sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vocabulário
Dry Neres




Sou submissa às palavras. Elas me surram, interpelam. Fazem amor sem pudor com a minha alma. Deixam-me exausta. Nova. Despudorada. As palavras me permitem ver o desprendimento das coisas, dos seres. Elas me empurram contra a parede. Lambem-me o pescoço. Fizemo-nos parte de um casamento que tem como base, a verdade. Expressamente, intuitivamente nos comunicamos de forma nuclear. Eu amo o instante em que o silêncio faz-se eco. Escuto-me-(te) em vários tons e cores. Somos pontes um d'outro. Somos escrita e carícia. Nossa retórica tão singular, não envolta de teorias me enche as lágrimas d'água, porque os olhos já inundaram de admiração. És o princípio e eu estou em ti antes mesmo de minha existência ser de tudo e todo consumada. Estou a apaixonar-me constantemente por suas nuanças. Minha pele vibra com a força intrínseca do fazer nosso, do estar nosso. Esse meu vocabulário um tanto prolixo talvez seja como a velha máquina de escrever já previsível, estática, estática, estática. Essa preterific-ação que promovo nas sombras por onde deixo perfume é basicamente o edifício invisível em que me transformei. Se tenho pele e boca e olhos, não me importa tanto quanto saber que minha alma é quase livre de algemas que quiseram desenhar pra mim. Leio jornais, escuto o noticiário local. Sinto uma vontade assustadora de beber dois dedos de alguma coisa que me revolva o estômago a arder em mim como chama de amar. A inquietação é evidente. E assim, a inquietude que me mora seria facilmente descrita na vontade de estar contigo em todos os pretéritos, presentes, futuros possíveis. Romper o alvéolo direito do tempo central. Romper o tempo inquieto que me empurra de mim. Que me pressiona em mim. Apaixono-me novamente ao perceber que escrever-te, Óh Palavra, é como um gozo contínuo em meus órgãos divinos. Meu vocabulário é somente reflexo da submissão a que me deixo diante de ti. Sou tua, Palavra!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Autorretrato Horto-Gráh/fico
Dry Neres


Estranhoso é! No mínimo estranho há de ser!
Assinaram um Decreto! (Palmas e Risos)
Unificaram a Língua! (Palmas e Risos) Qual Língua?
O Dáblio, o Ípsilon e o Zê, agora fazem parte do alfabeto! (Congratulations!)
Esse é o nosso autorretrato!
'A Língua voa, a mão se arrasta' - Marcos Bagno
Desde quando o Brasil não fala o português luso? Uma língua? - A Brasileira!
Seria este um Acordo Político?
Não sei ao certo responder, visto o grau elevadíssimo de ignorância minha, quando a pauta trata de ignorância elevada ao cubo de outros.
Meu aparelho responsável por captar sons se cala. Sim, emudece!
MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA BRASILEIRA

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Escrevo-te
Dry Neres


Desde que te conheci tem sido primavera. Tenho sentido o aroma sutil do amor. Tenho-me desdobrado em várias para devotar-lhe cuidados. Faço-o assim, porque nunca a loucura e a paixão, gêmeas que são, me acometeram de forma tão avassaladora. És o néctar dos meus lábios. Tuas mãos me conduzem e me elevam ao mais perfeito estado de devaneio, prazer. Não seria exagero dizer que nunca tivera eu amado assim, outra (o). A minha vontade agora seria abandonar este meu local de sentar e fazer poesia com um vínculo quase empregativo e alavancar-me em seus braços e seios, que são meu local de sorrir. Escrevo-te porque assim libero parte do êxtase vermelho de amar que me invade. Escrevo-te porque ontem embebedei-me da tua presença e ainda hoje tenho teu perfume nos olhos. És sem dúvida alguma, a deusa nórdica das minhas poesias.

Minhas palavras ainda hão de habitar um livro com o nome teu. Escrever-te-ei com aflição, a saber, se teus olhos terão encanto na minha poesia tão sua. Escrever-te-ei com toda a verdade que me mora. Escrever-te-ei com a conjugação própria a que me conduziste a sentir. Não serão apenas páginas folheadas de verdades, Amor. Serão ainda mais: serão minhas próprias fibras a falar-te, porque me sublima como poetisa; porque me demove a ser o melhor em mim. Ao folheá-lo sentiras o nosso perfume de amor. Ao lê-lo assim lembrarás-se de cada dia/noite em que nossos corpos se desejaram em calor Celsius. Cada suspiro nosso habitará em ti como se cada momento vivido retornasse numa força de toneladas duma vez só. Encontrarás um beijo nosso em cada página. Minhas letras transbordarão em ti. Derramar-se-á todo o amor que meu coração faz ecoar em mim, em seus olhos.

DESDE QUE TE CONHECI

TEM SIDO PRIMAVERA.

E SORRISO.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Substancial
Dry Neres





Versus: O que falta é coragem! O que falta é... Deixar de amar!

Proso: Ora, Sr. Paulo... Então é possível?

Versus: Assim como veste, agasalha, afaga... O amor também foi programado para desabrigar. Digo, não o amor em si. Exorto-te acerca do-s sujeito-s empregado-s no verbo.

Proso: Tudo seria mais tão fácil se então pudesse terminar em poesia. Puxa a cadeira, molha a ponta do lápis, enverga a folha, derruba dois dedos de qualquer líquido e dorme.

Pairo acima de algum lugar em mim. E percebo-me ausente.

Quando sinto-me assim é porque preciso da multidão de São Paulo. Daquelas ruas geladas, de rostos fugidios, imagem forçada. É porque quero te perder lá no meio. Esquecer sua voz lá dentro. E percebo-me ausente.

sábado, 13 de junho de 2009

Escrevo hoje,
porque ontem seus lábios
não me deram trégua
Dry Neres




Eu poderia descrever cada detalhe do nosso dia, da nossa noite... Todavia, prendo-me, apego-me ao instante perfeito em que nossos dedos ganharam vestes. Nos casamos sem templo, sem padre, sem vestido. Casamo-nos na avenida lotada de carros, luzes, nós - estávamos. Nossos corpos pairavam acima do céu. Éramos maestrinas do universo. Fizemo-nos amantes no local de fazer paixão. Estávamos num playground - nosso playground. Nos invadimos. Surpreendemo-nos. Nossos corpos se intercalavam entre as nuvens. Nossos dedos brincaram de tocar as almas nossas; brincaram de nos arrancar sensações e líquidos. Mas era mais - transcendental - tínhamos o que é desejável aos namorados - tínhamos o desejo de nos pertencer. De sermos eternos. Estamos eternos!
Eu gostaria de poder descrever o som do beijo. O som acústico do meu coração que se afogava em sentimentos dos quais não nos era permitido descrever. Nossos olhos transbordavam afagos, desejos, cuidados. Estou numa espécie de ressaca amável, amada. Casamo-nos na avenida lotada. Tem sido dia dos namorados desde que te conheci. Antes mesmo de você sequer cogitar qualquer possibilidade de unir suas mãos às minhas - já era dia dos namorados pra mim. Silenciei-me então. Hoje grito, escrevo, brinco - Vai sempre ser dia dos namorados, enquanto você permanecer comigo. Enquanto os ventos me permitirem a dádiva de cultivar o amor - de regá-lo. Vai sempre ser carnaval, ou novembro, ou 12, ou São João - Vai sempre ser amor!

