sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Minha-Nossa-Dor
Dry Neres


Como irmãos, deveríamos ser. Como irmãos, nos aquecer do frio que exala da máquina salgada do mundo-capital-dor. Da desesperança, do desespero, do desassossego, deste duplo-pensamento-diafônico... Oh Deus, olha pelos filhos teus! Esses seus filhos que não têm cobertor para cobrir seus corações-re-quentados. Oh Pai, até quando no asfalto ficarão sujeitos às pisadelas dos tratores-homens-sem-alma? Até quando viajarão sem barco nem vela, sem água só ar? Esses irmãos nossos que têm dor nos olhos ao olhar as orquestras e o caviar pela vidraça alí da cobertura-do-bacana-altar?
E a criança, Meu Senhor, vi nas mãos dela o sonho que se perdeu. Li nas tuas marcas o rude suor das lágrimas tuas. Revi nos teus cabelos o desconforme e o ridículo para a moda-teen-dos-desalmados-do-Galois. Aquela criança representa bem os tudos e os nadas. Sinto-me bem como ela, assim, impotente em dar e receber amor. Revelo a cor que vejo quando abro a porta: branco-gelo-escuro-fome. Caminhando vou, e um velhinho vem ao meu encontro; numa sanfona carrega a sua casa, no bolso sem fundo, a esperança de encontrar repouso.
Mas de tudo-longo-grande, vejo os homens com atadas-gravatas-de-seda, enforcando sua própria ignorância. Marcando a sua falta de humanidade. Vomitando nos nadas-curtos-pequenos que rastejam em busca de água, vento, som... qualquer coisa assim que encha um prato-de-dentro ou o prato-de-fora.
H-U-M-A-N-I-D-A-D-E!!
O-mundo pe-de, a-gente es-COLHE se-dá.
*Este texto é pra Ana Diniz. Simplesmente Ana! ;)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lá onde mora o Seu Paulo
Dry Neres





Lá no sol onde faz frio.
Bom dia Seu Paulo!
Algum intervalo?
Me manda um milagre São Paulo?

Me dê informações.
Você já comeu hoje?
Um bom dia gelado...
Era a dor de não ser gente feliz!

Era só a riqueza alí do lado
Ele de costas, em seu refúgio
Com medo das mãos que afagam com veneno

Com falta dos olhos de compaixão
Seu Paulo só queria alguma orientação
Um prato com algo.

FOME AGREGADO AMPARO RESGATE SOLITÁRIO SUJEIRA HOSPITALEIRA FRIA SORRIDENTE SALGADO APALPAVA GRITO SEMENTE ANTIGO RECENTE BESTEIRA CULTURA SERPENTE GENTES ASFALTO TERRINHA CRIANÇA VELHINHA MENTE PINTURA RAIZ IMPERADOR SÓ PROFESSOR ESCOLA VIDA ERRANTE MISÉRIA CAOS COLORIDO VERNIZ ASSIM SENTADO O SENHOR, PAULO SÓ PAULO QUE NÃO É SÃO!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vagas, palavras vagas
Dry Neres



Os poetas também amam?
Ah, já me perguntei.
Como resposta, obtive uma lágrima que molhou minhas curvas...

Os poetas também amam, meu Senhor? Perguntei a alguém de barbas longas, e ele só acenou. Perguntei a jovem moça que passava em suas cores de mar, e ela assim me guiou. Ainda invoco os seres naturais desse planeta. Durmo no mar, deito nas estrelas, rezo-te, oh sol... Brinco nas nuvens, beijo as flores, banho-me na terra, visto-me do ar. Os poetas também gritam. Os poetas também sabem sorrir, talvez amar... com licença, da formosura do meu pensar. Ah, o amor... de vagueza em lonjura... perco-me nos conceitos arquétipos que leio nas enciclopédias. Emaranho-me nas rupturas que escrevi em minha pele, acerca desse tal sujeito que não ousa sequer ter predicado. Ele, por si só, é. É!! É sem explicações, e se comporta bem assim, por ser o motivo de toda a dor e alegria dos seres que moram por aqui, acolá... de bem longe também. Quero muito... quero mesmo... deixar de escrever-te em mim, e logo em seguida, borrar-te, deste papel vivo que me fiz. Quero de uma vez por todas que meus versos invadam seu sorriso, que moldurem em teus lábios as letras minhas, com os desejos meus de ter você repousado em minhas entranhas. Mas é tudo vago. Tudo aberto. Entre aspas. Marca textos. Braços frágeis. Queria sua luz aqui de novo, me iluminando as noites e congelando as horas que marcam neste relógio azul, de pulso amarelo-fome. De sede risonha-febre.
Os poetas também amam mito-do-meu-encanto-maior? Por enquanto sangram. Mas em ti, podem se curar. Reinventa-me! Eu clamo...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Infinitamente Novembro
Dry Neres
É quase frio. É quase cansado. Parece longo. Parece áspero. Reviro os retratos dos teus suspiros que moldurei em meus olhos, no lugar dos meus cílios, no lugar dos meus globos. As tuas veias me habitam os músculos e em todos os meus movimentos escuto o riso teu. "Platonizando"... Reporto-me à espera tua. Este novembro é gelado, quase morno. De este sorrir que só me lembro quando fecho os olhos no conhecido movimento de pisca-abre, pisca-leve. Sempre. Recorro à cura e na receita, encontro o nome teu. Ainda procuro esse desconhecido, esse amor, que vejo transladado nas pinturas dos quadros, dos livros. Procuro esse desconhecido sem endereço, sem roupas, sem rótulos, sem cura. O grito. Abafado. Em plataforma. Em grande escala. É quase frio. É quase março. Infinitamente novembro.
E eu me lembro...
Dos beijos de cetim. Da fome. Do cheiro. Dos gostos. Dos cabelos. Do frio. E da saudade. Da indiferença. E da busca. Dos silêncios. E acalentos. Dos nadas. Dos tempos.
E eu me lembro...
Da pele macia. Das músicas. Leves. Do que não houve. Do que poderia ter sido. Dos dois sóis. Da porta do carro. Do afago. Da lógica. Ilógica. Dos tons. De amarelo. Em tua pele. Dos ipês. Sem florescer. Nos nossos amanhãs. Das esperanças. Falhadas.
E me esqueço...
De esquecer. O março longo. Que já se foi. O janeiro próximo. Que logo vem. E esse novembro? Infinitamente. Aperta-me. Mas. Não. Devolve-me você. Parece frio. Quase. Morno. É. Frio.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quase Carolina
Dry Neres


Muito bem humorada, caminhava a menina
Caminhava a menina, assim malcriada
De nariz aduncado, ombros meio largos
Calça xadrez, camisa com cheiro de grama
Muito bem humorada, a Carolina
De humor não sabia falar
Mas lágrimas ela planejava pintar
Ah, Carolina... esses olhos podiam cantar
Dos pássaros é amiga
O céu deseja alcançar
Pula corda com os livros
Ah, Carolina... você sabe sorrir
Quase menina... Quase mulher... Quase Carolina...
Toca os sonhos feito bailarina... Ah, Carolina!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Chorando nossa ausência - Maria Cris
Dry Neres




