
Quem é o Amante e quem é o Amor?
Eu já não disse que não quero você mais perto de mim?
Eu sei que sou bem melhor com você, que você é o óculos invisível, meu.
Que o meu sorriso é limpo e minhas mãos cheias.
Que adoro fantasiar as mais belas e insanas loucuras com você por perto.
Não olho pros dois lados para atravessar a rua, nem leio a bula do comprimido.
Mas eu quero muito esquecer que você me faz tão bem.
Porque você ainda tem suas mudanças lunares de humor, e em uma dessas, você me deixa sozinha na noite gelada.
Eu não consigo mastigar, quando você diz que me admira.
Então porque não deixa eu morar em você?
O amor me fez mudar de cor, de nome, estado civil, roupa.. estou nua!
Me fez escutar a mesma música durante o dia inteiro e a noite também.
Você, Amor, me fez jogar no lixo algumas coisas que pesavam no meu bolso.
Em contrapartida, acrescentou mil outras, que não consigo tirar mais do local de acumular coisas insubstituíveis.
Se me tirassem um raio X hoje mesmo, todos veriam claramente que só me resta um órgão.
Esse órgão também, de moderno que se fez, mandou tatuar um nome só, em cima de vários outros que existiam.
Mas a cada tentativa de discutir com toda calma nossa relação, eu vejo que você mente pra mim.
Você me deixa confusa. Você me acende, só pra ter o gosto de me apagar, mais tarde.
Às vezes, bem mais cedo.
Você me tira da cama logo cedo para escrever, mesmo sabendo que ninguém vai ler meus lixos que preciso colocar no papel e incinerar depois.
Lembra quando você me disse que não tinha como não dar certo?
Que era perfeito demais, que era a metade minha?
Lembra?
Você até me mandou rosas amarelas, em formato de sol duplo, naquela manhã..
Naquela manhã que me lembrava a noite do quase beijo.
Do quase tudo e do quase-quase.
Não chora, por favor...
Você acaba amolecendo esse órgão burro meu, que agora trabalha sozinho.
Eu tento compreender você, mas não consigo.
Pára de mentir pra mim?
Fala a verdade que corta meus pulsos numa jogada só?
Vem aqui...
Me abraça.
Você explicou tudo direitinho...
Quem não entendeu, foi eu!
Vem aqui...
Me abraça.
Do quase tudo, do quase-quase.