segunda-feira, 24 de maio de 2010

Descrição ao gosto parnasiano
Dry Neres 




Ninguém acreditava, talvez nem mesmo eu; tampouco ela; imagine o restante do universo... Parecia óbvio, inconstante. Parecia de fato não ser. E era um "não-sei-o-quê" dentro de mim. Os ponteiros dos relógios eram certos em nos dar incertezas; e éramos como vendaval em mares portugueses. Havia calmaria, mas tinha os segundos contados para findar. Lutávamos contra nós mesmas - eu, com meu o orgulho; você, com a sua dor. - Grandes histórias de amor - eu pensara - deveriam ser assim nas ficções... Mas não era ficção; era mais. 

Eu havia rompido o véu dos sonhos e percebia a realidade que se apresentava nua e nitidamente crua. Você, quase conseguiu transbordar algum oceano desses, com tantas lágrimas, tantos questionamentos... Eu as secava uma a uma; vez ou outra, ganhava algum beijo desesperado e  os meus braços cercavam-lhe como quem abraça o próprio ato de ser feliz.

Quando te percebi curada, inteira, erguida pude compreender o fundamento de estarmos juntas. O brilho dos olhos não me cabia no globo ocular. E você disse, como quem arranca do peito o coração e o coloca nas mãos, os mais sinceros desejos seus. Naquele exato momento, eu soube - não se espera nascer o amor como aguarda-se um filho por nove meses; ele, vem quando a gente esquece de gritar o seu nome... ele vem, quando a gente se desvencilha das amarras do egoísmo e quando aprendemos a arte de caminhar com a simplicidade. 

Você veio há um ano e seis meses... 

E até hoje me questiono sobre como consegui viver tanto tempo sem aquela que sopra a alegria em meus pulmões...

Se as cicatrizes existem, são para nos lembrar que saímos de mãos dadas de um redemoinho humano, lutando contra nós mesmas e contra os olhos pouco amistosos do mundo. Hoje é nítido - É infindável - Hoje amor, sinceramente - eu sou louca por você! 


Ps.: O teu sorriso é uma coisa assim - de estremecer um corpo e uma vida inteira.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Surram-me as palavras. Elas realizam uma espécie de balé rítmico em mim. Emitem sons de risos desesperados. O objeto enfim vence o poeta. Suam as mãos em alguns trezentos Celsius. As pálpebras quentes como quem deseja abraçar a amada com os olhos; prendê-la, sugá-la. Os movimentos não se coordenam, porque subordinados são a ti. 

A pele em veludo e nudez, nas suas silhuetas de pecado, perdição e prazer. A boca que beija o veludo interior; e os lábios comprimem a pequena pérola de grande valor. As mãos esmagam as curvas que não têm fim; os olhos exclamam - Vem, fica, mora.

O relevo dos teus beijos emudece, molha... queima, impele a pele a querer mais de ti. Os pés tocam-se como quem fala: - Não é permitido que fique um centímetro teu sem o toque do meu desejo! Os pulsos ardem; e mais Celsius invandem-me. A garganta queima com a vontade das palavras que são ditas no inaudível de um... sorriso na hora do amor! 

Na constelação do nosso céu particular, literalmente vejo estrelas. Minha mente desfila nas pinturas que molduram o meu corpo em chamas e em líquidos.

O que você representa em minha vida, não cabe e nem caberia, como eu já disse várias vezes, em nenhuma descrição humana. É indiscutível o nosso enlace. Guardas nas mãos, bem abertas, toda a minha felicidade; ser feliz é ser livre para voar os quatro, cinco, sete cantos do universo e ainda assim, querer estar eternamente preso a um único pólo; a um único mundo. A minha felicidade resume-se fielmente nos minutos-horas ao teu lado. E se ainda assim, for pouco... perco-me para te encontrar. Encontro-me para te aquecer. Brinco de tocar o que as mãos ainda não alcançam; porque as suas mãos apontam-me a direção segura para prosseguir. Com você não há medo. Com você há sorriso no escuro e coragem no abismo.

Lindo mesmo é ver você sorrir, minha criança!

sábado, 1 de maio de 2010

Pronome a ti
Dry Neres


O que eu preciso dizer a você, não pertence mais às esferas simples das palavras já conhecidas. Por isso, esmago-me neste aparelho de escrever a fim de colar meu coração nestas letras, para quem sabe ter o poder de redigir três ou quatro versos. O inexplicável do amor foi o conhecimento mais perfeito que pude perceber em mim. De sentimento abstrato que não se conhece e não se toca, passou a habitar em mim na personificação de tuas fotografias reais. Antes eu, de sabedora das arquiteturas do sentimento, hoje sou apenas refém ou oração subordinada das impressões que o amor me causa. 

Ele, o amor, transforma tudo em nós - desde o andar até o que pensas que dominas mais em você. Pensara eu, saber dominar o dicionário que mora em mim. Hoje, ele me surra porque usa das mãos para dizer o que o coração quer mostrar, sem reservas, com total desprendimento... Sem medo ou cuidado do que irão pensar. Porque o que eu penso é que te amo. E se assim o é: nada há que temer!

O nosso amor se desdobra em mil outros adjetivos. E no uso do meu infinitivo quero viver com você mais vidas do que o conhecimento prévio do homem julga existir.  Não tenho condições alguma de exigir algo mais da vida - O sinal de adição já habita-me. Vencemos tudo e todos numa guerra firmada no invisível dos nossos dias. Porque eu não me canso: eu já era tua! Entregue, nua... Tua! ... Antes ainda do teu concebimento, eu já era pronome a ti - Tua amada e cúmplice. 

[...]