Às vezes sinto um vazio que vem dos olhos dela. Às vezes penso que ela tenha perdido algo lá atrás, no passado. Os sonhos parecem abrigar malas escondidas. Eu sei que causo sofrimento à tua alma tão sensível. Sei também Cris, que parte minha não te agrada. O sorriso teu, me dá angústia. Eu me sinto impotente, incapaz de fazer algo por você. Você, que parece procurar amigos incolores nas páginas brancas dos livros. Você que tem amigos de longas datas, mas estes moram tão longe do corpo teu. E você se sente só, mesmo tendo em volta de si o mundo. Suas mãos parecem querer alcançar-me, abraçar-me e ninar, como talvez nos velhos tempos. Mas já sou uma estranha em seu coração. Não sei sequer lhe direcionar minhas palavras que apertam a garganta. Palavras de conforto e cuidado. Eu sinto falta de tudo o que não vivemos. De conversas de cabeceira nas noites longas e frias, em que seu amor, só o seu amor Cris, me aqueceria. Te vejo pequena. Uma guerreira que parece ter gasto todas as armas, mas a luta maior a ser travada, se apresenta como esfera que corre rápido em direção aos seus sentidos. A luta maior é a interior. É você contra você, Cris. Eu sei que parte da força que você precisa para se reerguer, provém de mim. Mas sou incapaz. Quero ser mesmo incapaz. É tudo muito confuso. Mas de tudo que sei de grande nesse mundo... é que eu te amo mãe! Sim, eu te amo tanto que chegam a me doer as entranhas e me falta o ar que condiciona os pulmões frágeis. E no auge da minha ingratidão, esqueço-me de desculpar-me durante todas essas noites, por não ser a filha que você merecia ter tido. Sou ingrata e esqueço-me de me desculpar por todas as noites de insônia que eu te causei; por todas as dores das minhas idas e vindas em mundos novos, em vidas novas que eu crio pra mim. Nas dores e nas alegrias que eu crio pra mim. Eu te amo tanto, assim, em segredo, em silêncio, em renúncia. Na verdade, eu só queria saber te amar. Mas meu amor parece que não te alcança, porque você se preocupa mais com coisas pequenas, do que com a profundidade e intensidade do carinho que sinto por ti. Deixa os pormenores pra depois, deixa minhas procrastinações e desentendimentos com o andar de cima pra que eu resolva. Só eu resolva. Tenta me amar e me aceitar como sou. Imperfeita! Incompleta... Sei que dói em você. Sei que temos convênios eternos e você deseja que eu esteja contigo depois daqui. Mas deixa os pormenores e tenta aproveitar o tempo que você tem comigo, porque cada minuto desse é valioso. Não deixa o barco ir embora, antes que você escreva um "Eu te amo" em sua borda. Não deixa nosso amor tão solto assim. Eu te amo tanto, tanto que eu choro de pensar na ausência tua. Passa tua mão pela minha. Me deixa ser teu bebê. Me deixa recordar do ventre teu. Eu te amo tanto e muito e sempre, que as lágrimas que me escorrem parecem ser de ácido que corrói pedaços meus, quando penso na nossa ausência... Quando choro nossa ausência.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Não vou falar sobre o Livro dos "ais"
Dry Neres



Queria agora mesmo, um lugar pra chorar baixinho.
Queria agora mesmo, suas mãos fingindo segurar as minhas.
Ai, como eu queria sua pele a me queimar o coração.
Vem e me salva no teu mundo de cor...

Seca meus rios a escorrer pela face.
Será você capaz de fazer tudo o que diz?
Será apenas ilusão?
Sei lá, sei não.

Silenciosamente, espero um teletransporte
Espero fuga do nada em que vivo
Espero silêncios que me invadam sem medo

Ai, eu já não caibo mais nesses espelhos.
Preciso refletir a imagem de alguém.
Preciso da imagem de alguém refletida em mim.

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Saudade de tudo. Saudade do tempo de correr e brincar. Saudade do que não pude fazer. Saudade dos beijos que quis dar. Saudade do que eu podia fazer. Mas o céu se move, o sol assume personagem novo, e eu, me permito ser de fases tal como é a doce lua. Tal como é o sorriso seu que hora me vem, hora desaparece em silêncio e som.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Descrição da Casa Prosáica
Dry Neres


Os quartos são alongados. Parecem querer abrigar os mundos. Bem iluminados, papéis de parede em poesia, um círculo desenhado ao chão. Em cada canto, uma miragem. No teto, lantejoulas arquetípicas desenham lágrimas que não molham. No ar, perfume de aconchego. No ar, algum resquício de dor. Voltando-se para o lado esquerdo, numa rotação corporal de 55º graus, vê-se a sala. O cômodo mais bonito. O cômodo mais arranjado. Não tem sofá, mas os tapetes cor de sangue desenham o mar que cobre a ausência tua. Os abajures representam as noites de leitura do corpo seu sobre os livros espalmados. A lareira me dá a impressão de sentir o pulsar do meu coração, a cada faísca que voa, que grita lá. Tenho dois quadros. Um meu. Um seu. Mas em todos, a pintura que vejo é a sua. Vejo o dedilhar da alma tua, caminhando pela sombra dos mesmos. Outro papel de parede e os dizeres: Mora-me, pertença-me, suga-me! O som é mais agitado por aqui. O som é mais rápido, intenso. As paredes costumam se movimentar com as ondulações das luzes que emanam do chão. O teto é sem cor. Abriga acomodações de uma osga cinegética (personagem que me habita os devaneios desde que conheci o Agualusa). Não tem cozinha. É bem pequeno por aqui. Não tem banheiro. Já não sou humano. Tampouco, naturalista. É bem pequeno por aqui. Abrigo outra casa. Mas essa só vive em meus sonhos. Das fotos que tiro, só eu vejo a casa perpendicular querendo me invadir. Só eu vejo as possibilidades de um enlace em que a ponta invada meu teto. Só nas fotografias de vento isso se faz real. Só pra mim. E quando desocupada me deixo, visualizo no espelho que ganhou lugar fora da casa, a imagem minha refletida naquela construção. Os cômodos, são minhas personalidades. Os móveis, pura imaginação. O que não foi citado... é a verdade acerca do meu coração.

