segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Seria como dormir no colo do tempo
Dry neres






Quantas vezes já te pedi um abraço?
Quantas vezes já te contei do meu cansaço?
Meu corpo pede calma...
Minha mente desafia a alma!



Tô com cara de doente... Fico a imaginar onde se perdeu minha imagem reluzente com ares de epopéia dantesca. Minha pele queria sol que a queimasse, mas só encontra condicionado o ar que gela toda vez que entro nessa sala. Meus olhos queriam óculos escuros ao se cruzarem com os raios do mesmo sol, mas só encontram lente sem cor ao se sentarem nessa sala gelada, com máquinas frias e idéias refrigeradas. Se eu finjo minhas dores, ninguém acredita. Se eu conto dos meus amores, muitos duvidam. Eu não caibo na idade que tenho. Minhas roupas estão pequenas pro tamanho da alma minha que cresce, cresce... num movimento breve e sutil de abre e fecha, de abre e fecha de olhos que envelhecem. E se eu escrevo... por vezes volto dez anos, outrora avanço cem. E se no tempo eu encontrasse paternidade, desejaria pedir com ares de criança que busca o leito, que ele me deixasse dormir. Pediria sem medo ou receio que ele me deixasse ficar em mim. Arrancaria de seus lábios pitorescos um "Sim" quando minhas mãos pedissem para ele me deixar descansar. O burburinho ofegante dos ponteiros me assustam enquanto acordada me deixo. Mas se eu dormisse no senhor de todas as coisas, envelheceria com certeza, mas seria tudo mais calmo, mais leve. E no acordar eu encontraria alguém que soube repousar naquilo que as filosofias todas aconselham: Repouse no tempo! Faça dele seu colo! Durma nele, mesmo que acordada. Seria como dormir no colo do tempo e ele me diria: Eu sou a resposta aos teus abraços perdidos e paro o ponteiro para que você veja o sol nascer oito vezes ao dia, viajando noutros mundos onde atravessar pontes se traduz no meu maior sorriso. E aí me pergunto: O Tempo não poderia também ser Deus?

3 comentários:

Gerlane disse...

Dry, o tempo é um dos recursos que o Supremo usa para nos mostrar que não temos princípio nem fim, assim como Ele, por termos sido criados à sua imagem e semelhança. Somos seres infinitos, e infinitas também são as nossas carências, as nossas fragilidades. Saber lidar com isso é sempre muito difícil, requer um exercício constante de procurar amadurecer, crescer, o que geralmente é angustiante e dói.

Beijos pra ti!

*** Cris *** disse...

Dry, procuro ser amigo do tempo senão ele me engole viva.

Bjs!

Anderson Meireles disse...

Pode parecer paliativo, mas sempre acreditei no tempo. Mesmo quando não conseguia obedecê-lo.

Se ele pode ser Deus? Sabe que eu acho que sim? Ou pode simplesmente estar nEle...ou simplesmente pertencer a Ele...
Como todas as outras coisas pertencem a Ele,
abraço!