"É incrível... Nada desvia o destino. Hoje tudo faz sentido e ainda há tanto a aprender. E a vida tão generosa comigo veio de amigo a amigo, me apresentar a você. Paralisa com seu olhar - Monalisa. Seu quase rir ilumina... Tudo ao redor minha vida. Ai de mim, me conduza Junto a você ou me usa pro seu prazer... Me fascina: Deusa com ar de menina! Não se prenda a sentimentos antigos... Tudo que se foi vivido me preparou pra você! Não se ofenda, com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você"!

Toda a cor e leveza e poesia e sentimento e bondade e compreensão e alegria e o que mais há de bom em mim, provém de você!

sábado, 17 de abril de 2010

À Jovem Brasíl-ia
Dry Neres




Não são simplesmente cinco décadas em idade cronológica. Brasília abriga por si só, muito mais... Mais anseios, expectativas, conquistas, idades, idéias, sonhos, histórias. Antes mesmo da sua fundação, já era projetada, arquitetada, elaborada nos moldes mais singelos de quem quer erguer uma cidade para ser um marco na sociedade; para ser a capital de um país verde e amarelo e da cor de todos os sonhos desse povo que em meio a tantas dificuldades almeja mais coisas belas.
O espaço onde antes era uma cicatriz no meio da selva, hoje se tornou o palco dos mais diversos espetáculos humanos – sejam eles agradáveis ou não. Como belezas, temos os monumentos de forma inigualável, muito bem arquitetados e os campos floridos do parque da cidade, com o nosso lago que mesmo sendo artificial reflete a mais bela luz do sol quando deixa irradiar em suas águas o sorriso de Deus.
Brasília que abriga vários passos, dos que vêm e vão e dos milhares de milhões que todos os dias por aqui passam em busca de emprego ou simplesmente de pão; em busca de acordos políticos ou de um irmão que morar aqui veio, porque no Nordeste não encontraram o que aqui oferecem.
É uma cidade artificial, como uma poesia inventada. É o centro das decisões. É jovem, bela, de ruas solitárias sem esquinas para se sentar e conversar. Mas que reúne multidões quando das reivindicações precisam se levantar. Brasília é um Brasil, cercada por outro Brasil de todos os lados.

domingo, 11 de abril de 2010

In-Dependência
Dry Neres



É um vínculo dos mais extremistas, o que me liga a você. Sabe o que é não saber ser você mesmo, sem aquele ‘serzinho’ que lhe dá sentido até ao bocejar e abrir e fechar de olhos? Eu que sempre quis ser livre, imploro agora todos os dias para que os seus braços sejam o máximo em circunferência do além que eu possa conhecer. Os meus limites estão expressos em você. Não ouso sequer criar novas rotas ou curvas, porque já tenho o mapa e a visão de céu que é estar ao teu lado. E depois disso, não ousaria sentir desejos outros de caminhar sem ser paralela aos teus passos.

Eu que por várias vezes achei bom gosto em estar isolada de mim mesma; de mãos aos bolsos em sombra única e fria... Que achava ser a vida assim até boa de viver, mas sem ter tocado fielmente a felicidade e a graça divina do que é amar... E que acreditava conhecer os mistérios da existência e das pessoas; contemplei diante de ti a mais inacreditável representação do que é não saber de nada além da respiração tua. Aprendi os teus compassos e a musicalidade dos versos ímpares do teu sorrir. A tua voz e o teu sorriso são os elementos mais vorazes da dependência estabelecida de ti a mim.

Depois desse tempo reflito... Já éramos sem dúvida alguma pré-ordenadas a ser uma d’outra. Porque não há explicação filosófica, religiosa ou científica que desbanque o nosso afeto incomum; a nossa sutileza ao cuidar do amor de uma a outra. Almas gêmeas se assim preferir! E se a eternidade não nos couber, certamente inventaremos algum outro lugar para abrigar nossa felicidade.

A paisagem rústica, iluminada lá fora não me abraça... Porque não te tenho aqui ao meu lado para sentir o roçar da ponta do teu nariz no meu, nem os teus pés que acariciam os meus e se abraçam e beijam. O som do vento hoje à noite não se fez amigo, porque os teus beijos não vão morar aqui em meus cabelos. Estou em estado de abstinência tua... E o mais engraçado é que somente doze horas nos separaram. Todavia, qualquer segundo longe de você é como ser estrangeiro de país em estado de calamidade pública.

Casa comigo pra sempre... Amanhã esta abstinência se vai e serei novamente feliz por mais algumas horas em que a minha alma e a tua farão a mais bela pintura retratada em arte moderna ou clássica acerca do conhecimento que nem mesmo temos... Sobre o porquê de nos amarmos tanto assim. Eu não preciso conhecer mais nada... Tudo o que me alegra e faz com que minha vida tenha sentido já está em mim. E com conhecimento de causa, posso dizer: se eu não sabia antes o que era o amor, hoje sei, porque você nasce em mim todos os dias e me é como o próprio surgimento do mundo sempre esplêndido e divino – e me é sempre como o cantarolar das coisas mais lindas do universo.

terça-feira, 23 de março de 2010


Os movimentos em fome e em verso
Dry Neres



Apaixonamo-nos ali mesmo, entre edredons. Você amanheceu em mim. O amor tem se renovado em nós a cada hora. Nossos olhos queimando-se em brilho-paixão.  Aquele não era um domingo comum: renovou-se em mim um desejo descomunal. O seu corpo implorava por meus cuidados. A sua face quente em ponto de exclamação fazia estremecer todos os órgãos e pernas, quando o calor dos meus lábios adentrava na calmaria furiosa do teu prazer. 

Ardiam em mim, gritos de contemplação. Eu compartilhava naquele exato instante do teu delírio. Meus olhos não podiam ficar abertos. Eu os apertava na mesma intensidade em que programava os meus lábios naquela concentração artística, da escultura em relevo de um amor que ainda não contaram em livros.

Uma cena indescritivelmente bela! Mãos que procuravam mapear um universo particular em forma de corpo-escultura. Mãos que te seguem sempre, em silêncio. Mãos que abrigam dedos famintos à espera certa da poesia do outro. O cheiro. Impregnado. Artisticamente transformado: Em poros, líquidos – manjares de todos os deuses – és inigualável – paixão.