terça-feira, 9 de junho de 2009

E AQUI?
VAI HAVER CENSURA?
Bem Nos Queremos
Dry Neres




Amor, o que é que fizestes com o meu coração? Criou um mundo novo onde os signos se misturam, as horas se congelam, o coração é feito cor - vermelho-amor.
Amor, o que são seus sorrisos extensos, seus abraços famintos, suas mãos de tocar alma - a minha. Esse amor meu é quase desesperado. Culmina em mim todo o cuidado do mundo. Revolvo com carinho cada parte sua. Escrevo meu nome em suas laterais. Apago posteriormente na tentativa de não te eternizar. O amor livre é o melhor. Já provei desse sabor. Deliciamo-nos assim! És em mim, o que seria até insuficiente descrever.
Lembro-me que meu pequeno corpo vagava a chutar pedras, desenhar versos, rasgar cartas. Na verdade, era mais. Lembro-me que meu corpo vagava só, frio, em desamor. Apareceste numa noite fria de novembro. A lua estava calma. Não havia estrelas no céu. Havia um céu nas estrelas. Rodeada de pessoas, risos, músicas - Você me veio. Ainda não era minha. Demoraste a ser. Mas a certeza que eu tinha é que te conhecia antes mesmo de te conhecer. E o amor nasceu em mim, como nasce água límpida.
Meus olhos desde então te seguiam. O GPS do meu carro indicava a direção do teu lugar de morar e viver. O meu coração indicava que nosso encontro era certo; que nossos passos logo se encontrariam em compasso harmônico e que nosso beijo seria interminável durante longos dias de dormir e viver contigo. O caminho foi árduo. Sinto por ter sido. Diversas vezes vi meus joelhos sangrarem. Uma febre sem nome invadiu meu corpo e passou a habitar os meus dias. Os meus dedos calejados ficaram de te enviar correspondências acerca do meu amor. E hoje sorrio largamente, ao perceber que já não és mais o MEU amor. SOMOS o AMOR uma d'outra! É recíproco. É real. É tão você em mim. Sou tão eu em você. Bem nos queremos. Bem nos amamos. Bem nos cuidamos.
Eu te amo bem um monte *_*

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Da dor
Dry Neres



O mar os tragou.
Alguém se calou.
Um choro se ouviu.
Porque alguém partiu.

O vento quis dançar com o objeto de voar:
Perdemos um sorriso. Perdemos um amigo.
Perdemos um homem. Perdemos uma mulher.
Perdemos a pureza, de uma criança, que foi antes do que deveria;
De um bebê que ainda seria...

O vento quis dançar com o objeto de voar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bem Bom Te Ter Na Minha Vida
Dry Neres


Um Amor Puro
Composição: Djavan


"O que há dentro do meu coração, eu tenho guardado pra te dar. E todas as horas que o tempo tem pra me conceder, são tuas até morrer. E a tua história, eu não sei! Mas me diga só o que for bom. Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem... É teu e de mais ninguém! Te adoro em tudo, tudo, tudo!!! Quero mais que tudo, tudo, tudo!!! Te amar sem limites, viver uma grande história. Aqui ou noutro lugar, que pode ser feio ou bonito... Se nós estivermos juntos haverá um céu azul. Um amor puro... Não sabe a força que tem. Meu amor eu juro, ser teu e de mais ninguém. Um amor puro"!

182 dias ou 4.368 horas ou ainda 10.920 minutos - Seven s2

Estou ligeiramente encantada com o teu sorriso. Acho que estou apaixonada! É possível então apaixonar-se pelo mesmo Ser diversas vezes? Por e com você o amor é infinito. É uma carta de data invisível. É algum elemento inelegível. Só é por si só possível, quando nossos lábios e almas resolvem cuidarem-se. Eu faço amor com as palavras que se derramam de mim. Eu faço canção das lágrimas de alegria que sopram de nós. Entre os labirintos do que nomearam de amor, estamos. Embora, alguns espinhos tenham insistido morar em nossas pétalas, estamos. Voltamos! Mais fortes, mais mulheres, mais humanas, mais verdade e menos ausência. Estamos! Eu amo cada hora dessas em que as Estrelas me permitem o brilho de sua Regente maior. Eu amo cada loucura nossa. Eu faço preces, e sou religiosa e tenho fé na junção dos corpos nossos. O amor me rouba a descrença. Eu me visto da felicidade e banho-me no brilho que nossos olhos refletem. Eu me visto de felicidade e saio pelas ruas encorajada à permanecer em nós. Eu amo você!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Apetecível Epifania
Dry Neres


I just had an epiphany!

Externar sentimentos. Expulsar demônios. Mandar-se embora de si. Banhar-se em letras. Dormir nos ponteiros de um relógio qualquer sem pêndulo. Sentir uma espécie de torpor. Descantar canções. Dessorrir carícias. Apetecer almas. Epifanar amores. Inventar sentidos. Quebrar conceitos. Desfazer lágrimas. Chover e amanhecer. Dormir e anoitecer. Obter vigor dos abraços. Sugar os néctas corporais expelidos pelos deuses (as). Proferir junção de corpos em forma de manifestos Modernistas. Derramar-se. Morrer de amores enquanto se bebe do vinho ultraromântico. Amor de Shakespeare.


Falta-me alguns conceitos. Falta-me todos. Prefiro os sentimentos sem nome. As relações sem peso. Pés envoltos de meias coloridas. Blusas listradas. Anel no dedo médio. Falta-me algum pedaço perdido em alguma esfera, em algum tempo de alguma memória em mim. Falta-me eu. Sobra-me os outros. Resgatar-me-iam as ninfas, os elfos, os príncipes (as)? Devolvo-me a um estado sereno. De recepção. De aceitação. Quase contente no mundo mudo. Meu aparelho auditivo capaz de discernir cerca de quatrocentos mil sons capta meramente alguns pingos de chuva. A chuva que sou. A chuva constante a que me remeti. Enviei-me em papel de cartas e em endereçamentos à lugar de ninguém. À lugar nenhum.