Tenho uma casa que parece comigo.
Tenho uma casa que parece ser eu.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eu e meus fantasmas
Dry Neres




Rasguei minha camisa. Me desnudei. Desdobrei as flores. Penso que eles nunca mais vão embora. Penso que endereçaram minha alma e autenticaram no cartório a mantença do meu corpo. Penso que eles são mesmo, fantasmas meus. E de espectros, vou vivendo. E de recusas, vou morrendo. As máscaras não funcionam mais. Os olhos piscam mórbidos. Os lábios secos jazem sem cor. As mãos frias e paradas, não alcançam a porta do labirinto. Sempre descubro, sempre renovo a aprendizagem: Há beleza na dor!
Eu via que o mar me nascia dos dedos que se espreguiçavam nas lágrimas minhas. Eu via palavras voando num universo paralelo, em outra esfera sem nome. Para cada lado que me volto, meus pensamentos me atordoam, meus pensamentos me invadem num barulho estridente de tic-tac, tic-tac. Se eu tivesse um baú, trancaria meus medos. Se eu tivesse uma oportunidade mataria meus fantasmas. Eles me apertam a alma, escavam feridas abertas, confundem-me ante ao espelho. Meus hectoplasmas me fazem querer fugir de mim. Meus fantasmas hectoplásmicos, não fujam de mim! Talvez nesse edifício que sou, vocês possam ser o sustentáculo. Talvez vocês sejam a única verdade palpável, apesar de me aparecerem sempre como fumaça trépida. Minhas imagens distorcidas, com cheiros, tonalidades, prazer, dor, fotografias de vento. Vocês fizeram este rosto pálido e este sorriso largo.
Rasguei minha camisa, porque teus jeitos ainda estão impregnados em mim. Inútil foi. Vocês são minha pele, meu prazer. Vocês são minhas contradições, eterno fazer poético. Fantasmas meus, não me abandonem. Meus pés estão cansados. Quem me leva? Meus fantasmas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dos caminhos, dos versos soltos, dos posts duplos
Dry Neres




Oh minha terra de sabores
Oh poetas de almas longas
Quantas vidas de vagas leves
Nos lugares por onde aviltas


Teus sussurros, gargantas roxas
Meus poemas são livros teus
Meus Drummonds que nas noites lentas
Me aparecem como o teu adeus

Dissabores, meu terno abraço
A poesia este eterno laço
A palavra que envolve, bebe

Oh terra minha, esse vento reza
O abafado som que faz os olhos teus
De tudo que levo, a saudade é a mala...
mola, matriz, canto inspirador...
Sorriso teu.




O sorriso dela, verborragia

Nada prosaico
Muito predicativo
Pouco poeticossintetizador
Exacerbadamente verborrágico
Demasiado a devanear

Uma janela, um caminho
Psiu! Ninguém pode escutar
Um passo, um grito
Ahh!! O medo me invadiu
Preciso ficar

Nada prefixal
Muitos paradoxos
Pouco silêncio
Exacerbadamente dramático
Demasiado fingidor

O meu andar, meus caros
É cheio de mácula
O meu sorriso, amigos
É cheio de dor

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O momento mais triste
Dry Neres



Ter que ver minha pele a se abrir

E de dentro, sair o corpo seu

Cheio de cores e notas

Cheio de amor e dor

Triste mesmo foi ver saindo

O que nunca me habitou

Lágrima em forma de sorrir

Você, que virou nuvem, oh amor meu!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Diga sim pra mim!
Dry Neres

Diz que quer abraçar o sol junto ao meu corpo. Ou simplesmente diz que quer me abraçar. Sua voz ao telefone me faz querer ultrapassar todos os fios, todos os elétrons da comunicação ofegante, da respiração cintilante. Diz que sim. Que eu te faço bem. Que eu sou a Dona dos teus "ais". Teu cais, teu porto, teu carro desgovernado. Sua pele ainda insiste em acariciar a minha. E as aves do céu me lembram teu pousar. E o teu canto não me sai da pele. Confesso! Já tentei lavá-lo com outras vozes, com outros cantos, com outros instrumentos. Confesso novamente... nada saiu de mim. Reclamo com o universo, grito com o tempo. Maldito seja o tempo! Maldita seja a ausência tua em mim. Que algo bendito te traga, para que minha alma assim repouse, durma em você. Que você durma em mim, por mais trezentos mil anos ou somente por um luar. Diga sim pra mim! Dê ordens à minha dor. Diga a ela que saia rapidamente, porque agora é o jeito teu que irá me invadir. Dê ordens ao meu coração. Diga a ele que te acompanhe. Que não se perca de você. Ordene que minha poesia seja tua. Reclame do meu assombro. Me beije quando eu menos esperar. Me queira quando de meias eu estiver. Briga com a distância que insiste em nos perturbar. Diz sim pra mim? Diz Sim... porque o meu Não está mais que preparado!

NÃO, não saia da minha vida nunca mais!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Os SEM textos
Dry Neres




Parece que foi ontem. Ainda lembro-me do primeiro, VAZIO que saiu de mim há exatamente 176 dias. Desafiei a própria idéia que eu tinha de mim... e busquei máscaras ou MASK, como preferir. ELA me surgiu de forma inusitada. Minha produção poética cresceu exarcebadamente após tal aparição. Entre BUTTERFLY, descobri indecifráveis PLANETÁRIOS em que suas paredes traziam como escritura: SUGA-ME! Sinto cada fibra vibrar de forma peculiar quando me recordo do instante em que minhas mãos choraram ao escrever com tanta ternura "PEQUENA" CAROL. Deliciei-me ao som de Los Hermanos em sua CASA PRÉ-FABRICADA e soube através de LEMBRANÇAS trazer A DOR E O BEIJO DA ALMA que tiravam meu sono. Com o TOQUE SUAVE das tuas mãos, aprendi a ouvir o principal órgão do meu corpo: O CORAÇÃO. Entre tantas letras, entre tantas palavras e inquietações, marquei um ENCONTRO com MINH'ALMA. E a surpresa foi tanta que até Gabriel O Pensador, deu seus ares de graça com ASTRONAUTA. Em meio a tantos esses SENTIMENTOS MEUS, percebi sutilmente que A PALAVRA tomava conta de todo o meu ser. Que sem ela eu não saberia balbuciar no escuro, os escritos que me levariam a sorrir em forma de CARTA AOS MEUS AMIGOS.

Ganhei sabedoria incomensurável ao ver a GUERRA GELADA, que muitos Joãos, Marias, Gustavos, Patrícias, travam todos os dias... dentro... fora de si! SONHO com cada instante mágico em que a DESPEDIDA possa se reverter em retorno. E o que me inclina a SORRIR são os DEVANEIOS NUM GUARDANAPO que volta e meia me pego a escrever. Diariamente as MÁQUINAS me convidam para ser partícipe de toda sua configuração assustadora. Ousaram até me questionar, com toda sua frieza: AFINAL, OS ANJOS EXISTEM? Fiquei perplexa logo, com essa HOSTIL DIFERENÇA e resolvi me enclausurar no que edifiquei afim de me livrar de todas as loucuras do mundo moderno. Lá, na minha FÁBRICA DO PENSAMENTO, descobri que meu corpo pode ser mais leve, leve como pluma... com A DANÇA das ÁGUAS VIVAS Claricianas. E a cada segundo que me permitia ficar na minha fábrica, na nossa fábrica, pensava nas METADES minhas que haviam ficado perdidas durante todo o percurso. Minha FLOR DE LIS, me lembrou que A LÍNGUA É O QUE NOS UNE. Disse que eu não me preocupasse, porque afinal ainda existem ALMAS CÁLIDAS. Nessa viagem que me permito fazer, desafiando minha memória poética, desafiando os recôncavos dos mistérios das criações que exalam como perfume Celeste, digo-vos COM CARINHO que nada mais sou do que PEREGRINO, em busca do Amor, em busca do SER "ONOMATOPÁICO".