A dança dos lábios velozes. Os movimentos em fome e em verso. O verso do outro na palma da mão e da língua. As linhas – molhadas. As minhas impressões nas tuas – digitais. As unhas arranhando e arranhadas costas nuas que mais representam o cais, céu, ou qualquer outra figura divinal. Os negros cabelos que se misturavam com os meus quase vermelhos da cor ainda não escrita, pintada. De uma língua não falada. Diante do amor tudo se cala, e eis a primeira visão: vi duas deusas em nuvem de firmamento aromatizado, em observância às estrelas do teu céu particular. E se amavam. Brincavam de felicidade. E era real. Tal como a cor do vento que se inflamava, com a fogueira doce da paixão.


E por você, eu juro... Faço tudo - Movo o mundo!
 

sexta-feira, 19 de março de 2010

E todos foram pontes...
Dry Neres




Ausentei-me em palavra escrita, todavia nunca amei-te como amo nesse exato instante. Meus olhos bobos e vermelhos me tomaram os juízos porque tudo o que guardo nos cílios e versos são os teus sorrisos. 

O nosso amor saiu da adolescência. Entrou no módulo adulto e maduro na mais perfeição que há, porque somos uma d'outra e não há questionamento ou razão que façam nossas mãos se separarem.

Eu te amo com a ganância dos que desejam conhecer o mundo. Eu amo porque agora sim, sei como é bom dividir o edredon, ou cozinhar junto. O marco do descobrimento deveria ter sua data alterada de 1500 para 2008 (quando nos conhecemos). Depois de você, não há lábio, beijo ou língua que pudesse me causar os tremores e arrepios e quenturas no coração. Depois das aulas de amor que tive com você, me pós-graduei: sou mais humana, então!

Vi-te crescer - posso dizer sem medo! Amo intensamente quando meu corpo ganha moldura em seu colo e quando seus cabelos negros acompanham a melodia da minha voz. É incrivelmente lindo acordar e ter ao meu lado a mulher que sempre sonhei em ter. É mágico cada anoitecer em que repousas sobre meus seios e adormeces como criança, minha criança. 

Eu amo rir dos seus risos e das suas caretas e das suas danças nada convencionais. Eu não sei mais respirar sem você. O ar que ventila em mim tem o cheiro do teu perfume. Os meus dedos, estão cercados das alianças que construímos nesta vida de um ano de quatro meses (quase).

Eu queria que você soubesse que tudo o que vivi antes de você, somente foi ponte para que eu te encontrasse. E todas essas pontes me trouxeram você no melhor momento - no momento exato. E quando meus olhos se cruzaram com os seus e até antes disso, eu já sabia que era amor. Porque só se ama dessa forma, uma vez na vida. E quando se ama assim, ama-se eternamente. Traduzindo: sou tua eterna, óh minha divindade!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

De nossos destinos
Dry Neres


 Intro: C Am C Am

C                             Am                  E                      Em7  
Se é pra falar em sentimento, vem cá me dá a tua mão.

C                                        Am                  E                      Em7

E relembrando os bons momentos que tocam em meu coração.

 G                    C                                                     C7

De tantos caminhos, meus passos se cruzaram com os seus.

 G                    C                                           D7
De nossos destinos, o céu inteiro se compadeceu.

G                  C7            D
Não posso ficar sem você.

G                 C7               D

Não posso ficar sem te ter.

Intro:  C Am E G

C                                Am                E        Em           C
Se é pra falar em sentimento até te faço uma canção.




Letra e Melodia - Drielly Neres


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 Meus olhos rasos de lágrimas que dançam felizes em minha face... 

Sinto por você algo bem maior do que qualquer sentimento que ganhou nome ou voz. Não há como distinguir os seus passos dos meus, nem as tuas metas das minhas. Parte dos teus sonhos que me enchem de alegria e admiração começa exatamente amanhã. E eu estarei contigo a cada segundo. Queria que soubesses amor, que este é o teu primeiro degrau que traz consigo a idade da maioridade e das conquistas vindouras. Queria que soubesses que  o meu amor é teu. E isto significa doar-me inteiramente aos teus dias; significa devotar-me horas e horas no cuidado à tua felicidade. Não medirei esforços para tornar sua caminhada mais segura e amena. Poeticamente romântica me deixo... E não pense que isto é a suficiente devoção para agradecer-lhe por estar presente em minha vida.  E não pense que por aqui encerro as carícias em corpo escrito...

Por você, regressaria há vinte e uma primaveras, quando ainda não me eram conhecidas tua face, nem tua voz. Retornaria aos fios embrionários que me cercavam para me trazer até esta esfera ou talvez mais longe que isto... Enfrentaria bravamente e novamente todos os dias que antecederam os do nosso encontro, se a promessa tivesse de te encontrar novamente tal como foi. Por você não me é assustador permanecer num barco de cais em meio à escuridão e solidão humana; porque já me é clara e indiscutível sua presença que me acalma. 

Segura minhas mãos, amor... Serei teu colo e abrigo. Sou teu carinho e mulher. Ser-te-ia tudo mais o que te fores necessário. Escuta os meus sussurros embalados pelos ventos; e permite encostar tua vida mais ainda na minha, de tal modo que confundiremos nossas idades e nomes e endereços... porque em uníssono nossos corações permanecerão. 
Nasce em mim diariamente, num campo de flores belas, o que há de mais lindo em matéria de amor.