Sou um livro de tantas páginas, várias páginas. Algumas nulas. N'outras exposta demais. Algumas sobras. Muitos espaços. Sou um livro esperando ser lido. Ousas? Provoca-me? Instruí-me alguma entidade transeunte. Chove-me as suas mãos nas minhas. Chove-me nosso beijo por hora inventado. Não descrito em livros. Não descrito em corpos. Chove-me e amanheço. É uma apetecível epifania. E ora, o que é isso? Não importa. Não importa. Não importa. Isso sou eu - Sobrenatural - Divina - Insana - Patética - Feliz - Sou desejo - Apetite - Pretenção. Humana tal como você.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O AMOR É A DESCONSTRUÇÃO
DE TUDO O QUE PENSAMOS SABER!



terça-feira, 19 de maio de 2009

Onde estou em mim?
Dry Neres



Eu gostaria de deixar de te escrever, mas meus dedos são como uma locomotiva desgovernada rumo à nem sei o quê. Meu coração dói demasiadamente. E é uma dor maior do que todas as provocadas em qualquer outro órgão do meu calabouço corporal. Eu me sinto como um quarto escuro. Eu estou nublada. Nublei! Sinto-me em dias de chuva. Chovi... Mas não amanheço! Eu até finjo dormir, na expectativa de no fechar dos olhos conseguir arrancar tua figura de amor meu, das pálpebras minhas. Mas, sonho-te. E anoiteço.


Sinto-me como uma cadeira de balanço. Ali, estática. Silenciosa. Fria. Emocional. Passional. Só. E é como se todos os braços de todos os mundos não fossem suficientes para me abraçar. Porque o meu abrigo é você. Porque eu sinto falta do gosto do teu café nos meus lábios. Eu sinto falta do teu sorriso beijando meus instintos. Eu desenho-te em poesia. Tatuo nossa ausência no meu ato displicente de escrever. Não... Não quero te comover com a minha retórica. Antes fosse retórica. Mas é só verdade. Mas é só dor de amor. Amor dói?


Recordo-me com roer de unhas, dos nossos planos de tomar a areia e o mar num gole só. Recordo-te em livros que eu desejara escrever um dia. Recordo-te nos frascos vazios de perfumes que gastei no meu corpo para sua alma cheirar. E dos nossos beijos mais doces, em que o passear de lábios era dança ainda não inventada. Inventamos um jeito só nosso de ser. Fundamos um mundo só nosso, cheio de particularidades, CDS, vídeos, roupas, estrelas. Mas num belo dia, saí para trabalhar, esqueci as chaves... E quando voltei o mundo seu/nosso, estava trancado. Fiquei! Cadê você?


E se eu me revelo tanto. É só desespero. E se meus olhos não disfarçam a dor. É só canção. Eu tenho sido só ausência. Mas é você?


Anoiteço. Emudeço em lágrimas. Onde estou em mim?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

De onde vem a inquietação
Dry Neres




Eu imploro aos deuses excelsos que me seja devolvida a loucura que o amor me provoca. Não quero ser racional. Não quero precisar ser racional. Reclamo do anel que não te dei para selar o nosso amor. Reclamo das noites em que eu deveria ter segurado minhas pálpebras com as unhas, para que seu sono fosse velado com mais cuidado. Queria continuar a me apaixonar diariamente por você, por suas birras, seus sorrisos. O amor é desespero, fome, loucura, calma sem causa. O amor é sorriso que cala as lágrimas. Não fui teu pão? Não fui teu cobertor, amor?

Caminho pela cidade, assim descalça. Não me alimento de outra coisa que não seja do teu cheiro guardado em minhas mãos. Eu quero ser multidão. Quero abrigo. Preciso de um relógio sem ponteiros. Quero rasgar os conceitos; queimar as bibli(a)ografias que insistem em confundir nosso amor. Quero cortar as línguas das morais de rebanho e dos pré-con-ceitos que insistem em queimar tua/nossa pele. Nesse mundo de hipocrisia desmedida... Eu quero fugir da racionalidade. Dormir na vertical. Reescrever minha história cheia linhas unilaterais; cheia de teias e esconderijos subterrâneos pro meu Eu.

Eu quero gritar para os conceitos dos ‘Senhores Donos da Moral’ que o amor é maior que tudo. Quero morder as veias das regras, dos i-mora-is. Eu tenho pena de tudo o que nos afasta de nós. Você está em mim mais do que me era permitido perceber. Nem numa raspagem ocular tirariam você dos meus olhos. Eu tenho pena de tudo o que nos afasta de nós. Nem um transplante de pele tiraria seus poros dos meus. Mas, voa minha criança! Vá passear com as ondas do mar que desenham tua pele na minha. Voa minha criança. Amar é saber aproveitar o tempo que Deus nos concede com a pessoa que faz nossos órgãos pararem por alguns instantes. O tempo se derrama. Líquido é. Hoje descobri então, que não sei amar. E ainda cometi um pecado devido à falta de sabedoria no Amor: Pedi pra Deus guardar o nosso ‘enlace de almas’ pra sempre. Pedi pra você ficar na minha vida pra sempre.

Não há custódia perpétua que demarque a permanência do amor em nossas vidas. Borboletas pousam, encantam, e partem. Vão alegrar outros mundos. Você me fez melhor. Mas, no âmbito da minha ignorância e egoísmo, confesso que quereria mais um bocado de alegria.

sábado, 16 de maio de 2009

Meu mundo ficou mudo
Dry Neres



Se eu dissesse que todos os meus órgãos se confundiram, seria pouco. Se eu dissesse que todos os mares deságuam dos meus olhos, seria insuficiente. Escuto o silêncio que insiste em gritar mais de você, de nós. Observei-te em angústia por grande parte dessa noite tão longa, tão dolorida. Eu sinto uma dor descomunal. Sem nome. Com nome. O seu!


Se eu dissesse que poderia suportar com dor pouca, sua ausência mentiria eu exageradamente. Se eu dissesse que deixaria de acreditar na gente, mentiria eu em grande escala. Essa dor que invade minha pele e queima os olhos parece ter sido inventada. Inventamos! Estou ligeiramente morta. Estou morta de amores por você.


Nem que eu tivesse a força de todos os homens, minhas palavras seriam amenas. Este nosso filme amor, eu não escrevi. Esses versos desordenados eu não planejei. A poesia de despedida que tomou conta dos meus lábios não foi ensaiada. A dor que eu sinto meu amor, não cabe nas mais precisas descrições de Kant ou Lispector.