Não me importo com a lonjura ou extensão de cada palavra dessa. Sem elas, eu não seria o que sou hoje. Em JULHO, CODINOME EU!... Pude sentir o vento que sabia revolver sutilmente cada poro da pele minha, anunciando que DESCOBRI QUE ANJO TEM NOME: MEIRELES. Em cada descoberta... um susto! A PARTE FINAL DE CADA EXTREMIDADE SUPERIOR, me fez chegar à REFLEXÃO que nesse mundo as coisas tão mais lindas, são as que se repousam no INDIZÍVEL. EU ACHO que DURMO ALI NO MEIO -nos- RESPINGOS DO TEMPO, no LIVRO DO ESQUECIMENTO, nas RE-LEITURAS - que faço da - MEIRELES. E sei, aprendi a ler mais que o nome: E O NOME DELA É CECÍLIA!... Hoje digo com convicção! Ser ARQUITETO DE MIM MESMO, me fez perceber que posso ser maior, mais alto... que posso alçar vôos como gaivotas e reconhecer que O MUNDO PEDE PAZ.

Paz essa, que podemos encontrar, nos traduzindo... escrevendo! Em 146 CARACTERES, quis expressar todo o meu amor, toda a minha canção a um ser que despertou em mim os mais sublimes sentimentos. Segredo: Isso ainda mora aqui... Mas hoje descansa em paz, leve! Em cada ESCOLHA, soube dizer com mais firmeza que o CODINOME, AMOR deveria estar sempre assim, perto de onde podemos tocar IN MEMORIAN nos corações dos NA-MORADOS. O DESTINO, inerte à escolha, me ensinou que as coisas são ASSIM, fora do controle do que planejamos ser. Somos como VIAJANTES, perpassando as fronteiras do TEMPO, procurando LIBERDADE e O SILÊNCIO. Surpresa maior, foi descobrir meu tom MEMORIALISTA, que volta e meia, em meias voltas, me inclinava a ficar FORA DE ÓRBITA, AQUI, O QUÊ, ALÉM.

Além de mim, de Outrem. AS FLORES QUE BEIJAM MEU ROSTO em cada manhã, me trazem novamente o SILÊNCIO II que preciso encontrar meio às multidões. Porque esse me explica tudo DO QUE EU PRECISO SABER, e em constante VIAGEM, descubro de forma um tanto dolorida, que tudo é EFÊMERO. Sigo assim RECONTANDO DA VIDA e ELAS - A LUA E A MENINA voltam a me aparecer. Em outros rostos, em outros formatos, em outro alcance. Decidi que EU VOU TOCAR A LUA e pra isso, preciso me livrar DOS SOLDADOS QUE DANÇAM EM MIM e de alguns SENTIMENTOS QUE NASCEM. Preciso aprender mais com O MENINO DO PATINETE e deixar ser banhada pela TERRA ONDE CANTA MEU SABIÁ. Quero passar mais tardes com JOÃO, O PALHAÇO e sentir-me protegida assim, pelo BERÇO DO MEU FASCÍNIO. Quero FOTOGRAFAR minha inquietação com o ato de escrever e contar pra todos, que tenho UM SEGREDO, UMA RESPOSTA.

Com os SUSSURROS - DO VENTO, vejo-me À FLOR DA PELE EM CONFISSÕES DESORDENADAS. Vejo-me INCONTROLÁVEL, vejo que ainda não aprendi a beijar o que tanto preciso: O Amor! Na BATALHA NOSSA DE TODOS OS DIAS, continuo com o desejo de ser MAIOR, MAIS ALTO e CAMINHANDO, pretendo descobrir o MEU SEGREDO maior. Porque sim, eu sei que TALVEZ AINDA SEJA amor o que eu sinto por você, sei também que em meio a tantos VÔOS perpassando até pelo DIA EM QUE DEUS DERRUBOU A CAIXA DE TINTAS e a minha curiosidade em saber se é tudo isso FALSO OU VERDADEIRO, me perco, me deixo com a MINHA FEBRE, na DIALÉTICA DA DOR que quis enclausurar com a ausência tua. Mas sei que preciso de uma cama para dormir. E isso SERIA COMO DORMIR NO COLO DO TEMPO, e conseguir ver através DO GLOBO OCULAR que o grande ESPETÁCULO é o que NÃO APRENDI A DIZER, acerca DO VERBO AMAR. E desafio-te: DECIFRA-ME! Decifra-me para que eu possa compreender O QUE ENTENDEM POR AMOR...

Chego, chego quase SEM fôlego, no que me veio em forma de sussurro, ousadamente. O que balbuciei como sendo OS SEM TEXTOS. Cem textos em 176 dias. Sem textos porque descobri que nada sei. Sou uma "des-Textada". Preciso de mais, mais e mais. Esse é meu alimento, esse é o meu motor. Esse é o meu cansaço, minha dor e meu sorriso maior. Amo a palavra, amo a cena, amo o instante mágico em que os dedos se descompassam e atravessam folhas e comem lápis e deitam em mim, assim... como tatuagem, roupagem, espelho. Chego, chego quase SEM fôlego aos meus SEM de cem TEXTOS. Respiro você, respiro o que pensas agora... Decifra-me, agora!

-Agradeço de coração a todos vocês... Que amam a palavra... que a elevam... que dançam comigo nessa corda que é a escrita, na dor de saber se nossos próprios olhos se agradarão, se as almas de outras pessoas se alimentarão. Em especial: Rinnaldo Alves, Bianca Alves, Kátia de Carli, Anderson Meireles, Mauro Rocha, Ana Diniz, Gerlane Melo, Cris Fontes, Martha Thorman, Amanda Manfredini, Su... Marias, Joãos, Zés, Jorges, Anas!

Meus beijos.

Sinceramente,

Drielly Neres - Outubro/2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O que entendem por Amor
Dry Neres




O que entendem por Amor, meus caros?
Seria vontade de abraçar o mundo?
Seria um abraço com uma arma apontada para os punhos, cabeças?
Amar é invadir todo o Eu do outro?
Ou apenas, invadir residências?
Demonstrar amor talvez fosse um seqüestro ao coração.
Demonstrar amor talvez fosse seqüestro da alma e corpo, com morte no final.
Seria Amor ou Doença?
Ninguém tem as chaves do que chamamos hoje de Eu... Ninguém pode querer encarcerar sentimentos no coração de Outrem. A doença foi diagnosticada. A doença se chama Posse. Esta já soube fazer mal a milhares e milhares desde a existência do primeiro Ser. Esta se encontra em muitos lares, aqui, acolá... dentro dos flashes dos jornais ou não. Dentro dos fios telefônicos e das emissoras ou somente dentro dos lares humildes dos que não conhecem luz, nem televisão.
O amor é maior. O amor é mais alto. Não posso chamar de amor, algo que faz mal, algo que alimenta tanto que causa indigestão. Tenho medo, tenho medo sobre o que entendem por Ele... por Amor!
Sinto muito pelo desfecho triste que houve com o caso da moça de Santo André... dos desfechos trágicos que acontecem todos os dias, com os que ainda ousam nomear, dar predicados errôneos a sentimentos tão sublimes. Que a alma da que se foi possa se tornar leve... bem leve. Que o corpo da que fica, possa ser confortado. Mas já é sabido que esta tem uma alma do tamanho do mundo. Soube mais que predicar... soube viver o que chamamos de Amizade. E que ao que quis seqüestrar almas e corações... que a Justiça Divina se encarregue de cuidá-lo para que possa ser alguém melhor. Sinceramente, Drielly Neres. Outubro/2008.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Decifra-me
Dry Neres