 Ps.: você é incrível. Te amo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como saber que se ama o bastante? 
Dry Neres


Nem enchendo as mãos de palavras e arranjos poéticos é possível metrificar a extensão do amor que por vezes nos cega. É uma cegueira que está imune à realidade perversa ao qual o mundo enfiou as fuças. São canções que escutamos e que foge ao entendimento dos que não tropeçaram um dia com a felicidade estonteante de ver sua sombra dupla ao sol. Amar é tornar-se dependente de si mesmo. Porque amas no outro, aquilo que desejas em si. Por isso, são almas que se juntam e formam os desejos duma só. Irradia nos amantes a sede do outro; a vontade do outro; a saudade do beijo. Vez ou outra, questionam-se se amam ou se acomodam-se. Vez ou outra, dão de caras ao vento procurando aventura, liberdade - o que é insano. Porque quem ama, fez uma escolha. Escolheu-se andar de mãos dadas, dormir de conchinha, compartilhar fotos. Combinou-se ter o celular sempre por perto quando na ausência de um ou outro. Optou-se por beijos endereçados à destinatários certos. Devotou-se tempo até que o jardim do amor pudesse florescer e chegar num estágio onde pensa-se: Para onde caminhar após a conquista inicial? Como inovar se deitados estão sob o mesmo teto, compartilhando o mesmo filme e lençóis e tempo? 

São analogias que permeiam um pensamento que não sabia, nem fazia idéia alguma do que poderia ser a palavra - junto - abdicar-se de si em prol de algo ou algúem parece ser amor. Mover-se ao som/tom de uma só voz amena que lhe chega aos ouvidos de forma arrebatadora, parece ser amor. Elevar os teus passos/caminhos aos movimentos de dois pés que se misturam com os teus outros dois e te guiam, parece ser amor. Porque se isto não é... O que mais haveria de ser? 

Nem que eu enfiasse mil versos goela a-baixo, conseguiria expulsar os mil sentimentos que me tomam - De insensatez até paixão em brasas. Nem que eu quisesse, poderia deixar-te tão segura da minha insegurança fulgaz. Às vezes dá vontade de te colocar no colo e ninar como faz a mãe à criança. Mas na maioria das vezes, eu quero ser somente o choro, o soluço e faz-me bem saber que aprecias minha melancolia. 

Como saber que se ama o bastante? Emprestar-me-ia um termo-AMOmetro? Ensina-me a amar mais... amar além das palavras e dos copos de poesias. Tens o poder de transmutar a força das nossas palavras até os nossos dias? Quero precisar mais e mais dos teus beijos...


"Say what you say. But say that you'll stay forever and a day, in the time of my life".


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pedido nº 558550558
Dry Neres



Quando a gente se abraça, eu consigo sentir uma pausa no mundo. As pessoas engolem suas falas, os carros param nos sinais, o sol observa; o cenário humano contempla. O seu abraço é sem dúvida a melhor roupa para o meu corpo nu. Gosto da forma ímpar, como quando as suas mãos atravessam a circunferência da minha silhueta.  Suas mãos exalam fome, abrigo. Suas mãos... se confundem com as minhas no ato de conhecer novas rotas e mapas meus.

Eu amo o som da tua voz no silêncio do teu sono. Você não dorme; faz poesia nos lençóis. O seu corpo se ajusta às curvas sincrônicas da beleza, na invisibilidade do ar. E eu, sua Vassala, Ó senhora dos feudos e reinos. Arrisco-me ao observar-te descansar as pálpebras. Beijo-te os olhos na tentativa de acalmar os teus sonhos. Arrisco-me, porque enquanto dormes, 'a-cor-da (te)' em mim a nobreza da tua simplicidade. E eu, sua Vassala...

Quão bom é amar assim! Com quanta devoção, queima em mim tal sentimento... Eu a amo, como nunca pensei um dia amar alguém. E cresce em mim vinte e quatro horas por minuto a admiração por toda a sua perfeição sobre-humana. Ser-te-ei, céu; ou mar; ou tua esposa. Ser-te-ei, lealdade. Quão bom saber que amas a mim tal como me derramo em paixão por ti. Somos assim, amantes e indecifráveis.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


Cem Juízos
Dry Neres



 Como metaforizar de algo tão... Tão latente! Como é se revoltar diariamente com si próprio? Apaixonar-me-ei novamente por mim, pelo outro! A descrença é algo que lateja, e almeja lugar maior quando se dá uma brecha. Eu não quero deixar de acreditar nas pessoas, no outro, no além. Meus olhos teimosos, perdidos em lembranças do que poderia ter sido. De gentes, camas, fatos que nem sequer existiram (ou não). Reporto-me a postais estrangeiros, em letras vermelhas e caligrafia exuberante. Confundo-me nas letras e nos flashes do mundo. Pareço ter acabado de nascer. E não quero abrir os olhos, porque nas pálpebras só me cabia uma fotografia. E o medo aflige, a ponto de não querer saber o que se quer; e nem querer o meu querer aflorado como se eu fosse adolescente em confissão.

Divago diante da fumaça imaginária de um cigarro que quisera eu ter a ousadia de levar aos lábios. Quem sabe para usá-lo como uma figura imponente. Algo que me descreva; que chegue antes de mim. Tomo em goles o desejo de começar tudo de novo. Com galanteio, paixão, proibições, receios... De forma ou outra, o perigo me submerge. Pareço precisar da sensação de correr em trilhos e saltar de elevações; isso me dá a impressão de que eu tenho o meu próprio controle. Nada sábio, para quem sabe que o que me leva são os impulsos que me são externos. Sinto falta do imprevisível, mesmo sabendo que viver já é incerto.

Talvez o problema consista em saber demais. Quem sabe tanto assim, decerto não tem capacidade para saber de nada. São tantas as teorias que arquiteto acerca da minha existência meteórica... E nenhuma delas me leva onde eu desejaria chegar... Dentre, dentro! Teorias são roupas folgadas que usamos na tentativa de nos refugiarmos! E eu, no auge da minha contradição desejo caminhar nua em direção à ‘Nuelândia’, ou simplesmente andar descalça entre as pedras de uma ribanceira para pegar algum peixe com as mãos. Queria poder viver sem reservas do que eu sinto, sem me preocupar com o externo dos outros; com o que os olhos vão achar de/em mim.

