quinta-feira, 5 de junho de 2008

Liberdade? - Dry Neres





Livres? Levanta a mão quem não tá preso a nada! Levanta a mão quem não tem medo de ir pro inferno um dia! Ir pra onde mesmo? Pro inferno! Isso já não é aqui? Levanta a mão quem tem digitais... Eu não consigo só engolir o que mastigaram pra mim. Tá tudo muito estranho. Fora do ar. Fantoches espalhados em cada esquina, robôs que repetem uma canção sem timbre. Homens que querem ser divinos. Como pode habitar divindade num corpo assim, tão vulnerável e suscetível aos desejos dessa carne que envolve essa alma? O caos que gera a mente humana por si só já impede o tal Humano de ser livre! Livre da morte? Livre do amor? Livre da dor e do querer? Livre do saber e do escutar? Você é livre de você?

Essas digitais que tocam os papéis e documentos velhos e passam horas e horas em frente a uma máquina fria, de tela fria, com gente fria. E que tem que caminhar com toda cautela, porque os buracos são visíveis e muitos... As digitais estão se perdendo e aí não poderia mais apresentar identidade. Identidade do que sinto e do que quero. Eu quero demais. Eu sinto demais. Estou presa a esse redemoinho que é viver.

A liberdade não pode ser um dogma ou um paradoxo a servir como espelho. Cada um vai se questionar sobre o que lhe parece mais verdadeiro e a partir daí vai inclinar a vela do barco no rumo que esse vento lhe propor. Vontade, inimiga da Liberdade. Fico fascinada quando leio Sartre e ele me remete ao pensamento de que nós só não somos livres para sermos livres. Porque estamos alienados à nossa própria condição de "libertos". A responsabilidade de nossas escolhas serem "determinadas por nós mesmos" nos coloca um peso imensurável, opressivo. "A liberdade humana revela-se na angústia"!

Se você é realmente lúcido, tem uma compreensão exata das coisas, não há escolha. Disso resulta uma ação correta. Apenas quando há dúvida e incerteza é que começamos a escolher. E então eu volto a vos dizer que o homem sempre se fez prisioneiro de angústias, medos, culpas, solidão, impossibilidade de agir, padrões pré determinados, doutrinas, normas, dogmas... Pode então libertar-se buscando o autoconhecimento e realizando-se. Tornando-se responsável por suas escolhas. E sabendo que essa responsabilidade lhe incute uma consequência bem física, bem impugnativa!

Levanta a mão quem quer ser livre agora...


2 comentários:

EDUARDO disse...

" a liberdade não pode ser um dogma ou um paradoxo a servir como aparelho"

fantástico!!!!
abraços...

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Maravilhoso! Concordo com tudo, de cabo a rabo!Hj fiz mais um post, desculpe-me, tão perto do outro, é que todas essas rsenhas serão publicadas por uma revista da USP e eles me pressionam. Conto com a sua compreensão e com a sua visita, pois sem a sua visita não há publicação.
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Um abraço,
RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO