMO, é essa a palavra e tudo o que ela encerra...Estamos aí, Dry! Você sumiu!
Boa semana para ti!Bjs

Poeta Mauro Rocha disse...

"Humanismo" sentimento nobre, ser humano em sua plenitude. Muito bom seu texto!! Parabéns!!

Poeta Mauro Rocha disse...

Aprendo muito com Cecília Meireles e outros poetas, obrigado pelo elogio.

Um abraço!!

instantes e momentos disse...

belo post. Belissimo blog, gostei daqui.
Maurizio