quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Chorando nossa ausência - Maria Cris
Dry Neres




Às vezes sinto um vazio que vem dos olhos dela. Às vezes penso que ela tenha perdido algo lá atrás, no passado. Os sonhos parecem abrigar malas escondidas. Eu sei que causo sofrimento à tua alma tão sensível. Sei também Cris, que parte minha não te agrada. O sorriso teu, me dá angústia. Eu me sinto impotente, incapaz de fazer algo por você. Você, que parece procurar amigos incolores nas páginas brancas dos livros. Você que tem amigos de longas datas, mas estes moram tão longe do corpo teu. E você se sente só, mesmo tendo em volta de si o mundo. Suas mãos parecem querer alcançar-me, abraçar-me e ninar, como talvez nos velhos tempos. Mas já sou uma estranha em seu coração. Não sei sequer lhe direcionar minhas palavras que apertam a garganta. Palavras de conforto e cuidado. Eu sinto falta de tudo o que não vivemos. De conversas de cabeceira nas noites longas e frias, em que seu amor, só o seu amor Cris, me aqueceria. Te vejo pequena. Uma guerreira que parece ter gasto todas as armas, mas a luta maior a ser travada, se apresenta como esfera que corre rápido em direção aos seus sentidos. A luta maior é a interior. É você contra você, Cris. Eu sei que parte da força que você precisa para se reerguer, provém de mim. Mas sou incapaz. Quero ser mesmo incapaz. É tudo muito confuso. Mas de tudo que sei de grande nesse mundo... é que eu te amo mãe! Sim, eu te amo tanto que chegam a me doer as entranhas e me falta o ar que condiciona os pulmões frágeis. E no auge da minha ingratidão, esqueço-me de desculpar-me durante todas essas noites, por não ser a filha que você merecia ter tido. Sou ingrata e esqueço-me de me desculpar por todas as noites de insônia que eu te causei; por todas as dores das minhas idas e vindas em mundos novos, em vidas novas que eu crio pra mim. Nas dores e nas alegrias que eu crio pra mim. Eu te amo tanto, assim, em segredo, em silêncio, em renúncia. Na verdade, eu só queria saber te amar. Mas meu amor parece que não te alcança, porque você se preocupa mais com coisas pequenas, do que com a profundidade e intensidade do carinho que sinto por ti. Deixa os pormenores pra depois, deixa minhas procrastinações e desentendimentos com o andar de cima pra que eu resolva. Só eu resolva. Tenta me amar e me aceitar como sou. Imperfeita! Incompleta... Sei que dói em você. Sei que temos convênios eternos e você deseja que eu esteja contigo depois daqui. Mas deixa os pormenores e tenta aproveitar o tempo que você tem comigo, porque cada minuto desse é valioso. Não deixa o barco ir embora, antes que você escreva um "Eu te amo" em sua borda. Não deixa nosso amor tão solto assim. Eu te amo tanto, tanto que eu choro de pensar na ausência tua. Passa tua mão pela minha. Me deixa ser teu bebê. Me deixa recordar do ventre teu. Eu te amo tanto e muito e sempre, que as lágrimas que me escorrem parecem ser de ácido que corrói pedaços meus, quando penso na nossa ausência... Quando choro nossa ausência.

8 comentários:

*** Cris *** disse...

Meu anjo, que palavras lindas, emocionei-me com elas...
Um grande abraço!!!

Poeta Mauro Rocha disse...

NOSSA!!!Sem palavras!!!


Beijos!!!

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Minha querida
Ia pedir-lhe desculpas e explicar minha ausência... mas tudo ficou tão pequeno diante sua "confissão".
Sabe, minha linda, nós, mães, erramos muito, não por desamor, mas é que não tem curso para mãe, daí a gente vai na base do acerto-erro, e a gente erra mais que acerta, mas nunca é falta de amor.
Muitas vezes queremos para nossos filhos tudo aquilo que, no fundo, quisemos para nós e não conseguimos, mas esquecemos de perguntar aos nossos filhos se eles querem também, e nunca querem...
É difícil ser filho...
É difícil ser mãe...
Conheço os dois lados. Só no fim da vida da minha mãe, diante da inevitabilidade da morte, foi que conseguimos passar nossa vida a limpo e dizer, com palavras, "eu te amo".
Mas existia o eu te amo no arroz doce que eu gosto, na espera da madrugada, na ajuda com os meus filhos... mas nunca pudemos dizer uma para a outra...
Assim é a vida.
Embarguei
beijos

ลndreia disse...

Ninguém te tira a tua ausência! *

Anderson Meireles disse...

Com essas palavras você se rasga.
E esse rasgar é como o rasgar de um véu.
E quando um véu se rasga, nada se perde, apenas faz com que aquilo que separava, não separe mais,
abraço!

Paradoxos disse...

todas as frases sao perfeitas como os teus sentimentos.


o que posso dizer?


SUBLIME!!

Paradoxos disse...

"Os sonhos parecem abrigar malas escondidas. Eu sei que causo sofrimento à tua alma tão sensível"

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"Não sei sequer lhe direcionar minhas palavras que apertam a garganta"

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teria que retirar muitos trechos deste texto para dizer o quanto ele é especial!!


ps: a foto tá liinda!!

Poemar disse...

Dry, deixa-me ousar te dizer algo: não fique esperando ouvir um "eu te amo", pra poder expressar o teu amor. Expressa-o, pois irá te fazer bem. Esquece as culpas e as desculpas. Não há tempo pra isso, mas há, ainda, para demonstrares o amor que sentes. Se alguém não tem consciência do tempo que corre veloz, mas você a tem, então, não perca-o, aproveite-o!

*Beijos, querida!

* Saudades!