O que ainda me conforta... É você! São os teus carinhos/cuidados. O que me conforta é saber que tenho alguém para passear de mãos entrelaçadas depois do que existe além do arco e do íris.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Iuncti per semper
Dry Neres



Estranho-me. Ainda é estrangeiro em mim o sentimento de amar alguém tão integralmente. As canções mais lindas, desde o dia em que pedi por sua existência, estão registradas numa espécie de arqueólogo musical e dia ou outro, recolho-me nelas. O mundo só se fez mundo, após o dia em que meu pedido foi-me dado. O ato de esfregar os olhos e pensar se acordada me encontro, tem sido constante desde o seu primeiro sim. Desde que seu coração se abriu e você rendeu-se à minha devoção tão Machadiana. 

Já não sei mais pensar em poesia sem deixar correr aos olhos lágrimas tão minhas da felicidade tão nossa. Existe um casamento bem maior do que o que os reles mortais estabeleceram para si, em nós. Existem - Promessas. Segredos. Existe a necessidade. Tornam-me físicos, os desajeitamentos da alma inquieta quando preciso pegar as chaves do carro, vestir-me, acordar-me - não nesta ordem - mas é assim quando preciso por força de maior motivo deixar que tua silhueta more sozinha nos lençóis molhados dos líquidos que emanam de nós. 

E em cada hora dos segundos dos meus dias, permanece a memória dos teus beijos. É inadmissível pensar em não pensar no toque do seu corpo. No ruflar dos lábios que se misturam bem com o toque das mãos mais doces que os meus poros puderam conhecer. Depois de você, eu só penso em você. Não tenho desejo de países vizinhos, porque sou patriota em teu país-estado da minha fé no amor. 

Preparei-me em cada letra para dizer-te tudo em que meus dedos devoravam-me. E doutra vez, surrada fui pela verdade das palavras que não me deixam preparar, arquitetar, lantejoular acerca do indizível. E o indizível é o amor. Escrevo-te assim, despreparadamente, todavia no clímax da paixão que senti hoje mais. Apaixonei-me. Verdade. Apaixonei-me por outra. Outra face tua. Outra beleza tua, porque a cada dia  descubro riquezas em você, escavo como descobridora de mares e povos. Existe mais beleza em você que o infinito e todo o universo que meus olhos contemplam. 

Por trás das palavras, existe uma trilha sonora de beijos e falas e medos e voltas e linhas e silêncios. Por trás e por dentro aqui em nós, existe mais do que as palavras conseguem abrigar. Hoje e por mais os noventa e nove anos, pelos quais me jurou amor, renovo minha devoção que por uns dias andou-se perdida entre as faiscas dos relevos das paisagens que não me eram muito ensolaradas. Renovo minha devoção. Fiz-te novamente o altar. Lancei-me nua nas águas de mares invisíveis que ainda se tornarão reais para nós. Revesti-me da pureza e do romantismo aos quais sentia-me a ausência. Limpei as lentes das pálpebras que abrigavam fotografias suas. Estavam mal encaixadas, nubladas. Enxergo novamente. E tenho fé novamente - no milagre do amor - na renovação da alma dos que amam.

E hoje e por mais os noventa e nove anos, quero te lembrar que és a dona dos meus desejos e carinhos e beijos. Que és dona da maior verdade que há em mim - minha poesia. Que és a mais linda de todas as lindezas que um dia conseguiram juntar. Que não há nada mais precioso que sentir o calor desse amor que sopra de ti pra mim, de mim pra ti - como numa rosa dos ventos, como numa estrela que adormece nos braços do sol. E quando acorda, com os olhinhos brilhantes, apenas sorri. Fecha-os novamente. E dorme. E eu na devoção mais absurda, escrevo-te nas paredes mal rebocadas da consciência e dos pulsos. 

Iuncti per semper! Porque em latim ou coreano... eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Porque estou afogada em romance
Dry Neres





Sinto uma espécie de afogamento de mim na tua ausência. Estou tão acostumada com o teu cheiro, que quando ele me falta, nada mais parece saudável de se respirar. Você se tornou a minha insulina. E eu diabética no doce de amar, derramo-me em vontade de casar minha alma com a tua em pressa. Afobo-me com a ausência do teu sorriso nos olhos quando você está aí e eu aqui sentada. Se eu pudesse passaria umas quarenta horas por dia banhando-me da tua poesia. Eu a amo tanto que é impossível guardar só no raso dos olhos as lágrimas da felicidade que você me trouxe. Talvez eu a ame mais do que a mim mesma. E diante da mihna racionalidade de outrora, surpreendo-me com tal afirmação que emana desses dedos desesperados em poesia. E me soa assim tão verdade quanto o azul das véias - Talvez eu a ame mais do que a mim mesma. 


Por este amor eu não mediria e nem medi esforços até hoje. Eu não conhecia até onde o Ser Humano poderia ir por amor... Porque eu nem mesmo sabia mensurar o real significado de tal afirmação. Mas diante do que vivemos, eu até me arrisco a tropeçar nos significados que meu coração em cavalgamento de emoções faz pulsar. Formigo-me tal como em estado de prazer maior quando lembro do passeio perfeito que seus lábios realizam nas curvas da minha imaginação já tão conhecida por seus desejos.


De mãos dadas com as suas não temo a 'santa inquisição', nem o trilho dos trens, nem a juba do leão. Não temeria a solidão... Porque depois de você a palavra - j u n t o - ganhou trilha sonora. Estar junto a você é o estado que garante a minha própria sobrevivência. Sem você, eu me vejo sem graça. E que graça há no céu à noite senão o brilho teu - oh estrela dos meus dias?


