quinta-feira, 11 de setembro de 2008

MAIOR, MAIS ALTO
Dry Neres




Eu queria ser maior, mais alto. Queria ser livre como os pássaros, leve como o vento, brilhante como o sol, doce como as nuvens de algodão. Queria ser como os poetas, sem residência fixa, roupas ou relógio.
Os meus passos desenham minha silhueta fatiada. O meu canto se perdeu em algum lugar sem estrada. Tento encostar em mim, repousar, mas a inquietação é a mesma. A agonia de ir embora do que me fiz é intensa e constante.
Eu procuro corpos para abrigar a minha alma cansada. Eu procuro você, para cuidar das minhas feridas, secar minhas lágrimas, ser meu herói, meu vilão... Mas você não existe! Você só sabe habitar os meus desejos e pensamentos de explicação à minha existência quase nuclear.
Nunca contemplei tua face. Nunca ouvi tua voz. Suas mãos não quiseram tocar as minhas e o seu olho não quis ser o meu. Eu te procuro em cada móvel do meu quarto, eu te guardo nas cartas que fiz para lhe inundar com elas quando você chegar pra mim.
Você é só um estranho... Eu não sei nada sobre teus caminhos, nem o compasso da tua respiração. Porque você não joga pedras na minha janela às duas da manhã? Porque não me beija enquanto durmo ou me rapta do lugar comum onde vivo?
Eu, te crio em mil espetáculos de nascimento dos mais variados tipos de existência. Eu te rezo, te escrevo, te leio, te peço... Nasça pra mim! Que o pó te sopre em meu coração. Que meu coração seja o palco onde você encene. Que o palco seja eterno como o beijo que sonho em guardar.
Me faça rir e minta pra mim. Não seja tão sincero nunca. Me transporte a lugares inabitados e me faça chorar de raiva e de agonia na ausência tua. Me faça sentir vontade de correr mil léguas ao teu lado e de voltar mil vidas para viver todas elas com teu perfume.
Me deixa ser teu pesadelo e teu sonho bom. Teu espanto e tua alegria. Teu esporte e tua política. Tua religião e falta de fé. Me deixa ser teu passado colorido e o seu presente no futuro.
Quero deixar de levar a vida tão a sério com você. Falar de sorvetes de pistache e colher amoras que pintam as mãos e os dentes nas árvores que terão nosso nome escrito ao lado de uma poesia sob título - ETERNIDADE.
Meu Ser vai ser maior, mais alto quando você se materializar; quando você me tirar para dançar aquela música que ainda vou inventar só para nós dois. Porque meu corpo é só uma parte sem você, mas inteira é meu desejo de ser fotografada um dia.
Eu e você, querido amor sem nome, desconhecido, seremos dois meios de um inteiro e completo estágio do amor-primeiro, do amor-último, do amor-verdade, do amor-razão, do amor-infinito, do amor-maior, do amor.
E SEREMOS...


11 comentários:

Cadinho RoCo disse...

Aí percebemos que já somos o que ainda não sabemos ser.
Cadinho RoCo

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

As imagens muito belas, nesse poema inspirado,
não são simples jogos de mágica e ilusões.
Sentirás teu paladar gozar mil doçuras.
Vibrará todo o seu ser em doces sensações.

Poeta Mauro Rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Poeta Mauro Rocha disse...

É moça, ser como poeta, mas já é poetisa e como fica? O amor está logo ali, ou você não virou a esquina, ops!! Não temos esquinas...

Belo texto.

Um abraço!!

Paradoxos disse...

sobressai um realidade poemática que vive e revive animada pelo teu talento - de dar vida as palavras - não ha quebras - escreves num tom dinâmico - não apenas com os sentimentos mas também com a inteligência!!

ADOREI...

senti-me dentro das tuas palavras - como algo que temos em... como um elo que nos liga - em comum - como algo que é incomunicável!!

comum...

Crisfonseca disse...

Belíssimo texto , poético e encantador. Escreves com muita sensibilidade, me envolvi totalemnte em teu texto.
Beijos,
Cris

Cadinho RoCo disse...

Passei por aqui de novo.
Cadinho RoCo

Anderson Meireles disse...

Seu apelido deveria ser intensidade.
Está pra nascer escritora mais intensa do que você, que eu goste tanto de ler.
Essa coisa de não ouvi tua voz é muito interessante...saber que nunca conheceremos o outro de verdade,
lindo demais,
abraços!

Gerlane disse...

Dry, querida, mais uma vez, meu coração disparou, e desci uma montanha russa a 1000 km por segundo, pois descreveste bem o que eu tanto almejo, com palavras e com um estilo que eu ainda não consegui encontrar.

Beijos, garota! E uma semana cheia de boas emoções pra ti!

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Querida Dry
Pode reclamar, tô sumida mesmo, é que tudo sumiu... empregada, faxineira, etc... só não sumiram as roupas sujas, a casa suja, o serviço, a falta de tempo, snif...
Sabe, há muito tempo, muito mesmo, fiz um poema chamado Desconhecido (http://katiamultiplasfaces.blogspot.com/2007/11/desconhecido.html)
Você precisa conhecer! (Santa presenção!)
Amei seu escrito, queria fosse meu...
beijos e bom restinho de domingo

Shirley disse...

Meu Deus!!!
O que comentar se toda beleza foi já foi usada nesse texto!?
Só posso dizer, que chega a ser covardia a maneira com que atinge meu coração..." me faça chorar de raiva e de agonia na ausência tua. Me faça sentir vontade de correr mil léguas ao teu lado e de voltar mil vidas para viver todas elas com teu perfume."
Que nunca falte grandeza em tuas palavras.

Beijos querida!