Eu tenho raiva da minha poética por não conseguir exprimir esse desespero da minha alma. Eu tenho raiva da minha poesia, porque você não a alcançará. Meu corpo arde em febre. Minhas mãos nuas esperam pelas suas meu amor, doce amor. Mas vi-te partir definitivamente no cais de um porto qualquer. No cais de San Blás. Se um desejo me fosse concedido, pediria sem exitação para que eu deixasse de respirar.


E vai ser impossível não recordar de cada riso. Do nosso cuidado. Dos seus olhos de mar. Seus olhos de toda a ressaca Casmurra. Dos nossos corpos que se fundiam na mais perfeita representação do amor. Deixarei de conjugar verbos. Deixarei de inventar predicados. Mas uma coisa é fato documental - Você é toda a minha poesia.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Versículo
Dry Neres


Ela esteve em San Petersburgo. Também não sei o porquê. Ela esteve em cada artéria sua; para se despedir de si mesma, talvez. Impávida e encolhida ela esteve por algumas horas. Queria abraçar todos os seus órgãos. Abarcar todos os seus ‘sentires’. Sugeria a si mesma, minutos contados de respiração. Sorria enquanto chorava ou vice ou versa. Ela construiu um muro ao redor do seu coração. Odiava ler notícias populares. Não, não sabia ser normal. Enxergava beleza na dor. Extraía das canções mais que notas. Vez ou outra abria sua casca e mantinha um convívio social. Uns cigarros ou outros às escondidas até da própria sombra. Cabelos penteados ou somente artefatos. Mantinha um sorriso labial. O que não era o mesmo que sorrir pelo órgão muscular oco, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Tirava as amarras cotidianas após e, enclausurava-se no seu mundo aéreo, quase lateral. Ela não sabia ao certo o que é o amor. Não sabia exatamente nada de conjugação de verbos humanos. O seu léxico era limitado. Sentir, ela sabia. E só. Bastava. Não comia. Não dormia. E se perguntava o porquê de ter que respirar. Ela morava num casebre. O casebre era ela. Estava nela. Era meio irmã das coisas fugidias. E tinha um medo exorbitante de tocar pessoas. Sabia ela, que dia ou outro as pessoas iriam embora e ela ficaria nua novamente. E nesses dias de frio intenso, ela escreve, escreve. Imprime seus sentidos no seu corpo. Não há muita coisa a fazer. E confundo-me. Estranhamente é confusão. Não sei mais quem sou eu e/ou quem é ela.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

38 gritos
Dry Neres



Sou inquieta. Ciumenta. Poética. Sutil. Velha. Nova. Arquetípica. Silenciosa. Ilha de mim. Sou várias em uma só. Multidão de São Paulo. Calmaria em Compostela. Tudo em mim parece acelerar-se. Quando criança, não sabia ter olhos de criança. Quando 20, tenho 70. À frente. Tenho os cheiros de todos os versos que se misturaram com o meu corpo. Confundo-me com os papéis de cartas e diários antigos que se jogaram pelo o meu local de abrigar o sono. Tenho o corpo suave. Mantenho os pés assim fora do chão, na tentativa egoísta de não fazer sangrar o coração. Nomeio o que sou e sinto como estado epifânico, todavia não sei o que fazer com a imagem que vejo nos espelhos. Corro do que descobri. Escondo-me dos registros que guardam de mim. Não atendo aos meus sentidos oculares quando à força esfregam em mim algumas rugas ou os meus lábios de outrora.

E de repente o cenário muda. Sou outra novamente. O que era presente, virou vazio. E mesmo feliz tenho a necessidade de falar sobre tristeza. Isso é arte típica dos fingidores de 'sentires' - poetas. Imito-os. Invejo-os. Derramo-os sobre meu corpo nu de conceitos. Sou quadro em branco à espera da pintura nem que seja rupestre, mas que seja pintura. Que invada o vazio que o branco se fez em mim. Tudo que ouvi no decorrer da breve existência minha até então, se aglomerou em blocos pensamentais que hora ou outra permeiam a parte do corpo meu responsável por sentir dor. Dor por tudo que o ser humano é. Dor por saber que aqui estamos sem compreender porque estamos. E fazemos o que achamos que devemos, todavia não sabemos. Compramos carros, casas, fazemos amor, guardamos algum cigarro... Cantamos, respiramos, fazemos amor novamente e caminhamos. Vejo um circulo nesse caminhar.

38 gritos expelidos num corpo só. Numa alma só-várias. Em questionamentos mil. Em estado de vida-cena-teatro. Somos todos atores. Funciona assim: Sorrimos o dia inteiro, interagimos com o social, almoçamos com os amigos, vamos ao banco. E sempre que perguntam - Você está bem? Dizemos que sim! 38 gritos expelidos num corpo só, são quando os pés tocam onde ninguém pode te ver, analisar, julgar, cobrar. Aí você é você. Aí você tira as roupas, alisa as coxas, amarra os cabelos. Aí é que você chora, promete e implora. É aí que você se vê. Percebe que embora cercado de outro um milhão de vidas, você é só. Porque sua dores não são expressas em veia ou outro material que possa ser compartilhado. Abstrata é. Cabe a você então, transcender os seus 'sentires' e se apegar à mantras, crenças, mundos laterais ao real. 38 gritos expelidos numa alma só-várias quando não se quer falar da beleza de nada. Quando não se permite brincar que tudo é perfeito, que todos são adoráveis. Em cada grito, uma verdade de três versões díspares. Uma verdade só... Somos desconhecidos de nós. Eu, por assim dizer, sou ilha minha.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Carta do homem moderno a Deus
Dry Neres



Por que nos afastamos assim? Não sei reconhecer mais tua voz, e desconheço o calor que emana das suas mãos. Não sei mais sentir falta, nem dos nossos risos dispersos. Tenho a língua inundada de questionamentos acerca da tal fé. Onde se perdeu nossa cumplicidade? O mundo frio está. Congelou-se! Os corações amargos são... As mãos que afago eram pra dar, distribuem a morte, aflição. Sinto que seu abraço se perdeu do meu e minha face escondeu-se de sua face serena. Sou tão pequena Pai... Sou tão insana e profana e artista e humana. Sou mais carne que espírito. Sou mais sangue que água e sou assim igual aos tantos outros. O mundo envaideceu-se e o amor acabou se perdendo. O corpo nosso desintegra-se e somos muitos, somos vários, todavia não unos em amor. O que o Senhor acha de tudo isso? Ligo o rádio do carro a fim de acalmar o espírito, e tenho tentativa frustrada, pois só escuto tiro, gripe, desemprego. Leio o jornal a fim de encontrar aumento algum pro Insuficiente (chamado de Mínimo) e recebo enchentes, aquecimento, furto.