Eu juro a devoção dos meus olhares a ti. Aqui ou em qualquer lugar em que eu esteja... a minha devoção será sempre a mesma. É o mínimo que posso fazer em agradecimento ao cuidado que tens tido com o nosso amor. Conta comigo pra sempre. Casa comigo sem prazo de validade. Namora-me sem ponteiros de relógio. Mergulha comigo... Porque estou afogada em romance. Vem comigo, amor... Sempre! Te amo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Por estes olhos que a Terra há de comer
Dry Neres




Está pré-anunciado o grande banquete. O grande dia em que a terra há de comer os olhos que levianamente deixaram de olhar por ela.
Eu queria ter a voz estrondosa das marés... O direito ao grito!
Estamos caminhando a lugar nenhum, fazendo coisa nenhuma por nós mesmos. O conceito de humanidade se perdeu.
Os conceitos...
São rarefeitos como o ar que tem nos invadido. A natureza ganha vida. Manifesta-se e reivindica seus direitos há tempos imemoriais já esquecidos.
O que há de ser feito quando a larva feroz dos vulcões e o vento arrebatador dos tsunamis alcançarem suas portas?

domingo, 3 de janeiro de 2010


Inenarrável
Dry Neres





Há em seus olhos toda a verdade e paixão que há vidas e meios meu corpo veloz procurava entre as ninfas e poetisas. És maior e mais que qualquer descrição musical. Meu corpo vestiu-se de carinho, cuidado, verdade, ao tentar dizer dos nossos dias, das nossas vidas, dos seus olhos que sempre desajeitadamente tento descrever.  Questionei-me acerca dos porquês de tanta afinidade infinita e descobri o que seus lábios já me exalavam - Inenarrável este amor!

Somos cúmplices de uma história que já tivera início antes mesmo de nossa percepção. Estávamos prometidas já n'alguma esfera ou cosmos ou século. Talvez já fostes senhora feudal e eu vassala a servir-te em amor e pecado. Talvez já me fósseis como o interminável brilho das estrelas e eu geográfica ou cientista. Sei que nosso encontro é anterior ao nosso próprio ato de existir em terra firme. 

Que teoria elaborar acerca do toque das suas mãos em meu corpo de nudez tão sua? Como descrever os sentimentos da minha alma ao receber o cuidado dos teus dedos e líquidos? Como rimar a dança dos teus negros cabelos em meus seios, ombros, risos? 

 Delicio-me com a literatura que emana dos seus lábios. Encanto-me com a sua desenvoltura ao dizer dos sentimentos teus tão doces meus, de nós. É certo que esse amor tem sido a água e o alimento dos nossos dias e beijos. É o calor dos teus braços que tem sido o repouso do meu sono. 

Amor... Inenarrável. És predicado e verbo e vírgula. Prefixo, cores, infinitos. Hipérbole, metáfora. Meus sentidos literais e aguçados. Léxicos, sinônimo, verdade.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

As câmeras do mundo
Dry Neres





O que captaram nesses trezentos e sessenta e cinco dias que ficaram para trás? Souberam dizer das dores, dos amores, dos senhores? Apegaram-se somente à estética ou identificaram com precisão a beleza escondida por trás das lentes e flashes?

Houve câmeras solitárias... Aquelas que fotografaram a intimidade dos anônimos. O frio que ventou forte no coração dos famintos. A sede que congelou os lábios dos que sofrem da ausência de fé. Nossos olhos fotografam diariamente ângulos díspares de seres idênticos... E os olhos têm o petulante costume de capturar somente o que lhes é conveniente. O que as câmeras do mundo aprisionaram em imagens?

Progresso? Avanço tecnológico? Acordos políticos, climáticos? Reencontros? Abraços? Congressos empesteados de corrupção? O efeito estufa? Asfaltos, erosão? Desabamentos? Enchentes, furação?

Multidões que se aglomeram e ainda sim a solidão está em cada um. Uma multidão de solitários famintos de si mesmos. Famintos de essência, caráter, voz. São mudos mesmo quando com cordas vocais perfeitas e presentes. Têm dificuldade de se locomover rumo à ordem e ao progresso mesmo quando vestidos de verde e amarelo e com duas pernas, duas mãos e coluna vertebral na vertical em perfeitas condições.

Haverá ainda alegria em fotografar o som dos pássaros? Será ainda cada ano mais frio que os outros? Continuaremos a caminhar às escuras rumo a lugar nenhum?

De tudo o pouco que sei é que ainda que as lentes das minhas câmeras estejam nubladas com a fumaça impenetrável do que o ser humano se tornou, devemos continuar a sonhar! Deveremos fazer nascerem sorrisos nos rostos trépidos e tristes e sedentos! A beleza da poesia existe independentemente da nossa vontade... E o dom de sermos poetas, Deus nos dá de graça... Ele só pede que aos poucos possamos limpar das nossas lentes as dificuldades, os desapegos, os desenganos... E que possamos desenhar no lugar, mais abraços, mais amor, mais compaixão.

Que o ano que se inicia seja próspero em atitudes mais conscientes, em irmandade, em união!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sem graça
Dry Neres





Houve um tempo e ainda há, em que o medo ou a ausência dele, de alguma forma me leva... Existem dias em que eu me arrisco como um trapezista n'alguma ponte sem fundo. Noutros, quando venta forte, sou como criança a procurar o abrigo do colo da mãe. Oscilo entre anjo e demônio. Existem noites em que meu corpo plana gelado e trêmulo, porque sinto que me rondam entidades desconhecidas... Talvez na tentativa de me arrastarem a algum lugar devido, em que eu realmente deva morar. A maturidade me fugiu aos dedos. A minha adolescência tornou-me a aparecer - tenho tido atitudes insanas e divergentes as que eu deveria ter segundo minha idade de cronos. 

