quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Infinitamente Novembro
Dry Neres
É quase frio. É quase cansado. Parece longo. Parece áspero. Reviro os retratos dos teus suspiros que moldurei em meus olhos, no lugar dos meus cílios, no lugar dos meus globos. As tuas veias me habitam os músculos e em todos os meus movimentos escuto o riso teu. "Platonizando"... Reporto-me à espera tua. Este novembro é gelado, quase morno. De este sorrir que só me lembro quando fecho os olhos no conhecido movimento de pisca-abre, pisca-leve. Sempre. Recorro à cura e na receita, encontro o nome teu. Ainda procuro esse desconhecido, esse amor, que vejo transladado nas pinturas dos quadros, dos livros. Procuro esse desconhecido sem endereço, sem roupas, sem rótulos, sem cura. O grito. Abafado. Em plataforma. Em grande escala. É quase frio. É quase março. Infinitamente novembro.
E eu me lembro...
Dos beijos de cetim. Da fome. Do cheiro. Dos gostos. Dos cabelos. Do frio. E da saudade. Da indiferença. E da busca. Dos silêncios. E acalentos. Dos nadas. Dos tempos.
E eu me lembro...
Da pele macia. Das músicas. Leves. Do que não houve. Do que poderia ter sido. Dos dois sóis. Da porta do carro. Do afago. Da lógica. Ilógica. Dos tons. De amarelo. Em tua pele. Dos ipês. Sem florescer. Nos nossos amanhãs. Das esperanças. Falhadas.
E me esqueço...
De esquecer. O março longo. Que já se foi. O janeiro próximo. Que logo vem. E esse novembro? Infinitamente. Aperta-me. Mas. Não. Devolve-me você. Parece frio. Quase. Morno. É. Frio.

8 comentários:

pensador made in vaso disse...

corrijame se eu estiver errado, mas há um forte contraste luzXsombra, frioXquente no seu texto.Com esse texto, vc conseguiu me surpreender mais do que antes, por isso, vou adicioná-la nos meus links no blog.
abraços libertários

ANA DINIZ disse...

O universo interior - vc o descreve como se visualizasse os próprios sentimentos, como se estes possuíssem cores, temperaturas, formas e vida. E têm. Não existem sentimentos sem a entropia da vida. E os seus são intensamente vivos. Vc, alguém que busca pela mesma intensidade que oferece. Alguém que busca -não só no outro, como em si própria a fina essência.

Aqui, fiz e faço lindas viagens interiores.

Beijos, amiga.

Até segunda.

Ana

Poeta Mauro Rocha disse...

Amo novembro, é o mês do meu aniversário e é regido pelo signo de Escorpião.

Um abraço!!

Poeta Mauro Rocha disse...

Acertou, hoje é meu aniversário e fiz esse poema para mim,srssr, meu presente.

Obrigado pela visita.

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Linda Dry
Na minha vida houve um "julho"... e desde então eu finjo tremer de frio, quando tremo de desejo...
beijo e ótima semana

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

delícia! Que todos os novembros sempre cheguem, com suas leves e breves ventanias.
beijos. Adorei.

busillis disse...

Ainda bem que cheguei neste Novembro!
Gostei de ler.
Abraço

Anderson Meireles disse...

infinitamente belo...infinitamente Dry Neres!
Abraço!