Dry Neres

É como se meus órgãos fossem desfiados numa nuvem de confusão interior. É uma vontade repleta de convulsões de silenciar-me, mas os verbos saem em ato de parir, das minhas mãos, da minha face. É surpreendentemente incrível a forma como meus poros externam o que minhas veias querem dizer. Escondo-me. Revolvo-me. Destrói-me essa vontade de ultrapassar barreiras e sinais vermelhos. O lobo que há dentro de mim veste-se em tecido de pérolas, dança como Conde em festa Epita-fônica (são apenas palavras que invento).
É como se eu desapropria-se o verbo Ser. E como Robespierre, meus lábios pronunciassem: "Passant, ne pleure pas ma mort"! Os meus fantasmas voltam a me visitar todas as noites. Às vezes, quando sonho com castelos e consigo sorrir o mais largo dos sorrisos humanos, acordam-me no pico da minha alegria e entristeço-me em perceber-me "acorda"-Da. As ruas despencam nas rodas do meu carro. Vejo túneis, neblina e aperta-me os sentidos, quando penso nos meus pés a se balançar em dragões velando a ausência tua (que breve há de me acontecer, eu sinto).
É como o desejo de voltar e a deficiência de força que não encontro em meus relógios para que meus braços retornem à minha casa. Escuto os passos dos guarda-chuvas que camuflam o sol dos meus meses. E os anos se despedem em filmes preto e branco, trêmulos. Senhorita, estás a pisar a Terra? Ou estás submersa em baldes de pensamentos desordenados da procura cansada rumo à tua exaltação? Senhorita, caminha. Desgruda teus braços das amarras e artífices. Senhorita, estás a pisar a Terra? Por que não me responde? (Silêncio)
Até seu vício por café se fez passível de encantamento meu. Dele emanam canções de mistério... Assim, como caminha a criança na noite escura, na floresta fria, nua, assustada. Em notas maiores vejo meu sorriso espalmado em seus lábios. Tão breve como correm as lágrimas, um palco das notas menores se forma no campo central do meu globo ocular. E o que contemplo? O café acabou, mas a inquietação não. Tento te alcançar. Faço força surreal para que minhas mãos atravessem seus órgãos, na tentativa-sorte de tocar seu coração. Desenho-me de forma que nem sou. Não é fingimento. É poesia!
Eu me sinto assim quebrada. Sem muitos nortes, nem oestes... Em todos os setores da minha existência parcial. Sim, existo parcialmente e não deixa de ser tão bom. É como se a insegurança, astuta que é, tivesse vestido meus dedos, tivesse se feito anel-prisão. Que horas são? Que dia é hoje? Qual o seu nome? O que você sente? Não quero pontuação. Não queria precisar de pontuação nem questionamento. Invento situações para entreter meu insignificante ato de pensar tanto no teu jeito.
Não quero mais jogos. Não quero mais beijos, líquidos. Preciso voltar pro meu lugar seguro. Onde existia paz na quentura do inferno interior. Onde havia certeza apesar da dor. Onde amigos brindavam e brincavam. Estavam. De tudo. Presentes! E agora, pra onde foi todo mundo? Pra onde fui? Me deixei...
Notas... É tão você, quando falo de mim. Seu café, seu cigarro, seus anéis, seus cílios, sua cor. Que dia é hoje? Quantas horas são? Onde posso me encontrar? Seu perfume ainda mora na minha boca.
Hoje pensei em escrever qualquer coisa assim, de giz...
Hoje, me lembrei de você!
Me lembrei de mim...
Do rosto meu, assim, no travesseiro.
Eu que já perdi de tudo nessa vida, não imagina nunca que o vento me roubasse...
Uma filha, uma irmã, uma mãe, uma amiga, tudo junto.
O vento levou você pra longe.
Mas eu te sinto tão perto!
Como pode ora, haver sentimento tão nobre assim?
Não sou tão boa longe de você.
Diz que volta um dia, diz que volta breve, diz que não vai me esquecer!
Meu coração se enche como mar denso e salgado em lágrimas de saudade...
Em lágrimas do abraço nosso, em códigos das falas silenciosas nossas.
De tudo... Me diz, sussurra: Simply Undeniable!
Because we are best friends, right, right, right???
Que os ventos te soprem meus cuidados.
Pra você Nany, amiga de longas datas. Me traz flores Holandesas! :) Te amo!
