quinta-feira, 3 de julho de 2008

A parte final de cada extremidade superior
- Dry Neres







Com elas, faço um afago em teus cabelos, beijo teu corpo, sinto seus cheiros.
Seguro o bebê ao término do parto, cruxi-fico-me num desejo.
Um órgão par, simétrico. O órgão que segura o poder.
Um órgão que segura o nada.
Toca teus jeitos, toca suas caras... Mas não aprendeu a tocar teus pensamentos.
Eu tenho loucura por mãos... Pela sensibilidade que elas me remetem.
Uma pintura num quadro, uma poesia, o que a gente fala, o que não precisa ser dito.
Famintas... Inseguras... Desajeitadas... Estranhas... Entranhas... queimam forte, forte queimando.
Muitas vezes não precisa ser palpável, pode ser no imaginário.
Brincar de tocar o coração dos outros, brincar de ler palavra no vento.
Ah, as mãos minhas dançando com as mãos suas...
Mão deveria se chamar boca e boca se chamar mão.
Tocar com a boca, beijar com as mãos...
Com os dois, só nós dois... e depois, virar um só!
Os poros da tua pele, e teus sonhos mais íntimos e "intocáveis", sendo lidos pelos olhos que saem da face. Elas...
Quando repouso meu corpo, posso sentir essas mãos suas, que sinto vontade de não largar nunca quando a ordem perfeita do espaço e do tempo, me permitem sentí-las. Pequenas, firmes, irresistíveis!
Carpinteira de letras em forma de sentimentos, ou ao contrário, não importa... Aprendi tocar o que as leis físicas ensinam não ser possível, tangível, "alcançável"...
Aprendi tocar minha dor, aprendi que não se deve querer tocar o amor, que o que separa a carne da alma é só uma pele que pode ser arrancada por essas mãos minhas. Ou não!
Olhando para estas, para as suas... Vejo desde a infância até os momentos que meu mais íntimo revela em forma de linhas. Vejo um presente que é tão grande e elas tão pequenas, não conseguem segurar.
Teias, enredos, fulgores de doçura, preces sublimadas...
Já vi tanta mão pro alto, já vi tanta mão lá embaixo, aqui do lado.
Eu quero mãos que não sabem o que é... Que se confundam com todas as outras coisas.
Mas que quando te tocarem no escuro, ou em você de costas nas ruas cheias de São Paulo, você possa saber que sou eu quem quer te alcançar. Que são minhas mãos que acordam desesperadas esperando beijar o seu olhar e te fazer um afago.
Que são minhas mãos que usam máscaras e mordaças quando estão perto de você. Mas que mesmo assim, você consegue ler!
Que são suas mãos que me deixam assim...

Sem saber.
O porquê.

Sem saber.
Mas que quando te tocarem no escuro, ou em você de costas nas ruas cheias de São Paulo...


A parte final de cada extremidade superior: nossas mãos.

6 comentários:

Filósofo disse...

Artesã de palavras... as molda como barro nas mãos de um oleiro...
Impossível não se apaixonar, não bricar junto com você...
Um abraço com todas as flores amarelas que coseguir carregar!

Vulca disse...

De fato, me ausentei mesmo.
Em alguns momentos a gente precisa de realidade para curar as feridas.
Mas estou bem [melhor agora].
Tenha certeza disso!
Agradeço por sua preocupação e agradeço por seus textos... Agradeço por ter comentando em meu blog um dia e me brindar com as artes que você esculpe.

Obrigada pelo carinho, é recíproco.

Beijos!

Poeta Mauro Rocha disse...

"Estou tatiando no escuro não consigo te vê/Então fecho os olho e tua imagem vejo/(Biquine Cavadão)

Palavras e mãos, sentimentos e coração, texto e a cidade de São Paulo,muito, muito interessante.

Um abraço e um ótimo fim de semana.
MAURO ROCHA

Paradoxos disse...

amor meu de palavras inquietas entre o Fascínio e o Pensamento, entre um beijo e um olhar aqui!

paradoxos teu

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Tudo isso é muito bom, minha linda, para ficar só num blog. Deixa eu me recuperar. Vou atrás dos meus editores, porque vc é demais. Sempre me dando força, o que agradeço agora e retribuo à minha maneira. Enquanto fico de resguardo, fiz um novo post, As pontes de Madison. Apareça:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Um beijo,
Renata Cordeiro

Anônimo disse...

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