COMO PAPIRO PRESO NA GARRAFA, ME FAÇO. Vou encolhida para que ainda me sobre espaço. Vou de meias porque a noite pode fazer frio intenso. Vou de carona, porque perdi identidade. Como astronauta marinho, me deixo. Vou de calças longas, não quero me molhar. Vou com as mãos nos joelhos, preciso pensar. Com tampa, proteção, sentada... sigo a minha viagem. Preciso de atenção, preciso só de coragem. Pensei em deixar isso como história em quadrinhos. Descobri tristemente, que não caibo nas páginas grandes dos livros. Sou personagem que invento a cada hora, mas sobretudo, sou humana só de passagem. Tenho várias caras, vários mitos, vários gritos. Eu não caibo nas literaturas. Sou personagem dos livros de Hamlet, sou o vento que perpassa teu corpo cintilante, fugaz.


COMO PAPIRO PRESO NA GARRAFA, ME FAÇO. Quisera descobrir os mistérios que rondam minha breve existência. Quisera saber do aqui, do além. Os remédios não me dão mais alívio. As músicas parecem sugar-me para um túnel, desse mar. Como astronauta marinho, me protejo. Quem sabe nas ilhas do Alentejo, quem sabe fico nas águas a afundar.
Penso que não sei nada sobre mim. Digo que meus auto-retratos são fiéis. Como medir fidelidade em mãos que escrevem dores que não se sente? Como medir fidelidade em mãos que deixam de escrever seus reais desamores, dissabores? Eu me mostro demais. Sou teu livro vivo, a dona dos teus "ais"! E de suspiros ofegantes morre meu coração, porque nessa vida-passagem, pareço não me encontrar. Caminhos confusos, respostas que vem e vão... em vão!

COMO PAPIRO PRESO NA GARRAFA, ME FAÇO. Quem sabe nas ondas do mar, eu veja minha sorte. Quem sabe eu vá habitar o mesmo lugar onde mora a Dona Morte. Talvez a melancolia seja só esforço para parecer triste. Na verdade, sorrio por dentro. Tenho a alma por vezes, exorbitante. Sei que nessa garrafa que vagueia, encontrarei trilha, roupagem. Quero que os ventos soprem cada vez mais pra longe. É no inabitável que me surgem as mais belas canções. É no inabitável que minha voz ecoa mais fortemente em mim. Consigo ouvir as fibras que se movimentam em meus músculos. Consigo ouvir a voz branda que emana do diálogo que faço com meu Eu... na dialética. Me decifre. Ou não me decifre. Me transforme em quadro. Eis que o meu mistério é
estar assim... pairando entre o que não sei, entre o que você acha que sabe de mim... entre o meu verdadeiro Eu. Decifra-me, não.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Do verbo Amar
Dry Neres




Arquitetonicamente projetado, este verbo veio conosco em nossa fabricação. Sei balbuciar, mas a conjugação me foge ao alcance dos dedos inquietos. Me entrego às ondas do mar, me deito onde o céu faz habitação na esperança de ser sugada pela força do amor verdadeiro, arrebatador, sem definição. Cansei de dar nomes aos meus amores que não sabem que são meus. Cansei de derramar canções aos pés dos que não sabem guardá-las.

Minuciosamente divago, passeio em vários mundos, várias peles, vários cheiros, vários... Desperto paixões, sou acometida por encantamentos que me vêm por meio dos mais indescritíveis sorrisos doces. Aprecio o enlace que minha alma realiza com os corpos que me dançam freqüentemente. Eu sei que não preciso de vários mundos. Só quero um. Só me faria feliz plenamente, o que tem você, mas o nosso mundo parece viajar no espaço. De nau, virou nave! De porto, virei miragem.

Ainda reparo nos teus jeitos quando tenho a chave para adentrar em teus pensamentos. Teus jeitos, teus cheiros. O teu sorrir é algo que me alimenta, acalma. A sua liberdade me assusta e me convida para morar em você. Mas não é de verdade. É idealização. Desenho. Escrita. Quero uma literatura viva. Quero peles que saibam se desgrudar das paredes e ganhar cor nos olhos teus.

Rezo-te ainda! Guardo os e-mails, os beijos, os nãos, as horas, as fotos, os textos, as mãos. Rezo-te ainda! Porque pareço ter mordido enquanto beijava-te e pareço ter arrancado um pedaço teu que mora aqui do lado esquerdo. Essa parte tua, grita todas as noites. Gela minha alma. Abraça-me em silêncio. Faz-me tremer quando despercebida estou e ela pulsa nos meus órgãos internos. Estremeço. Meu leito. Meu amor que dorme agora. Meus afagos são seus, em memória. Desenho-te só para te sorrir nos dias em que recordo dos dois sóis que me apareceram após a noite em que minha alma beijou a lua que minguava austera no céu lilás.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Do que não aprendi a dizer
Dry Neres



Caminhos vários - Pensamentos soltos

A teoria dos iguais - O preconceito dos diferentes

Um peregrino a caminhar - Entre pedras, lá...

Não sei, não sei! - Eu procuro abraços desconhecidos

Ainda espero amores antigos - Entre tantos

Procuro só um ser - Me procuro ali no meio

Espero que você me ache - Entre o amarelo e o singular

Espero que eu saiba - Do que não aprendi a dizer

Mesmo sem saber - Ouso porque sinto

Ouso porque quero - E tudo que quero

Se traduz em quatro letras - V-O-C-Ê!