Lembrei-me do teu riso e quis beijar as ondas do mar com os lábios teus entrelaçados aos meus em anil. Senti-me em carne viva na ausência tua. Na saudade que aperta num dia que mais parece ter quarenta e duas horas que vinte e quatro. O palpitar exorbitante do órgão que produz o amor ousava chamar teu nome entre as ruas por onde passamos e deixamos rastros de cor e céu. Oh, amor meu, sou tua! E me recordo de quando batem às minhas costas os questionamentos dos que não se enamoraram pela lua: Senhorita, estás a pisar a Terra? Com suspiros a resposta é visível na fotografia tua, que se moldurou nos cabelos claros meus. Pareço pintura moderna, pareço poesia ultra-romântica, com sorriso estampado em camiseta de cetim campestre. Tudo em você é belo... Tudo em você me agrada, minha criança! No teu colo encontro o repouso e inquietação a tanto procurado entre lunetas e faróis. Continua iluminando-me amor meu, sorriso meu, água minha. E em tudo escuto ecoar nossa canção. Todos cantam em coro aberto e exultante. As flores despetalam-se e jogam-se ao chão para que passemos com nossos grãos de amor e paixão. Beija-me! Ama-me! Adormece em meus braços que cantarei o som que faz as ondas do mar a bater nas montanhas, em teus ouvidos, tuas entranhas. Seja a sombra minha. Não me canso de ter você comigo, anjo meu! Alegro-me em ter-te feito minha crença. Rezo-te assim, então! Devora-me, na cor mais exata tua, na cor do sangue nosso!
Os quartos são alongados. Parecem querer abrigar os mundos. Bem iluminados, papéis de parede em poesia, um círculo desenhado ao chão. Em cada canto, uma miragem. No teto, lantejoulas arquetípicas desenham lágrimas que não molham. No ar, perfume de aconchego. No ar, algum resquício de dor. Voltando-se para o lado esquerdo, numa rotação corporal de 55º graus, vê-se a sala. O cômodo mais bonito. O cômodo mais arranjado. Não tem sofá, mas os tapetes cor de sangue desenham o mar que cobre a ausência tua. Os abajures representam as noites de leitura do corpo seu sobre os livros espalmados. A lareira me dá a impressão de sentir o pulsar do meu coração, a cada faísca que voa, que grita lá. Tenho dois quadros. Um meu. Um seu. Mas em todos, a pintura que vejo é a sua. Vejo o dedilhar da alma tua, caminhando pela sombra dos mesmos. Outro papel de parede e os dizeres: Mora-me, pertença-me, suga-me! O som é mais agitado por aqui. O som é mais rápido, intenso. As paredes costumam se movimentar com as ondulações das luzes que emanam do chão. O teto é sem cor. Abriga acomodações de uma osga cinegética (personagem que me habita os devaneios desde que conheci o Agualusa). Não tem cozinha. É bem pequeno por aqui. Não tem banheiro. Já não sou humano. Tampouco, naturalista. É bem pequeno por aqui. Abrigo outra casa. Mas essa só vive em meus sonhos. Das fotos que tiro, só eu vejo a casa perpendicular querendo me invadir. Só eu vejo as possibilidades de um enlace em que a ponta invada meu teto. Só nas fotografias de vento isso se faz real. Só pra mim. E quando desocupada me deixo, visualizo no espelho que ganhou lugar fora da casa, a imagem minha refletida naquela construção. Os cômodos, são minhas personalidades. Os móveis, pura imaginação. O que não foi citado... é a verdade acerca do meu coração.
Diz que quer abraçar o sol junto ao meu corpo. Ou simplesmente diz que quer me abraçar. Sua voz ao telefone me faz querer ultrapassar todos os fios, todos os elétrons da comunicação ofegante, da respiração cintilante. Diz que sim. Que eu te faço bem. Que eu sou a Dona dos teus "ais". Teu cais, teu porto, teu carro desgovernado. Sua pele ainda insiste em acariciar a minha. E as aves do céu me lembram teu pousar. E o teu canto não me sai da pele. Confesso! Já tentei lavá-lo com outras vozes, com outros cantos, com outros instrumentos. Confesso novamente... nada saiu de mim. Reclamo com o universo, grito com o tempo. Maldito seja o tempo! Maldita seja a ausência tua em mim. Que algo bendito te traga, para que minha alma assim repouse, durma em você. Que você durma em mim, por mais trezentos mil anos ou somente por um luar. Diga sim pra mim! Dê ordens à minha dor. Diga a ela que saia rapidamente, porque agora é o jeito teu que irá me invadir. Dê ordens ao meu coração. Diga a ele que te acompanhe. Que não se perca de você. Ordene que minha poesia seja tua. Reclame do meu assombro. Me beije quando eu menos esperar. Me queira quando de meias eu estiver. Briga com a distância que insiste em nos perturbar. Diz sim pra mim? Diz Sim... porque o meu Não está mais que preparado!
NÃO, não saia da minha vida nunca mais!