Meus olhos desacreditam das bibli(a)-ografias que tentam definir o que é a fé. Enclausuram a figura de um Deus-carrasco, um Deus-chicote, que na verdade só é Deus-Pai, Deus-Amor. Não tenho mais vontade, sede, saudade... Até que motivos tenho muitos... Mas perco-me na falta de coragem. Lembro-me do tempo que meus olhos sabiam ser humildes e se fechavam para agradecer-te pela dádiva que é a vida que a mim foi concedida. Invejo os momentos em que eu sabia orar quando medo meu coração sentia. E peco, por não ter coragem, por ter inveja-saudade minha, por continuar de mãos cruzadas. E peco, temo, tremo, choro... Corro feito criança perdida na areia molhada pelo mar que sou. Escrevo com a tinta dos meus pulsos nos cadernos e diários que inventei para gritar as minhas dores. O corpo cansado pede cuidados. E questiono-me acerca dos acúmulos materiais que todo homem ousa fazer. De que vale tudo? Por que não gastar seu dinheiro comendo algo que deseja muito, ou indo ver o filme que quer muito, se amanhã mesmo seus olhos poderão deixar de abertos estarem; se hoje mesmo seu coração pode cansar-se de ser artista e protagonista; se sua carne logo voltará ao seu estado primeiro: pó. ?

Eu quero mesmo seus cuidados de novo. Seu abraço apertado. Uma canção para brindar o amor. Um sorvete gelado. Andar de meias. Distraída. Andar de mãos dadas com as suas mãos. Se não for pedir demasiadamente, quero sóis coloridos, sorvetes de pistache. Quero o amor, meu bem querer enraizada(o) bem aqui no peito meu. E que todas as noites de estrelas muitas ao lado do amor, meu bem querer me seja cada vez mais felicidade. Desejo, outrossim, que a pureza, doçura e simplicidade desse amor, seja considerado pelo Senhor mais uma conjugação do verbo amar, que por vezes, assim sendo 'irregular' é mal vista aos olhos dos imorais. Eu quero amar entre iguais, sem classificação, sem excomungação. Quero de novo os teus olhos serenos ó Deus, sem medo de desaprovação. Eu quero que esta carta alce vôos... Amém!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

És mais que o melhor em mim
Dry Neres




Penso que o amor nos acolheu, nos escolheu.
Não me vejo assim, não mais como sujeito independente.

Somos juntas (os) um arquipélago de cuidados, afagos.
Nossos corpos se traduzem, se desejam, se esperam.


O movimento frenético de roer unhas revela a minha ansiedade em te ter por perto
– Quando: Sempre!
Apaixonamos-nos diariamente.
Mandamo-nos flores em forma de
beijos na mesma quantidade
De estrelas que existem no infinito.
Nosso cuidado ultrapassa os conjuntos numéricos, silábicos, geográficos.

Descubro e aprecio a doçura da alma tua.
Repousar a minha face sobre a tua me tem sido como a calma das nuvens.
É sempre algo novo.
É cada vez mais
real.
É cada vez mais amor.


Nossos corpos se abrigam, multiplicam.
Nossa entrega é fotografada pelos deuses.
Nosso amor é
romance parnaso.
És mais que o melhor em mim.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pensei que sabia tudo das estrelas...
Dry Neres





Recordei-me instantânea e brevemente das constelações por onde meus sorrisos ecoaram seu nome em silêncio. Acho mesmo que já te amava antes mesmo de sua face conhecer; antes mesmo dos lábios seus conduzirem os meus no mais belo teatro vivo, de gente de verdade, que meu coração pôde contemplar; antes mesmo dos meus dedos passearem tua face numa sincronia cautelosa, simples e mágica.

Nos teus olhos pude aprender que existe poesia na alegria, que os poetas podem tocar o amor, que a solidão que então me acompanhava era pequena e se apagou... Partiu, visto que seu abraço abrange todas as células minhas desse corpo tão pequeno e frágil, desse corpo que tem como iniciais o nome teu, o perfume teu, a foto tua impregnada nos olhos refletidos n’água!

Pensei que sabia tudo das estrelas. Li em alguns livros que elas têm brilho próprio, formato singular, calor quase milenar. Ouvi em algumas músicas que as estrelas são esferas quase nucleares que brindam o amor, que inspiram os amantes, apaixonados.
Mal sabia eu, minha amada, que o brilho das estrelas mora logo no beijo teu. Senti-me uma desconhecedora de palavras e arpejos e notas
e desconhecedora, sobretudo, e sobre-todos, de todas as filosofias que os homens inventam para explicar os desígnios de Deus. Mal sabia eu, minha amada, que o brilho das estrelas iria eu conhecer nos lábios teus.

E cada passear pela tua face me é como desenho de cada estrela dessas. E só deram o nome de Estrela, porque o homem, burro que é, esqueceu-se de perguntar o endereço teu; esqueceu-se de procurar teus dados, nos bancos de dados das coisas mais lindas, tão lindas que o Criador de tudo e dos céus, pintou!

E elas, só brilham e encantam e apaixonam seus apreciadores, porque aprenderam sumariamente com o teu caminhar, como é doce, como é eterna a nostalgia e fascínio do teu jeito assim sublime, quase sem par. Se me deixares somente ouvir teu guizo sorridente numa estrela dessas, e deitar-me, porventura, nas ondas que fazem os cabelos teus, serei eu feliz... Sentir-me-ei logo, quase estrela, quase apaixonada... Mais que amante teu!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Regência
Dry Neres



Uno os cacos, cactos, casebres, cacofonias, casos e causos, casas e gentes. São elos que invento na utopia de tapar alguns espaços meus. Cato palavras, colho músicas, capturo lágrimas para enfeitar poesias que saibam encher olhos famintos de rios largo-extensos, de líquidos sumos tão necessários ao movimento tão aclamado pelo meu eu, tão já desesperado - Movimento de pisca-abre, pisca fecha, pisca-morre.

N'alguns séculos destes que tenho vivido troco as bermudas por várias cores. Bebo cada cor como se cada uma, de cada qual fosse minha de verdade. Não peço licença ao entrar em orquestras humanas, divinas, insanas. Não tenho coragem, mal tenho coragem, de fitar-me no espelho. Sou outra. Sou várias. Sou o caos mesmo quando tudo é só calmaria.