Você que não sei o nome - Nem a cor dos olhos

Você que nem sei se existe - Ou se só habita meus sonhos

Você que no meio de tanta gente - Me chama a atenção

Eu que te espero nesse barco sem velas - Em desalento e solidão

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O espetáculo
Dry Neres




-Acrescentarás versos de ilusionismo aos olhos dos que desejarem atravessar tua alma. É o que a incessante voz do meu inconsciente talvez mais sábio, tem me dito desde tempos imemoriais. No meu palco... danço, escrevo, vejo, minto, canto... espero! Espero que um dia eu possa saber descer as escadas sem ficar tonta, confusa, desequilibrada. Eu ensaio todos os dias na frente do mesmo espelho a minha verdadeira desconstrução. Eu escrevo uma história que nunca será possível ser vivida. Acrescento pessoas ao meu âmbito sentimental e, sobretudo, sinto falta singular de cada uma quando as nuvens chamam-nas para algum outro lugar longe do alcance dos meus pensamentos. A cada espetáculo, vejo sorrisos e alfinetes arremessados em minha face. Às vezes, penso até ser uma espécie mais moderna de acupuntura adverbial. Sei que os julgamentos são muitos. E quanto aos meus julgamentos sobre meus atos, posso escrever um livro. A minha ingratidão junto aos elementos desse mundo é tamanha, que volta e meia me esqueço de alimentar os pássaros que pousam nos meus olhos, esqueço-me de deixar cair doces para as formigas, esqueço que a existência é um breve pulsar, um instante mágico de bater de asas e de sorrisos de criança.
Lembro-me com clareza dos meus primeiros teatros... quando menor, gostava de fingir que sabia compreender todo o mundo e fingir que a distância entre os vários mundos era mínima. Quanta nostalgia, quanta saudade sinto daqueles momentos inatingíveis e mais sublimes! Hoje, só sei contar degrau, enquanto na verdade deveria esquecê-los. Nesse espetáculo, posso ser quem eu quiser... ave, vento, céu ou solidão. O problema vai ser depois de algum tempo, reconhecer minha face nas águas limpas de alguma nascente que hei de encontrar pelos caminhos de Dubai ou pela Pasárgada. O difícil mesmo é saber fazer alguém sorrir, quando seu desejo é dizer: - Me abraça. Só me deixa chorar! E os meus fingimentos continuam. Eu não sinto dor, mas sinto necessidade exorbitante e um tanto transitória de cantar que sinto. Na verdade, minha alma repousa nos sentimentos bons e não saber onde estou me dá a sensação de linha solta ao vento. Eu quero voltar. Mas pra onde?
E se não puder ser mais você... seja assim mesmo!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Do globo ocular
Dry Neres



"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que vendo, não vêem"! - Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago.

Penso nos vultos e nas mãos que não sabiam onde tocar. Penso no sorriso teu que a memória conseguiu capturar. Não preciso do seu nome, sua descrição, nem de foto sua. Eu te conheço sem ao menos ter contemplado tua face. Eu te reconheço pelo perfume que exala da alma tua. Passei uns dias preso ao véu do entendimento profundo e percebi que a minha visão é tão superficial, rasa. Caminhei descalça sobre os escombros da crueldade humana, sobre a falta de condescendência dos seres dessa terra. E nos gritos das mulheres, percebia o choro das crianças. Os instintos se afloraram e o Naturalismo então ressurgiu. O lado animalesco do homem nunca me falou tão alto. Não se importam em perder suas intimidades, não se importam em conviver com seus dejetos, não se comovem com a fome do homem que mora ao seu lado. Na verdade entendem bem o sentido dos verbos importar e comover, todavia suas forças parecem estar num andar de cima onde não alcançam. Fingem esquecer-se de tudo que um dia aprenderam como certo. A busca pela humanização grita. E pra isso, é preciso mais que olhar. Penso que nos olhos é o lugar onde habita a alma dos homens. Mas e se perdemos os olhos? E se a cegueira nos tomar? A alma terá de se alojar em outro órgão, em outra casa. Somos todos cegos. Não reparamos o sinal avermelhado, nem as faixas que mais parecem zebras pintadas na capa negra do asfalto. Somos todos cegos. O sol nos anuncia todos os dias a renovação e só conseguimos visualizar na chuva, um vão. E só conseguimos identificar alguém pela cor, ou raça, alguma definição. Somos todos cegos... de alma, de mãos que insistem em tocar só o que se vê, de vozes que insistem em vociferar o que é preferível sentir, de cores que não aprendemos a definir. Somos todos cegos que pensam que vêem, mas que a calçada continua sendo um obstáculo, um muro. Queria dizer mais, mas a cegueira me tomou o falar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Seria como dormir no colo do tempo
Dry neres






Quantas vezes já te pedi um abraço?
Quantas vezes já te contei do meu cansaço?
Meu corpo pede calma...
Minha mente desafia a alma!



Tô com cara de doente... Fico a imaginar onde se perdeu minha imagem reluzente com ares de epopéia dantesca. Minha pele queria sol que a queimasse, mas só encontra condicionado o ar que gela toda vez que entro nessa sala. Meus olhos queriam óculos escuros ao se cruzarem com os raios do mesmo sol, mas só encontram lente sem cor ao se sentarem nessa sala gelada, com máquinas frias e idéias refrigeradas. Se eu finjo minhas dores, ninguém acredita. Se eu conto dos meus amores, muitos duvidam. Eu não caibo na idade que tenho. Minhas roupas estão pequenas pro tamanho da alma minha que cresce, cresce... num movimento breve e sutil de abre e fecha, de abre e fecha de olhos que envelhecem. E se eu escrevo... por vezes volto dez anos, outrora avanço cem. E se no tempo eu encontrasse paternidade, desejaria pedir com ares de criança que busca o leito, que ele me deixasse dormir. Pediria sem medo ou receio que ele me deixasse ficar em mim. Arrancaria de seus lábios pitorescos um "Sim" quando minhas mãos pedissem para ele me deixar descansar. O burburinho ofegante dos ponteiros me assustam enquanto acordada me deixo. Mas se eu dormisse no senhor de todas as coisas, envelheceria com certeza, mas seria tudo mais calmo, mais leve. E no acordar eu encontraria alguém que soube repousar naquilo que as filosofias todas aconselham: Repouse no tempo! Faça dele seu colo! Durma nele, mesmo que acordada. Seria como dormir no colo do tempo e ele me diria: Eu sou a resposta aos teus abraços perdidos e paro o ponteiro para que você veja o sol nascer oito vezes ao dia, viajando noutros mundos onde atravessar pontes se traduz no meu maior sorriso. E aí me pergunto: O Tempo não poderia também ser Deus?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A dialética da dor
Dry Neres