Parece que foi ontem. Ainda lembro-me do primeiro, VAZIO que saiu de mim há exatamente 176 dias. Desafiei a própria idéia que eu tinha de mim... e busquei máscaras ou MASK, como preferir. ELA me surgiu de forma inusitada. Minha produção poética cresceu exarcebadamente após tal aparição. Entre BUTTERFLY, descobri indecifráveis PLANETÁRIOS em que suas paredes traziam como escritura: SUGA-ME! Sinto cada fibra vibrar de forma peculiar quando me recordo do instante em que minhas mãos choraram ao escrever com tanta ternura "PEQUENA" CAROL. Deliciei-me ao som de Los Hermanos em sua CASA PRÉ-FABRICADA e soube através de LEMBRANÇAS trazer A DOR E O BEIJO DA ALMA que tiravam meu sono. Com o TOQUE SUAVE das tuas mãos, aprendi a ouvir o principal órgão do meu corpo: O CORAÇÃO. Entre tantas letras, entre tantas palavras e inquietações, marquei um ENCONTRO com MINH'ALMA. E a surpresa foi tanta que até Gabriel O Pensador, deu seus ares de graça com ASTRONAUTA. Em meio a tantos esses SENTIMENTOS MEUS, percebi sutilmente que A PALAVRA tomava conta de todo o meu ser. Que sem ela eu não saberia balbuciar no escuro, os escritos que me levariam a sorrir em forma de CARTA AOS MEUS AMIGOS.
Ganhei sabedoria incomensurável ao ver a GUERRA GELADA, que muitos Joãos, Marias, Gustavos, Patrícias, travam todos os dias... dentro... fora de si! SONHO com cada instante mágico em que a DESPEDIDA possa se reverter em retorno. E o que me inclina a SORRIR são os DEVANEIOS NUM GUARDANAPO que volta e meia me pego a escrever. Diariamente as MÁQUINAS me convidam para ser partícipe de toda sua configuração assustadora. Ousaram até me questionar, com toda sua frieza: AFINAL, OS ANJOS EXISTEM? Fiquei perplexa logo, com essa HOSTIL DIFERENÇA e resolvi me enclausurar no que edifiquei afim de me livrar de todas as loucuras do mundo moderno. Lá, na minha FÁBRICA DO PENSAMENTO, descobri que meu corpo pode ser mais leve, leve como pluma... com A DANÇA das ÁGUAS VIVAS Claricianas. E a cada segundo que me permitia ficar na minha fábrica, na nossa fábrica, pensava nas METADES minhas que haviam ficado perdidas durante todo o percurso. Minha FLOR DE LIS, me lembrou que A LÍNGUA É O QUE NOS UNE. Disse que eu não me preocupasse, porque afinal ainda existem ALMAS CÁLIDAS. Nessa viagem que me permito fazer, desafiando minha memória poética, desafiando os recôncavos dos mistérios das criações que exalam como perfume Celeste, digo-vos COM CARINHO que nada mais sou do que PEREGRINO, em busca do Amor, em busca do SER "ONOMATOPÁICO".
Não me importo com a lonjura ou extensão de cada palavra dessa. Sem elas, eu não seria o que sou hoje. Em JULHO, CODINOME EU!... Pude sentir o vento que sabia revolver sutilmente cada poro da pele minha, anunciando que DESCOBRI QUE ANJO TEM NOME: MEIRELES. Em cada descoberta... um susto! A PARTE FINAL DE CADA EXTREMIDADE SUPERIOR, me fez chegar à REFLEXÃO que nesse mundo as coisas tão mais lindas, são as que se repousam no INDIZÍVEL. EU ACHO que DURMO ALI NO MEIO -nos- RESPINGOS DO TEMPO, no LIVRO DO ESQUECIMENTO, nas RE-LEITURAS - que faço da - MEIRELES. E sei, aprendi a ler mais que o nome: E O NOME DELA É CECÍLIA!... Hoje digo com convicção! Ser ARQUITETO DE MIM MESMO, me fez perceber que posso ser maior, mais alto... que posso alçar vôos como gaivotas e reconhecer que O MUNDO PEDE PAZ.
Paz essa, que podemos encontrar, nos traduzindo... escrevendo! Em 146 CARACTERES, quis expressar todo o meu amor, toda a minha canção a um ser que despertou em mim os mais sublimes sentimentos. Segredo: Isso ainda mora aqui... Mas hoje descansa em paz, leve! Em cada ESCOLHA, soube dizer com mais firmeza que o CODINOME, AMOR deveria estar sempre assim, perto de onde podemos tocar IN MEMORIAN nos corações dos NA-MORADOS. O DESTINO, inerte à escolha, me ensinou que as coisas são ASSIM, fora do controle do que planejamos ser. Somos como VIAJANTES, perpassando as fronteiras do TEMPO, procurando LIBERDADE e O SILÊNCIO. Surpresa maior, foi descobrir meu tom MEMORIALISTA, que volta e meia, em meias voltas, me inclinava a ficar FORA DE ÓRBITA, AQUI, O QUÊ, ALÉM.