Tenho a urgência de todas as flores. Tomo conta da doçura que me fora conferida com precisão. Tenho luvas de poesia, tenho os pés não sobre o chão. Entre emails e globanalidades, quero meu sossego, minha rede pra me embalar. Entre os transgênicos e os clones, quero só fotos 3x4, preto e branco pra minha memória desistir de esquecer dos meus sorrisos - Longínquos!

De beijos intermináveis quero encher os meus dias. Desejo vestir-me da sutileza e maciez das mãos de majestade 'Principal' (termo que emprego para dizer de príncipes, princesas, porque nos meus devaneios, posso imitar alguns poetas) - suas. Eu bebo a solidão do mundo e sinto que não pertenço a essa esfera aqui que piso. Já não me sinto de tudo, só nesse mar de braços e pernas... Já me é diferente o viver, porque de alguma forma a tua presença me transmuta.

Sim, não me julgo, nem me mutilarei por gostar de escrever dos amores e das dores, com as mesmas letras, nas mesmas poesias. É uma mistura agradável que me agrada facilmente, visto que sou duas e o ser humano é um-dois eterno (S) dúbio-s. Sou loucura aos meus olhos. Sou um vício saudável se souber se alimentar dos meus sorrisos e frases em construção de Regência reticente.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Diálogo das Consonâncias II
- Poesia em Carta do Meu-Nosso Amor -
Dry Neres




Quando nossas vozes ecoam em uníssono nossa mais doce frase - "Você é toda minha poesia", meu coração parece criança a caminhar entre as flores e galáxias longínquas. E digo-te, somos então, amor meu-nosso amor, poesia uma D'outra!
Imprimo em meu sorriso tuas palavras, doces palavras, letras ao 'pé do ouvido': "Nossos corações parecem se abraçar quando eu te abraço... E minha boca parece degustar a fruta mais deliciosa do paraíso quando encontra a tua... E quando eu te toco, sinto o macio de uma seda... É A MAIS PURA VERDADE"!
Meus olhos choram de emoção, minhas lágrimas dançam em minha face, em ato de ser feliz e te amar muito, docemente muito, coloridamente o bastante. E quando você me diz, amor meu-nosso amor, que tem por mim amor irmão ao que exalo por você, eu me convenço dessa afinidade. E sei que é grande, puro, sincero. Uma espécie rara do amor-romance, amor-amizade, amor-completo!
Quando da sua boca-néctar vejo o balbuciar da canção que inventaste para meu sorriso: 'E eu acordei no meio da noite e te vi lá ao meu lado... Novamente, com as costas nuas... E o tom da tua pele em uma harmonia com o azul do cobertor... Tuas curvas, teus cabelos... Te abracei forte, nem sei se você sentiu'... Eu fico num estado poeticossintetizador indescritível, incomunicável!

Quando dos teus olhos de inspiração Machadiana e de loucura Shakespeariana, fotografo o que me dizes: 'Uma mulher tão linda, ali comigo, completamente entregue... Senti que devia te proteger... Cuidar desse pequeno corpo tão sedutor, que me encanta e me enche de desejo'... Eu transbordo de todo o amor do mundo! E sinto todas as sensações mais excitantes nomeáveis e sem nome, assim como você, amor meu-nosso amor.

Digo-te em resposta a tanta poesia-verdade-nossa, que eu já não caibo em mim. E nunca foi tão real, você na minha vida! Eu posso te tocar; eu sei que você está comigo; eu sei que nosso amor é de verdade; eu sei que quero você, mais e mais e sempre e sempre... Nada das/nas literaturas e gramáticas por onde morei e fui peregrina, podem traduzir o que é a grandeza desse sentimento. Realmente, não sei dizer... Sinto-me pequena diante do nosso amor!

Sou refém, recém... Brinco de tocar a felicidade, você, nosso amor. Sou bailarina em espetáculo, sou artista, espectador. SOU, quando ESTOU com VOCÊ!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dias felizes, dias de sorrisos largos...
Dry Neres




Nesses dias em que meu corpo quis morar no seu, energizei-me de toda a poesia que somos. Me apego aos olhos, aos abraços, aos silêncios, às lágrimas de emoção. Me refaço nas certezas incertas que temos de nossas mãos entrelaçadas, sob a luz de uma estrela em meio à madrugada longa. Abraço o vento das noites ensolaradas que são quando nossas almas se unem e dançam no nosso palco de gente real. E tua fala e teu sorriso e teu jeito de me acarinhar e olhar nos olhos, me sustenta, me equilibra, me desenha. Sua pele é pura poesia nos lábios meus.
Eu adoro suas caras, seus jeitos, suas roupas nuas. Você é toda a minha poesia... E nunca me fora antes tão real, tão cheia de cor. Esses dias, meu amor, são dias felizes, dias de sorrisos largos. Custo a me acostumar com meu travesseiro vazio do perfume teu. Custo a me acostumar com os meus pés nus dos beijos teus. Meu lençol não tem tua silhueta desenhada e faz frio longe dos seus beijos.
Delicio-me com nosso gargalhar, com nossa cumplicidade e incluo nas gramáticas a língua que criamos para nós. E acrescento às literaturas todas as falas não ensaiadas no amor nosso; desse amor já adulto que se instalou em cada órgão nosso, em ato de troca sorridente. Sorrio... Sorrio de olhos fechados, respiração leve e sinto sua respiração próxima da minha.
Gosto de forma ímpar das canções que são entoadas para o nosso amor. Aprecio a poesia que se apresenta para o nosso amor. Fico encantada, boba, emocionada com as nossas vidas que escolheram o caminho de passos juntos. Inebriada de amor, sou banhada pela tua presença como o néctar banha os lábios dos famintos. Você me alimenta! Você me faz sentir um pedaço do céu dentro do meu coração.
Esses têm sido dias felizes, dias de sorrisos largos...
Pega minha mão, beija meu sorriso... P-E-R-M-A-N-E-Ç-A!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Declar-AÇÕES
Dry Neres