"Tudo é dor
e toda dor
vem do desejo
de não sentirmos
dor". - Legião Urbana

Penso no homem como uma eterna ferida aberta. Como uma cicatriz de questionamento existencial sempre em carne viva. E antes da existência... O que existia? Acredito infinitamente que o amor já era nascido. Talvez seja uma das únicas certezas de que permito-me ter gravado em meu peito: a de que o amor não tem datada idade de nascimento, por existir desde tempos imemoriais e de que a dor é fruto dessa existência que nos cerca. Nunca couberam, (o amor e a dor), em nenhuma literatura Florbeliana, Ceciliana, Machadiana, Freudiana... Por mais intimidade que chegaram a ter para lidar com eles, ninguém nunca soube esculpir sua verdadeira face. Acredito que por ser algo tão divino, tão sagrado que não é permitido à mão do homem traduzir. Penso que na filosofia, nem o Platonismo, nem as figuras Dantescas, conseguiram racionalizar o que o homem ousou chamar de amor. Poderia ter outros nomes, como loucura, como sol, como doce, leve... mas o homem insistiu em chamar de amor. E aí vejo sabedoria.
No mesmo compasso, quando o homem nasceu, veio com ele um órgão não incluso nos estudos do corpo humano: a dor. Sim, chamaria de órgão, porque tudo que mora dentro de mim, passa a ser parte de um todo do que chamo de Eu. Muitas vezes a dor funciona como estímulo contra a não acomodação. Por vezes, ela funciona como sepulcro do que um dia chamaram de vida. Do que sei e posso falar substancialmente é que o motor da existência humana se baseia nela. E é um exercício interessante ver cores, belas canções, belas lágrimas, no espelho que reflete o que sentimos e que nos causa inquietação, desespero, esmagamento interno. Quando penso em esmagamento gosto da figura que meu inconsciente constrói, de uma mão arrancando pálpebras e olhos.
Existe sim a dialética, a própria contradição em ser correspondido e se encontrar no Outro e entre amar quem não nos ama. E às vezes, funciona com o amor, a pintura de ser mais bonito, mais vivo, mais... mais tinto, um amor quando se sofre. Quando se quer alcançar aquilo que disseram que você não pode tocar. A dor nos permite curar nossas doenças. A dor nos sopra canções dentro de mares onde não conseguimos visualizar o fim. Ah, a dor... é parente de primeiríssimo grau do bem ou mal amado amor.
E a essa dialética só devo agradecimentos, porque de toda a literatura que penso que sou, tenho esses papéis vivos, essas tatuagens que são irmãs e eternas. Do lado esquerdo o amor, do lado direito a dor. Volta e meia se beijam, volta e meia se deitam na dança interminável do que chamamos de ato de respirar.
* Dedico este texto a um Ser que o perfume é de poesia. Que o abraço me transporta desse lugar comum e me faz habitar reinos inatingíveis. Que o sorriso consegue ter a luz do sol, mesmo que nas noites frias de neblina. Para aquele de quem eu ouvi palavras que me fizeram caminhar para a área educacional, porque ele ama o que faz, porque ele come literatura e música e amor: RINNALDO ALVES em sua Brasilidade indiscutível me encanta, me fascina! Um beijo, meu carequinha! *;*

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

À minha febre
Dry Neres



Já procurei habitar reinos inabitáveis, rir risos contidos, escrever o que não sei. A literatura da minha vida é extensa. Não é simbolista, nem tão moderna. Na verdade, sim eu vou falar: - Eu sou romântica em cada fibra do meu corpo. Vejo-me aqui, em cansaço descomunal, em olheiras que se formam em meus dedos, nesta noite em que o frio veste a alma, neste quarto em que me dançam os violões. Meu corpo treme, reza, pede. Pareço estar em febre parafrástica. Tento pousar os pensamentos num papel qualquer, mas eles em confluência, parecem não querer ser traduzidos. Talvez esta noite tenha duas pernas, talvez seja curta demais. Insônia! Por incrível que pareça, os sintomas estão em evidência. Eu sinto uma febre de palavras que soam nas mais diversas estrofes por onde perpassam minhas idéias fugídias. É febre interna, desde que eu brotei aqui. E cada música tem o mesmo perfume, e em cada perfume o mesmo som. Penso que desta vez o amor me bate desesperadamente à porta. Pede passagem e segue viagem. Ele não costuma ser tão insistente. A minha literatura repousa na inquietação da alma. O tempo foge do meu controle. Sinto frio. Fome. Sede. Sinto vontade de voltar. Mas pra onde?

O silêncio e as mãos que apoiam minha face, permitem que lágrimas-várias escorram sem ao menos molhar meu local de guardar os olhos. Eu não sei mais chorar. A febre aumenta, e minhas células se batem, se queimam. Minha literatura não é o realismo. Minha dor nunca é a mesma, porque as alegrias também mudam. Já vi tantas vidas passarem pela minha. De algumas mal lembro, de outras quando o vento vem e me sopra as falas. Nunca me esqueço de uma palavra que fora lançada aos meus ouvidos, mesmo que esta tenha setenta anos caducos dentro do meu sensível e intuitivo tom memorialista. É de estranheza ímpar que eu me encontre aqui tão tarde, a cantar minhas verdades. Me desintegro. Não se preocupe, está tudo bem. Da minha doença, eu é quem sei. Do meu remédio, sei que a receita está ao alcance da minha mão esquerda. Finjo esquecer disso tudo. Assistir ao jogo é mais seguro que jogar. Os graus aumentam, meus poros se molham. Eu tenho febre. Física. Meus pulsos abriram. Meus céus se distorceram na brancura dos meus cabelos negros. A atividade quase semântica do meu ato de escrever, me causa desesperação. Quero escrever tudo. Quero escrever o mundo. Mas ele se condensa em gotas doces, onde escorre pouco a pouco longe de mim. Os mundos são vários, muitos. Ninguém vai conseguir traduzí-los nunca, porque são muitos. Os mundos são vários, de todas as cores, de todas as gentes.

No meu arquipélago febril, onde meus órgãos parecem se cozinhar, me deixo dormir em cima da minha literatura, do livro que é meu travesseiro. As vistas baixas, o olho menor do que de costume, as luzes que não vejo, a máquina de escrever que se move lentamente fazendo o som de vento... Eu só queria tomar esta música num gole só. Eu só queria que o amor fosse de verdade. Queria saber ter coragem. A febre aperta-me a garganta num gesto rude de me levar minha clave de sol, de não me fazer enxergar os pássaros amanhã quando houver dia. Estou a delirar. Tudo que escrevo é desvario, é delírio de loucos. É passagem para a barca que não sei se conduz à parte clara que tanto pintam como a mais bonita. Minha literatura é jardim de uma flor só. Só preciso de uma. Só preciso de ar. Eu vou tomar o remédio, um dia. Mas me deixa ter febre somente por mais essa noite. Me deixa repousar na copa das árvores de folhas molhadas pelas lágrimas que emanam do azul celeste do que o homem ousou chamar de céu. Me deixa ter asas para nadar como quem compõe notas ao ar. Me deixa, me deixa ser febril, em doce febre de amar o que não se sabe que ama... em sutil cólera de sensibilidade poética. Apenas à minha febre, desejo que morra um dia e que a terra devore seus graus elevados a mil que escorrem em minha pele.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Falso ou verdadeiro?
Dry Neres



Você se olha no espelho?
Sabe seu nome completo?
Número de RG?
Você mora em você?
Sabe seu estado civil?
Orientação sexual?
Parece normal?
Gosta de chocolate?
Pensa no cheque-mate?
Ama seu melhor amigo?
Já pensou em sair comigo?
Falso ou verdadeiro?
Você usa máscaras para camuflar sua dor?
Já viu partir com alguém o seu amor?
Esqueceu de tudo e quis partir ao nada?
Sabe se teus olhos te agradam?

Sabe, sabe, sabe... eu sou curiosa, mas não sei perguntar...
Sabe, sabe, sabe... eu não sei mais escrever... tô em outra galáxia... bye, bye sociabilidade.
Meu nome é homem tecnológico. Relógio. Ponteiro. Máquina. Ar. Bomba.
Todos os agrotóxicos estão brincando de comer meus cérebros muitos-vários...
E tudo isso é falso... E tudo isso é verdadeiro!!