O medo de perder as pessoas que amo é tão intenso que por vezes, eu mesma expurgo-expulso de mim os seres amados. Digo-vos: 'Que vás agora que permito, antes que sem o meu consentimento os dias te arrastem de mim'. São tentativas frustradas! Ainda há em mim algo bom. Um Ser que ama, nem que seja num cubículo de espaço do peito teu. 


Neste pedacinho de tarde instiga-me a perda que ainda não tive, todavia que fora anunciada por bocas conhecidas desde tempos breves, agora. Como seria perder o útero que gerou o meu ar? Como seria ter que encarnar a mãe da irmã minha, na falta da mãe de longo sorriso que gerou nossos pulmões e órgãos todos? Ela anuncia: 'Aos três deste lar - para que saibais caminhar com seus próprios pés, porque tão breve chegará a hora tão logo anunciada em que meus olhos não acompanharão mais os teus em terra plana... Talvez num céu acima, talvez num céu'. E ainda disse: 'Não questionem o Deus - para que saibais que a hora de cada um chegará sem que possais frear ou debruças-te sobre os ponteiros do relógio que somos'.


Mais fotos eu deveria ter da vida que vivo. Mais músicas para ouvir ou cantar aos dias que me são dados. Mais sensibilidade ou caráter para fazer da vida - real. Não dá pra viver num mundo de bolha em que o meu rosto não é mais amigo. Num mundo de bolha em que a minha língua não é mais confiável, nem as mãos afagáveis. Já os rostos não são tão conhecidos. E os que são, estão confundidos diante da cegueira 'platafórmica' que consegui desenhar em meus cabelos. 


Alguém: 'Você já pensou em acabar com tudo'?


A verdade dos meus pensamentos: 'Estou pensando neste exato momento'!


O fascínio do meu mundo inventado: 'À frente marchemos. Não há nada a temer'!


Onde encontrar respostas? 

As que encontro nas literaturas, já me são insuficientes.


Como consertar alguns anos de tropeço? 


Como consertar trinta e cinco mil e quarenta horas?


'Você já pensou em acabar com tudo'?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Di-amantes
 Dry Neres



Discretamente, digo-te donzela.
Dos D's denovo,
ditongalmente.
...
Dá de dizer duamor dos D's.
Duencanto.
Duexagero.
...
Dá de dialogar de D,
dizendo - Dam;
dizendo - Dry;
Dias, dedos, dotes, dozes.
!!!!!!
Diferentemente doutros, damo-nos:
d e v o t a d a m e n t e !
Delicadamente di-amantes deixamos.
...
Datilografo dádivas
daí, dalém,
dama duamor da Dry.
!!!!!!
Dum decanato decerto:
decoro.
Declaro-me:
doida diamor, DAMa -
Deidade delonga.
...
Deliciosamente, delírio.
Demasiadamente dentre.
'Desconcertar-te-ei'?
...
Di-amantes, dou-te!
'Desconcertar-te-ei'?
Devorar-te-ei!
Doçura, delas -
duradoura descrição.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os horizontes ficam verti-Cais...
Dry Neres




Acordei com o teu nome nos lábios.
Esfreguei os olhos com o teu cheiro nas mãos. 
Balbuciei um 'Eu te amo' às escondidas.
Escrevi-te um poema doce de paixão.
[...]
Não que eu goste de rimas ou palavras escolhidas.
É que com seu amor os horizontes ficam verticais.
Não me incomodo em ser romântica ou poetisa.
É que com você encontrei meu porto, meu cais.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Vivemos
Dry Neres




Que humanos seres somos (são) esses? Vivemos em eterna revolução contra nós mesmos? Somos tão sujos e anormais que nossas faces são repelidas pelos espelhos? 


Tantas vidas, de tantas gentes... Assim, caminhando ao acaso. Assim, errando correntes. Já não é mais viver enquanto se pisca. Já não é mais sentir o sabor doce da paz da consciência. Somos assim... bizarros! Rimos da paixão alheia. Zombamos da dificuldade outra. Bebemos nosso próprio sangue ateu. Deus? Deus é um chamamento que escuto sempre quando prestes a desabar os prédios ou a tombar os trens, ouço ao longe. Verdade. O que seria? Alguma nova piada. Honestidade. O que seria? Algo novo de usar nos pneus dos carros. Vivemos pensando que amamos. Vivemos pensando ser certo o que nos torna sujos, desumanos. 


Esse, definitivamente não é o mundo em que eu quero criar os meus filhos. Não é o jardim de um éden que eu desejaria viver com minha Eva. Isso é o inferno, fato! Como acreditar no serUmano? Como acreditar em nós mesmos, quando nos traimos a cada instante? Vendemo-nos aos caprichos mundamos e somos dele escravos por escolha.

Algo mais?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu picharia os muros do mundo 
Dry Neres





Tem dias que dá um nó na garganta e uma vontade desesperadora de gritar aos quatro cantos do mundo o quanto eu amo você. Tem horas, longas horas de longas datas em que as tintas desejam ganhar vida em minhas mãos - desejaria pichar os muros do mundo! Imprimiria em suas telas a arte de amar sem fronteiras, sem reservas. 


Coloco-me a pensar neste dia. Inomeável dia em que as paredes do mundo teriam não só as suas cores perfeitas, mas ainda o teu perfume em cada recôncavo. O teu cheiro de flor faria com que a Terra se aproximasse do Céu. Quão belos são os teus olhos. Quão bela seria a pintura deste ocular globo no cenário das gentes tristes. Tua beleza é canto, cor e movimento que envolve o coração dos que vêm no mundo só desassossego e solidão. És como um anjo moreno e suave. És como estrela, fada ou mar... Se nos muros do mundo n'algum dia eu puder desenhar - minhas letras serão aquelas que talvez você já conheça, porque os dicionários só abrigam cerca de noventa e seis mil entradas lexicais ou ainda cinquenta mil verbetes de elementos mórficos. 