Ganhei olhos rasos de lágrimas fundas ao me deparar hoje com o coração pedindo explicações acerca de tanta dor. Ganhei punhos fracos ao tentar imprimir em linhas todo o sangue e suor e os retalhos dessa SOCIEDADE massacrada e TÃO CARENTE DE AMOR. Como é doloroso saber que a fome ainda se faz presente, mesmo com tanto avanço tecnológico, mesmo com todo 'avanço' desse mundo 'glo-BANALIZADO'. Dói-me saber que tenho meias nessa manhã fria e que do lado meu, alguém sente frio de bater os dentes. Quantas armas são apontadas e quantas almas são violadas do estado de pureza. E são apenas as grades que nós mesmos construímos e são prisões ao ar livre e são crianças tão tristes e são homens tão corruptíveis. É fácil ser apolítico e mais fácil ainda ser mais um revoltado; É fácil apontar o dedo para os que dobram as mangas e tomam a dor dos outros como a dor sua; Mais fácil é ainda, inventar uma vida que não é sua, usando máscaras com um tapa-olhos a fingir que do seu lado NÃO mora a fome, a solidão nossa.
Morte
Violência
Assalto
Estupro
Declar-AÇÕES
Vazias
Volúveis
Estáticas
Racionais
Declar-AÇÕES
Da mídia
Dos fracos
Dos gastos
Dos amargos
HISTÓRIA, FAVELA, CRIANÇA, QUE, MORRE, À, ESPERA, DE, ALGUMA, SALVAÇÃO. IDOSOS, QUE, NA, FILA, MENDIGAM, INSS. MORAIS, DE, REBANHOS, FALHADAS, CRISTÃOS, DE MENTIRA, CRISTÃOS? O, VERMELHO, QUE, DE, LUTA, BRANCA, ERA, PARA, SER, VIROU, APENAS, RETRATOS, IMPRESSOS, DE, ALGUMA, TANTA, NOSSA, DOR.
As vírgulas só são o espelho dos soluços aqui do coração raso de lágrimas.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cumprindo sentença
Dry Neres


Eu pensei que sabia fazer do amor meu alimento...

Não, não sei!

Minha dieta não tem sido balanceada de acordo com que os 'nutri-romancistas' diriam ser o certo. Sou exagerada, sou tela vazia, numa constante solidão acompanhada... Tudo muda - as vozes mudam, os corpos ganham novas roupagens, as árvores secam, as lágrimas molham...

E eu permaneço, me desfaço... E o meu coração tem casa vazia mesmo cruzando a Ipiranga e a São João, mesmo nos templos que ousam construir para o amor... Templos falsos, de deuses falsos, de gente que não serve pra ser casa, nem pão de cada dia de gente alguma. O amor não é uma construção. É antes, o contrário. É o caos, é a desconstrução, são os poros abertos. Não há língua, linguagem, filósofo ou poeta que dimensione esse animal indomável.

O amor nos dobra os joelhos, nos faz plebeus, nos faz ateus de nós mesmos, nos faz artigo indefinido, pretérito imperfeito, locução sem advérbio...

Eu acho que o amor é o brilho dos olhos nossos. Talvez o amor seja a grande e eterna busca humana. Que não me ouçam as estrelas, que não me ouça o mar, que me ignore as flores... Mas quisera beber em gole largo a tal essência desse fulano amor e ser egoísta... e tê-lo em tudo e em todo rasgado dentro do meu peito que dói agora em exaspero fugaz.

Queria não precisar ter pernas trêmulas, mãos em frio, copos vazios, camisas com o cheiro teu... Queria não querer antes, precisar de você, mas meus olhos fitam em roer de unhas o som que faz o aparelho de receber ligações tuas e temo e tremo e finjo estar tudo bem escrevendo assim comendo vírgulas períodos que conto num relógio imaginário me testando te testando somente pra saber até quando meu coração e meus lábios aguentam res(PIRAR) sem os líquidos teus e vendo o vento soprar no meu rosto o riso teu de quando desenhamos estrelas em paredes de quando desenhamos estrelas nos nossos corpos em dimensão sem amplidão e eu preciso dizer que amo você e resolvo pontuar para dar: ênfase para que alguém credite esses devaneios frenéticos!


Não queria ser assim como folha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

...
Dry Neres


Sensações não seguem regras cartesianas, não são concatenadas.

E isso me deixou de joelhos
Dry Neres





O amor é dessas loucuras de nos tirar o sono, folêgo, pele. É como acelerar em nitro à 360 graus fora dos Celsius. O tal amor é inseguro, abstrato, indomável... A gente nunca sabe quando ele nos apertará os órgãos e fará chover dentro de nós.

Somos sedentos desse alimento que só esse verbo oferece. Não sei caminhar com o coração vazio. Não sei me vestir com outras peles que não sejam as tuas, amor.

Esse nosso matrimônio às 'escondidas', as pinturas que a gente insiste em revestir nas paredes, os seus braços e abraços tão nossos.

Já não me percebo como sujeito independente... Você parece ser uma espécie de droga, que vicia, que alimenta, suga, anestesia, vai matando...

Eu não quero aprender a te esquecer... Eu não quero precisar apagar os seus olhos dos meus... Eu não me permito testar minhas fibras, meus poros pra ver se sobrevivo sem os teus beijos.

Pareço ter me esquecido de mim. Pareço brincar de construir dias com você. Dias calcados em areia movediça. Dia esse ou dia outro pareço fingir que te perco só pra observar meus batimentos exasperados. E temo o ponteiro do relógio, que impetuoso é, ao me informar n'alguma hora dessas que sua alma desejou caminhar entre a ressaca do mar, ENTRE (em mim) a ressaca que são os olhos teus.

Perco o fôlego, torno a ganhar, porque mesmo com toda essa insegurança, fantasma que nos assola e assombra, minhas noites são só felizes quando ao lado teu meu corpo dorme. Quando o corpo teu com o meu se unem, se misturam, se enternecem... E esquecemo-nos de abrir os olhos porque nossas mãos é a nossa visão... É a nossa bússola. Gosto dos tons da nossa respiração, gosto de te observar em sono e ouvir seus balbucios e brincar de acarinhar sua face... Brinco de te tocar... De imprimir minhas letras tão sensíveis e fortes em sua pele tão frágil. E com todo cuidado, como o poeta escolhe suas vírgulas, eu escolho as literaturas que se parecem com você pra te apresentar no meu ato de beijar. Recorto o teu sorriso e colo no meu pra usar como maquiagem pras minhas dores, pra minha solidão acompanhada.

'Please, don't wake me, no, don't shake me. Leave me where I am - I'm only sleeping'.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Diálogo das Consonâncias
Dry Neres



Pensei na forma melódica que é o viver... Toquei a morte de forma um tanto despercebida. Vi lágrimas rolarem das faces nossas, das faces amigas, daquele sarcófago que centralizado se fazia naquela sala fria. As mãos espalmadas e no 'olhoaquele' traços de dor sem descrição. Vi flores de morte, velas sem sorte, roupas escuras na indicação do luto. Vi 'ladoutro' morte outra, lágrimas-rios outras. Nós nascentes e morrentes, falantes e emudecidos. Nós, nadas. Nós, pó. Nós, véu. Ela, agora túmulo. E penso nas canções. A natureza chorou ontem ao entardecer. As lágrimas dos anjos derramaram-se sobre nossas cabeças. A grama enverdeceu-se para receber-te. Ouvi dizer que dos pássaros emanavam canções de pêsames invólucros do diálogo das consonâncias que é a vivência/morrência nossa.

