sábado, 20 de setembro de 2008

Vôo
Dry Neres



Quando penso em voar, a primeira imagem que se apresenta sobre minha face é a de um pássaro. Humanos são bem parecidos com pássaros, embora não saibam. Eu gosto de sentir cheiro de céu e de comer vento. Eles também. Eu ajo por instinto e sei bem a hora de me isolar do mundo. Eles também. Eles têm uma visão de longo alcance. Eu ainda não. Penso que voar é sair de si. Penso se em determinados momentos o desejo deles fosse tocar o chão e não o céu. Talvez o meu seja o mesmo. Que doce... os pássaros a andar como gente, com cabeça de gente, tocando violão, entoando canções... sentados à mesa, em grandes reuniões, a beber vinho. Que encanto... um engarrafamento no céu. Humanos batendo asas, carros a voar, casar no andar de lá.

Da minha cadeira frente à janela, frente ao mar que não existe aqui... Divago, divago. Eu quero fazer uma experiência de tentar alçar vôos. Nem que eu pegue carona numa dessas máquinas grandes de voar. Nem que eu tenha que escalar o Everest. Eu não sou tão pesada assim. Já vi muita pedra voando, já vi muito, folha pregada ao chão. Eu quero fazer uma experiência de tentar alçar vôos.E isso tem sido como o próprio pulsar da vida que habita em meu corpo. E isso tem sido o movimento de realizar a abertura e o fechamento dos olhos. Porque eu quero me assemelhar aos pássaros, em sua liberdade, sensibilidade, razão. Porque os pássaros seguem, seguem sem deixar que o medo lhe invada as camisas.

Sei pouco de mim e os pássaros vão poder me ensinar quantos grãos eu posso comer por dia, qual a moradia em que devo me alojar. Vão me ensinar que não importa a velocidade dos ventos quando se tem objetivos fixos e que seguir em frente é a melhor opção, quando se tem várias e nenhuma. Vou tocar notas e arranjos com os fios invisíveis que se formam na imensidão e assim, voar. O vôo sentado, o vôo aberto, com perspectivas de volta à mesma embarcação. Distraída. Preciso voltar em alguns momentos meus... até a volta se encontra indo em frente! Dos pássaros que pousam, das gentes que voam, dos "cegos do castelo", dos objetos de voar que caem... eu quero ser embarcação, só. Não importa se na terra, no ar,no mar, eu preciso alçar vôos leves, últimos, encantadores. Que permitam aos meus olhos mergulhar. Que permitam minha pele se soltar, se salvar. Porque no final, tudo vai ser um vôo. Onde você vai pousar? Em doces lagos de água quente ou em campos de trigo de sóis poentes? Porque no final, tudo vai ser um vôo.

3 comentários:

Anderson Meireles disse...

A maior vantagem de voar é não deixar rastros.
Acho que ser livre é isso; ir e vir sem que os outros saibam por onde estivemos,
abraço!
PS: Bobo nunca. Não quando vem de você.

Veneno Antimonotonia disse...

Meu bem, como é bom voar e conhecer lugares novos... É bom sentir a brisa fresca da liberdade em nosso rosto. Mas tem um lugar que sempre é mais lindo que os outros, aquele que te faz se sentir melhor... É lá que eu quero ficar agora.

Um beijo do tamanho do mundo.

Poeta Mauro Rocha disse...

Voar, voar, subir, subir... é bom abrir os braços e conhecer o mundo...

Um abraço!!!