domingo, 19 de dezembro de 2010

À poesia nossa de cada dia
Dry Neres




O meu amor é prosa em verso. 
O meu amor tem a doçura na ponta dos dedos. Tem os fios do cabelo bem alinhados. Tem o sono de contos de fadas. Tem na face o sorriso mais pacífico de todos os oceanos. Tem a arte na ponta das ideias. O meu amor carrega nos bolsos algumas letras da Duncan. Não dispensa o bom all star quando é pra me agradar. O meu amor é ultra-romântico e à moda antiga. Gosta de se atrasar sempre; parece charme para aguçar meus instintos. O meu amor dorme feito anjo. Deveras anjo ser na realidade. Tem gosto de café nos lábios todas as tardes. Come livros desesperadamente quando a insônia chega. Tem na ponta dos dentes alguma explicação científica quando o assunto é corpo humano. O meu amor é representação divina da felicidade. É a eternidade em que quero habitar. Tem nos pés o meu fetiche. Tem nas mãos o mapa do meu desejo. O meu amor tem o desajeitamento nos gestos. Tem uma caixinha de relógios. Gosta de cumplicidade. Ama com intimidade. Cheira A-mar. É humano e divertido. Gosta de abrir a geladeira no meio da noite e beber água gelada. Ouve músicas antigas. Ama molho italiano. Demora no banho. Demora em mim. O meu amor é dessas coisas que se guarda pra sempre. É dessas coisas que se ama desesperadamente. É dessas mulheres de tirar o fôlego e a identidade e dar sorrisos durante uns trezentos e sessenta e cinco dias de todos os anos.

Um comentário:

Marcos Medeiros Raimundo disse...
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