Além de mim, de Outrem. AS FLORES QUE BEIJAM MEU ROSTO em cada manhã, me trazem novamente o SILÊNCIO II que preciso encontrar meio às multidões. Porque esse me explica tudo DO QUE EU PRECISO SABER, e em constante VIAGEM, descubro de forma um tanto dolorida, que tudo é EFÊMERO. Sigo assim RECONTANDO DA VIDA e ELAS - A LUA E A MENINA voltam a me aparecer. Em outros rostos, em outros formatos, em outro alcance. Decidi que EU VOU TOCAR A LUA e pra isso, preciso me livrar DOS SOLDADOS QUE DANÇAM EM MIM e de alguns SENTIMENTOS QUE NASCEM. Preciso aprender mais com O MENINO DO PATINETE e deixar ser banhada pela TERRA ONDE CANTA MEU SABIÁ. Quero passar mais tardes com JOÃO, O PALHAÇO e sentir-me protegida assim, pelo BERÇO DO MEU FASCÍNIO. Quero FOTOGRAFAR minha inquietação com o ato de escrever e contar pra todos, que tenho UM SEGREDO, UMA RESPOSTA.
Com os SUSSURROS - DO VENTO, vejo-me À FLOR DA PELE EM CONFISSÕES DESORDENADAS. Vejo-me INCONTROLÁVEL, vejo que ainda não aprendi a beijar o que tanto preciso: O Amor! Na BATALHA NOSSA DE TODOS OS DIAS, continuo com o desejo de ser MAIOR, MAIS ALTO e CAMINHANDO, pretendo descobrir o MEU SEGREDO maior. Porque sim, eu sei que TALVEZ AINDA SEJA amor o que eu sinto por você, sei também que em meio a tantos VÔOS perpassando até pelo DIA EM QUE DEUS DERRUBOU A CAIXA DE TINTAS e a minha curiosidade em saber se é tudo isso FALSO OU VERDADEIRO, me perco, me deixo com a MINHA FEBRE, na DIALÉTICA DA DOR que quis enclausurar com a ausência tua. Mas sei que preciso de uma cama para dormir. E isso SERIA COMO DORMIR NO COLO DO TEMPO, e conseguir ver através DO GLOBO OCULAR que o grande ESPETÁCULO é o que NÃO APRENDI A DIZER, acerca DO VERBO AMAR. E desafio-te: DECIFRA-ME! Decifra-me para que eu possa compreender O QUE ENTENDEM POR AMOR...
Chego, chego quase SEM fôlego, no que me veio em forma de sussurro, ousadamente. O que balbuciei como sendo OS SEM TEXTOS. Cem textos em 176 dias. Sem textos porque descobri que nada sei. Sou uma "des-Textada". Preciso de mais, mais e mais. Esse é meu alimento, esse é o meu motor. Esse é o meu cansaço, minha dor e meu sorriso maior. Amo a palavra, amo a cena, amo o instante mágico em que os dedos se descompassam e atravessam folhas e comem lápis e deitam em mim, assim... como tatuagem, roupagem, espelho. Chego, chego quase SEM fôlego aos meus SEM de cem TEXTOS. Respiro você, respiro o que pensas agora... Decifra-me, agora!
-Agradeço de coração a todos vocês... Que amam a palavra... que a elevam... que dançam comigo nessa corda que é a escrita, na dor de saber se nossos próprios olhos se agradarão, se as almas de outras pessoas se alimentarão. Em especial: Rinnaldo Alves, Bianca Alves, Kátia de Carli, Anderson Meireles, Mauro Rocha, Ana Diniz, Gerlane Melo, Cris Fontes, Martha Thorman, Amanda Manfredini, Su... Marias, Joãos, Zés, Jorges, Anas!
Meus beijos.
Sinceramente,
Drielly Neres - Outubro/2008
COMO PAPIRO PRESO NA GARRAFA, ME FAÇO. Vou encolhida para que ainda me sobre espaço. Vou de meias porque a noite pode fazer frio intenso. Vou de carona, porque perdi identidade. Como astronauta marinho, me deixo. Vou de calças longas, não quero me molhar. Vou com as mãos nos joelhos, preciso pensar. Com tampa, proteção, sentada... sigo a minha viagem. Preciso de atenção, preciso só de coragem. Pensei em deixar isso como história em quadrinhos. Descobri tristemente, que não caibo nas páginas grandes dos livros. Sou personagem que invento a cada hora, mas sobretudo, sou humana só de passagem. Tenho várias caras, vários mitos, vários gritos. Eu não caibo nas literaturas. Sou personagem dos livros de Hamlet, sou o vento que perpassa teu corpo cintilante, fugaz.