sexta-feira, 20 de junho de 2008

E o nome dela é Cecília! - Dry Neres




Peço licença hoje para falar de uma Cecília... Uma que faz com que meus olhos fiquem paralisados diante de tanta sensibilidade com o ato de escrever. Um comprometimento descomprometido com a palavra. A palavra que tem sabor, dela, de nós. Vou revelar aos poucos sobre essa Cecília que eu li, e lendo eternamente, estou e ficarei. Pouquíssimos sabem do muito que ela fez por todos nós. Uma carioca que tem sangue de todos os Estados do nosso Brasil. A máquina de escrever era seu alimento de horário. Sim, horário porque dá mais ênfase que diário. E cada hora dela refletia um questionamento nosso. A musa que ousou chamar Getúlio, de Sr. "Ditador", a mesma que Manuel Bandeira comparou às ondas em termos de luta; todavia ele enfatiza que ela possui algo ímpar: não se deixou afogar nas águas do mar, mas se fez enxuta. A mesma Cecília, esta que escrevia suas crônicas de cunho revolucionário no "Diário de Notícias", que defendeu com todas as suas forças a idéia universal de democracia, contra um governo autoritário. Colecionou inimigos e desafetos por expor suas convicções acerca da liberdade, acerca de uma "reforma educacional" e contra o ensino religioso nas escolas. Sim, ela já se assustava com a idéia de os alunos saírem mecanizados por uma moral de rebanho infame das escolas. Artimanha política e religiosa (uma Igreja Católica que tentava recuperar seu poder após quarenta anos de uma República laica, com ares positivistas)! Foi vítima de censura inúmera vezes, pelo então "Sr. Ditador Vargas", inclusive a mais famosa na Academia Brasileira de Letras, quando o polêmico Carlos Maul, definiu a poesia de "Viagem" (livro com o qual Cecília concorria), como "vaga e difusa".


Eu falo nesses dez minutos, da Meireles que é Cecília. Cecília Meireles! O alvo mais recente dos meus olhares angustiados. Ela me angustia. Isso é perfeito. A palavra tem que causar incômodo, se não não pode ser viva, se não é somente hipótese. A Cecília fala de Liberdade, de Ceticismo, de Caos, de materialismo, de morte, de esvaziamento, da crueldade. Ela faz com que mergulhemos dentro de nós mesmos. Ela fala de tudo como se expusesse a alma ante nossos olhos! Ela foi uma das personificações da representatividade da mulher em um dos períodos mais tensos da História do Brasil; período que foi vivido por ela de forma indescritível, compreendido entre novembro de 1901, data de seu nascimento, a novembro de 1964, onde sua alma se desvencilhou de seu corpo mortal, e foi escrever para as estrelas. Essa mulher deixou marcado em cada voz nossa (mesmo que ainda não saibamos), a voz dela, o timbre dela. O amor à palavra, à letra, à educação. O amor à dor que se fazia amiga dela nas horas vagas e nas horas de trabalho também. Através da Janela Mágica dela, livro que li a uns dois anos atrás, senti uma inquietação exorbitante. E desde então, comecei a comer tudo o que eu encontrava dela. Comi também o que eu não encontrei. Esses foram os mais deliciosos sabores! Ela me encanta. E hoje se faz tema dessa escrita ainda como pernas frágeis de criança, que deseja soprar algumas velas do barco que ela deixou em constante movimento. E quem faz esse movimento é cada um de nós. Me ajude a soprar! Essa Cecília, que me faz ter uma imagem nítida do que ainda não se projeta. A liberdade, Cecília! Você me convida a me achegar a ela.


Cecília, em sua biblioteca.

8 comentários:

Filósofo disse...

Também sou Meireles só não escrevo tão bem, rsrs..
Você me perguntou se estou apaixonado. Sim, estou sempre apaixonado, tudo o que me prende o olhar por mais de cinco minutos me apaixona...
Valeu, um abraço, sucesso...
PS: Fiquei uns dez minutos aqui.

Clarice Lis disse...

Vim retribuir sua visita e acabei encantada por suas palavras. Concordo que leitura boa é aquela que angustia, arrebata, incomoda, toca, mexe, modifica, acalma, consola.

Amannfredini disse...

Cecília é simplesmente indispensável!

Camila disse...

Uma ótima definição de cecília Meireles, suas palavras me prenderam...

Sobre Cecília, nem preciso dizer nada!!! =)


Beijos!! ^^

Aninha disse...

Domingo- 11h38
RJ- Dia nublado e triste


Parabéns pela linda homenagem à Cecília Meireles,merecedora de todos os louros..

Sucesso

Estou linkando seu Blog,ok?

busillis disse...

Fiquei também apaixonado por essa Cecíla Meireles. Vou ter de a descobrir...
Abraço

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Como a única posição em que me sinto bem é sentada e como não gosto de ficar ociosa, fiz um último post, já que vou ser operada na terça. É endereçado somente às pessoas que me têm dado força.
Apareça por lá.
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
não há ponto depois de www
Um beijo,

Poeta Mauro Rocha disse...

"Cecília, seu nome no céu também é Cecília" já dizia Mário Quintana.Para mim é uma das se não for a melhor poetisa que esse país teve a graça e o privilégio de ter.

MAURO ROCHA