As palavras ainda são repetidas. Não encontraram melhor forma de dizer que se daria a própria vida por alguém; que se passaria fome por outrem; que seria peregrino em todos os mundos para que n'algum lugar pudesse brotar o sorriso teu, do que dizer bem assim, ao ouvido do pé, verso ou vice: 'Amo você, eu'! 'Eu você amo'! 'Você, eu amo'! Não importa a ordem, tampouco a explicação. Amar é: esquecer-se do próprio nome ou endereço. Amar é: não saber de si nem do outro. Beber em goles largos a presença do amor teu. Ousar escrever na tentativa de expandir sentimento este que lhe cresce o coração, que lhe enche os olfatos. 

Mil e uma cartas de amor endereçarei aos teus olhos. Esta é a primeira. Enquanto não conheço o mundo todo... Começarei pichando aqui o muro meu. O muro que havia em volta do meu coração que nem mesmo é Berlim. O muro que caiu e hoje é flor. Começarei pichando na invisibilidade o espaço que hoje é teu e sempre foi. Amar é enlouquecer e ficar Amar-Ela e RosA e VermelhA. Com uma frase tua permito-me descansar as pálpebras e os textos e as unhas:

"E o coração fica aqui pulsando: euteamo-euteamo-euteamo-euteamo"...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Descritivo
Dry Neres




Às 21h45min, sentada nesta cadeira vermelha, com as pernas entrepostas, os cabelos emaranhados. Óculos meia vista. Panturilha dolorida. Língua dormente. Você aí não sei como - se sentada, ou ausente. Se sorrindo ou me amando. Se pisca ou tosse. 


A cor dos olhos sei bem. Negros esverdeados. Cabelos encaracolados. Aquele sorriso desenhado. A alma colorida. Seus sonhos bem alicerçados. Você, integralmente em mim.

Quando ela me abraça - os órgãos, todos eles... se beijam. O ar se comprime nos olhos. Os dedos se movimentam tentando fazer-lhe carícias. A boca deseja invadir os tímpanos. Quando ela me abraça, eu consigo imaginar um mundo sem guerras, sem fome, sem mortes. Ela me traz uma aquarela pintada no sorriso. E o mundo torna-se belo, leve, lindo. E o que vejo são montanhas esverdeadas com a grama fina molhada. Pássaros, muitos, infinitos a cantarolar. Um coro excelso de anjos a nos cobrir de cuidados e caprichos - a nos proteger da 'santa inquisição'.

As 21h55min ela escreve para mim também. Deve mordiscar os dedos. Balançar as pernas na cadeira. Deve sentir o coração explodir de amor. A garganta deve estar arranhando na tentativa de fazer chegar ao teclado toda a vibração vermelha desta paixão de todas as cores e países e verbos e séculos. Atravesso as literaturas neste exato momento e me recordo de tu, minha Capitu. Suas danças e nuanças. Seus mistérios e sentidos. A loucura e a paz que você traz.

Teu amor me silencia. Às 21h59min permaneço num estado de encantamento tão profundo que me perco nas palavras. E você, agora o que faz? Ama-me como te amo? Deseja-me como meu desejo é teu? Neste momento uma lágrima invade... Minha alma, minha vida, minha felicidade. Lágrima de amor. Tu és tão pura que me causa esse turbilhão de sentimentos que vêm embrulhados nessas lágrimas felizes. Se eu pudesse d-escrever mais eu assim o faria. E quem disse que há dicionário que abrigue tanto desejo de fazer alguém feliz?!  Permaneço sentada agora. Mas é como se eu viajasse o mundo inteiro ao lado dela. Consigo crer nas várias possibilidades. Minha fé na vida e na felicidade é indescritível. Sentada, todavia não estática. Ela me movimenta. Ela...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Eu mudaria os oceanos de lugar
Dry Neres




Noite esta ardi em calor febril que nem o vento do aparelho de voar retirou-me a efervecência do corpo. Tive sonhos ardentes de amor. E no clímax do beijo tua voz se intercalou com os meus líquidos. Não descreverei a pergunta tua, mas sim a resposta minha: Eu mudaria os oceanos de lugar!

Toda a minha poesia foi facilmente transmutada ao seu Ser no instante em que seus olhos se cruzaram com os meus mesmo que presos na tela fria do computador ou do fio telefônico que nos uniu de alguma forma. E a minha respiração começou a apresentar sons parecidos com o teu nome. E eu já sentia vontade de vestir os meus dedos com alianças nossas. Facilmente, por você, eu mudaria os oceanos de lugar.

E se me fosse pedido, construiria uma nova arca de algum Noé e reuniria todos as cores desta Terra, toda a música, todo o perfume e fundaria um país só nosso. Comeria livros e mais livros de poesia até me sentir suficientemente poética para ousar balbuciar em teu ouvido minhas juras de céu e amor. 

Amor meu, concede-me a dádiva de enlaçar minhas pernas nas suas por mais longas datas e séculos. Não há nada mais suave do que ter meu corpo abraçado pelo teu. Sinto-me a mulher mais amada e desejada do mundo inteiro. Sinto-me sim, inteiramente mulher!  Eu amo cada detalhe seu. As suas cores e vozes e verbos completos. Amo sobretudo, a inquietação que me você me provoca. Amo a vontade que você me dá de ser o melhor em você, em mim. Não mudaria somente os oceanos de lugar... Eu aceitaria todo o legado de nascer novamente, e aprender a chorar, andar, sorrir se houvesse a certeza de um dia às duas décadas minhas de idade encontrar-te novamente. Aceitaria morrer se a promessa fosse de te reencontrar em outras existências. Aceitaria um casamento às escuras numa ilha grega qualquer sem estrela no céu, porque o brilho teu está em mim e não há céu nublado, noite escura ou chão sem alicerce que me dê medo. Você é minha segurança. Agora vem, fala baixinho, me aperta... Quero num sonho de olhos abertos novamente poder dizer em outra língua, em novo tom: I would change the oceans of place!