Na verdade eu só queria escrever sobre o amor, mas hoje ele disse pra que eu somente sinta a leveza e a brancura da pele tua que o sol tem me trazido... Ele me disse: escreve, escreve... brinca, brinca... Mas não diz sobre teu amor. Deixa sussurrar no céu o nome que grita tua garganta. Mas não fala o nome do teu amor... Fica assim quietinha, feito criança que finge estar com sono. Não desperta agora, pode ser tudo mais um sonho.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O dia em que Deus derrubou a caixa de tintas
Dry Neres




Propositalmente inclinei-me nesta manhã a apreciar a idéia que faço de Deus no ato de suas criações. Me detive em observar as cores! Elas parecem terem sido desenhadas, antes de qualquer coisa. Imagino o desenho de cada cor, o formato e a roupagem que cada uma ganha. Fico em apenas uma... na cor que parece não ter nenhuma. Aquela que escorre ante nossos olhos, que derrama em nossos ouvidos e olfatos. Tive um sonho de fotografia: um anjo sentado na grama, com cabelos dourados, com vestes de cetim, perfume de carmin. Na sua voz cantava um pássaro. Tive um sonho de fotografia: Vi montanhas todas juntas, sem norte nem sul, sem linhas ou pontos. Só uma imensidão da sutileza de todas as cores do dia em que Deus derrubou a caixa de tintas. E era mais ou menos assim:





Ps.: Recebi a imagem via e-mail por um grande e sábio amigo... O comandante Lúcio Gomes. Justamente no dia em que prostrei-me a pensar na tal caixa de tintas... Coincidência? Obrigada Comandante!

sábado, 20 de setembro de 2008

Vôo
Dry Neres



Quando penso em voar, a primeira imagem que se apresenta sobre minha face é a de um pássaro. Humanos são bem parecidos com pássaros, embora não saibam. Eu gosto de sentir cheiro de céu e de comer vento. Eles também. Eu ajo por instinto e sei bem a hora de me isolar do mundo. Eles também. Eles têm uma visão de longo alcance. Eu ainda não. Penso que voar é sair de si. Penso se em determinados momentos o desejo deles fosse tocar o chão e não o céu. Talvez o meu seja o mesmo. Que doce... os pássaros a andar como gente, com cabeça de gente, tocando violão, entoando canções... sentados à mesa, em grandes reuniões, a beber vinho. Que encanto... um engarrafamento no céu. Humanos batendo asas, carros a voar, casar no andar de lá.

Da minha cadeira frente à janela, frente ao mar que não existe aqui... Divago, divago. Eu quero fazer uma experiência de tentar alçar vôos. Nem que eu pegue carona numa dessas máquinas grandes de voar. Nem que eu tenha que escalar o Everest. Eu não sou tão pesada assim. Já vi muita pedra voando, já vi muito, folha pregada ao chão. Eu quero fazer uma experiência de tentar alçar vôos.E isso tem sido como o próprio pulsar da vida que habita em meu corpo. E isso tem sido o movimento de realizar a abertura e o fechamento dos olhos. Porque eu quero me assemelhar aos pássaros, em sua liberdade, sensibilidade, razão. Porque os pássaros seguem, seguem sem deixar que o medo lhe invada as camisas.

Sei pouco de mim e os pássaros vão poder me ensinar quantos grãos eu posso comer por dia, qual a moradia em que devo me alojar. Vão me ensinar que não importa a velocidade dos ventos quando se tem objetivos fixos e que seguir em frente é a melhor opção, quando se tem várias e nenhuma. Vou tocar notas e arranjos com os fios invisíveis que se formam na imensidão e assim, voar. O vôo sentado, o vôo aberto, com perspectivas de volta à mesma embarcação. Distraída. Preciso voltar em alguns momentos meus... até a volta se encontra indo em frente! Dos pássaros que pousam, das gentes que voam, dos "cegos do castelo", dos objetos de voar que caem... eu quero ser embarcação, só. Não importa se na terra, no ar,no mar, eu preciso alçar vôos leves, últimos, encantadores. Que permitam aos meus olhos mergulhar. Que permitam minha pele se soltar, se salvar. Porque no final, tudo vai ser um vôo. Onde você vai pousar? Em doces lagos de água quente ou em campos de trigo de sóis poentes? Porque no final, tudo vai ser um vôo.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Talvez ainda seja
Dry Neres






As ondas do mar espreguiçaram-se sobre os meus pés. O sol bocejou-me, indicando que eu passara o dia inteiro ali, sentada. As estrelas não se demoraram em cair sobre minha cabeça em gotas cintilantes, como se caísse o próprio céu. As areias fizeram-se minha própria pele, porque de compaixão elas sofriam ao ver que eu estava em carne viva. Anoitecia. Um cenário dramático para quem carregava somente uma mochila óptica cheia de vento, que guardara para brincar de tocar os nadas, caso lhe faltasse algo a fazer. Em largos goles, a ausência da luz dos meus olhos, bebia-me, sugava-me, arrancava-me da presença minha. Quisera eu, saber ser uma fazedora de histórias, uma vendedora de passados, uma invenção boa de algum Nicholas Shakespeare, uma personagem Julietiana... me restou, o Ser Onomatopáico, onde exalar sons me fizera ser o bastante. Eu me acostumei com a minha condição de gente, já que bicho tem que morar na selva e não pode entrar em biblioteca. Dou mil voltas, em mil haréns e retorno com o mesmo véu: a falta tua em mim. Hoje me recordei do riso de doçura sibilante, do olho ansioso que não sabia bem fitar os meus por muito tempo. Recordei-me da dor primeira que avistei em teus olhos e dos dias em que quis ser teu porto, tua felicidade e teu vinho. Vendo como uma Osga de atividade cinegética, fico presa à idéia de que estou certa que terei de te levar ainda por muito tempo por aqui. Porque da árvore que brotam minhas palavras, você se fez a raiz. Eu temo ter que parar de escrever, por minha raiz ter-se encurvado. Eu temo que talvez ainda seja... que talvez ainda seja amor o que eu sinto. As ondas voltam a se espreguiçar e me trazem a difícil missão de adivinhar o que vai arranhar meu dorso. Se serão as aves ao se esquivar, ou se o vidro vai correr pelo rio em cabelos de espumas incandescentes. É a difícil missão de adivinhar... Porque talvez você tenha sido meu amor mais intenso e doce. Talvez ainda seja!




ME EMBRIAGO NA TUA AUSÊNCIA, PORQUE DE ALGUMA FORMA, VOCÊ MORA NUM PEDAÇO MEU. SEJA EM QUAL VIDA FOR, SE SEREI UMA FOTÓGRAFA DE GUERRA, OU UMA SIMPLES COLECIONADORA DE IMAGENS DE LUZ. SE SEREI MENDIGA OU CLEOPATRA, AS RUINAS OU AS RAMAGENS... SEREI UM PEDAÇO TEU. SEREI A MEMÓRIA TUA EM MIM, EM CONSTANTE MUTAÇÃO. TALVEZ AINDA SEJA.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O segredo
Dry Neres

Baús vivos, esfinges trancadas, vidros trincados e peliculados. Escondemo-nos de nós mesmos a cada segundo de nossa breve existência. Usamos sorrisos, brincos, peles para nos camuflar; mas tem a alma nossa, que faz um barulho ensurdecedor e por alguns instantes, foge desta casca superficial que é o corpo nosso. Deseja nos tocar. Está cheio de vozes, o meu barco.


VERBO ERMO VIL SOLAR AQUI ACOLÁ – O SEGREDO.