terça-feira, 21 de dezembro de 2010

24 HORAS
Dry Neres



No cérebro, um formigamento externo às estrelinhas do dia destinado ao pensar desenfreado. Chega num cansaço de corpo. Chega num cansaço de alma. É como ser dono de uma balança, e ter a função diária de não deixá-la pender nem para um lado, nem para outro, a fim de resguardar os instantes de sanidade.

Fuligens de ideias inconcatenadas que se misturaram com o que penso ser eu. Tenho caminhado tanto. Os ombros estão arqueados verticalmente, momentaneamente sem batimentos. Os dias correm depressa, e em todos os finais de ano, minhas têmporas doem mais, doem absurdamente mais. Todas as vinte e quatro horas de todos os dias do ano deixam se pesar no final dos ciclos. E a mente parece trabalhar mais que operário nas ideias de Chaplin.

Os sentimentos apertam os sentidos ou é vice e verso. Todos os sentidos do homem escondem-se nos olhos. Os olhos parecem minas com ponteiros de tempo. Os olhos fingem. Os olhos seguram a ponta da alma. E um homem ainda não ganhou a dádiva de ler os olhos de outro homem. Aí está a beleza de tudo. Olhar e não compreender. Teimar e não acertar. Insistir e falhar. Meus olhos estão um tanto cansados do que vêm. Ou quem sabe é só a ressaca anual que resolveu desembocar nesse peito de poesia diária.

Só são vinte e quatro, mas parece uma vida toda.

4 comentários:

Vieira Calado disse...

Diz bem:

entre o fascínio e o pensamento.

Aí está o cerne da arte.

Mas hoje fico por aqui.

Desejo-lhe

FELIZ NATAL.

Saudações poéticas

ParadoXos disse...

sempre bombasticamente poética!!
o Natal seja contigo minha poetiza de belos fascínios!

Vieira Calado disse...

Bem... boa noite!

Hoje é só para

desejar-lhe

BOM ANO de 2011!

Bjs

Vieira Calado disse...

Olá, boa noite!

Desejo-lhe

BOM ANO de 2011!

Bjs