quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pra quem os poetas escrevem?
Dry Neres



Ah, sim... Poetas escrevem loucuras, fogem da sanidade. Escrevem na tentativa de tocar o amor. Em uma conversa de dor 'literária' com uma amiga, vi resposta à minha indagação primeira.

Poetas escrevem para mulheres perigosas, com olhar sereno e sedutor no mesmo compasso. Poetas, cantam suas dores aos seus amores e nem sabem se os escutarão. Poetas são deuses em eterna peregrinação. Batem o cajado 'tintoso' na beira do papel e de lá emergem mil ocasiões, mas preciso dizer de três apenas:

das memórias passadas - suas deusas nórdicas, seus amores desiguais;

das memórias presentes - o anseio de tocar sua amada, tê-la em seus braços de convulsão e fumam/escrevem para tentar fugir da máxima de que não são correspondidos;

das memórias que hão de vir - dialogam com o futuro, indagam-se acerca da possibilidade de uma nova 'enamoração' por outrem, sofrem e mastigam a dor por não terem esquecido o amor anterior.

E é tudo um ciclo, avança, avança e torna a voltar.

Os poetas escrevem pros céus, pros padres, para o vento... Na tentativa desesperada de fugir, de arrancar, de esmagar a dor que sentem. Poeta não é poeta sem sangrar! Poetas fazem preces, contam segredos, disfarçam os medos, dormem em praças, não se alimentam direito, encantam-se com as paisagens, estão sempre com as mãos em inquietação... E ao sentirem o perfume da mulher amada, tiram as roupas, o relógio, a maquiagem, jogam o lápis e mergulham naquele mar de vermelho-confusão. Se entregam, se afogam, são animais desesperados, são o que chamamos de alvoroço. São a tarde que não quer ter fim, são o céu divido entre estrelas e sol.

E aceitam sua dor. Precisam dessa dor para continuar a respirar. Fazem amor, vestem as roupas, devolvem o lápis para o bolso e partem vagarosamente esperando que alguém lhe toque as costas pedindo para que fiquem. Ninguém chama! E eles com os ombros curvados, o olhar arqueado, os lábios secos implorando abraços e cuidados... Continuam sua caminhada com os pés sangrando. Procuram uma cadeira, mexem na sobrancelha e tornam a escrever sobre suas convulsões.

Poetas são animais em extinção. São loucos fora das camisas de força. Poetas escrevem descompromissadamente. Mandam cartas sem autor, ligam de números desconhecidos para quem sabe escutar a voz do seu amor. Os poetas escrevem para as mulheres que mais os fazem sofrer. Dificilmente vão elevar suas palavras àquelas que lhe devotam todo o seu tempo, todo o seu amor, todo o seu cuidado.

Poetas são como médicos dos outros, nosso antídoto ainda não descobrimos, nem precisamos descobrir... Se não, deixaremos de ser!


Mulher. [Do lat. muliere.] S. f. 5. dotada das chamadas qualidades e sentimentos femininos (carinho, compreensão, intuição, futilidade, fragilidade, interesse, superficialidade, amante, companheira, fatal.
- A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. Immanuel Kant


É pra elas que eles elevam suas preces e palavras e entoam suas canções. E devotam seu tempo. E perdem o juízo. Se não, deixariam de ser!



São as mulheres que nos inspiram para as grandes coisas que elas próprias nos impedem de realizar. Alexandre Dumas

4 comentários:

Poeta Mauro Rocha disse...

Ola!! Obrigado pelo comentário e poetas escrevem por serem apaixonados pela loucura e pelo prazer....

Beijos!!

Anderson Meireles disse...

Tens minha assinatura com firma reconhecida...
Não assino como poeta, mas sim como testemunha,
abraço!

ANA DINIZ disse...

Eu nunca tinha visto uma "definição" tão maravilhosa quanto esta! Vc está de vento e popa, poeta! Vc me fez sorrir, porque sou "a maior louca fora de uma camisa de força tbm!", nada como ser livre e selvagem ao mesmo tempo... Poeta, poeta e poeta! A criação é a convulsão mais bem-sucedida que existe.


Bjos.

Ana

*** Cris *** disse...

Os poetas escrevem para manterem-se "lúcidos".
Bjs e sorrisos coloridos!