Foi como escutar Radiohead numa tarde quente, de muita gente, com sorrisos nulos. Num campo minado onde o X imperceptível a esses olhos terrenos delimita quem será o próximo a habitar a mansão dos doentes de espírito... Ou melhor, os ausentes de espírito, visto que espírito aquele deixou de morar no corpo este. Como se conformar? Como entender que a jornada de vida tem fim? Como aceitar que a figura da morte com seu cajado impiedoso bate à porta nossa, da família nossa? Pensei que morna seria eu ao me deparar com cena aquela, mas vi-me desconsolada, vi-me amedrontada com essas consonâncias contraditórias.


Vai ser impossível não deixar uma lágrima cantar quando naquele antigo local de morar dela, meus pés se calcarem e meus olhos visualizarem o seu local de repouso e observação da gente. Vai ser impossível não lembrar e não sentir remorso da forma despercebida que temos, Humanos, em esquecer-nos de dar a atenção devida aos que compõem nosso amor. E é inevitável pensar que poderíamos ter feito mais, que poderíamos ter amado mais.

Nada é definitivo. Nem a morte é o nosso estado final. Ainda existe mais depois dela. É nela que a grande jornada se inicia. Mas infelizmente não conseguimos conjugar o verbo conformar... Por enquanto não!


'No alarms and no Surprises'... Diz-nos como entender?



*Que as nuvens a abrace, minha querida Bisa... Que as rosas que tanto apreciava possam beijar sua face tão cansada. Faça das nuvens seu algodão-doce e dance com o vento agora que pode, agora que seu corpo já é tão leve. Amamos-te!

quarta-feira, 18 de março de 2009

São preces só
Dry Neres



Poetas tinham que saber apagar versos também... Mas só escrevem e escrevem desmedidamente nas calçadas, nas janelas, nos armários que não se mostram. Eu juro que se pudesse, que se permitido fosse pra mim, deletaria da máquina que me fiz, todos os nossos beijos, todas as nossas noites em convulsão do corpo nosso, vermelho, visceral... Porque talvez seja melhor amizade que amor. Quando nos teus olhos procuro alguma resposta, alguma aproximação maior da que já temos, percebo o balbuciar dos lábios seus em ato de reclamar. Sou toda errante, vibrante, quente, quase valente... Sou completa viajante, peregrina, turista no país que nomearam de amor. Não me olha assim com ares de julgamento pelos passos tão infantis do meu coração.


Sinto-me perseguindo o último trem. Sinto-me arquiteto ao tentar reformar cômodos já manchados por tempos alguns, não tão dentro do passado. E como tentar consertar o que nem mesmo sei se quero. Amo-te em demasia, e sei que seu amor aprendeu dormir em meus seios, repousar no meu sorriso, mas não entendo e não alcanço os momentos breves de falta de diálogo no nosso silêncio... Sou apreciadora máxima de sussurros em silêncio, mas não tenho alcançado os teus. De forma ou de outra é fácil perceber que estamos em matrimônio um tanto falhado. São tantas as aproximações, é tanta a afinidade, comodidade... Nos meus sonhos, nos meus anéis é o nome teu que quis decorar, rezar, reger. São tantos os obstáculos que nos ferem e parecem matar pedaço esse, pedaço outro que insiste em ficar em nós, de nós.


Os meus batimentos não sabem mais reagir às tuas ligações como em tempos remotos, nem tão remotos assim. Não aguardo mais teus beijos como quem espera para nascer. Não sei mais fazer tremer minhas mãos quando se unem às tuas. É fato que meu desejo é teu, meu prazer se faz gêmeo com o teu, que nossos corpos são unos em moldurar líquidos nos móveis, nos poros... Mas muito se perdeu, e o tempo é cruel com isso! Não me culpe tanto, amor meu... Eu sempre levantei as mais belas bandeiras de amor, outdoors e poesias do quão grande era o sentimento nobre que eu permiti nutrir em mim. Não sou a mesma de outrora, sou outra, tenho pedaços outros de outras, e isso marca. Sabe meu desejo, minha prece? Queria correr descalça nas areias molhadas pelo derretido e salgado mar que te encanta tanto criança minha. E de lá, despedir-me-ia dos seus dedos, da sua face... E partiria, e me deixaria navegar em outros mares, porque não sei quase nada do mar, nem de tudo aprendi sobre minha existência... E se entrelaçados meus dedos se mantiverem aos seus, eu não conseguirei... Não se eterniza amores, não se encarcera sentimentos. O amor não é nem foragido para que corramos atrás dele, nem presidiário condenado a prisão perpétua... Ele é por si só, livre. E eu não quero tê-lo ao alcance de minhas mãos. Não mais... Agora não!


Tenho-te muito facilmente. E ouso dizer que preferia quando era mais difícil, quando meu corpo tinha que percorrer léguas e léguas em ardor e suor, à sua procura entre os carros, entre as ruas cheias e tão vazias de gentes, presentes! Que contradição, oh deuses do céu!! ... Você não me perde, porque nunca teve. Ninguém perde ninguém, visto que ninguém é propriedade vitalícia do amor do outro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Princípio e fim
Dry Neres



Penso que é razão de ser e existir, o tal verbo amar.

Gosto do seu riso infantil, amor meu. Aprecio com delicadeza e num grau de observação absurdo o passar dos dedos teus que se entrelaçam em meus cabelos ondulados. Finjo que durmo enquanto te sinto passear em minha face com seus lábios em ato de acariciar e fazer dormir. Amo a leveza com que você conduz suas palavras em desatino ao meu aparelho de observar letras. Gosto da nossa intensidade incompreensível aos olhos de alguns e nosso carinho visto como loucura aos olhos de outros. Guardo de forma ímpar os seus suspiros e as canções que ousas balbuciar nos nossos atos românticos. E entre as flores está escondido o nosso cuidado. E cada pétala representa uma noite em que seu corpo habitou o meu na mais suave brisa dos tempos em que o vento uivava na janela. Gosto da confusão que é os seus cabelos nos meus. Amo recitar poemas com rosas vermelhas em punho, só pra te convencer que você é minha religião. Só pra te convencer que seus lábios ainda são para mim com oásis no desesto. E que seu colo ainda é o lugar mais seguro para eu morar com meus devaneios. É doce, tão doce sentir teu cheiro suave na minha camisa. É doce, tão doce, brincar de beijar minha pele, por onde seus lábios passearam.

És canção. És meu amor. É bom te ter completa, aqui na minha vida. Eu amo você!