quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como saber que se ama o bastante? 
Dry Neres


Nem enchendo as mãos de palavras e arranjos poéticos é possível metrificar a extensão do amor que por vezes nos cega. É uma cegueira que está imune à realidade perversa ao qual o mundo enfiou as fuças. São canções que escutamos e que foge ao entendimento dos que não tropeçaram um dia com a felicidade estonteante de ver sua sombra dupla ao sol. Amar é tornar-se dependente de si mesmo. Porque amas no outro, aquilo que desejas em si. Por isso, são almas que se juntam e formam os desejos duma só. Irradia nos amantes a sede do outro; a vontade do outro; a saudade do beijo. Vez ou outra, questionam-se se amam ou se acomodam-se. Vez ou outra, dão de caras ao vento procurando aventura, liberdade - o que é insano. Porque quem ama, fez uma escolha. Escolheu-se andar de mãos dadas, dormir de conchinha, compartilhar fotos. Combinou-se ter o celular sempre por perto quando na ausência de um ou outro. Optou-se por beijos endereçados à destinatários certos. Devotou-se tempo até que o jardim do amor pudesse florescer e chegar num estágio onde pensa-se: Para onde caminhar após a conquista inicial? Como inovar se deitados estão sob o mesmo teto, compartilhando o mesmo filme e lençóis e tempo? 

São analogias que permeiam um pensamento que não sabia, nem fazia idéia alguma do que poderia ser a palavra - junto - abdicar-se de si em prol de algo ou algúem parece ser amor. Mover-se ao som/tom de uma só voz amena que lhe chega aos ouvidos de forma arrebatadora, parece ser amor. Elevar os teus passos/caminhos aos movimentos de dois pés que se misturam com os teus outros dois e te guiam, parece ser amor. Porque se isto não é... O que mais haveria de ser? 

Nem que eu enfiasse mil versos goela a-baixo, conseguiria expulsar os mil sentimentos que me tomam - De insensatez até paixão em brasas. Nem que eu quisesse, poderia deixar-te tão segura da minha insegurança fulgaz. Às vezes dá vontade de te colocar no colo e ninar como faz a mãe à criança. Mas na maioria das vezes, eu quero ser somente o choro, o soluço e faz-me bem saber que aprecias minha melancolia. 

Como saber que se ama o bastante? Emprestar-me-ia um termo-AMOmetro? Ensina-me a amar mais... amar além das palavras e dos copos de poesias. Tens o poder de transmutar a força das nossas palavras até os nossos dias? Quero precisar mais e mais dos teus beijos...


"Say what you say. But say that you'll stay forever and a day, in the time of my life".


Um comentário:

Guida Sousa disse...

"Escolheu-se andar de mãos dados, dormir de conchinha, compartilhar fotos. Combinou-se ter o celular sempre por perto quando na ausência de um ou outro. Optou-se por beijos endereçados à destinatários certos."

Oun, isso é fofo, mesmo.