quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cumprindo sentença
Dry Neres


Eu pensei que sabia fazer do amor meu alimento...

Não, não sei!

Minha dieta não tem sido balanceada de acordo com que os 'nutri-romancistas' diriam ser o certo. Sou exagerada, sou tela vazia, numa constante solidão acompanhada... Tudo muda - as vozes mudam, os corpos ganham novas roupagens, as árvores secam, as lágrimas molham...

E eu permaneço, me desfaço... E o meu coração tem casa vazia mesmo cruzando a Ipiranga e a São João, mesmo nos templos que ousam construir para o amor... Templos falsos, de deuses falsos, de gente que não serve pra ser casa, nem pão de cada dia de gente alguma. O amor não é uma construção. É antes, o contrário. É o caos, é a desconstrução, são os poros abertos. Não há língua, linguagem, filósofo ou poeta que dimensione esse animal indomável.

O amor nos dobra os joelhos, nos faz plebeus, nos faz ateus de nós mesmos, nos faz artigo indefinido, pretérito imperfeito, locução sem advérbio...

Eu acho que o amor é o brilho dos olhos nossos. Talvez o amor seja a grande e eterna busca humana. Que não me ouçam as estrelas, que não me ouça o mar, que me ignore as flores... Mas quisera beber em gole largo a tal essência desse fulano amor e ser egoísta... e tê-lo em tudo e em todo rasgado dentro do meu peito que dói agora em exaspero fugaz.

Queria não precisar ter pernas trêmulas, mãos em frio, copos vazios, camisas com o cheiro teu... Queria não querer antes, precisar de você, mas meus olhos fitam em roer de unhas o som que faz o aparelho de receber ligações tuas e temo e tremo e finjo estar tudo bem escrevendo assim comendo vírgulas períodos que conto num relógio imaginário me testando te testando somente pra saber até quando meu coração e meus lábios aguentam res(PIRAR) sem os líquidos teus e vendo o vento soprar no meu rosto o riso teu de quando desenhamos estrelas em paredes de quando desenhamos estrelas nos nossos corpos em dimensão sem amplidão e eu preciso dizer que amo você e resolvo pontuar para dar: ênfase para que alguém credite esses devaneios frenéticos!


Não queria ser assim como folha.

5 comentários:

Ana Paula disse...

Não é preciso pontuar: seus devaneios frenéticos são legítimos.
Gostei muito daqui...

Saudações poéticas.

Poeta Mauro Rocha disse...

"numa constante solidão acompanhada..." Forte!! Gostei, mais uma vez sublime.

Bjs!!

ลndreia disse...

Que imagem linda! *

pensador made in vaso disse...

quantas imagens, quantas sensações....minha alma se revira, minha mente pira, meu corpo sacode e vomito: vomito tudo o q sou, todas as minhas emoções. Você entrou no interior humano. mais uma vez voc~e se superou!
parabéns!

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Devaneios...quem não os tem?
Lindo poema, impregnado de amor.
Feliz Páscoa.
beijossssss